Categorias: GAMES

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Games

O ano é 2018 e o Valkirias, de forma tímida mas resistindo, busca alimentar a categoria games no site. Ela existe! De verdade! O ano é 2018 e o Valkirias, pelo terceiro troféu consecutivo, reitera o pedido de muitas meninas e mulheres gamers do mundo lá fora: homens, deixem as mina jogar/produzir/trabalhar em paz. O pedido é reiterado pois, apesar das coisas mudarem, muito ainda permanece o mesmo. Por assim o ser, não foi com surpresa que em meados desse ano a Riot Games, empresa responsável pelo jogo League of Legends, game que movimenta milhares, e até milhões!, de dólares em campeonatos mundiais, foi processada por discriminação de gênero, assédio sexual, condutas impróprias e sexismo sistemático.

Em uma matéria da Kotaku, mulheres que trabalham ou já trabalharam na empresa relatam episódios onde recebem fotos não requisitadas; onde são questionadas e, então, questionadas novamente, acerca do real interesse que elas, jogadoras, possuíam no mundo dos jogos, como se tal coisa não fosse possível. A sensação, relatam, é que o código bro before hoes é entranhado na Riot Games, mas, no fim do dia, a empresa finge não se tratar nada além de meritocracia. A realidade da Riot Games, no entanto, não existe em um vácuo. É apenas a reprodução do que mulheres gamers (ou até não gamers) sofrem quando tentam pavimentar caminho em terras popularmente associadas aos “caras”. Mas não aqui.

Assassin’s Creed Odyssey

Por Thais

Creio que a menção ao nome da série Assassin’s Creed traga sentimentos conflitantes dependendo do leitor. Alguns creem que a série simplesmente acabou depois da conclusão da história de Ezio e Altair; outros gostam de um ou outro título além dos três primeiros, como Black Flag, por exemplo. É certeza, porém, que a série carrega muitas críticas tanto positivas quanto negativas por conta de sua imensa popularidade. No meio dessa divergência de ideias, aparentemente o mais novo título veio para estar entre os melhores, e acredito que vá atrair não só os jogadores mais exigentes dos anteriores, mas também vai agradar muitos novatos por aí. A história principal do jogo se desenrola durante o período da Grécia Antiga, em meio a uma guerra entre Atenas e Esparta (Guerra do Peloponeso, 431 a.C.). A novidade — anunciada em meio a algumas polêmicas — é que o jogador pode escolher qual herói será o protagonista da narrativa: Alexios ou Kassandra. A escolha não afeta o desenrolar dos acontecimentos, mas é um movimento realmente bem-vindo. Não que a série nunca tenha tido protagonistas femininas, porque elas, de fato, existiram. No entanto, quanto mais escolhas disponíveis, melhor a imersão do jogador nas narrativas. Outro ponto interessante é que, durante o tutorial de batalha, o jogador controla Leônidas (sim, o de 300) enquanto se familiariza com os comandos principais antes de mergulhar na história.

A gameplay é um dos pontos fortes. Assassin’s Creed por si só é uma série conhecida por sua variedade de colecionáveis, além de muitas missões extras para complementar a campanha, o que dá ao jogador muita coisa para fazer mesmo depois de fechar a história. Odyssey amplia o conceito com algumas novidades, trazendo uma experiência diferenciada para cada jogador. Uma das primeiras opções que o jogador tem é a escolha entre o modo de jogo “guiado” ou “exploração”. “Guiado” é o clássico, com mapa e marcações como sempre. “Exploração”, no entanto, é uma novidade atraente: as descobertas terão de ser feitas pelo próprio jogador. Em se tratando de batalhas, temos muitos golpes para utilizar e três árvores de habilidades disponíveis para poder personalizar o personagem de acordo com o estilo de jogo que seja mais confortável: um é focado na exploração, outro na resistência física e outro na furtividade. Agora, um dos pontos mais fortes: suas escolhas durante as missões realmente impactam no desenvolvimento da história, então é possível fazer muita decisão pesada, às vezes até trocando uma boa ação por uma catástrofe, que vai acabar complicando seu jogo: tome cuidado e salve com frequência! Um detalhe relativamente pequeno, mas apreciado, é que os personagens também podem se envolver em pequenos romances ao gosto do jogador e independente de gênero, ou seja, tanto Alexios quanto Kassandra podem se envolver com homens e mulheres. Merecidamente indicado para ao The Game Awards em mais de uma categoria, Odyssey conta com o maior mundo aberto da sequência e gráficos incríveis combinados com muitas possibilidades para o jogador. Realmente é uma experiência que vale a pena dar uma chance.

