Categorias: LITERATURA

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Literatura

Nunca antes na história desse país precisamos tanto de livros. Livros de ontem, de hoje. Livros de romance, livros adolescentes, livros sobre mulheres italianas, livros sobre a raça humana vivendo no espaço após a Terra torna-se inabitável, livros sobre um vampiro centenário se apaixonando por uma adolescente humana. Precisamos, mais do que nunca, escapar da triste realidade que vemos nos jornais, a história de um país que nega a própria história e que decide taxar livro à armas. “Livros”, diz o Doctor, em Doctor Who, “são as melhores armas que existem”, e por aqui fazemos coro na esperança de que dias melhores virão e que a leitura, indubitavelmente, fará parte disso.

A Casa na Rua Mango, por Sandra Cisneros

Por Karina

“É impossível ter céu demais. Você pode cair no sono e acordar bêbado de céu e o céu pode te salvar quando você estiver triste. Aqui tem muita tristeza e não tem céu o suficiente. As borboletas também são poucas e as flores também e a maioria das coisas bonitas. Mesmo assim, a gente pega o que dá e faz disso o melhor.”

Eu não precisei ir muito longe para me emocionar com A Casa na Rua Mango: já na introdução, Sandra Cisneros foi capaz de me arrancar lágrimas com sua própria história. E continuei me sentindo muito próxima da autora enquanto avançava pelas páginas desse romance tão delicioso de ser lido. Publicado pela editora Dublinense, com tradução de Natalia Borges Polesso, A Casa na Rua Mango nos apresenta Esperanza, uma garota mexicana que nasceu e vive com a família em um bairro periférico de Chicago, nos Estados Unidos. A estrutura do livro foi uma das coisas de que mais gostei. Os capítulos são como pequenos contos, que mostram a vida cotidiana do bairro de Esperanza e vão traçando um universo muito rico e cheio de detalhes.

Gosto de livros que tratam de “Grandes Temas”. Gosto ainda mais quando fazem isso sem obviedades e “textões”. E é exatamente isso que Sandra Cisneros fez, construindo uma obra impecável e intimista sobre a vida de imigrantes latinos nos Estados Unidos em anedotas de uma criança que observa a vizinhança. Os capítulos contam a vida dos moradores da Rua Mango trazendo assuntos como violência, invisibilidade, identidade, pobreza, preconceito. E sonhos. Além da estrutura de capítulos curtos (e que não são exatamente a continuação um do outro), a linguagem de Sandra Cisneros é outra coisa que contribui para a fluidez da leitura: a narrativa é poética e intensa, ao mesmo tempo em que é simples. É um livro forte, bem escrito e muito bem executado, que marca e emociona sem precisar tentar demais. — Comprar!

A Vida Mentirosa dos Adultos, de Elena Ferrante

Por Karina

“Falei: sinto muito por você estar mal, eu também estou mal, mamãe também está mal, e é um pouco ridículo, você não acha, todo esse mal significar que você gosta de nós.”

Finalmente um romance novo de Elena Ferrante. Desde 2017, ano em que o último livro da Tetralogia Napolitana foi publicado no Brasil, os fãs (obcecados) se perguntavam dia e noite quando teriam a chance de ler uma nova história da escritora italiana. E, depois de tanto esperar, A Vida Mentirosa dos Adultos não decepcionou. A obra acompanha Giovanna, uma jovem que vive com os pais em um bairro de classe média alta de Nápoles, e que fica profundamente abalada quando ouve um comentário do pai: que ela se parece com a tia, uma mulher abominada pela família. Esse acontecimento vira a vida de Giovanna de cabeça para baixo e é o ponto de partida para uma jornada que a leva a descobrir mais sobre si mesma e sobre sua família.

