Categorias: LITERATURA

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Literatura – Capítulo 1

Já diria Jane Austen: “Da minha parte, se um livro for bem escrito, sempre o acho curto demais.” E é dessa maneira que nos sentimos quando fechamos um livro maravilhoso que nos acompanhou por dias a fio. É difícil fechar um livro que nos impactou e simplesmente seguir com a vida: frases, momentos inteiros e plot twists ficam com a gente por anos, e sempre os recebemos como velhos amigos quando os vemos em prateleiras por aí ou nas mãos de outras pessoas no transporte público. Ler é visitar mil mundos, viver mil vidas, aprender mil coisas. E se 2018 foi um ano difícil em diferentes aspectos, pelo menos pudemos mergulhar nos universos e histórias criadas por mulheres incríveis que resolveram dividir um pedacinho delas com cada uma de nós.

Nessa primeira parte de Melhores do Ano na categoria Literatura, você encontrará histórias de passado, presente e futuro. Tramas com personagens cativantes, mulheres protagonistas que vão muito além dos estereótipos de gênero e autoras criativas que brilham em seus trabalhos. Romance, ficção científica, livro-reportagem, livro para conquistar a independência financeira… Na nossa lista, o céu é o limite.

A Filha do Rei do Pântano, Karen Dionne

Por Michas

“Coisas ruins acontecem. Aviões caem, trens descarrilam, pessoas morrem em enchentes, terremotos e tornados. Motos de neve se perdem. Cachorros levam tiros. E meninas são raptadas”.

Com referência ao conto infantil de Hans Christian Andersen, A Filha do Rei do Pântano, de Karen Dionne, é o tipo de livro para aqueles que gostam de explorar emoções intensas. Uma adolescente é raptada e mantida em cativeiro em uma casa no meio de um pântano no Michigan. Dois anos depois, nasce Helena, sua filha e protagonista da história. Com uma narrativa não-linear, intercalando o presente e o passado, Karen Dionne conduz o leitor pela infância pouco convencional de Helena — criada de forma selvagem e com nenhum contato com o mundo além do pântano onde nasceu — e a sua vida atual, com uma nova identidade e ao lado do marido e de suas duas filhas. Logo no início, ela recebe a notícia de que seu pai escapou da prisão, o que faz com que precise encarar o passado que acreditou ter deixado para trás, ao mesmo tempo em que sai em uma caçada ao homem que ela ajudou a prender e que agora busca vingança.

Ao explorar uma voz diferente neste tipo de história — normalmente, encontramos a perspectiva da vítima de sequestro — a autora não apenas entrega um suspense que prende o leitor desde a primeira página — a narrativa bastante fluída e as descrições vívidas contribuem para este efeito —, como também nos proporciona a experiência de sentir emoções conflitantes a cada capítulo. Enquanto sentimos repulsa ao pensar no destino da mãe de Helena, também conseguimos compreender o que leva a protagonista a não odiar completamente o monstro que a criou. Outro aspecto interessante é observar os diferentes estágios da relação dela com a mãe, como sua percepção da mesma vai se alterando com o passar dos anos, principalmente depois do nascimento de suas filhas. O livro foi eleito um dos melhores thrillers de 2017 pela Suspense Magazine e chegou ao Brasil este ano pelo clube de assinatura TAG Inéditos em parceria com a editora Verus, que ainda não definiu uma data para o lançamento, mas vale a pena ficar de olho e colocar na lista de leituras para 2019. É um livro pesado, angustiante e que em muitos momentos poderá causar desconforto; mas se esse é o tipo de coisa que você procura, A Filha do Rei do Pântano não irá decepcionar. — Compre!

A Guerra Que Me Ensinou a Viver, Kimberly Brubaker Bradley

Por Thay

“O Jamie e eu também éramos náufragos, mas no fim das contas não tínhamos sido resgatados. Não tínhamos chegado a uma ilha. Ainda lutávamos para não nos afogarmos no mar abalado pela tormenta.”

Continuação do emocionante A Guerra Que Salvou a Minha VidaA Guerra Que Me Ensinou a Viver marca o retorno de Kimberly Brubaker Bradley às prateleiras brasileiras. Lançado pela Darkside Books no primeiro semestre de 2018, o livro retoma a história da invencível Ada, a menina que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial e encontrou, em meio ao caos e ao desespero, amor, compreensão e uma família. Acostumada desde pequena com o desprezo da Mãe, Ada viu na guerra, e na evacuação das crianças de Londres, uma possibilidade de recomeçar. Acolhida por Susan, ela e Jamie, seu irmão, conseguem construir uma família mesmo com os aviões de Hitler os bombardeando, mas ainda precisam aprender a conviver com os medos que moram em cada um deles.