O jogo está disponível para PC, Xbox One e PlayStation 4.

Battlefield V

Por Thais

Quando anunciado, Batttlefield V causou certa polêmica por ter personagens femininas jogáveis: muitos jogadores reclamaram que a imersão em um ambiente de guerra estaria completamente perdida caso lutassem ao lado de mulheres, enquanto outros mais favoráveis levantaram biografias de personalidades importantes do período da Segunda Guerra Mundial para justificar a escolha dos desenvolvedores. Independente do feedback negativo, os desenvolvedores do jogo confirmaram que as personagens femininas chegaram para ficar.

O jogo em si chegou sem tanta atenção quanto os outros da lista, mas ainda assim é um game que vale a pena ser jogado pelos fãs da série Battlefield. A gameplay do modo campanha tem momentos de ação intensa ao mesmo tempo em que também exige paciência e furtividade em outros. Há uma enorme variedade de armas com características próprias e customização detalhada. Os gráficos estão de tirar o fôlego, com efeitos climáticos e cenários extremamente ricos em detalhes. Os modos multiplayer estão bem divertidos como sempre, mas também exigem mais coordenação com a equipe para alcançar seus objetivos de vitória.

O jogo está disponível para PC, Xbox One e PlayStation 4.

Celeste

Por Thais

Esse jogo indie canadense é mais um daqueles sobre os quais não dá pra falar muito sem estragar a experiência que os desenvolvedores pretendem entregar ao jogador. Para se ter uma ideia do que digo, tenha em mente que Celeste foi indicado ao The Game Awards nas categorias de Melhor Trilha Sonora, Jogos Impactantes, Melhor Jogo Independente e até mesmo Jogo do Ano. Sua história tem início com Madeleine, já no controle do jogador sem muitas explicações, atravessando um pequeno caminho por onde precisa passar com suas habilidades de salto e escalada, enquanto os controles principais são explicitados na tela. Chegamos ao primeiro diálogo com uma senhora que faz a melhor introdução possível, quando Madeleine acaba comentando sobre o seu desejo de escalar a montanha: “A montanha Celeste é um lugar estranho. Você deve ver coisas. Coisas que não está preparada para ver.”

Resumidamente, Celeste é um jogo sobre enfrentar os próprios medos e superar a si mesmo. Controles diretos que basicamente se resumem a escalar, correr e dar “dash” carregam uma experiência de plataforma que trabalha com obstáculos bem difíceis. Acostume-se a repetir os mesmos movimentos várias e várias vezes para completar os desafios nessa aventura de aprendizado, tanto para o jogador quanto para a protagonista. Os gráficos pixelados são lindos e a música é sensacional, criando uma atmosfera de simplicidade que também pode ser intensa e emocional conforme descobrimos os segredos da montanha e dos personagens que cruzam com Madeleine. Prepare-se para um jogo difícil, mas que vale a pena todo o esforço em troca de uma narrativa tão incrível e horas de diversão.

O jogo está disponível para PC, Xbox One, PlayStation 4 e Nintendo Switch.