É claro que sou vendida para Elena Ferrante, mas já na primeira página fiquei apegada. É uma excelente primeira página. Mais uma vez fui arrebatada pelo universo napolitano, agora com uma nova abordagem da cidade, mas sem perder todos os contrastes tão presentes nos livros da Ferrante. Em A Vida Mentirosa dos Adultos, a autora não deixa para trás os temas que lhe são tão caros e eu segui completamente absorta nas questões de relacionamento entre mãe e filha, amizade, paixões complicadas, homens terríveis, família e amadurecimento. E confesso que o livro acabou me deixando com o sonho de que, quem sabe, Elena Ferrante nos premie com uma nova série literária viciante e perturbadora. Enfim. LER FERRANTE É BOM DEMAIS. Assim mesmo, em letras maiúsculas. — Comprar!

Para saber mais: Tetralogia Napolitana: o épico de Elena Ferrante; Vulcões intermitentes: as personagens limítrofes de Elena Ferrante; As mulheres de Elena Ferrante

Conectadas, de Clara Alves

Por Tati Alves

“Não importa se as pessoas vão se decepcionar. Se você não for verdadeira consigo mesma, a vida perde o sentido.”

Quando uma competição de cosplay do jogo “Feéricos” dá a chance de Ayla e Leo se conhecerem no maior evento gamer, Rayssa não sabe como lidar com o fato de que é ela e não Leo que está conversando com Ayla o tempo inteiro em que elas se conhecem virtualmente. Conectadas é um romance jovem-adulto de Clara Alves que reúne diversos momentos divertidos e alguns dos melhores clichês que todo mundo adora.

Não há palavras suficientes para descrever os sentimentos que acontecem ao ler um livro nacional sobre personagens LGBTQIA+ que são crias da internet e desenvolvem laços e amizades com outras pessoas que vivem na internet, que são personagens que facilmente poderiam ser eu e outras pessoas que se encaixam nessas características. Clara Alves dá um toque brasileiro, intimista que só as nossas produções jovens têm, que falta no gênero contemporâneo jovem-adulto internacional e nos entrega uma história apaixonante, divertida e real para a nossa realidade sem perder a magia e imaginação que só a ficção pode nos dar. — Comprar!

Para saber mais: Conectadas: amores, relações virtuais e assédio contra mulheres gamers

Falso Espelho, Jia Tolentino

Por Ana C. Vieira

“A internet é um meio em que o incentivo à performance é inerente. […] E uma vez que as plataformas mais relevantes são construídas em torno de perfis pessoais, pode parecer – primeiro em nível mecânico, depois como um instinto codificado – que o principal objetivo dessa comunicação é fazer com que você pareça interessante.”

Não consigo pensar em 2020 sem pensar, necessariamente, na forma como consumo e lido com A Internet — e tudo o que ela nos oferece. Com a pandemia, o convívio social presencial saiu de cena, e o virtual recebeu uma nova roupagem. Desde confraternizações até novas experiências musicais, nunca o mundo online se fez tão necessário. Mas, ao mesmo tempo, nunca me fez tão mal. Em Falso Espelho, lançado no Brasil pela Todavia Livros (tradução de Carol Bensimon), a escritora Jia Tolentino coloca o leitor em um de liquidificador de pensamentos, promovendo reflexões dos mais variados estilos.

Na medida em que avançava na minha leitura de Trick Mirror (no original), precisava de pausas para poder digerir o tanto que Tolentino é brilhante — e o tanto que ela acerta em assuntos comuns de toda uma geração moldada por crises políticas, climáticas e existenciais. É um livro estarrecedor, denso, e, com os mais variados ensaios, uma ótima pedida para rever ou revisitar atitudes costumeiras e nocivas. — Comprar!

Os Bons Amigos, de Hannah Kent

Por Ana Luíza

“Os Bons Amigos nos observam com um tipo de determinação pode destruir um homem. Fazê-lo querer mudar de rumo. Às vezes querem recompensá-lo e aí ele descobre que toca flauta muito bem, ou que sua vaca doente está curada, e não há cobrança por isso. Mas, às vezes, castigam os que falam mal d’Eles. Às vezes, pagam o bem com o bem. O mal com o mal. Às vezes, nada faz sentido e não se sabe porque as coisas são como são, a não ser dizer que há seres encantados por trás do que acontece e que eles têm suas próprias razões.”