É dessa maneira que é desenvolvida a história de A Guerra Que Me Ensinou a Viver: vemos Ada lidando com os traumas que ainda vivem nela, o medo de ser abandonada e ojerizada, mesmo que Susan a ame de todo o coração, e os velhos hábitos que desenvolveu para se preservar do rancor da Mãe. Anos de abuso não somem simplesmente, e a jornada de Ada nesse segundo livro é para se curar e abrir por completo para o amor de uma família que a quer verdadeiramente bem. — Compre!

A Mulher Entre Nós, Sarah Pekkanen e Greer Hendricks

Por Francielle

“Para essa linda jovem com rosto em formato de coração e corpo sensual — a mulher por quem meu marido Richard me trocou —, sou invisível como o pombo ciscando na calçada ao meu lado. Ela não faz ideia do que vai acontecer se continuar agindo assim. Não faz a menor ideia.”

Talvez um dos livros mais impactantes que li esse ano, A Mulher Entre Nós começa com o clichê da mulher “velha”, divorciada e infeliz, que não consegue desapegar de seu marido bem-sucedido e noivo de uma moça mais jovem. O thriller psicológico intercala capítulos narrados por Vanessa e Nellie e conseguimos nos sentir muito próximas às duas personagens, aos seus momentos e, mais especificamente, à ligação que existe entre suas histórias.

Tenho gostado muito de como a ficção tem abordado relações entre mulheres, ainda mais quando são permeadas por traumas ou algum tipo de violência. Mostrar laços de empatia e união através desses roteiros tem demonstrado mudanças na literatura e, espero, na postura do mercado. Fora isso, a leitura é viciante, fácil, agradável e vale muito a pena. — Compre!

A Parábola do Semeador, Octavia Butler

Por Anna Vitória

“Tudo que você toca você muda. Tudo o que você muda muda você. A única verdade perene é a mudança.”

A Parábola do Semeador foi o livro que mais recomendei para as pessoas esse ano, principalmente ao longo do segundo semestre. Tá achando tudo ruim? Leia A Parábola do Semeador, piora. Tá achando tudo estranho? Leia A Parábola do Semeador, Octavia Butler já entendeu tudo. Tá precisando de um afago na alma? Leia A Parábola do Semeador também, um livro onde o amor e a união leva as pessoas adiante.

Li esse livro poucas semanas depois da greve dos caminhoneiros que parou o país e a distopia de Butler, que tem início em 2024, me pareceu uma versão extrema do que vivemos naquela semana maluca. A autora conta em entrevistas que em suas pesquisas para o livro, em 1989, foram orientadas pela pergunta: quais serão as consequências dos problemas que temos hoje — crise climática, desigualdade social e fragilidade democrática — daqui alguns anos se nada for feito? É nesse contexto que conhecemos Lauren Olamina, uma adolescente de 15 anos que se vê sozinha tendo que sobreviver nesse mundo em que matar o outro é questão de sobrevivência e a água é o bem mais valioso. Desde então tenho pensado muito em Octavia Butler, em Lauren Olamina, e no que o futuro nos reserva. Gostaria que pensássemos mais, juntos, sobre elas e sobre a janela para o amanhã que é A Parábola do Semeador. Não temos como parar a mudança, mas podemos escolher como reagiremos a ela e o que queremos fazer brotar no futuro. — Compre!

A Vida Compartilhada em Uma Admirável Órbita Fechada, Becky Chambers

Por Thay

“Independentemente do que as simulações diziam sobre o poder de um único herói solitário, havia coisas grandes demais para uma pessoa mudar sozinha.”

Com o seu A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada, Becky Chambers nos faz retornar para o incrível universo e personagens cativantes criados por ela. Dando continuidade a A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil — ainda que o livro possa ser lido de maneira independente —, acompanhamos as trajetórias de Sálvia e Lovelace: ainda que tão diferentes entre si, as duas personagens guardam imensas similaridades em suas jornadas, o que ecoa inclusive no título do livro, mostrando como as histórias pessoais de cada uma delas se encontra ao final em uma narrativa sobre a busca de autonomia e liberdade em um mundo que não foi gentil com nenhuma das duas.

Becky Chambers consegue nos mesmerizar com sua escrita de maneira singular: é fácil se importar com seus personagens, torcer por eles e sofrer junto, e ainda assim querer viver no mundo criado pela autora. Com uma trama sobre pessoas, suas lutas e seus dilemas, seus sonhos e suas conquistas, A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada mostra que ficção científica pode ir muito além das famigeradas batalhas espaciais e ser, inclusive, uma história de mulheres que buscam a autonomia e a liberdade de que tanto precisam para serem donas de si mesmas. — Compre!