Harry Potter: Hogwarts Mystery

Por Ana Luiza

Lançado ainda no primeiro semestre de 2018, Harry Potter: Hogwarts Mystery chegou após mais de cinco anos sem novos jogos centrados no universo criado por J.K. Rowling, e fornece uma experiência relativamente inovadora se comparado aos seus antecessores, em que o jogador, através de um personagem customizável, vive a experiência de estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, desde a compra de materiais até a cerimônia de seleção com o Chapéu Seletor, aulas e a interação com personagens já bastante conhecidos como Alvo Dumbledore, Hagrid, Snape, McGonagall, entre outros. Em paralelo às experiências escolares, uma segunda narrativa é desenvolvida; dessa vez, voltada para o sumiço do irmão da/do protagonista após sua expulsão da escola por um motivo misterioso, que é o que, de fato, dá o tom da história.

Ambientado entre o período seguinte à morte dos pais de Harry e a derrota de Voldemort, e o início da saga literária, Hogwarts Mystery consegue construir com perfeição a atmosfera que faz o universo bruxo até hoje tão atrativo. Da trilha sonora sempre impecável e tão característica aos ambientes já conhecidos que são reproduzidos com maestria, à interpretação dos atores que deram vida aos personagens nos cinemas e retornam aos seus respectivos papéis, cada detalhe é pensado de modo a fazer com que o jogo alcance um nível de imersão pouco comum em smartphones, que é interrompida apenas por suas microtransações — artifício recorrente em jogos similares, mas não por isso menos prejudicial. O ponto negativo, no entanto, não torna seus muito méritos menos significativos. Hogwarts Mystery é uma experiência deliciosa que torna-se mais especial a cada nova atualização, e é capaz de divertir desde os fãs mais antigos até aqueles que acabaram de chegar.

O jogo é gratuito e está disponível para Android e iOS.

One Night, Hot Springs

Por Thais

Para quem nunca ouviu falar, visual novel é um estilo de jogo baseado principalmente em leitura e é muito popular no Japão, sendo os jogos mais famosos oriundos de lá e com fortes influências de animes. Há uma narrativa que se desenvolve por meio de textos e o jogador apenas escolhe para onde a história vai fluir de acordo com opções na tela. A maioria dos títulos modernos conta com sprites dos personagens na tela, que variam sua expressão facial de acordo com a situação. É como ler um livro interativo. O gênero é mais famoso são os “dating simulators”, em que as opções do jogador o encaminham para um romance com um personagem específico, geralmente tomando o cuidado de escolher opções que agradem o personagem em questão. Atualmente há muitos títulos ocidentais e famosos por aqui mesmo, como Amor Doce. Mas nem só de romance vive o estilo, não se engane. Há também nomes de peso como Planetarian que conta a história de uma robô num mundo pós-apocalíptico.

One Night, Hot Springs narra uma situação específica na vida de Haru. No aniversário de vinte anos de sua melhor amiga, Manami, ela é convidada para uma viagem a uma fonte termal onde conhecerá outra convidada, Erika, e juntas terão a oportunidade de passar uma noite relaxante entre amigas. Tudo seria extremamente simples se não fosse um detalhe: Haru precisa enfrentar as dificuldades de ser uma mulher trans e cabe ao jogador decidir o final dessa viagem. O visual é simples, de desenhos bem básicos, mas coloridos e bonitos. A interface segue o mesmo estilo, dando um ar bem minimalista ao jogo. O texto, no entanto, destoa um pouco da atmosfera fofinha e leve. Dependendo das escolhas do jogador, podemos esbarrar em temas muito delicados na vida de Haru e descobrir seus maiores receios, dilemas e inseguranças. Há também finais que renovam nossa esperança na humanidade. Os diálogos são variados e Haru interage com tipos diferentes de pessoa ao longo da história. O jogo é extremamente curto, em menos de meia hora é possível chegar a todos os sete finais disponíveis, mas é uma experiência valiosa.

O jogo é gratuito e está disponível para PC, download pelo Itch.io e para Android.

Pokémon: Let’s Go Pikachu/ Pokémon: Let’s Go Eevee

Por Thais

Em 2016, foi lançado o tão aguardado Pokémon Go. Com uma mecânica bem mais simples do que os RPGs da série de jogos de consoles portáteis da Nintendo, o título foi muito bem recebido. Entusiastas dos jogos de clássicos, fãs do anime, curiosos e até minha mãe agora capturam os monstrinhos, comandam ginásios e administram uma coleção de bichinhos simpáticos e diversificados sem precisar desembolsar um valor extra para um console só para jogá-lo, podendo usar o mesmo smartphone que usam diariamente.