Segundo romance da australiana Hannah Kent, Os Bons Amigos recupera a tradição irlandesa sobre fadas ao narrar as histórias de Nóra, Nance e Mary, três mulheres de diferentes origens cujo encontro, direta ou indiretamente, está ligado ao pequeno Michéal, uma criança adoentada que, de acordo com o folclore local, teria tido seu verdadeiro eu — saudável, alegre — sequestrado por seres mágicos (os Bons Amigos que dão título ao livro).

Baseado em um caso real de infanticídio, ocorrido na Irlanda em meados do século XIX, nos anos pré-Grande Fome, o desfecho da narrativa é óbvio: desde a quarta capa, a tragédia está anunciada, de modo que a grande questão não seja o quê acontece, mas como acontece e quais as motivações — o que torna o caminho até lá o grande trunfo da narrativa. Se a ruptura com os padrões do romance policial já podiam ser percebidos em seu primeiro romance, em Os Bons Amigos, Kent não apenas propõe novamente a desconstrução do mesmo, mas possibilita reflexões mais profundas sobre ancestralidade, fé, religião e até onde o ser humano é capaz de ir para provar suas próprias convicções. Em um contexto em que a maioria das pessoas não age de má fé, ver quão sombrias e assustadoras elas podem ser é apenas um dos traços que nos tornam tão complexos. — Comprar!

Nona Casa, Leigh Bardugo

Por Thay

“Talvez as coisas boas fossem iguais às ruins. Às vezes a gente simplesmente precisa deixar que elas aconteçam.”

Se você só conhece a Leigh Bardugo de seus livros young adult, talvez seja hora de conhecer a autora além deles — e Nona Casa, publicado esse ano pela Editora Planeta, é o livro perfeito para isso. Na trama acompanhamos Galaxy “Alex” Stern, uma jovem sem perspectivas de um futuro promissor desde que deixou sua casa muito cedo, se envolveu com namorados estranhos — que também eram traficantes — e só conseguia trabalhos ruins. Tudo muda na vida de Alex quando ela recebe uma proposta irrecusável: frequentar Yale, uma das melhores universidades do mundo, com bolsa integral. A proposta surge na vida de Alex quando ela está no hospital, se recuperando de um massacre em que é a única sobrevivente, e a pergunta (por que ela?) não deixa de passar por sua mente mesmo quando ela a aceita.

É dessa maneira, com a cabeça repleta de perguntas, que Alex chega em New Haven para as aulas em Yale. Ela encara toda essa mudança como uma segunda oportunidade, uma chance de fazer as coisas certas dessa vez, mas Alex nem pode imaginar onde foi se meter. Nona Casa tem toda a qualidade que já conhecemos dos trabalhos de Bardugo porém com um amadurecimento que fica evidente em toda a narrativa criada pela autora. O livro é impossível de largar e as pouco mais de 400 páginas são devoradas com uma facilidade ímpar. Prepare-se para embarcar em um universo onde nada é o que parece ser, garotos são devorados por buracos negros e um espírito centenário está ali, na esquina, só esperando para te ajudar. — Comprar!

O Silêncio da Casa Fria, Laura Purcell

Por Thay

“Cuidados. Sentada na beira da cama, ela queria se levantar de onde estava, pegar o braço do jovem e conduzi-lo delicadamente até a porta. Esse lugar não era para os inocentes.”

Quando Elsie se casou, não imaginava que em tão pouco tempo se veria novamente só e vivendo em uma casarão esquecido no meio do nada com apenas algumas mulheres por companhia além de bizarras figuras de madeira que parecem aparecer nos lugares mais inesperados. É com uma narrativa que incute no leitor o medo, a urgência e o pavor de sua protagonista que Laura Purcell cria em O Silêncio da Casa Fria uma das melhores tramas de terror que já li até hoje.

A autora é capaz de criar uma atmosfera digna dos melhores romances góticos com seus casarões que rangem à noite, ventos uivando nos bosques, noites frias e acontecimentos que não parecem ter razão de ser além do sobrenatural. As quase trezentas páginas do livro passam com tranquilidade e é simplesmente impossível deixar o livro de lado enquanto o mistério não é desvendado — ao final, não me decidi se jogava o livro longe ou se me jogava no chão tamanho o impacto da reviravolta criada por Purcell. — Comprar!

