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Mentes Sombrias: a revolução distópica liderada por uma garota

Em 2008, o mundo literário foi tomado pela febre das distopias. A grande responsável pela disseminação do gênero na contemporaneidade foi Suzanne Collins, com uma das trilogias mais bem sucedidas da atualidade, Jogos Vorazes. Durante anos após o lançamento do primeiro livro, não passou-se um mês sem que dezenas de obras pipocassem dentro do mesmo nicho. Alguns outros sucessos eclodiram, como Legend, de Marie Lu, e chegaram ao cinema, como Divergente, de Veronica Roth, mas nada que se compasse ao sucesso estrondoso alcançado pela obra de Collins.

Particularmente, distopias sempre despertaram meu fascínio, sejam as clássicas obras de George Orwell ou de Ray Bradbury, que, de certa forma, previram nosso futuro, ou seus equivalentes modernos voltados para jovens adultos. O certo é que um conceito que carrega a antítese de utopia em sua construção e faz extensas analogias com a destruição que o humano pode causar a si mesmo e à sociedade que o cerca, ao deixar transparecer o pior de sua natureza, tem tudo que precisa para gerar deslumbramento — e desconforto. Todos temos um pouco de Nero assistindo Roma queimar ao ler páginas e mais páginas do que o nosso lado mais sombrio pode causar ao mundo em que vivemos.

Apesar de ser fã de tudo isso, não posso negar que com o tempo a saturação se tornou presente e a impressão de que estava acompanhando versões pouco diferentes da mesma história cresceu. Dizem que algumas leituras têm data e lugar para serem feitas e, com a descoberta da saga Mentes Sombrias em minha vida no final de 2018, não poderia estar mais convencida. Se tivesse conhecido a obra distópica de Alexandra Bracken em meados de 2012, ano de seu lançamento, teria revirado os olhos e deixado para lá. “Mais do mesmo”, teria pensado. E, no fim das contas, até pode ser, mas a escrita excepcional da autora, em conjunto com a construção de mundo e dos personagens, transforma a leitura dos três livros e contos que compõem a saga uma experiência deveras satisfatória.

A exemplo de Jogos Vorazes, tomei conhecimento do trabalho de Bracken com o lançamento do filme Mentes Sombrias, baseado no livro homônimo. Com Amandla Stenberg, a inesquecível Rue, no papel da personagem principal, Ruby Daly, o filme é a ponta do iceberg do que os livros têm a oferecer e estou imensamente feliz que mergulhei neles, uma vez que a história provavelmente não terá continuação no cinema já que as críticas à produção não foram majoritariamente positivas. No Brasil, a editora Intrínseca é a responsável pelo lançamento do primeiro volume, mas não há previsão para a tradução da continuação Never Fade (Nunca Somem, em tradução livre) e da conclusão, In the Afterlight (Depois do Pôr do Sol, em tradução livre). No Último Minuto, primeiro conto que complementa a história principal, pode ser lido em português gratuitamente por meio da Amazon, já Sparks Rise (Fagulhas se Levantam) e Beyond the Night (Além da Noite) ainda não foram lançados por aqui.

mentes sombrias

Aviso: este texto contém spoilers!

Em Mentes Sombrias, somos introduzidos a um Estados Unidos mergulhado em crise econômica e social, com um governo que mantém toda a população infantil e adolescente na qual consegue colocar as mãos em campos de concentração ou laboratórios. O motivo? Toda a sociedade norte-americana é surpreendida pela repentina infecção e, posterior, morte de dezenas de milhares de crianças por uma doença designada pelos cientistas como Neurodegeneração Aguda Idiopática Adolescente (NAIA), sem causa ou tratamento conhecido. Enquanto isso, as crianças e pré-adolescentes que não sucumbem ao contraí-la, acabam por obter poderes como efeitos colaterais, o que leva a uma crise nacional e a instalação de um regime autoritário, baseado na supressão de informações e na criação de narrativas exclusivamente com o objetivo de disseminar medo. Por isso, quando o governo diz que precisa que os pais entreguem seus filhos ou reportem qualquer comportamento estranho ou sintomas é exatamente isso que a maioria da população faz.

Afinal, deveríamos ser capazes de confiar nas autoridades e em seu discernimento de lidar de forma humanizada em situações extremas. O que acontece, todavia, é a criação de um sistema que trata as crianças Psi — nome originado da letra grega Psi, usada comumente como um termo guarda-chuva para representar o estudo de fenômenos supostamente parapsicológicos e psiônicos — com aversão e temor ao diferente em uma analogia perfeita para discriminação e falta de empatia.

“Eles nunca temeram pelas crianças que poderiam morrer ou pelos espaços vazios que elas deixariam. Eles tinham medo de nós — aqueles que viviam.”

