Categorias: MÚSICA

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Música

Enquanto tentamos seguir adiante, parece que 2021 quer nos fazer ficar presas no passado. Muitas playlists das músicas mais ouvidas do ano, no Spotify, indicam que a nostalgia foi o carro chefe para 2021, afinal, há maneira melhor de fugir do presente do que correndo para o passado? E nada abre mais fácil esse portal para as lembranças de dias mais felizes e livres do que a música. Alguns artistas beberam da fonte da nostalgia para lançar seus trabalhos (alô Taylor Swift, alô Avril Lavigne), enquanto outros decidiram seguir em frente como possível, remodelando seus sons, atualizando canções, apostando na novidade para seguirem relevantes. O fato é que 2021 parece um grande interlúdio nos preparando para o retorno dos shows e grandes festivais, mas enquanto esse dia não chega, arrastamos os móveis da sala para dançar forró e tecnobrega ou rodopiamos à luz da geladeira.

a touch of the beat gets you up on your feet gets you out and then into the sun, Aly & AJ

Por Julie

Um fim de tarde no verão, com o céu limpo e um belo pôr-do-sol rosado no horizonte. É assim que eu vejo o a touch of the beat gets you up on your feet gets you out and then into the sun, primeiro álbum de estúdio da dupla Aly & AJ em 14 anos. Inspirado no pop e rock dos anos 60 e 70, o trabalho soa mais íntimo e maduro que seus antecessores. Ouvi-lo é como mergulhar no universo das irmãs Michalka, caindo nas estradas da Califórnia e esquecendo a loucura do mundo lá fora.

Particularmente, como uma fã de longa data de Aly & AJ, ouvir a touch of the beat gets you up on your feet gets you out and then into the sun é uma experiência ainda mais tocante. Notar como elas, assim como eu, crescemos e mudamos nos últimos anos me fez refletir sobre como a maturidade e o passar do tempo tem sua beleza. A sonoridade otimista e indie pop com um toque soft rock também foi um grande conforto para mim nessa pandemia, me transportando para dias ensolarados do passado e pelos quais também anseio no futuro.

Para saber mais: A Reinvenção de Aly & AJ

Batidão Tropical, Pabllo Vittar

Por Karina

Em pleno ano de 2021, Pabllo Vittar, com seu exército de fãs e milhões de seguidores, poderia lançar qualquer musiquinha preguiçosa e agradar. Mas aí não seria Pabllo Vittar. Batidão Tropical é um álbum impecável. É uma mistura gostosa de forró e tecnobrega, com três faixas originais e seis regravações de outras bandas — músicas que eu mesma não conhecia antes e, agora, posso dizer que me sinto um pouco mais educada.

O título do álbum não deixa mentir: é uma playlist perfeita para o verão. Passei muito tempo deste ano lavando a louça e cantando “Não é Papel de Homem”, dançando com meu gato ao ritmo de “Bang Bang” e berrando “Zap Zum” quando alguém me mandava uma mensagem no WhatsApp. Pabllo Vittar segue fazendo o povo brasileiro sorrir, mesmo em dias que isso parece um exercício impossível.

Bijin, Chanmina

Por Isabela

Chanmina não é novata no cenário musical do leste asiático, mas começou a ganhar mais força no ocidente em 2021. Junto com a cantora sul-coreana Jamie, Chanmina participou do remix de “Best Friend”, de Saweetie com Doja Cat, lançado em abril, servindo linhas rápidas em japonês, coreano e inglês. “I’m a Pop”, de 2019, é parte da trilha sonora do filme Kate, estrelado por Mary Elizabeth Winstead, que estreou na Netflix em setembro, fazendo com que a música entrasse para o chart Billboard World Digital Songs dos Estados Unidos. Mas é por causa de BIJIN, EP também lançado em abril, que a artista está nesta lista.

Em japonês, o termo bijin (美人) significa “bela mulher”. O single de Chanmina fala sobre as expectativas da beleza feminina e suas próprias experiências com as pressões causadas por esse padrão quase impossível de ser alcançado. No clipe, ela é uma dama do Japão feudal que deve seguir regras rigorosas para manter a aparência, mas quando ganha um corte no rosto, se enforca por não ser mais perfeita. “Eu sou a porra de uma mulher/ E sou linda pra caralho/ Deus, aqui estou eu/ Somos a porra de mulheres/ E somos lindas pra caralho” são os versões que terminam a música.