Para saber mais: O Silêncio da Casa Fria: o terror de Laura Purcell

Os Registros Estelares de Uma Notável Odisseia Espacial, Becky Chambers

Por Thay

“Talvez nenhum de nós possa realmente explicar a morte. Talvez nenhum de nós deva.”

Desde o momento em que concluí a leitura de A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil, eu sabia: leria absolutamente qualquer coisa que Becky Chambers decidisse escrever. A autora californiana escreve ficção científica como poucos, e seus livros sempre são capazes de me emocionar ou tocar de alguma maneira. Chambers pode estar falando sobre naves espaciais, odisseias e buracos de minhoca, mas suas histórias são tão reais e palpáveis, narrando o que é ser humano e estar vivo, de uma maneira que poucos escritores conseguem fazer.

No terceiro livro de sua série Wayfarers, Os Registros Estelares de Uma Notável Odisseia Espacial, o foco está nos humanos que descendem dos últimos sobreviventes que deixaram a Terra em busca de um novo lar no espaço. A Frota do Êxodo é vista por muitos da CG como uma relíquia, e seus jovens nem sempre encaram a vida em uma das naves como algo certo na vida. Muito deles querem sair, viver em outros planetas e explorar novas galáxias, enquanto outros poucos decidem continuar vivendo da mesma maneira que seus antecessores. Por meio dessas questões — até que ponto vale continuar vivendo como os antigos quando se tem tantas possibilidades para explorar? —, Becky Chambers cria um novo capítulo de uma história rica em detalhes e sensações universais que transcendem as páginas de seus livros. Aqui a autora fala sobre sonhos, sobre família, sobre encontrar um lugar e um propósito no mundo — temas que estão, sim, em um livro de ficção científica, mas dialogam perfeitamente com nossas próprias questões e rotinas. — Comprar!

Para saber mais: A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil: um ninho de penas entre as estrelas; A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada

Os Viajantes, Regina Porter

Por Thay

“É possível que tenha matado uma pessoa diretamente.”
“Só uma?”
“Uma é muito”, respondeu. “Uma é o bastante.”

Se me pedissem para resumir o livro de Regina Porter em uma palavra, diria “épico”. A trama construída pela autora em Os Viajantes nos leva por décadas acompanhando duas famílias nos Estados Unidos, uma branca e uma preta, e tudo o que acontece a eles. O recorte temporal começa em 1950 e vai até os dias de hoje, mais especificamente até a vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais norte-americanas. Durante todas essas décadas, histórias de dor, risos, superação, traição e quase morte tomam conta das quase 400 páginas escritas por Porter em que ela vai costurando as tramas de cada membro dessas duas famílias.

Por meio da perspectiva de homens e mulheres tão diferentes entre si — e aqui entra a questão da raça, da classe social, dos medos enfrentados que são tão diferentes para homens e para mulheres, da sexualidade —Regina Porter traça uma verdadeira história dos Estados Unidos entre os anos de 1950 e 2009, como é a vida no país e como essa mesma vida pode ser tão diferente para pessoas de uma mesma família. Quando peguei o livro para ler não imaginava que ficaria tão absorta por toda essa narrativa, e só o deixei de lado quando cheguei ao ponto final. Comprar!

Porém Bruxa, Carol Chiovatto

Por Thay

“Eu sabia que você vinha porque você sempre veio. Toda santa vez. Nos problemas mais banais e naqueles que pareciam preceder o vale das sombras da morte.”

Em Porém Bruxa, livro da Carol Chiovatto publicado pela AVEC Editora, acompanhamos a jornada de Ísis, uma bruxa cujo trabalho é proteger os habitantes de São Paulo e investigar crimes envolvendo forças sobrenaturais. Como um trabalho perigoso e que exige o seguimento de algumas regras importantes — que Ísis, pelo bem maior, prefere ignorar algumas vezes —, as coisas ficam ainda mais confusas e assustadoras quando três casos investigados pela bruxa parecem se sobrepor, montando um cenário ainda mais tétrico e arrepiante. Com a ajuda de alguns bons amigos, Ísis fará o possível para desvendar os crimes e manter todos em segurança.

