Categorias: MÚSICA

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Música

2024 foi um ano prolífico no cenário cultural e, nesse ínterim, a música continuou a desempenhar um importante papel de expressão, em suas mais diversas formas. Do pop ao rock, passando pelo folk e o country, mulheres, sobretudo, assumiram papéis diversos nesse contexto, refletindo e dialogando sobre temas que vão desde amor e amadurecimento, até o papel da mulher em sociedade. O Troféu Valkirias de Melhores do Ano na categoria Música é uma celebração desse momento tão particular, que destaca não apenas os trabalhos que dominaram as paradas e charts, mas que também se tornaram instrumentos de reflexão e evidenciaram a relevância do feminino no panorama da música atual.

Белая Полоса (Belaya Polosa), Molchat Doma

Por Ana Azevedo

Embora a música da Bielorrússia não seja muito popular no Brasil, Molchat Doma tem um público fiel no Brasil, a banda inclusive esteve em São Paulo em 2022 em show único depois de muitos pedidos de Please, come to Brazil. Sensação do pós-punk desde 2018, Molchat Doma ficou ainda mais famoso neste ano com o jeito 2024 de espalhar uma música: ficando popular no TikTok. Embora Судно (Sudno) ainda seja a música mais popular dos bielorrussos, o grupo de pós-punk/synth-pop anunciou seu novo álbum, Белая Полоса (Belaya Polosa) em setembro de 2024. O som ainda tem a mesma pegada pós-punk do final dos anos 80 e te transporta para alguma cidade fria, cinza e meio depressiva na ex-União Soviética, mas que ainda sim te dá vontade de dançar. Vale a pena conferir.

Cacophony, Paris Paloma

Por Bruna Abinara

Cacophony, álbum de estreia da cantora e compositora britânica Paris Paloma, é uma obra-prima subestimada. Delicado e afiado, as 15 faixas apresentam um panorama da experiência feminina, abordando desde violências e opressões patriarcais até relacionamentos e laços afetivos. Paris tem um estilo só dela, que se equilibra entre força e emoção e se alia aos vocais expressivos e controlados da artista de 25 anos. O lirismo dela é, sem dúvida, um dos principais destaque de sua música, uma característica que a aproxima de artistas como Hozier e Florence and the Machine. A escrita inteligente, com metáforas profundas e uma construção imagética potente, faz do disco pura poesia.

Audaciosa e corajosa, visceral e também intimista, em Cacophony, a cantora cria uma atmosfera etérea com seu ritmo dark indie e folk. Recuperando mitos e mitologias, ela não se exime de abordar debates e reivindicações feministas atuais. O álbum é uma estreia e tanto, que mostra todo o talento e o potencial de Paris enquanto artista.

Leia mais: A experiência feminina nas músicas de Paris Paloma

Cowboy Carter, Beyoncé

Por Mirian de Paula

Quando Beyoncé, já na primeira faixa de Cowboy Carter, canta sobre o “réquiem americano”, fica explícito que sabe muito bem o que está fazendo e o que pretende com este trabalho. Sucessor de Renaissance (2022), o projeto coloca a cantora longe das baladas, no deserto americano, vestida da nova moda country, entre jeans Levi’s e o Louis Vuitton originalista sob a curadoria de Pharrell, conferindo uma nova roupagem à sonoridade mais tradicional dos Estados Unidos sem perder a essência do “Texas bama” (My daddy Alabama/ momma Louisiana/ You mix that negro with that creole, make a Texas bama).

Nascida em Houston, no Texas, a cantora, que já havia se aventurado no country para o álbum Formation (2016), se sentiu extremamente rejeitada por seus pares durante a edição do Country Music Awards, onde performou a canção “Daddy Lessons” ao lado do trio The Chicks, experiência da qual surgiu a ideia para o álbum, justificando-se aí o logo promocional do projeto — “Been Country” (Sempre Fui Country, em tradução livre). A rejeição à Beyoncé se revela escancaradamente racista, uma vez que, vinda de um estado tradicionalmente ligado à música country, não faz menos parte do gênero do que os demais artistas, apenas escolheu uma vertente musical diferente para explorar. Assim, em 2024, consciente de todos os impasses que cercariam uma empreitada nesta indústria em específico, a cantora chegou com um álbum inteiramente country, onde conta com anciões do gênero, como Dolly Parton e Willy Nelson, bem como novos artistas negros, como Shaboozey, deixando claro que, com ela, apesar de amar o country, os caminhos são outros e as regras são suas, começando pelo réquiem, ou seja, uma primeira nota fúnebre para quem será enterrado a partir das próximas faixas — as pessoas, o ritmo, a indústria.