“Needy” e “Morning Mood” falam de amor. Mais lentas, têm uma pegada de pop suave e R&B. E apesar de ser vista principalmente como rapper, Chanmina não desaponta ao mostrar que é uma vocalista poderosa em “Dahlia”. A letra parece tão pessoal quanto “BIJIN”, tratando de uma garota com olhos de tigre e um sonho mais precioso que qualquer ambição. Essa garota, ela diz, não é bonita, mas tem uma boa voz para cantar. No final, Chanmina tenta não se importar com as dúvidas sobre ela — colocadas ali por si mesma e pelas outras pessoas. Ela sabe que é diferente e sabe que não quer enlouquecer por causa disso. O que quer de verdade, no entanto, é continuar perseguindo o sonho que conquistou e simplesmente continuar cantando.

Bite Me, Avril Lavigne

Por Thay

Ok, “Bite Me” é apenas um single de um vindouro álbum, mas a cação não poderia ficar de fora do Melhores do Ano quando marca o retorno de Avril Lavigne ao pop punk que a lançou para o mundo. “Bite Me” evoca os melhores momentos do início da carreira de Avril, nos lembrando de canções como “Complicated” e “Losing Grip”, de seu álbum de estreia Let Go. Para além das guitarras marcantes e da bateria de Travis Barker, que também aparece no vídeo da canção, o visual de Avril também retorna às sua origens: os longos cabelos loiros estão com as pontas cor-de-rosa, saia xadrez voltou a fazer parte do look e os olhos com maquiagem pesada fecham o pacote. É como voltar para os anos 2000 sem precisar de uma máquina do tempo, só dando play no Spotify. Como se não bastasse “Bite Me”, Avril também participa de uma das canções de lately I feel EVERYTHING, álbum de Willow, mostrando que o pop punk nunca esteve tão vivo.

O sétimo álbum de estúdio de Avril Lavigne  deve ser lançado no início de 2022 e, de acordo com a cantora, é inspirado em canções do Green Day — com quem estará no Rock in Rio do ano que vem — e será puro rock ‘n’ roll. Em entrevista para o Entertainment Weekly, Avril disse que para o álbum buscou referências nas bandas que ouvia enquanto ainda era adolescente, vivendo em uma pequena cidade do Canadá. Para além das canções sobre corações partidos e relacionamentos amorosos que não deram certo, Avril disse que com seu álbum buscou escrever uma “carta de amor para as mulheres” mostrando que elas devem confiar e amar a si mesmas. “Minha mensagem é saiba quem você é e confie em quem você é. Muitas dessas músicas são sobre ter a força para se afastar se alguém não enxerga você. Eu quis ter certeza que eu escrevi músicas que as pessoas poderiam se relacionar. É sobre valorizar você mesmo e saber que você é o suficiente. É realmente uma carta de amor para as mulheres”. Perfeita.

Para saber mais: Head Above Water: o renascimento de Avril Lavigne

Cover Me In Sunshine, P!nk, Willow Sage Hart

Por Yuu

No começo do ano, em fevereiro, P!nk e sua filha Willow Sage Hart nos deram um presente em formato de música. Cover Me In Sunshine” foi um afago que diminuiu a angústia e a ansiedade causadas pela pandemia. Em pouco mais de dois minutos de duração, o single nos transmite uma mensagem tranquilizadora e esperançosa com uma melodia suave, versos simples, e o tom infantil de Willow para dar aquele toque de inocência.

No clipe da música, elas aparecem cobertas por raios de sol, em contato com a natureza e com animais, sorrindo, e aproveitando um momento bom sem grandes ambições. É um lembrete de que a felicidade está nas coisas simples, que por mais que pareçamos frágeis, somos resilientes, e que mudando a perspectiva, o futuro pode ser muito promissor — “Wildflowers, they keep living/ While they’re just standing still” [“Flores silvestres continuam vivendo/ Enquanto estão paradas”].

