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Anna Vitoria

VALKIRIAS

It’s alive – e agora? Um ano escrevendo sobre cultura pop na internet

It’s alive! Foi assim que, um ano atrás, iniciamos os trabalhos do Valkirias, um projeto que começou com sete mulheres que queriam um espaço para falar sobre suas coisas favoritas – cultura pop e feminismo – na internet. A frase inaugural foi uma das tantas ideias que tomamos emprestadas de Frankenstein, clássico de Mary Shelley, estando no monstro da história a nossa maior inspiração: seu tamanho espelha nossa ambição, e seus remendos eram, e ainda são, uma maneira de nos lembrar que somos muitas, que ser mulher é ser muitas coisas, e é essa multiplicidade que sempre buscamos trazer para o nosso trabalho. Além disso, a figura do monstro, o imaginário que ela evoca, é bem ilustrativa para demonstrar um pouco de como esse projeto nos devorou.

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TV

Mexeu com uma, mexeu com todas: uma reflexão sobre assédio, cultura do estupro e cultura pop

Quando li pela primeira vez a carta aberta publicada pela figurinista Susllem Tonani para denunciar o assédio sexual sofrido por ela pelo ator José Mayer, aquilo me doeu profundamente. Não só pela violência do que ela sofreu, mas porque lá estava uma mulher denunciando publicamente o assédio vivido por ela, usando seu nome e sobrenome para dar nome e sobrenome ao seu assediador no maior jornal do país. Um ato imenso de coragem tendo em vista o tipo de tratamento que mulheres vítimas de violência recebem no Brasil e também no resto do mundo, que é o pior possível. Mulheres são silenciadas, hostilizadas, desamparadas por mecanismos que deveriam protegê-las, e culpadas por crimes feitos contra elas, numa escalada bizarra de violência física, psicológica e simbólica. A agressão não acaba depois do ato, mas continua quando duvidam de sua palavra, quando relativizam sua história — “É brincadeira!”, “Não houve intimidação!”, eles dizem –, quando ela não tem a quem recorrer, quando o agressor sai impune, quando o agressor é celebrado, quando ela nem sequer tem noção de que foi vítima de uma violência, não sabe nomear aquilo que sofreu — o que ainda é o caso de tantas mulheres.

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TV

Crazy Ex-Girlfriend: Rebecca Bunch não é só uma garota apaixonada

Crazy Ex-Girlfriend, Psycho Ex-Girlfriend ou simplesmente Ex-Namorada Louca é uma trope recorrente na ficção e também nas narrativas midiáticas (que são apenas uma forma mais sofisticada de ficção). Trope (em português, tropo) é o nome que se dá a um padrão de narrativa que se repete nas histórias, fazendo referência, principalmente, à própria estrutura da narrativa ou a um tipo (arquétipo) recorrente de personagem. Assim, o tropo da ex-namorada louca diz respeito a uma personagem que nunca superou o término do namoro e vai perseguir seu ex-namorado, fazer de tudo para arruinar seus futuros relacionamentos e, dependendo do tamanho do ódio, destruir também a vida daquele cara – ou então só ficar com ele de novo, custe o que custar.

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MÚSICA

6 álbuns de mulheres que merecem sucessores em 2017

Uma verdade universalmente conhecida é a de que todo fã quer sempre mais. Recuperadas da euforia das listas de melhores do ano, quando olhamos para os últimos 12 meses para pensar no que foi bom, no que foi ruim, no que poderia ter sido melhor — mas principalmente no que foi bom, porque aqui nós amamos amar as coisas — chegou a hora de olhar para a frente e pensar no que vem por aí. Um ano novo é uma promessa de novas coisas, novas ideias, novos ícones e, principalmente, a expectativa deliciosa de pensar em todos os álbuns que ainda não foram lançados, mas que podem ser as nossas novas coisas favoritas quando dezembro chegar.

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LITERATURA

Caitlin Doughty e as Confissões do Crematório: vamos todos morrer mesmo

“Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler.” Essa era uma das frases promocionais que instigava os leitores a ler A Menina que Roubava Livros, um dos grandes bestsellers do início dos anos 2000. O livro, de ficção, se passa na Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial e é narrado pela Morte, ela mesma, com sua capa, sua foice, e seu carinho inesperado pelas cores e pelos humanos. É uma Morte que sente, que lamenta, que acredita ser agradável apesar de sua má fama, e que promete que vai nos tratar com cuidado quando a hora chegar.

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TV

Emily, a terceira garota Gilmore

“Por que vocês odeiam o Dean e amam a Emily?”

Quem perguntou isso foi uma amiga. A pergunta não foi diretamente pra mim, mas eu senti como se fosse. Eu odeio o Dean (Jared Padalecki). E amo a Emily (Kelly Bishop). Emily Gilmore é a minha personagem favorita de Gilmore Girls. O argumento da minha amiga: os dois erram, muito, e isso é inquestionável, mas por que perdoamos a Emily e continuamos tratando o Dean como, bem, o Dean que ele é? Era uma dúvida sincera e me empenhei genuinamente pra tentar respondê-la. Por que eu odeio o Dean e amo a Emily?

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