GAMES

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Games

Em 2016, muito discutimos sobre representatividade, machismo, girl power e todos os derivados possíveis e imagináveis que uma conversa sobre feminismo pode gerar. No entanto, como se faz óbvio, enquanto gamers somos boas seriadoras, e digo isso não apenas porque falar sobre outras questões, pra nós, é mais fácil, mas porque falar sobre games é muito difícil. A área, um dos carros-chefes do entretenimento que já não é exclusividade masculina há muito tempo — e talvez nunca tenha sido — gera rebuliço entre os caras. Porque mulher não sabe jogar vídeo-game. Assim com não sabe nada sobre esportes. Vocês já conhecem a ladainha.

A categoria de games existe no site (sim!!!), mas ainda é de forma tímida e pequena. Ainda assim resistimos, é claro, então não poderíamos deixar de fora dessa do Troféu Valkirias alguns nomes relevantes, né não? Como uma só andorinha não faz verão, convidamos a amiga Maria Fernanda pra se juntar às festividades de final de ano na firma, e, juntas, vamos falar um pouco sobre nossos favoritos de 2016. Vem com a gente!

Overwatch Blizzard

Por Ana Vieira


Desculpa os haters (se é que isso é possível), mas Overwatch é o escolhido do ano pra abrir essa categoria! Um dos grandes nomes atuais da Blizzard, estúdio responsável por Diablo e World of Warcraft, Overwatch já conquistou mais de 20 milhões (!) de jogadores desde seu lançamento, em maio desse ano. Em forma de FPS (tiro em primeira pessoa), a história de Overwatch gira em torno de um mundo futurístico, que passou por uma crise global chamada Omnic, um tipo de inteligência artificial que colocou a humanidade sob ameaça. Uma força-tarefa, a Overwatch, foi criada para lidar com a revolta dos robôs durante a crise, e as coisas deram certo por um tempo até que pararam de dar.

Após duas décadas, a Overwatch “das antigas” acabou perdendo a glória, e os motivos para tal giraram em torno de escândalos de corrupção, poder e sedição. Para investigar a veracidade das alegações, um comitê das Nações Unidas preparava uma grande e secreta investigação sobre os heróis, porém, antes que isso fosse posto em prática, uma explosão atingiu a sede da Overwatch,  culminando no falecimento de Jack Morrison (Soldado 76) e Gabriel Reyes (Reaper). Após a queda da força-tarefa, os heróis continuaram seus trabalhos, sozinhos, em diversas partes do mundo. No entanto, a tensão entre Omnics e humanos continuou em crescimento, especialmente após o assassinato do Omnic e líder espiritual Tekhartha Mondatta. Cansado de assistir, inerte, a ataques em bases e exibições da antiga força-tarefa, o herói Winston decide reiniciar a Overwatch, requisitando dessa vez também a presença dos novos heróis.

Apesar da ótima história, por se tratar de um jogo online a gente quer mesmo é dar tiro, matar, ganhar XP e subir no ranking, né? Overwatch conta hoje com 23 heróis com habilidades diversas e todas liberadas (!), dividido em grupos de ataque, defesa, tanques e suporte. Você não precisa pagar para comprar um novo herói, um novo ataque ou uma nova defesa, mas durante o jogo você pode conquistar skins (roupagens novas), poses, falas, sprays, etc, itens que não alteram o jogo ou os personagens, só os deixam mais exclusivos. Dentre os 23 heróis, dez são mulheres, e todas elas são a+ — em especial a D.Va e a Tracer, minhas favoritas pessoais. Entre os caras, contamos com um herói de suporte brasileiro, o Lúcio (Correia dos Santos!!!), que cresceu em uma favela do Rio de Janeiro e encontrou na música uma forma de se reerguer e reerguer aqueles próximos a ele.

Há quatro tipos de jogabilidades no game: conquistar o objetivo, escoltar carga, atacar/defender o objetivo e híbrido (atacar e escoltar), somando um total de 13 mapas, além do Ecoponto: Antártica. Os modos de jogo vão entre o competitivo e o jogo rápido, até mesmo ao modo arcade, que conta com partidas de 1v1, 3v3, 6v6, e contendas.

Overwatch é disparado meu jogo favorito atualmente e consigo entender o por quê de ele ter ganhado o jogo do ano na Game Awards. Ele é divertido, esteticamente bonito, e você passa horas jogando, sempre achando que dá tempo de jogar uma partida a mais. Dependendo do teu time, ele te faz passar raiva, mas tá tudo bem, porque quando a gente pede pros n00bs nerfarem as coisas sempre retornam ao normal. A única ressalva é o seu preço, que é salgado para um jogo sem campanha; porém, considerando que tudo é liberado e que a Blizzard está em constante atualização, liberando personagens, mapas, novos modos de jogos e criando até mesmo eventos comemorativos especiais (o de Natal começou dia 13!) sem cobrar um mísero pilinha, a longo prazo acredito que o jogo paga a si mesmo.