As Alegrias da Maternidade, Buchi Emecheta

Por Karina

“Só que quanto mais eu penso no assunto, mais me dou conta de que nós, mulheres, fixamos modelos impossíveis para nós mesmas. Que tornamos a vida intolerável umas para as outras.”

Morte, casamento arranjado, guerra, machismo, dor, coragem, pobreza, opressão social: você vai encontrar tudo isso em As Alegrias da Maternidade. Apesar do título, muito pouco do livro traz, de fato, alegrias. A história é a de Nnu Ego, uma jovem mulher nigeriana que é vista pela sociedade em que vive como todas as outras jovens nigerianas: como alguém que tem a função de parir, cuidar da casa e da família. Acompanhando toda a vida da protagonista, mergulhei nas várias camadas e facetas de uma cultura e época que são tão distantes da nossa, mas que, ao mesmo tempo, guardam tantas semelhanças. É de ficar com o peito apertado.

As Alegrias da Maternidade é primeira obra da escritora nigeriana Buchi Emecheta a ser publicada no Brasil, e chegou ao país pela indicação de outra escritora nigeriana que já conhecemos e amamos. Chimamanda Ngozi Adichie indicou a obra na edição da TAG, clube de assinatura, em outubro de 2017 e agora, em 2018, o livro foi publicado oficialmente pela editora Dublinense. — Compre! 

Fique Comigo, Ayòbámi Adébáyò

Por Fer

“As razões pelas quais fazemos as coisas que fazemos nem sempre serão lembradas. Às vezes, acho que temos filhos porque queremos deixar alguém que possa explicar ao mundo quem éramos depois que morremos.”

Indicada ao Women’s Prize for Fiction logo em seu romance de estreia, a jovem autora nigeriana Ayòbámi Adébáyò mostra a que veio desde as primeiras páginas de Fique Comigo. O romance conta a história de um jovem casal que, arrebatado por uma paixão surgida ainda nos tempos de faculdade, decide seguir a monogamia mesmo vivendo em uma cultura essencialmente poligâmica. É algo que suas famílias aceitam com relativa tranquilidade até que Yejide começa a demorar demais para engravidar; seu casamento com Akin passa a ser visto como um problema quando a percepção daqueles à sua volta é a de que ela não vai cumprir seu papel como mulher: dar filhos ao marido, é claro.

Narrado por Yejide e Akin, Fique Comigo é um relato forte e poderoso sobre as consequências devastadoras que as cobranças incessantes para se seguir um script de vida padronizado trazem às nossas vidas. Se de início parece que Adebayo vai falar em seu livro apenas sobre as cobranças feitas às mulheres a respeito da maternidade, mesmo em um livro tão enxuto ela consegue, ao tomar um caminho inesperado após o outro, abordar muito mais, e cria em Yejide e Akin dois personagens profundos e complexos com os quais a conexão se torna fácil. Situado entre o final da década de oitenta e o início dos anos noventa, em Fique Comigo as decepções sem fim e reviravoltas na vida pessoal de Yejide e Akin espelham o pano de fundo por trás de tudo, que aborda o conturbado momento político que vivia a Nigéria à época, com golpes militares, eleições que nunca chegavam e muita desconfiança e inquietação. — Compre!

Inferior é o Car*lhø, Angela Saini

Por Thay

“Nossa biologia não determina nossa maneira de viver.”

Inferior é o Car*lhølançado no Brasil pela DarkSide Books, é o livro reportagem da jornalista científica Angela Saini. Por meio de sua pesquisa elaborada e aprofundada, Angela destrincha os motivos pelos quais a ciência tem subjugado as mulheres por centenas de anos, entendendo nosso gênero de maneira completamente equivocada. A ciência como a conhecemos, feita por uma perspectiva masculina e privilegiada, silenciou as vozes e experiências de mais da metade da população mundial, e Inferior é o Car*lhø vem justamente para tentar reparar uma série de equívocos perpetuados pela ciência a partir do momento que ela se profissionalizou e exclui as mulheres de suas cátedras.

Pesquisando teorias que explicam a função da menopausa, analisando os estereótipos de gênero e o sexismo que impera na ciência, Angela Saini também resgata nomes importantes da ciência como o de Caroline Kennard, feminista e cientista amadora norte-americana, que discorda da afirmação do naturalista a respeito da inferioridade da mulher. A autora é capaz de construir uma pesquisa coesa e coerente enquanto abre espaço para que cientistas afirmem, inclusive, que o feminismo é um aliado importante da ciência “enquanto melhora o modo como a ciência é feita, pressionando os pesquisadores a incluir a perspectiva feminina”. — Compre!