Para iniciar um novo movimento na música country, a cantora sabia que precisava fazer do seu próprio jeito, ainda que os moldes tradicionais fossem mais seguros. Por isso, em Cowboy Carter, Beyoncé adentra em referências estéticas e musicais diversas, como o folk, a ópera, o americana, o funk e o pop para compor seu próprio mundo no gênero. Não é uma aventura: é um projeto conscientemente construído com cuidado, que sabe se utilizar de elementos distintos para construir um todo que faça sentido a quem ouve. Da ressignificação de “Blackbird”, icônica faixa dos Beatles, de 1968, escrita pela dupla Lennon-McCartney sob a inspiração do movimento por Direitos Civis na América nos anos 60, à exploração de sua própria vida pessoal, em “16 Carriages” e “Daughter”, o álbum se alinha de forma perfeita, como apenas alguém que conhece música e história poderia fazer, tornando-o um dos maiores álbuns de 2024 e, certamente, um dos grandes feitos da carreira de Beyoncé.

Para saber mais: COWBOY CARTER: o réquiem da música americana por Beyoncé

Country Never Leaves, Willow Avalon

Por Ana Luíza

Com apenas um álbum lançado (Stranger, lançado no início de 2024), o EP Country Never Leaves, marca a ascensão de Willow Avalon no cenário country contemporâneo. Lançado em outubro, o projeto une elementos clássicos do gênero à voz moderna e vulnerável de uma jovem que ora canta sobre seus amores — e desamores —, ora reflete sobre a vida como artista, a importância de suas origens e o que significa ser uma mulher no mundo.

Responsável tanto pela composição das canções como pela produção do EP, o controle de Avalon sobre seu trabalho é notório, o que lhe garante um resultado único: faixas como “Country Never Leaves” (Too big for this small town where/ what you say comes back around/ you can take the girl out of the country/ but it never ever/ really leaves) e “Homewrecker” (I’m just a girl/ who tried to take a man for his word […]/ I ain’t no homewrecker/ but he made a wreck outta me […]/ I know my worth/ and it’s not a man who gets more than he deserves/ I let him keep all his little secrets but he can’t keep me) — a segunda, uma resposta à clássica “Jolene”, de Dolly Parton — inevitavelmente se destacam, mas, sobretudo liricamente, são um exemplo da sagacidade despretensiosa da cantora, algo que se faz presente em todo o seu trabalho de uma forma geral. Avalon constrói rimas simples, mas carregadas de significado, evocados a partir de metáforas que conversam com uma geração mais jovem de mulheres e que, junto a uma sonoridade que une nostalgia a arranjos leves, mas assertivos, atribuem maior complexidade ao projeto como um todo.

From Zero, Linkin Park

Por Thay

Lançado em novembro de 2024, From Zero é o oitavo álbum de estúdio do Linkin Park, o primeiro desde o falecimento de Chester Bennington, em 2017, e a saída do baterista e membro fundador, Rob Bourdon. Os fãs estavam apreensivos, sem saber muito bem o que esperar dessa nova fase da banda, mas o que recebemos foi um álbum coeso do início ao fim, repleto de melodias que são puro Linkin Park e que alia as composições inspiradas de Mike Shinoda aos vocais poderosos de Emily Armstrong. Ela, inclusive, assumiu a difícil tarefa de ser a nova vocalista da banda com a coragem de poucos, subindo ao palco de coração aberto para cantar tanto as novas quanto as antigas canções da banda.