O modo como a protagonista de Mentes Sombrias, Ruby Daly, chega ao pior campo de concentração criado pelo governo, Thurmond, entretanto, é um pouco diferente. Nem ela, nem os pais, perceberam que ela havia contraído a doença e sobrevivido até que, no dia anterior ao seu aniversário de dez anos, ela acidentalmente apaga a sua existência da memória dos pais. O erro a leva a ser reportada para as autoridades e ficar presa por mais de sete anos em um local que, para todos os efeitos públicos, tem o papel de reabilitá-la e curá-la para uma nova vida em sociedade.

No caminho para Thurmond, ao entreouvir conversas sobre o que as crianças Psi podem fazer, Ruby percebe que sua existência está em perigo ao se dar conta que é uma Laranja. Para saber como lidar com as diferentes habilidades das crianças, o governo estabeleceu um sistema de cores e periculosidade para identificar cada uma delas. Para sedimentar esta parte importante da trama, Bracken usou o Sistema de Assessoria de Segurança Interna dos EUA, hoje em desuso, onde, dependendo da gravidade e do tipo da ameaça terrorista, a ação é taxada com uma cor, sendo verde o mais baixo risco de perigo e vermelho, o maior. No mundo de Mentes Sombrias, crianças verdes possuem o poder da Inteligência, Azuis tem telecinesia, Amarelos manipulam eletricidade, Laranjas são telepatas e Vermelhos conseguem manipular/criar fogo. Desta forma, basta um deslize por parte de Laranjas e Vermelhos para que a sua execução seja ordenada. Com o medo dominando e um forte sentido de autopreservação, Ruby manipula o médico que a cataloga, fazendo-o colocá-la no sistema como uma Verde.

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Isto leva Ruby a suprimir seus poderes por anos a fio, com o temor de ser descoberta e morta a qualquer instante adicionado a pilha de medos e traumas que a vida em Thurmond carrega. Não é preciso um olhar crítico muito apurado para perceber as semelhanças entre o campo de concentração e Auschwitz, e como os Psi também são tratados como uma peste ou algo que precisa ser curado ou extinto, do mesmo modo que o Terceiro Reich costumava tratar suas vítimas.

Ruby tem a certeza de que irá morrer sem ver o que há além da cerca e da lama que permeia cada segundo de sua vida, até que Cate aparece e lhe oferece a chance de ser livre caso se alie a Liga das Crianças, grupo rebelde que faz oposição ferrenha ao governo do Presidente Gray e carrega a missão de fazer todas as crianças livres novamente. A protagonista aceita a oferta e, apesar da fuga de Thurmond ser bem sucedida, o tempo que passou lá mostrou a Ruby que confiar em adultos não é uma boa decisão, o que a leva a fugir de Cate na primeira oportunidade.

É neste momento que seu caminho se cruza com o dos adolescentes Liam, Charles (aka Bolota) e Suzume (mais conhecida como Zu), que também escaparam de um campo de concentração e viajam em procura do acampamento East River, um lugar seguro supostamente controlado por um dos últimos Laranjas vivo, Clancy Gray. Para eles, chegar até o lugar mais seguro possível nos EUA para um Psi tem tudo a ver com retomar a normalidade de suas vidas e parar de olhar por sobre os ombros a espera de alguém que queira matá-los; para Ruby, é a oportunidade perfeita para aprender mais sobre sua habilidade com alguém como ela e evitar repetir a experiência traumatizante que teve ao apagar a memória de seus pais.

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Com uma jornada pontuada por desventuras, não é até o segundo livro que Ruby finalmente se junta definitivamente à Liga das Crianças e passa a usar seus poderes de forma ofensiva ao invés de reprimi-los e odiar cada segundo de sua natureza Laranja.

Em Never Fade, novos personagens são adicionados à trama e Vida, Jude e Cole (irmão mais velho de Liam) são responsáveis por tornarem a história mais rica, profunda e, por vezes, engraçada (graças a Vida e seu sarcasmo ácido e afiado) e reflexiva (com o jeito puro e ingênuo de Jude). Arriscaria dizer que Never Fade é o meu favorito e o grande ponto de virada da trilogia, pois é aqui que a autora agarra a oportunidade de aprofundar-se na construção dos laços entre os personagens, no conflito interno de Ruby com seus poderes, as consequências de suas ações e escolhas, as visões de cada um sobre a luta pela liberdade. Ao mesmo tempo, Bracken trabalha muito bem as nuances de dor, perda, amor e pertencimento e como a natureza humana, dentro de um contexto de extremos com discursos de ódio e higienização, pode tornar-se feia e repulsiva.

