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Ana Luiza

CINEMA

Crítica: Guardiões da Galáxia – Vol. 2

Em 2014, quando o primeiro Guardiões da Galáxia chegou aos cinemas, blockbusters de super-heróis já eram um negócio mais do que consolidado: quase seis anos haviam se passado desde que a Marvel, essa imensa e ambiciosa Casa de Ideias, apostara na fórmula que catapultou seus heróis ao estrelato – mais de dez se pensarmos em seu primeiro filme, lançado quando a ideia de um universo expandido ainda parecia um plano muito distante –; uma fórmula ousada e igualmente ambiciosa que, na contramão daquilo que vinha sendo feito até então, se apoiava numa adaptação que não era nem uma versão do realismo sombrio e de cores escuras incorporado à época com louvor pela DC, nem uma fantasia colorida e completamente deslocada da realidade, como os clássicos filmes de super-heróis da década de 80.

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TV

Mary Winchester não é uma donzela em perigo

Dois de novembro de 1986. Algum tempo após colocar os filhos para dormir, uma mãe acorda com o barulho da babá eletrônica, posicionada estrategicamente ao lado da própria cama. “John?”, ela chama, ainda sonolenta, pelo marido; ele, contudo, não se encontra ao seu lado. Assim, ela levanta e se dirige até o quarto do bebê, cansada após mais um dia dedicado ao cuidado dos filhos, do marido e do lar; mas ao chegar no quarto, encontra um homem debruçado sobre o berço do bebê. No escuro e de costas para ela, sua silhueta lhe parece com a do marido, e sendo ele o único homem adulto na casa, não há nada com o que se preocupar – exceto que há algo muito errado acontecendo naquela casa. Era para ser uma noite qualquer na casa dos Winchester; até não ser mais.

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TV

The Paradise: uma história sobre ambição feminina no século XIX

A partir do momento em que falamos sobre ambição feminina e posições ocupadas por mulheres no mercado de trabalho, é comum nos restringirmos a um período de tempo bastante limitado, porque essa ainda é a referência mais próxima e forte que temos sobre o assunto. Até a primeira metade do século passado, as atividades exercidas pela parcela esmagadora de mulheres à época ainda se resumiam às atividades domésticas, ao cuidado dos filhos e dos maridos; atividades tipicamente vistas como femininas, muito embora não fossem as únicas. Após duas grandes guerras, o mercado de trabalho sofreu mudanças consideráveis, tornando os espaços ligeiramente mais inclusivos – ainda que nunca iguais. Pensem em Peggy Carter (Hayley Atwell), durante e após a Segunda Guerra Mundial; pensem nas mulheres de Land Girls durante o mesmo período, ou então nas de Downton Abbey ao longo da segunda temporada da série, cujos acontecimentos ocorrem simultaneamente à Primeira Guerra Mundial. São exemplos que ilustram, em diferentes perspectivas, as atividades desempenhadas por mulheres durante grandes conflitos da História; trabalhos que eram fundamentais, é claro, mas que, não por acaso, são deixados de lado quando esses acontecimentos são relatados.

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CINEMA

Mary Pickford: muito mais do que a queridinha da América

“Para começar, olha quanto homem”, diria uma pessoa minimamente observadora ao pisar num set de filmagem pela primeira – ou pela vigésima – vez. Seria cômico se não fosse trágico: desde que o mundo é mundo, a indústria cinematográfica tem sido uma área composta substancialmente por homens; uma realidade que já dura décadas e que, a essa altura, sequer é uma novidade. A história do cinema, não por acaso, tem sido contada quase sempre por homens – a maior parte brancos – que são as pessoas que ainda mantém o poder sobre a indústria nas mãos; homens que são, quase sempre, muito talentosos, é verdade, mas é muito fácil ser talentoso quando se possui espaço para mostrar o próprio potencial.

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CINEMA

A representação feminina no cinema brasileiro: uma breve história

Não é de hoje que a imagem da mulher e a representação da mesma na literatura, no cinema e, posteriormente, na televisão, se tornou objeto de análise nas mais diferentes áreas de estudo. Desde meados do século XX, questionamentos sobre o papel da mulher em sociedade e os clichês que permeavam nossa existência já eram uma realidade, em especial para teóricas feministas, que desde os primórdios do movimento dedicavam seus esforços a compreender como problemas de uma sociedade estruturalmente machista e patriarcal eram refletidos nas mais diferentes mídias, e como o olhar masculino – que sempre fora regra nesses meios, nunca a exceção – contribuía para a construção de estereótipos irrealistas e idealizados, que se equilibravam no limiar entre a sexualização e a representação pouco complexa da nossa realidade enquanto mulheres.

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CINEMA

Crítica: Power Rangers – Uma sessão de nostalgia

Há muito o cinema norte-americano tem voltado sua atenção para grandes sucessos do passado. Remakes e reboots dividem espaço com super-heróis e adaptações de obras literárias, numa tentativa de construir versões atualizadas dos clássicos de outrora, capazes de olhar de perto para o aqui e agora, sem abandonar a essência de um passado que ainda permeia nosso imaginário. São filmes que possuem a nostalgia como um dos pilares de sua estrutura, repletos de um fan service que não pede desculpas por existir, e que são capazes de nos transportar para épocas que acreditávamos estarem esquecidas nas profundezas das nossas memórias infantis. Power Rangers, filme do sul-africano Dean Israelite, surge dentro dessa mesma proposta; uma busca pelo resgate de lembranças que não são mera consequência, mas que ainda possuem uma ou duas coisas para nos dizer.

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