From Zero, com dez músicas, mostra a que veio logo de início: “The Emptiness Machine”, escolhida como primeiro single do novo trabalho, resgata muito das antigas composições e produções da banda, servindo, também, para apresentar Emily ao mundo enquanto vocalista do Linkin Park. “Heavy Is the Crown”, segundo single, também estreou como música-tema do Campeonato Mundial de League of Legends de 2024, da Riot Games, e também aparece na trilha sonora da segunda temporada da série de televisão Arcane. “Over Each Other” entrega a primeira canção inteiramente cantada por Emily Armstrong, mostrando uma outra versão da versátil intérprete, enquanto “Two Faced” trás aquela energia que só bons versos cantados por Shinoda são capazes de fazer.

Hit Me Hard and Soft, Billie Eilish

Por Bruna Abinara

Hit Me Hard and Soft, terceiro álbum de Billie Eilish, é uma experiência. A temática principal do álbum circunda amor e relacionamentos a partir do ponto de vista da jovem de 23 anos, que amadurece e passa pelas primeiras experiências da vida adulta. Com sonoridades altamente experimentais, o disco mescla pop, eletrônico, bossa nova, rock e diversos estilos. O resultado é um conjunto instigante e heterogêneo, que consegue, ainda assim, se sustentar facilmente como uma obra única, com um estilo próprio e inconfundível. Os vocais de Billie estão mais poderosos do que nunca, indo desde sussurros intimistas até beltings potentes.

A escolha da artista de lançar o álbum como um todo, sem singles de divulgação prévia, também contribui com a proposta de completa imersão nas músicas. As faixas são interligadas e seguem uma ordem lógica, como se Billie nos levasse pela mão por cada momento marcante. Nesse sentido, há um sample que está presente na música de abertura, na que marca o meio do álbum e na última, dando um aspecto circular ao disco. Hit Me Hard And Soft é nostálgico, inclusive, por recuperar influências do início da carreira da cantora. Os dez títulos que compõem o álbum são geniais, mas, se você, assim como eu, mal pode esperar para ouvir mais, Billie termina o álbum com uma pergunta bem sugestiva: “But when can I hear the next one?”

Leia mais: Happier Than Never: o final não tão feliz de Billie Eilish

Keep Me Fed, The Warning

Por Thay

Keep Me Fed é o quarto álbum de estúdio da banda de rock mexicana The Warning. Formando pelas irmãs Daniela (guitarra, vocal principal), Paulina (bateria, vocal, piano) e Alejandra Villarreal (baixo, piano, backing vocals), a banda ficou conhecida após publicar em seu canal no YouTube um cover da música “Enter Sandman”, do Metallica. De lá pra cá, o trio conquistou a atenção de bandas como Muse e Foo Fighters, alçando novos voos e evoluindo sua sonoridade, mostrando maturidade tanto nas letras quanto nos arranjos musicais. Keep Me Fed conta com doze canções potentes, mas o destaque fica para “Hell You Call A Dream” e “Qué Máss Quieres”. The Warning, inclusive, se apresentará no Brasil em março de 2025 ao lado de bandas como The Offspring, Sublime e Rage Against, o que mostra que a pouca idade das irmãs Villarreal não significa nada quando o talento é latente e verdadeiro.

Radical Optimism, Dua Lipa

Por Thay

Após o fenômeno de Future Nostalgia (2020), Dua Lipa tinha um grande desafio para seu terceiro álbum de estúdio: superar ou, pelo menos, alcançar os números de seu trabalho anterior. Ainda que Radical Optimism não tenha bebido da mesma fonte de seu irmão mais velho, é certo dizer que Dua Lipa conseguiu de novo. Descrito por ela como um álbum de autodescoberta, a ideia da cantora é explorar a pura alegria e felicidade de ter clareza em situações que antes pareciam impossíveis de serem enfrentadas. E, assim, ela canta a respeito de despedidas difíceis e começos incertos, tudo com a visão de uma pessoa que amadureceu e aprendeu a lidar melhor com os próprios sentimentos. Para Dua Lipa, os momentos de vulnerabilidade que antes ameaçavam esmagar sua alma, transformam-se em marcos à medida que se opta pelo otimismo, navegando com graça e elegância em meio ao caos.