O game custa entre R$150,00 a R$230,00 e está disponível pras plataformas PC, PS4 e Xbox One.

Uncharted 4: A Thief’s End Naughty Dog

Por Ana Vieira

A história de Nathan Drake chegou ao final com o lançamento do último jogo da série, em maio desse ano. Produzido pela Naughty Dog, o jogo de ação e aventura colocou um ponto final na história do nosso ladrãozinho, digo, caçador de tesouros e historiador favorito. Três anos após os eventos de Uncharted 3: Drake’s Deception, Drake vive uma vidinha boa com nossa queridona Elena Fisher até que Sam, seu irmão há muito desaparecido, volta para sua vida, entre lágrimas (mentira) e sorrisos, pedindo para que Drake por favor fosse atrás de uma última aventura — dessa vez em Libertalia, uma colônia pirata meio utópica no meio de Madagascar.

Por ter jogado todos os outros três jogos da franquia numa tacada só nas férias passadas, confesso que estava meio animadinha e curiosa pra saber o que iria acontecer na última aventura do cara. Por isso mesmo, em um dos primeiros posts do site, despejei minhas angústias num texto dedicado ao game (à Elena, sejamos sinceros).

No geral, não me decepcionei e gostei bastante da aventura final, mas existem algumas ressalvas. A aventura está bem amarradinha, o jogo é visualmente espetacular e de tirar o fôlego, e as tiradas clássicas de Drake e dos personagens continuam lá. Para melhorar, o fim não foi triste, então é algo a se apegar. No final, bate aquela dorzinha de saber que não veremos mais Drake por aí, então sabemos que vai deixar saudade, e ninguém sente saudade de coisa ruim. Contudo, algumas coisas deixaram a desejar. Por se tratar de um final, esperava uma carga emocional muito maior, o que não se fez presente. Até mesmo o título do jogo dá a entender que há um fim próximo, só não sabemos muito bem qual fim é esse — o da vida de caçador, talvez? A grande luta final também deixou por menos, se comparado às dos seus antecessores. Os diálogos poderiam ser mais bem trabalhados, em especial aqueles entre Nathan e Sam. Senti uma falta real da Chloe Frazer, mas o anúncio da DLC Uncharted: The Lost Legacy, onde ela e Nadine são protagonistas, deixou tudo mais calmo, o coração ficou aquecido.

Acredito de verdade que Uncharted 4 tenha sido um dos nomes mais relevantes do ano; o game liderou as indicações do Game Awards e levou os prêmios de melhor narrativa e atuação.

Uncharted 4: A Thief’s End está custando em torno de R$100,00 a R$140,00 e está disponível para a plataforma PS4.

Banner Saga 2 Stoic

Por Mali Araújo

Após dois anos de espera, o aclamado jogo indie Banner Saga teve sua tão aguardada continuação lançada em abril desse ano. Banner Saga 2 é um jogo de estratégia em turnos desenvolvido pela Stoic e concorreu ao Game Awards 2016 na categoria de melhor jogo de estratégia, perdendo injustamente para Civilization VI (sorry, guys).

O primeiro ponto que chama, e muito, a atenção nesse jogo é seu visual deslumbrante. Os cenários e os personagens são feitos com uma técnica de pintura em 2D que lembra  o estilo dos filmes clássicos da Disney. Simplesmente não tem como jogar e não se encantar com os lugares por onde sua caravana passa. Os personagens são desenhados nos mínimos detalhes; só de olhar você consegue perceber a essência do personagem e passa um pouco de sua história. O visual do jogo merece destaque porque ao mesmo tempo em que ele te deixa de queixo caído por ser deslumbrante, ele te passa a melancolia de um mundo que está morrendo.

A história desse universo não é nem um pouco feliz. Após longos anos  de guerras, os humanos e os varls (homens gigantes e com chifres) firmaram paz, afinal de contas ele podiam se comunicar porque falavam a mesma língua, apesar de serem raças tão diferentes. Mas essa paz não deixou os deuses felizes e, como eles queriam ver o mundo pegar fogo (ao que parece, não é explicado no jogo o real motivo), criaram os dredges: criaturas humanoides, alguns do tamanho de varls ou maiores, que aparentam serem feitos de pedra e não falam, apenas conseguem se comunicar entre eles de um jeito próprio. Assim, a paz no mundo foi novamente abalada.

Depois de longos períodos de confrontos, os dredges se afastaram dos humanos e dos varls e viveram em territórios distantes por muito tempo, fazendo até com que alguns acreditassem que os dredges estivessem extintos. Entretanto, eles retornaram repentinamente e os humanos, juntamente com os varls, se preparavam para batalhar mais uma vez. Mas o que eles não sabiam é que os dredges estavam fugindo de um mundo que está, gradativamente, sendo consumido pelas trevas.