Honestamente, meu ano teria sido diferente se não tivesse essa música para recorrer nos momentos difíceis — foi uma das minhas cinco músicas mais ouvidas em 2021. Cover Me In Sunshine” arranca lágrimas fácil dos emotivos; é um abraço quentinho na alma. P!nk tem uma energia intensa, se entrega muito nas suas músicas e performances, mas também tem um coração de ouro, e está passando seu exemplo adiante.

Dancing With The Devil… The Art of Starting Over, Demi Lovato

Por Daniela

Dancing with the Devil… The Art of Starting Over é uma marca na carreira e vida de Demi Lovato. Lançado em abril de 2021, o álbum é o mais sincero, impactante e vulnerável que elu já produziu. As letras nos levam em uma jornada pela história de sua vida, principalmente os últimos anos.

A primeira música, “Anyone”, foi lançada quatro dias antes delu sofrer uma overdose em 2020, dia que é retratado em “Dancing With The Devil”, uma das canções que nomeiam o álbum. A canção que complementa o título, “The Art Of Starting Over”, ilustra o processo que elu está passando de recuperar o controle sobre a própria vida. Essa é a dualidade que torna a jornada do álbum sensível e impactante. Por um lado, temos Demi antes e durante sua dependência química e fases mais difíceis, enquanto por outros, temos elu redescobrindo como viver.

O ano foi conturbado para Demi em diferentes sentidos, mas também foi libertador. Pela primeira vez, elu colocou sua saúde mental e vontades à frente de sua carreira. Recentemente, por meio das redes sociais, Demi anunciou que abandonou completamente o uso de drogas. Em “California Sober”, uma das canções do álbum, ela defendia o uso recreativo como forma de continuar o tratamento. Agora, elu diz que a única maneira de ficar sóbria é estar totalmente sóbria, ou seja, não usar nenhum tipo de drogas. Isso, como as canções do álbum, são exemplos de como elu está descobrindo o melhor para si.

Para saber mais: Demi Lovato e a arte de recomeçar

De Primeira, Marina Sena

Por Marina

Que o TikTok deitou pro sorriso da Marina Sena todo mundo já sabe, mas “Por Supuesto” é apenas a terceira faixa de um álbum incrível lançado esse ano. O fim do Rosa Neon, banda da qual a cantora participava, me destruiu, mas Marina entregou tudo com seu primeiro single, “Me Toca”, e ali eu já estava engajadíssima pro seu primeiro álbum solo. De Primeira é um álbum contagiante e que cria uma atmosfera gostosa e dançante que justifica completamente o hit nas redes sociais.

É um debute incrível, que trouxe cor para 2021 e criou altas expectativas para o futuro da cantora (e para, por favor Marina, um feat com a Duda Beat).

Death by Rock and Roll, The Pretty Reckless

Por Thay

música melhores do ano

Taylor Momsen está no showbusiness desde muito novinha, trabalhando como atriz desde os três anos de idade. Momsen passeou por produções como O Grinch e Gossip Girl, mas, arrisco dizer, se encontrou verdadeiramente como artista à frente da banda The Pretty Reckless. Mesmo tantos anos após sua estreia, ainda me surpreendo ao pensar que aquele menininha de maria chiquinha em O Grinch e a doce Little Jenny de Gossip Girl se transformou em uma das grandes cantoras de rock de sua geração. Sim. Você pode até pensar que é rasgação de seda, mas Taylor Momsen é uma ótima cantora e uma performer impecável. Death by Rock and Roll é o quarto álbum de estúdio da banda liderada por Momsen — que ainda tem Ben Phillips na guitarra, Mark Damon no baixo e Jamie Perkins na bateria — e mostra um som muito mais maduro e consistente, canções intensas e vocais poderosos.