“Houdini”, “Training Season” e “Illusion” são os carro-chefe do álbum, mas Radical Optimism tem outras joias escondidas como “Whatcha Doing” e “Falling Forever” — esta, exigindo mais dos vocais da cantora do que qualquer outra canção até o momento. Dua Lipa pode não ter repetido o sucesso estrondoso de Future Nostalgia, mas mostra com Radical Optimism que seu nome está consolidado entre os maiores da música pop. Mas, se você precisa de mais evidências do fato, basta colocar pra tocar Dua Lipa Live from the Royal Albert Hall, também lançado este ano, em que a cantora revisita suas canções de maior sucesso, apresentando-as repaginadas e orquestradas em uma noite de puro glamour.

Para saber mais: Dua Lipa, Future Nostalgia e o pop para nos salvar.

rosie, Rosé

Por Ana Luíza

Após o sucesso de R, seu primeiro trabalho solo (um EP com apenas duas músicas, mas que alcançou a incrível marca de mais de 400 mil cópias vendidas em apenas quatro dias), Rosé lança seu primeiro full album, rosie, que a coloca novamente em um espaço verdadeiramente seu. Diferente do seu trabalho no BLACKPINK, rosie é uma experiência multifacetada, que demonstra a versatilidade de Rosé como artista, ao mesmo tempo em que amplia seus horizontes. A cantora se aventura em baladas e gêneros como o pop rock e o R&B, sem abandonar suas origens no k-pop, o que cria um conjunto único e, supreendentemente, coeso.

“APT”, primeiro single do álbum, é um exemplo muito claro disso: a música é uma colaboração de Rosé com Bruno Mars (que também participa da produção de outras canções do álbum), e apresenta uma interessante fusão entre o k-pop e a música pop ocidental, que desafia tanto Rosé quanto Mars criativamente. Ainda que seja possível observar a combinação de influências de ambos — o R&B contemporâneo, além de toques de funk e soul, de Mars; a estética mais polida (mas nem por isso simplista) e as vozes limpas de Rosé —, é justamente a diversidade de estilos explorada pela canção que a torna tão especial, ao mesmo tempo divertida e confiante, delicada e intensa, e uma transgressão das fronteiras culturais no mercado fonográfico.

Único feat do álbum, “APT” é, no entanto, apenas um dos momentos em que Rosé explora sua versatilidade. Seja nos singles “number one girl” e “toxic till the end”, seja em canções como “3am” e “too bad for us”, a cantora desafia a si mesma e brinca com diversas sonoridades e influências, sem perder a própria essência, amarrada pelo fio condutor que é a voz limpa (uma de suas características mais fortes) e as canções sobre amor. Rosé é creditada em todas as canções — ainda que ao lado de outros produtores/compositores — o que lhe garante a chance de contar suas próprias histórias, e ser honesta e vulnerável de uma forma que o BLACKPINK não lhe permitia fazer. rosie é o momento em que ela pode finalmente mostrar mais de si mesma como indivíduo — algo que o álbum promete e entrega.

Leia mais: Fama e coração partido no debut solo de Rosé, do BLACKPINK

Short n’ Sweet, Sabrina Carpenter

Por Bruna Abinara

O ano foi todo dela e ninguém pode negar: se 2023 deixou um gostinho de quero mais para Sabrina Carpenter, 2024 foi o ano em que ela alcançou o topo das paradas, aclamação e popularidade global. Os primeiros singles do álbum, “Espresso” e “Please Please Please”, sucessos absolutos, deixaram claro o que viria plena frente. Short n’ Sweet é engraçado, divertido, sexy e um pop perfection poucas vezes visto. Passeando pela melancolia em músicas como “Lie to Girls” e “Sharpest Tool” e pela animação em “Juno” e “Bad Chem”, Sabrina entrega uma obra consistente do início ao fim, mostrando todo o potencial que sempre teve para composições afiadas e melodias agradáveis.