Já no último volume da trilogia, o teor revolucionário e de mudanças é mais palpável e tudo gira em torno de obter-se a liberdade de todos os Psi e desmascarar as mentiras do Presidente Gray. Apesar de possuir suas limitações, o relato descrito por Bracken, com uma visão interna do desenrolar do levante feito em In the Afterlight, mostra as fragilidades de uma revolução que levam a incertezas e desacordos, mesmo que no fim todos lutem pelo mesmo objetivo. O retrato cru de como nossas decisões são afetadas quando quem se ama está na linha de frente e o quão humanos, para o bem ou para o mal, isso nos torna, são orquestrados de forma graciosa pela escrita sagaz e poética da autora.

Também é interessante acompanhar o papel chave que a divulgação midiática tem junto ao plano de Ruby, e do que restou da Liga das Crianças, de libertar os campos de concentração. É apenas com a disseminação de informações de forma estratégica e organizada em sites independentes que combatem as incontáveis mentiras do governo que a revolta popular, já efervescente, se fortalece e contribui para o plano final da derrubada do Presidente Gray. Desta maneira, Bracken relembra uma verdade que nunca deveríamos perder de vista: a de que a comunicação pode ser usada em dois vieses, para suprimir e manipular ou ajudar a libertar e, realmente, informar.

“As únicas pessoas que vão nos ajudar somos nós mesmos.”

As bases em que se fundamentam um regime totalitário podem variar, com suas causas e consequências diferindo de acordo com cada cenário político-social. O que é certeiro é que sua manutenção, na vida real ou ficção, passa pela manipulação da informação, aliada a omissão da verdade e supressão do que é considerado diferente e transgressor — em qualquer aspecto que seja. De acordo com Alexandra Bracken, a ideia central da série Mentes Sombrias era justamente colocar o dedo nesta ferida e apontar a vulnerabilidade emocional de cada indivíduo inserido em uma nação frente a tempos repletos de medo e como, neste contexto, tende-se a confiar e deixar-se influenciar pelos artifícios e manobras dos detentores de poder.

“(…) I saw how easy it was for people to be emotionally manipulated in a time of great fear, and how they might agree to do things that they otherwise wouldn’t or support things that they otherwise wouldn’t. And I think the world in general tries to kind of push back against that natural energy that young people and especially teenagers have to drive forward and make change, to question the status quo and the way things are.”

“(…) Eu vi o quão facilmente era para as pessoas serem manipuladas emocionalmente em tempos de grande medo e como eles poderiam concordar em fazer coisas que, ao contrário, não fariam ou apoiariam. E eu acho que o mundo em geral meio que tenta suprimir a energia natural que pessoas jovens e especialmente adolescentes tem para ir para frente e fazer mudanças, questionar o status quo e o modo como as coisas são.”

Alexandra Bracken em entrevista ao site Bustle

Com as discussões levantadas ao longo da trilogia, pode-se dizer que a autora foi muito bem sucedida em sua empreitada. Ao criar um senso de comunidade coletiva forte entre os Psi, ela reassegura a noção de que para sobrepujar um sistema que encarcera e relega um grupo a margem é necessária uma forte união e apoio entre seus iguais, além de reforçar o quão importante é permanecer engajado na luta e não abrir mão daquilo em que se acredita.

A amizade é um ponto-chave nesta equação. Não é para menos que Ruby só passa a encontrar o seu verdadeiro eu e acreditar-se digna de qualquer coisa com o apoio e suporte demonstrados por Liam, Bolota e Zu. Alexandra Bracken mostra o poder de destruição e cura que as relações humanas podem exercer em nossas vidas, e o faz muito bem entremeando a vida dos personagens e dando a eles, por meio de inúmeras situações, motivos maiores e nobres para buscar não só a própria libertação, mas também daqueles a sua volta.

Ruby Daly: da aversão de ser quem é à autoaceitação

O protagonismo feminino é uma constante quando se fala de livros distópicos lançados nos últimos anos. Ao contrário do que ocorria nas primeiras publicações do gênero, onde autores e personagens masculinos predominavam, atualmente as mulheres, dentro e fora dos livros, estão nos holofotes do nicho literário; basta uma rápida contagem das obras lançadas nos últimos dez anos para constatar o fato.

Em Mentes Sombrias, Alexandra Bracken vai muito além disso. Não só temos uma protagonista incrivelmente bem construída, como todos os aspectos da história são povoados por personagens femininas donas de suas próprias narrativas, que lutam por sua sobrevivência — muitas vezes, amparadas uma pelas outras —, e na qual suas multifacetas são responsáveis pela movimentação e evolução da trama.