“Only Love Can Save Me Now”, uma das minhas faixas favoritas do álbum, tem produção de Taylor e conta com Kim Thayil na guitarra e Matt Cameron na bateria, ambos músicos do Soundgarden — a relação de The Pretty Reckless com o Soundgarden vem da época em que a banda de Taylor abria os shows da banda durante a turnê de 2017, mesmo ano em que Chris Cornell, o vocalista do Soundgarden, tirou a própria vida. O trauma que Taylor viveu nesse período com a morte do amigo se reflete em várias canções do álbum, o que justifica o tom sombrio da produção e até mesmo a capa do trabalho que mostra a vocalista deitada sobre uma lápide.  Além das participações dos integrantes do Soundgarden, Death by Rock and Roll ainda conta com Tom Morello em “And So It Went” que tem um solo incrível do músico, como não poderia deixar de ser. Outra favorita do álbum é “25” que, dizem os fãs, e eu concordo, poderia ser facilmente uma música tema dos filmes de James Bond. Se você ainda não deu uma chance ao trabalho do The Pretty Reckless por um preconceito bobo com Taylor Momsen e seu trabalho anterior na televisão, você está perdendo um dos melhores álbuns do ano e uma das bandas mais legais de se acompanhar. E tenho dito.

Different Kinds of Light, Jade Bird

Por Manu

O segundo álbum de estúdio da britânica Jade Bird foi lançado no último mês de agosto, e parte do seu desenvolvimento foi influenciado pela pandemia. O repertório deste lançamento inclui material composto durante e depois da sua primeira turnê, e foi ampliado durante a quarentena de duas semanas a qual Jade precisou cumprir entre viagens, antes de gravar em Nashville — já que não foi possível fazê-lo no Reino Unido.

A cantora e compositora traz, neste álbum, uma mescla de sonoridade country e folk com suas referências britânicas — tais como PJ Harvey e The Smiths — deixando de lado as expectativas que a etiquetavam como uma nova estrela country-pop. O resultado de Different Kinds of Light são canções melódicas acompanhadas por letras sobre os diferentes momentos da experiência de estar apaixonado, bem como lidar com vivências e impressões anteriores que não deram certo. Todas as pequenas histórias encompassadas no álbum são interpretadas pela voz de Jade, que alterna entre timbres mais suaves e enérgicos sem perder o encanto: é o caso de “Honeymoon” — na qual Jade resgata experiências próprias, assim como de sua mãe e avó, para retratar um relacionamento em que a figura feminina não é boa o suficiente, apesar de seus esforços constantes. Outras faixas, como “Now is The Time”, são esperançosas e joviais, multiplicando pequenos brotos de energia necessária para sobreviver ao contexto da pandemia. Indo na contramão dos hits contemporâneos, marcados por batidas eletrônicas, o trabalho mais recente de Jade conseguiu transmitir de várias maneiras sua marca autêntica no cenário musical deste ano.

Fearless (Taylor’s Version), Taylor Swift

Por Thay

música melhores do ano 2021

Se Taylor Swift lança um álbum novo, eis que aqui estaremos para exaltá-la. Fearless (Taylor’s Version) é a primeira regravação da artista desde que anunciou sua empreitada com o intuito de reaver o direito sobre seu trabalho, e o lançamento não poderia ter sido mais impactante. A começar pelos vocais mais maduros de Taylor, é realmente cativante acompanhar as regravações com novos olhos (e ouvidos) mais de dez anos depois do lançamento do trabalho original. Foi com Fearless que Taylor recebeu o Grammy de Álbum do Ano em 2010, o  maior prêmio do evento, além de Melhor Álbum Country, Melhor Canção de Country e Melhor Performance Vocal Country por “White Horse”.

Fearless (Taylor’s Version) tem toda a nostalgia envolvida, mas também tem suas novidades com as chamadas  From the Vault, composições inéditas que Swift decidiu incluir junto às regravações. É assim que conhecemos “Mr. Perfectly Fine”, mais uma canção para Joe Jonas, mas que cabe até mesmo em toda a situação Swift versus Scooter Braun, “That’s When”, dueto com Keith Urban, e “You All Over Me”, em que Taylor faz dueto com Maren Morris. É bom saber que as coisas mudam e se antes Taylor Swift esperava um príncipe em um cavalo branco para salvá-la, hoje em dia ela dá conta do recado sozinha. Destemida.