The Secret of Us, Gracie Abrams

Por Ana Luíza

Aguardado álbum de estreia de Gracie Abrams, The Secret of Us oferece uma imersão no universo emocional de uma jovem mulher, mergulhando em temas como insegurança, amor não correspondido, rompimentos e a complexidade das relações interpessoais. Com uma sonoridade minimalista e letras carregadas de vulnerabilidade, o álbum constrói uma estética melancólica, baseada em uma instrumentação despojada que permite que a voz de Abrams se destaque, em um espaço que reflete as vivências femininas sob diferentes perspectivas: às vezes, como um fardo, às vezes, como uma forma de resistência.

A capacidade de criar um diálogo com o público ajuda a explicar o sucesso de canções como “I Love You, I’m Sorry” e “That’s So True” (esta última, presente apenas na versão deluxe do álbum), que se tornaram fenômenos no TikTok: mais do que a inegável qualidade sonora, a lírica de Abrams ressoa de forma profunda, transformando situações cotidianas em poesia. Destaque para suas pontes, que brincam com palavras enquanto evocam cenas facilmente identificáveis, sejam quais forem as experiências particulares de cada ouvinte, o que faz com que The Secret of Us se destaque como um trabalho poderoso, ambivalente, e que transcende quaisquer expectativas para um álbum de estreia.

The Tortured Poets Department, Taylor Swift

Por Bruna Scheifler

Chegando no segundo semestre do ano, The Tortured Poets Departament certamente não é o álbum mais aclamado, premiado ou com os maiores hits de Taylor Swift. A própria fanbase tem opiniões divididas sobre o álbum, com muitos decepcionados após o pop comercial e exemplar de seu trabalho anterior, Midnights. No entanto, é inegável que a obra reúne as melhores características já vistas em trabalhos anteriores de Swift e as eleva à máxima potência, sendo um presente para todos os fãs da música e, principalmente, das composições da cantora estadunidense.

Em músicas mais longas, entre três e seis minutos de duração, fica evidente a necessidade da cantora de desabafar por meio de suas composições, fazendo deste trabalho o mais brutalmente honesto e maduro liricamente da sua carreira. O paradoxo de composições melancólicas com batidas animadas, já conhecido do trabalho em parceria com Jack Antonoff, também atinge o ápice neste álbum. Além disso, o humor nas letras também é um ponto forte, com composições repletas de ironias, metáforas e autocríticas sarcásticas. TTPD pode se tornar cansativo, com músicas melodicamente similares, principalmente a partir da segunda parte do álbum, que perde parte do fôlego inicial. The Antology tem destaques como “The Black Dog”, “The Prophecy” e “Cassandra”, mas, ao mesmo tempo, apresenta letras rasas e melodias repetitivas como em “thanK you aIMee” e “Peter”. De qualquer forma, certamente nenhum fã de Taylor Swift pode reclamar da entrega emocional e profissional vista neste álbum, muito menos de ter mais músicas da cantora para ouvir.

Unreal Unearth Unending, Hozier

Por Amanda Karolyne

Em 2024, além de “Espresso” da Sabrina Carpenter, outra música regada a muita cafeína também fez muito sucesso mundialmente: “Too Sweet” de Hozier. O cantor irlandês voltou às paradas de sucesso dez anos depois da aclamada “Take Me To Church” e foi queridinho do público novamente. “Too Sweet” faz parte de Unreal Unearth: Unheard, lançado em 2024. Este álbum é uma espécie de deluxe do Unreal Unearth de 2023, com quatro músicas que não estavam no original. O conceito deste álbum foi inspirado no Inferno de Dante, estruturado nos nove círculos do inferno.

No final deste ano, Hozier entregou a última versão do disco: Unreal Unearth Unending, contendo singles lançados antes do álbum ter saído e os lançamentos de 2024 em um só. Ao todo são 26 músicas, com a adorada “Too Sweet”, onde o narrador aponta as diferenças entre ele e a pessoa amada, quase que num ato de superioridade benevolente. Esta versão final contém ainda as faixas “Nobody’s Soldier”, em que o narrador está cansado de ser massa de manobra e também “Hymn to Virgil”, uma canção que tenta imaginar um final alternativo para Dante e Virgílio, de A Divina Comédia. Vale a pena conferir esta última versão, assim como toda a discografia de Hozier nas plataformas digitais.