Numa pegada parecida, temos agora Pokémon: Let’s Go Pikachu e Pokémon: Let’s Go Eevee lançados para Nintendo Switch. A principal mudança é o sistema de combate: as batalhas aleatórias foram substituídas por encontros intencionais. Tal qual o jogo de smartphone, é possível ver o Pokémon no mapa, ir até ele e tentar capturá-lo. O sistema também é bem parecido: com o movimento do joycon, seu personagem lança uma pokébola enquanto um círculo de captura fica menor, indicando maior “capturabilidade”, e também é possível melhorar as chances jogando frutas para amansar o bichinho. Sem as batalhas com Pokémons selvagens, seu time sobe de nível com experiência dividida a cada captura e outras ações do jogo. Ainda é possível lutar com NPCs normalmente. Um acessório opcional do Switch em formato de pokébola permite aumentar ainda mais a sensação de imersão e é compatível também com Pokémon Go, permitindo ainda a transferência de monstrinhos de um jogo para o outro; o que também possibilita treinar seus bichinhos mesmo longe do Switch. Os gráficos, como esperado, estão bem mais evoluídos do que os dos últimos jogos para o 3DS. Movimentos cada vez mais naturais, trilha sonora nostálgica em alta qualidade e a possibilidade de explorar a tão famosa e querida região de Kanto colocam o jogo numa posição confortável para todos os tipos de fãs da série.

Os jogos estão disponíveis para Nintendo Switch.

Shadow of the Tomb Raider

Por Thais

Lara Croft é sem dúvida um dos nomes mais importantes de todos os tempos no mundo dos games. Com um início bem modesto no que diz respeito à sua história e desenvolvimento de personagem em seus primeiros títulos ainda no tempo do PlayStation e Sega Saturn, em 2013 teve início uma trilogia que prometeu — e cumpriu — desenvolver o lado mais humano da exploradora de tumbas. Chegamos com Shadow ao final dela, com direito a indicação na categoria de Melhor Jogo de Ação e Aventura no The Game Awards. No tocante à história do jogo, temos uma excelente narrativa que gira em torno de resolver o mistério da morte do pai de Lara e impedir o avanço de uma organização maligna que busca nada menos do que o fim da humanidade. Mas não se engane com os conteúdos clichês: na maioria das histórias é importante se atentar para além do que acontece e perceber como acontece. O jogo toca em pontos sensíveis da sociedade, como a busca filosófica de definir bem e mal, passando por religião e refletindo sobre a motivação humana.

Para quem já jogou os dois títulos anteriores (Tomb Raider e Rise of the Tomb Raider), não há muitas novidades em relação a jogabilidade. Algumas melhorias nos sistemas presentes, mas em geral, está tudo como antes: resolução de puzzles, coleta de itens para a criação de novos, desenvolvimento de habilidades por meio de árvores e alguns combates com uma variedade de armas disponíveis, além da possibilidade de matar alguns inimigos no modo “stealth”. Também é possível mudar a roupa de Lara e, assim, adquirir algumas vantagens ou outras interações com o cenário e seus habitantes. No geral, Shadow of the Tomb Raider é um jogo bem fluido. Os movimentos parecem muito naturais, a qualidade gráfica do reboot continua estável e tudo é bem detalhado visualmente. A trilha sonora combina bem com a atmosfera mais sombria e reflexiva que a saga propõe. Por fim, o jogo em si é desafiador na medida certa e rende algumas boas horas de jogatina.

O jogo está disponível para PC, Xbox One e PlayStation 4.


** O fundo da arte em destaque é de autoria da nossa colaboradora Carol Nazatto. Para conhecer melhor seu trabalho, clique aqui!

** A montagem da arte é de autoria da editora Ana Luíza. Para ver mais, clique aqui!

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