O jogador pode seguir a saga jogando com Rook, um grande arqueiro e caçador, ou com sua filha, a melhor arqueira que você respeita, Alette. Eu, obviamente, escolhi jogar com Alette e ela é uma personagem incrível. Jovem, extremamente habilidosa com o arco, Alette é encarregada de liderar uma enorme caravana composta de humanos e varls, administrar suplementos e fazer escolhas que, diferente de outros jogos (cof cof Telltale cof cof), influenciam diretamente o decorrer da história em seu fim e até mesmo em elementos entre o primeiro e o segundo jogo.

As batalhas são em turnos e cada personagem tem suas próprias habilidades, você utiliza até seis personagens para a batalha, então escolha bem o seu time, mantendo ele sempre bem balanceado. Todo cuidado é pouco, e dependendo de suas escolhas (de novo elas) algum personagem que você sempre seleciona para batalhar e deixar mais forte pode morrer ou ir embora e você ficará na mão. Ao fim de cada batalha você ganha renown points (pontos de renome) que servem para melhorar os atributos de seus personagens, desbloquear novas habilidades, adquirir relíquias com poderes especiais para lhe dar uma vantagem extra na hora da porrada e para comprar mantimentos para sua caravana aguentar as longas marchas sem morrer de fome.

O jogo é encantador, desafiante, com personagens bem trabalhados e uma história intrigante que te mantém preso, sempre querendo saber o que vai acontecer em seguida. Também é um jogo que conta com várias personagens femininas fortes e incríveis líderes. Banner Saga foi minha introdução nos jogos de estratégia e é uma verdadeira obra de arte.

Você pode encontrar essa obra na Steam, Uplay, Appstore e GooglePlay e  Xbox one e sua faixa de preço pode variar entre R$ 36,99 a R$ 45,99.

Pokémon Go Niantic

Por Ana Vieira

Se 2016 trouxe algo de bom, essa coisa foi o frisson que o game mobile Pokémon Go causou nos jovens, adultos, famílias e crianças. Com simplicidade e doses de nostalgia, o jogo da Niantic conseguiu, por algumas semanas, colocar grupos inteiros de pessoas nas ruas, brincando e levando muito a sério o objetivo de virar um mestre Pokémon.

De ideia simples — caçar os Pokémons — em meio das ruas da sua cidade, utilizando dos mapas do seu celular, o game me fez andar em um mês o que certamente eu não caminhei durante todo o resto do ano. Isso, por si só, já consegue tirar uma temperatura do que o joguinho fez por mais pessoas que, assim como eu, caíram erroneamente na vida do sedentarismo. Por algumas semanas tudo o que eu queria era caçar Pokémon, parar em Pokestops, e combinar com os amigos de ir passear em praças e universidades a fim de crescer mais e mais dentro do game. Por essas e outras, as críticas com ares de superioridade passaram batido e eu as lia com muito desdém, pois nunca comprei discurso de alienação quando o papo é seletivo.

O jogo colocou pessoas com dificuldade em interagir em meios onde a interação fluía fácil; as pessoas caminhavam, se reuniam, davam risada e brincavam juntas num ambiente fora de casa. Claro que logo os cheats começaram a ocorrer e não levou muito tempo para que a brincadeira perdesse um pouco a graça. Para mim, a vibe esvaiu em torno de um mês e pouco, e sinto que o mesmo se aplicou pra grande maioria das pessoas próximas. No entanto, de qualquer maneira, a sensação gigante em que Pokémon Go se tornou em pouco tempo já é motivo de sobra pra que ele apareça, de forma honrosa, na lista de melhores do ano.

Maria Fernanda de Araújo, ou Mali, é viciada em jogos que não pode ver um gato na rua que já quer levar pra dentro de casa. Normalmente é a pessoa mais baixinha no grupo de amigos. Ama a natureza, pole dance, chocolate e qualquer coisa cheia de glitter e luzes, RPG de mesa e Shadowrun.

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5 Comentários

  • Responda
    Andrei Aibel
    21 de dezembro de 2016 at 09:04

    Muito bom o texto, premiações justas!

    Overwatch compensa o valor, sim. A Blizzard tem um costume muito bom de atualizar seus jogos por longos anos, então se alguém ainda tem dúvidas, pode comprar sem medo.

    Uncharted dispensa comentários. Além da campanha sensacional, tem os modos online e coop que são excelentes e rendem muitas horas de diversão.

    Sdds pokemão.

  • Responda
    roberta
    21 de dezembro de 2016 at 18:25

    só 4? tiveram tantos jogos bons esse ano ):

    • Responda
      Ana Vieira
      29 de dezembro de 2016 at 19:49

      Verdade, guria! Mas a gente tá em poucas ~gamers~ aqui no site e eu joguei poucos lançamentos. =(

      • Responda
        roberta
        30 de dezembro de 2016 at 16:41

        que pena! se precisarem e abrirem uma seleção para games estaremos aí!

        • Responda
          Ana Vieira
          31 de dezembro de 2016 at 14:52

          Mininaaaaaaa! A gente tá sempre aceitando colaboração! <333 Chega mais!

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