Para saber mais: Fearless (Taylor’s Version): sem cavalo branco, destemida

Happier Than Ever, Billie Eilish

Por Ana Luíza

música billie eilish

Segundo álbum de estúdio de Billie Eilish, Happier Than Ever pode ser descrito como uma incursão mais madura de temas já abordados pela cantora, e também mais e distante do seu trabalho anterior, WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?. Happier Than Ever observa seu processo de transição entre adolescência e vida adulta, registrado em tempo real pelas câmeras, ao mesmo tempo em que perpassa temas como o peso da fama e traumas físicos e psicológicos, incluindo as marcas deixadas por um relacionamento abusivo.

Muitas das músicas mantêm o ritmo mais agitado proposto por Eilish e seu irmão, Finneas O’Connell, também responsável pela produção do álbum. Mas o grande destaque fica por conta das letras, mais densas em comparação. As baladas são outra grande faceta da cantora, que se revela justamente naquelas que poderiam ser faixas menos impactantes. “Getting Older”, que abre o álbum, resume perfeita e dolorosamente essa ideia, tocando o envelhecimento  e o amadurecimento, questões distintas mas igualmente complexas, de forma tão brutal quanto delicada. É também uma música bastante pessoal, o que, de acordo com Eilish, a tornou tão difícil de escrever — sua honestidade, no entanto, é sentida em cada verso.

“Happier Than Ever”, música que dá nome ao trabalho e também o conclui, por sua vez, foi uma experiência terapêutica para a cantora, finalmente capaz de gritar sobre o que havia lhe acontecido — e, com isso, permite que exorcizemos também nossos fantasmas. Sua viralização no TikTok não é, afinal, mera casualidade: muitos dos vídeos que a música acompanha são também desabafos, criando uma corrente poderosa. Billie Eilish pode não estar feliz. Seus hobbies podem ter se tornado o seu trabalho, e ela ainda está se recuperando dos traumas que sofreu. Mas, definitivamente, não está sozinha.

Para saber mais: Happier Than Ever: o final nem tão feliz de Billie Eilish

If I Can’t Have Love, I Want Power, Halsey

Por Thay

Minha playlist de músicas mais ouvidas em 2021 do Spotify não me deixa mentir: o quarto álbum de estúdio de Halsey simplesmente dominou meu ano. If I Can’t Have Love, I Want Power é um daqueles trabalhos musicais que eu não perco a oportunidade de exaltar visto que absolutamente tudo dentro desse projeto é perfeito e coerente com a história que Halsey pretendia contar por meio de sua canções. Trabalhando ao lado de Trent Reznor e Atticus Ross, do Nine Inch Nails e vencedores do Oscar de Melhor Trilha Sonora Original por Soul, não teria mesmo como o álbum dar errado. Nas palavras de Halsey, If I Can’t Have Love, I Want Power é um álbum conceitual “sobre os horrores e alegrias da gravidez e do parto” — o que já fica evidente pela poderosa capa inspirada nas representações de Maria, mãe de Jesus, na arte sacra. Além do álbum com 13 faixas inéditas, um short-film dirigido por Colin Tilley com roteiro de Halsey estreou nos cinemas de todo o mundo, ampliando o poder das canções e a mensagem da artista.

“Honey”, canção que Halsey escreveu quase de brincadeira quando mostrou ao seu irmão como nasciam suas composições. “Honey”, inclusive, tem bateria de Dave Grohl, o que só acrescenta à canção. Ainda que eu ame o álbum do início ao fim, meu xodó é O primeiro single, “I Am Not a Woman, I’m a God”, é impactante em todos os seus quase três minutos de duração, e eu poderia ouvi-la em loop por dias (não que eu não tenha feito isso). “Girl Is a Gun” lembra a canção que Halsey escreveu e cantou para Aves de Rapina, “Experiment on Me”, enquanto “Easier than Lying” fala sobre a personagem da canção é a vilã apenas porque a rotulam como tal. If I Can’t Have Love, I Want Power é um álbum que fala sobre feminismo, misoginia, machismo e a porcaria da sociedade patriarcal em que a gente vive.