A narrativa inspirada de Chiovatto faz com que a leitura seja um passeio intenso com uma melhor amiga poderosa e divertida. Ísis é uma protagonista cativante que, mesmo sendo uma bruxa poderosa, se cansa, sofre, e erra, mas logo está pronta para tentar mais uma vez. Porém Bruxa tem personagens excelentes e mal posso esperar por um poremverse em que esse universo será expandido e com mais histórias de Ísis para acompanhar. — Comprar!

Para saber mais: Porém Bruxa: uma fantasia urbana em São Paulo

Sempre em Frente/ O Filho Rebelde, Rainbow Rowell

Por Thay

“Quando senti que estava indo longe demais, me agarrei à única coisa de que sempre tive certeza: olhos azuis. Cachos acobreados. O fato de que Simon Snow é o feiticeiro mais poderoso do mundo. De que nada pode machucá-lo, nem mesmo eu. De que Simon Snow está vivo.”

2020 foi, sem dúvida, o ano da Rainbow Rowell no Brasil. Embora a autora já tenha sido publicada por aqui, esse ano quatro de seus livros foram relançados pela Editora Seguinte, o selo jovem da Companhia das Letras. Eleanor & Park puxaram a fila, no primeiro semestre, seguidos por Sempre em Frente, O Filho Rebelde e Fangirl, todos com tradução de Lígia Azevedo. São muitos os motivos que me fazem gostar da literatura de Rowell — muito embora, possam dizer por aí, eu já não faça tão parte assim de seu público alvo —, mas talvez o principal seja que eu consigo simplesmente ir para outro mundo quando estou lendo seus livros. A autora tem uma capacidade incrível de criar personagens, situações e tramas, sempre me fazendo perder a noção do tempo quando mergulho em suas tramas.

Ainda que eu me veja muito em Cathy, protagonista de Fangirl, é em Sempre em Frente e O Filho Rebelde — tramas que nasceram dentro de Fangirl e transbordam para seus próprios livros — que consigo me divertir mais. O que surgiu como uma paródia de Harry Potter dentro de Fangirl, tomou vida própria quando Rainbow Rowell decidiu escrever as histórias de Simon Snow, o escolhido, e sua nêmesis, seu arqui-inimigo, Baz. O resultado disso são livros que misturam magia, romance, comédia e tudo o que há de melhor no universo de Rainbow Rowell. — Comprar!

Sol da Meia-Noite, Stephenie Meyer

Por Debora

“Minha vida era uma meia-noite constante e interminável. Por necessidade, sempre seria meia-noite para mim. Então como era possível que o sol estivesse raiando em meio a minha meia-noite?”

O ano de 2020 trouxe muitas surpresas — não muito boas, em sua maioria. Mas uma delas deu um respiro de alívio e um grande conforto para os fãs fervorosos de Crepúsculo —eu inclusa. Com o anúncio e posterior lançamento de Sol da Meia-Noite, livro que conta a história do primeiro livro da saga de Edward e Bella pelo ponto de vista do vampiro, tive a possibilidade de ficar obcecada novamente por uma história que teve um papel importante na minha adolescência e ajudou a fomentar meu amor pela leitura, além de trazer um estranho afago para o coração em tempos tão difíceis. Em um ano com tantos pontos finais forçados, vidas interrompidas e um abismo que nos olha de volta, acredito que todos nos voltamos para um refúgio conhecido e Sol da Meia-Noite me proporcionou revisitar uma história querida e me encher de uma nostalgia acolhedora.

O livro está longe de ser perfeito, ou até ser considerado um dos melhores destaques do ano em qualidade, mas finalmente conhecer o lado de Edward, algo que sempre ansiei por mais de dez anos, sem nunca acreditar que de fato teria a oportunidade de ler, além de pensar em como meu eu adolescente teria amado ter essa experiência, fizeram essa leitura um dos pontos alto do ano e tornaram meus dias mais agradáveis. — Comprar!

Para saber mais: Deixem Bella Swan em paz: uma reflexão sobre personagens medianas e o ódio por fãs adolescentes

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