Posts de:

Anna Vitoria

CINEMA

Crítica: Me Chame Pelo Seu Nome, um elogio ao desejo

Dizem que um grande amor é aquele que não é eterno na prática, mas na memória, enquanto o amor da sua vida, esse sim, é para sempre. Li isso em um texto sobre relacionamentos que afirmava esse fatos com base em ciência nenhuma, e embora acredite cada vez menos na determinação universal de um único e eterno amor para toda vida (que é tão longa!), acredito no poder que alguns encontros podem ter de ser eternos, ainda que não durem. Desde que foi lançado, Me Chame Pelo Seu Nome foi definido muitas vezes como a história de um Primeiro Amor ou a história de um Amor de Verão, mas sinto que estarei lhe fazendo mais justiça se escolher olhar para o filme de Luca Guadagnino como a história de um Grande Amor.

Continue Lendo

LITERATURA

Lições de Chimamanda Ngozi Adichie para educar pessoas feministas

O livreto Para Educar Crianças Feministas surgiu como uma carta que a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie escreveu para uma amiga de infância que acabara de ser mãe de uma menina. Essa amiga, Ijeawele, recorreu à Chimamanda em busca de conselhos que ajudassem na criação de Chizalum Adaora não só como uma criança feliz e saudável, mas também como uma criança feminista. De acordo com a definição estabelecida por Chimamanda em outro livreto, Sejamos Todos Feministas, feminista é a pessoa que acredita na igualdade econômica, política e social entre os sexos, uma definição que é simples, mas cuja práxis se torna complexa uma vez que a desigualdade está em todo lugar.

Continue Lendo

MÚSICA

Reputation: Taylor Swift em curto-circuito

“Aqui jaz a reputação de Taylor Swift”, é o que aparece escrito numa lápide na abertura de “Look What You Made Me Do”, primeiro clipe da era reputation. A música é talvez a pior do novo álbum – alguns vão longe o bastante para declará-la a pior de sua carreira –, mas tem em si a chave para sua nova era, sendo a escolha perfeita para marcar o retorno da artista à vida pública depois do escândalo envolvendo o casal Kardashian-West e a onda de ataques na internet, que tiveram como consequência um ano em que Taylor Swift basicamente sumiu. Com letra caricata e sonoridade estranha, “Look What You Made Me Do”, tanto música quanto clipe, carrega duas mensagens importantes.

Continue Lendo

CINEMA

Como Nossos Pais: para todas as mulheres exaustas

“Como Nossos Pais”, a música, foi lançada pela primeira vez em 1976, no álbum Alucinação, de Belchior. No mesmo ano, a canção foi regravada por Elis Regina, responsável pela versão que toca até hoje no inconsciente coletivo dos brasileiros. 1976 foi há mais de 40 anos, mas ainda é uma referência mais do que adequada para estar no título e na trilha sonora de Como Nossos Pais, filme de Laís Bodanzky sobre uma família branca da classe média paulistana – e, principalmente, suas mulheres – no ano de 2017.

Continue Lendo

CINEMA MÚSICA

Stefani Coração de Diamante: a vulnerabilidade de Lady Gaga

“I might not be flawless but you know I got a diamond heart” [Eu posso não ser perfeita, mas você sabe, eu tenho um coração de diamante] diz o refrão da primeira faixa de Joanne, álbum mais recente de Lady Gaga, lançado ano passado. Embora pareça uma declaração simples – afinal, poucas pessoas além de Beyoncé podem se dizer infalíveis sem gaguejar – essa confissão de humanidade surpreende quando olhamos para quem é que está falando. Minha sequência favorita de Five Foot Two, mais recente documentário sobre a cantora, é uma montagem de vários momentos que mostram Gaga tentando entrar ou sair do carro rodeada por uma horda de fãs, usando seus figurinos marcantes, óculos escuros, perucas absurdas – lembro que, quando ela surgiu, em 2009, sua figura era tão imponente, impenetrável e desconcertante que eu tinha dificuldades até de assimilar como era seu rosto de verdade – intercalada com a filmagem de Gaga encontrando fãs ano passado, pouco antes do lançamento do disco: de short jeans, camiseta branca e delineador borrado, a cantora dá autógrafos e tira fotos com todos, mas seu olhar é vazio. Dá pra ver bem o seu rosto, e ele mostra que ela está perto de ter um ataque de pânico.

Continue Lendo

MÚSICA

Mitski não é a típica garota americana, mas a rockstar do nosso futuro

No início do ano, o New York Times lançou um especial que buscava apontar, através de 25 músicas, aonde o cenário musical estava indo. Entre nomes com propostas tão distintas como Missy Elliot, Mitski, Lady Gaga, Solange, Kanye West e Leonard Cohen, o denominador comum que unia os 25 artistas era que, cada um à sua maneira, todos estavam construindo trabalhos profundamente voltados para a ideia de identidade. Faz sentido. Vivemos um zeitgeist mundial em que esse tipo de questionamento – Quem somos? De onde viemos? – parece pautar toda a nossa produção artística: minorias sociais estão em destaque e seus membros estão descobrindo o que significa ser mulher, ser negra, ser imigrante, ser homossexual, em uma sociedade estruturalmente machista, racista e homofóbica, que sempre suprimiu e apagou essas identidades; a internet permitiu uma autonomia maior para criar, produzir e colocar nossas vozes no mundo, desafiando os meios já estabelecidos e restritos, permitindo que pessoas tenham a chance de dizer a que vieram sem a intervenção enviesada de intermediários. Um exemplo é este site que você está lendo agora.

Continue Lendo