Para saber mais: Manic, o disco transformador de Halsey

lately I feel EVERYTHING, Willow

Por Ana Luíza

Não é preciso ser fã de Willow para reconhecer o trabalho poderoso que a cantora tem realizado (embora seja uma missão quase impossível não se tornar fã uma vez que se tem contato com ele). lately I feel EVERYTHING, seu quarto álbum de estúdio, dá continuidade aos seus trabalhos anteriores no sentido de continuar a explorar as angústias de Willow — sua vida é sua maior inspiração e suas canções são, portanto, uma forma de destrinchar vivências e emoções de forma a melhor compreendê-las —, mas o faz a partir de novas referências musicais, como o pop rock, o pop punk e o nu-metal.

Parte do que inspira Willow a desbravar novos estilos é a própria influência da mãe, Jada Pinkett-Smith, ex-vocalista da banda de nu-metal Wicked Wisdom, e o racismo e sexismo sofridos por ela enquanto mulher negra à frente de uma banda de rock (ainda que o rock tenha sua origem entre a população negra). Willow convoca nomes como Travis Barker, ex-baterista do Blink 182, que a auxilia em sua missão ora na bateria, ora na guitarra, para criar um álbum às vezes caótico, rápido, divertido e, ao mesmo tempo, revolucionário. Nada seria possível se Willow não se sentisse tão confortável no gênero, e ela se sente, inspirando outras garotas a fazer o mesmo. lately I feel EVERYTHING é um álbum confessional, repleto de referências notáveis e que perpassa temas essenciais, sem perder a energia contagiante de uma das maiores artistas dessa geração.

Para saber mais: As explorações sonoras e confissões humanas de Willow em lately I feel EVERYTHING

Peaches, KAI

Por Debora

Exatamente um ano após lançar seu primeiro trabalho solo, o cantor e dançarino do grupo sul-coreano EXO, Kai, lançou seu segundo mini álbum solo em novembro. Mostrando sua versatilidade como artista, o conceito, estética e produção do sucessor de Kai (开) mostra um lado mais etéreo e onírico dele ao mesmo tempo que aborda alguns dos temas apresentados anteriormente com mais maturidade e ousadia. Em uma mistura visual que traz mitologia grega (no short-film produzido para a b-side “Vanilla”) e tradições históricas sul-coreanas (no MV do single “Peaches”), Kai demonstra um lado pouco abordado de sua persona até agora em sua carreira desde que debutou como artista da SM Entertainment. Em suas palavras durante uma live realizada no Instagram, enquanto trabalhava no álbum ele sentiu “agonia, preocupações, alguns sentimentos que senti pela primeira vez desde que nasci. Pensamentos e dificuldades entraram nisso. Através dessa música, senti felicidade, amargura, foi um projeto que me fez sentir muitas coisas.”

Durante as seis músicas que compõem o trabalho, somos embalados ao som de uma sinfonia de ritmos, indo desde o R&B, hip-hop até o indie pop e também arriscando em batidas mais lentas. O single “Peaches” fala sobre um amor tão doce como pêssegos e que deixa o eu lírico embriagado pela paixão. Já em “Vanilla”, minha favorita disparada do álbum, e de Kai também, ele se arrisca em cantar uma música de estilo que, segundo o cantor, “nunca pensou que faria”. Com vocais impecáveis, um instrumental que fala com a alma e um lirismo suave, a música compara o amor à baunilha e como o seu desejo por isso é maior que tudo. Enquanto isso, em “Domino” temos um vislumbre mais palpável do Kai sexy e cheio de ousadia que mais conhecemos, sem filtro quanto ao que anseia. Do mesmo modo que na ótima “Blue” ele explora o lado inverso, expondo sua fragilidade, solidão e vulnerabilidade. A música, conforme o próprio artista, é um retrato de como ele se sentiu no processo de criação e produção de Peaches: inseguro, solitário e temeroso.

Para saber mais: KAI: o artista, a marca e o movimento; We are One: Exo, k-pop e um novo refúgio em tempos difíceis

PUTA, Zahara

Por Giovanna

Em 2021, o disco que eu mais ouvi foi o da Zahara, que pra mim é cheio de significados. As letras das músicas são ótimas e super autobiográficas — e, por isso mesmo, cheia de situações que muitas mulheres vão se identificar. Em PUTA, Zahara canta sobre sua infância na igreja, sobre o que a sociedade impôs a ela por ser mulher, sobre quem ela é e quem somos nós — segundo ela, chamado de PUTA porque é uma palavra que todas as mulheres já ouviram em algum momento.