Quando se trata de Ruby, a experiência traumática da descoberta de seus poderes sedimenta toda a sua relação com essa sua parte; como ela se vê, como lida com o que pode fazer e como isso afeta não apenas sua personalidade, mas toda sua interação com o mundo externo. Ela vive anos dentro de uma concha, apavorada e temerosa do dano que pode causar aos outros e, como consequência, a si mesma caso seus poderes de manipular mentes, alterar memórias e controlar pessoas saiam do comando. Mesmo após passar a confiar em Liam, Bolota e Zu, uma das decisões mais difíceis tomadas por Ruby é a de, finalmente, revelar sua verdadeira natureza, tudo por temer uma retaliação por parte dos amigos, uma vez que, mesmo dentro da comunidade Psi, Vermelhos e Laranjas são vistos como seres a serem evitados, tamanho o poder de destruição que carregam.

“— Eu sou um monstro, você sabe. Eu sou uma das perigosas.
— Não, você não é — ele prometeu. — Você é uma de nós.”

A reação positiva do grupo é o primeiro passo dado no longo caminho que Ruby precisa trilhar para se desfazer do sentimento de aversão e desprezo que nutre por si mesma. A presença de Clancy, outro Laranja, em sua vida também é essencial para que ela entenda melhor seus poderes e como controlá-los, além de servir como termômetro de quão erroneamente os poderes telepáticos podem ser utilizados. Desta forma, pouco a pouco, Ruby vai se absolvendo de seus pecados e se vendo cada vez menos como um monstro que faz por merecer toda a dor que inflige e é infligida, ao mesmo tempo que passa a aceitar sua natureza Laranja como parte inerente de si — não como algo inteiramente bom e positivo, mas também não como algo abominável e maculado.

“It rained the day they brought us to Thurmond. And it rained the day I walked out.”

“Choveu no dia em que eles nos trouxeram para Thurmond. E choveu no dia em que eu sai de lá.”

Em toda esta jornada, Bracken nos agracia com uma personagem consciente de suas fraquezas, mas que não se curva a elas, não se deixa subjugar pelas dificuldades colocadas a sua frente e que luta por aquilo que acredita, custe o que custar — mesmo que seja o seu próprio bem-estar. Determinada, cheia de coragem, resiliente e força motora de uma revolução, Ruby também é, ao mesmo tempo, apenas uma garota que sobreviveu a coisas horríveis demais para alguém da sua idade. Dualidade esta que Alexandra Bracken equilibra com maestria durante os três livros, em um ciclo que se encerra perfeitamente no capítulo final; no início vemos Ruby sendo levada para o lugar em que viveria os piores anos de sua vida e, no final, ela sai vitoriosa da batalha por libertar aqueles que deixou para trás quando fugiu do campo de concentração em um arco de personagem belamente executado.

Livro x filme: racismo dos “fãs”

A força feminina não é o único destaque da obra de Bracken quando se trata de criar um conteúdo representativo. A diversidade étnica também está presente ao longo da trilogia e se reflete, principalmente, no núcleo principal, com Zu sendo descendente de asiáticos, Vida descrita como birracial e Bolota construído como um personagem negro.

Entretanto, enquanto nos livros, Ruby é descrita como branca, no filme, a diretora Jennifer Yuh Nelson fez a escolha, acertada, diga-se de passagem, ao escalar Amandla Stenberg, atriz negra, para o papel. Para quem conhece o trabalho da atriz, é impossível questionar a sua qualidade, e segundo a autora, que apoiou incondicionalmente a decisão, ela foi escolhida por seu talento, independente das características físicas da personagem que viria a interpretar. O caso lembra o da atriz Noma Dumezweni, também negra, escolhida para interpretar Hermione na peça teatral Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, e a enxurrada de racismo e de discurso de ódio proferido pelos ditos “fãs” nas redes sociais ao saberem da notícia. Para com a produção do filme e com Alexandra Bracken a história não se desenrolou muito diferente, com a escritora tendo que responder mensagens absurdas de “fãs”, em seu Tumblr, de como estavam insatisfeitos que a etnia de Ruby não havia sido levada em conta na adaptação do filme, além de sugerir que personagens não-brancos, como Bolota, sofressem whitewashing (termo usado pra designar o embranquecimento/apagamento de etnias em Hollywood) no filme para “compensar”.

Confesso que é difícil entender que pessoas que dizem gostar de uma obra que aborda, justamente, a discriminação e um apartheid social baseado na segregação de crianças e adolescentes tidas como perigosas por algo que não escolheram ser, possam carregar atitudes tão preconceituosa e racistas, sem o mínimo de reflexão pelo conteúdo que estão consumindo. É como a velha história de fãs de X-Men que reproduzem discursos xenofóbicos e preconceituosos, repetidamente usada por comunidades na internet para exemplificar situações como esta.

Além disso, ter uma protagonista de um filme distópico como Ruby sendo uma garota adolescente negra carrega um significado e poder de identificação enorme, ainda mais quando, anos atrás, isso nos foi tirado com o embranquecimento da versão de Katniss para o cinema.


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