Em algumas entrevistas ela disse que o disco foi muito inspirado pelo folklore de Taylor Swift, inclusive uma das músicas é chamada “TAYLOR”. O disco tem uma vibe que lembra o folklore, mas ao mesmo tempo é totalmente diferente. Músicas bastante reflexivas, com melodias gostosas e que dão vontade de ouvir pra sempre.

SOUR, Olivia Rodrigo

Por Ana Luíza

 

Para saber mais: SOUR de Olivia Rodrigo e a volta do clube dos corações partidos; SOUR, Olivia Rodrigo e a influência de Taylor Swift nos sentimentos da Geração Z.

The Bitter Truth, Evanescence

Por Thay

música melhores do ano 2021

Depois de escrever um textão emocionada a respeito do retorno do Evanescence após dez anos sem álbum de inéditas, é óbvio que não poderia deixar de indicar The Bitter Truth como um dos melhores do ano. Cresci ouvindo Amy Lee e companhia, continuei ouvindo quando ficou só Amy Lee, e permaneço em todos os seus projetos e experimentais. The Bitter Truth é um álbum que tem a pegada que tornou o Evanescence conhecido mundialmente, porém com o diferencial das letras de Amy Lee tratarem muito mais de seu momento atual, sobre se aceitar, do que sobre os corações partidos de antigamente. Tanto por isso a canção “Use My Voice” foi escolhida não apenas para ser um dos singles do trabalho como também para incitar os fãs a votarem, usando sua voz para escolher as pessoas que estarão à frente de decisões importantes nos Estados Unidos.  “Use My Voice” conta com um coral de apoio estrelado com as vozes de Lzzy Hale da Halestorm, Taylor Momsen da Pretty Reckless e Sharon den Adel da Within Temptation, além da violinista Lindsey Stirling.

“Wasted on You”, escrita antes da pandemia do coronavírus, acabou se encaixando com o momento quase sem querer: a letra, a princípio, fala sobre se libertar das amarras de um relacionamento sem futuro, evocando a falta de controle que uma pessoa pode sentir estando com alguém que não a vê. Minhas canções favoritas do álbum, quase um ano depois do lançamento, permanecem “Yeah Right” e “Far From Heaven”. Completamente opostas, “Yeah Right” tem um tom sarcástico em seu versos e até destoa um pouco das demais músicas de The Bitter Truth, enquanto “Far From Heaven” é uma balada dolorida que conta praticamente apenas com Amy Lee em seu piano enquanto ela canta em memória de seu irmão, Robby Lee, falecido em 2018.

Para saber mais: The Bitter Truth: o retorno do Evanescence, dez anos depois

Working For The Knife, Mitski

Por Ana Azevedo

“Working For The Knife” marca o retorno de Mitski depois de dois anos de hiato. Seu primeiro single de seu novo álbum Laurel Hell (previsto para ser lançado em fevereiro de 2022) foi lançado de surpresa e não decepcionou. Mitski canta para ela e para todos os millennials: a vida de adulto não é nada como a gente imaginou e os nossos sonhos e objetivos ficam cada vez mais distantes e inundados por obrigações.

De acordo com a cantora, “Working For The Knife”  é sobre “passar de uma criança com um sonho a um adulto com um emprego e sentir que em algum lugar ao longo do caminho você foi deixado para trás”.  Cheia de simbolismos e com uma melodia emocionante, “Working For The Knife” marca também um ponto importante na carreira da cantora. Depois de um tempo longe da mídia, muita gente até pensava que ela nunca iria voltar. O videoclipe, lançado junto com o single, é cheio de referências visuais da própria carreira da cantora e de outras obras que a influenciam.

Para saber mais: Be The Cowboy: um grande e completo estudo sobre solidão por Mitski; Mitski não é a típica garota americana, mas a rockstar do nosso futuro

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