Interferências, Connie Willis

Por Mia

“Só que algumas pessoas acabam conectadas demais, entende, principalmente quando se trata de relacionamentos. Relacionamentos precisam de menos comunicação, e não de mais.”

Ano passado, quando li O Livro do Juízo Final, me determinei a ler tudo o que Connie Willis já publicou. Uma das poucas autoras reconhecidas na ficção científica, infelizmente, Connie já escreveu sobre diversos temas, sempre com o foco no sci-fi e nos relacionamentos humanos. Em Interferências, nos deparamos com uma história que bem poderia ser somente romântica, não fosse por uma coisa: uma cirurgia que faz com que casais tenham mais empatia, chegando a literalmente sentir as emoções um do outro. Quando seu namorado, Trent, convida Briddey para fazer o procedimento, ela fica muito animada, porém, assim que a cirurgia é realizada, ela acaba se conectando com outra pessoa, que não apenas sente suas emoções como também ouve seus pensamentos.

Connie não é o tipo de escritora que escreve apenas por escrever. Seus livros sempre possuem um contexto rico, que leva o leitor a pensar para além do enredo simples mostrado no que poderia ser apenas uma história de amor. Não é apenas o elemento da ficção científica que se destaca, mas também a forte reflexão sobre o quanto a tecnologia é cada vez mais invasiva e como isso, ao contrário do que se pensaria inicialmente, não aproxima as pessoas, mas as afasta à medida que todos necessitam de privacidade. Num tempo em que o celular — e, consequentemente, a internet com as suas redes sociais — viraram praticamente uma extensão corporal, é difícil estabelecer os limites entre quem somos e a persona que representamos online. Connie traz à tona uma face da ampla conexão que não estamos tão acostumadas a ver, e isso só enriquece a leitura. — Compre! 

Leve-me com Você, Catherine Ryan Hyde

Por Nilsen

“As pessoas aprendem com a experiência. Pouco importa o que outros dizem.”

Leve-me Com Você, de Catherine Ryan Hyde, é um daqueles livros que contém a história de uma vida dentro de suas páginas. Mas, neste caso, são três: aqui, viramos confidentes de August, um professor desacreditado que decide fazer uma viagem de trailer pelos belíssimos parques nacionais e reservas naturais dos Estados Unidos, e de Seth e Henry, dois meninos que embarcam na road trip de última hora, após uma proposta inusitada.

Uma história encantadora que trata de assuntos como luto, empatia e culpa com muito cuidado e sensibilidade – e que mostra como as férias de verão sempre podem ser um pouquinho mágicas. Leve-me Com Você é uma lição sobre como família nem sempre significa dividir o mesmo sangue; um livro que cativa pela força de sua narrativa e pela ambientação perfeita. Se você, assim como eu, já ficou com vontade de sair em busca de uma aventura que jamais vai esquecer, pode começar por aqui. — Compre! 

Me Poupe, Nathalia Arcuri 

Por Tany

“Dinheiro pode trazer felicidade, sim. Desde que você saiba o que te faz feliz.”

A situação não está fácil pra ninguém e todo mundo anda mal seja por falta de emprego, dinheiro, futuro do país, ou qualquer um dos outros vinte mil motivos. Confesso que antes, assim como política, economia era um assunto “chato” que não fazia questão em aprender, mas a gente cresce e na atual situação do país não podemos nos dar ao luxo de deixar o governo decidir por nós o que é melhor pra gente, principalmente com o nosso dinheiro. O canal da Nathalia Arcuri no YouTube foi uma das minhas melhores descobertas em 2017, e graças ao Me Poupe! pude começar a entender um pouco sobre do valor do meu dinheiro e como posso investi-lo de forma inteligente e barata (ou de graça!).

Me Poupe!: 10 Passos Para Nunca Mais Faltar Dinheiro No Seu Bolso entrega exatamente o que o título fala: uma introdução de como sair das dívidas, ou simplesmente repensar no uso do que ganhamos, começando a poupar e ajudando a multiplicar o famigerado. O conteúdo é o mesmo do canal, mas de uma forma mais direta e resumida, mas com todas as informações necessárias para obter o conhecimento inicial em economia. Percebi que economia não é um bicho de sete cabeças e nem tão difícil como parece ser. O livro é um ótimo presente de final de ano e primeiro passo a uma independência financeira longe das dívidas e cheques especiais. — Compre! 

Praia de Manhattan, Jennifer Egan

Por Ana Luíza

“(…) Descendo a Quinta Avenida, deixaram para trás a entrada da biblioteca pública, por onde Anna tinha passado depois de se despedir da mãe na Pennsylvannia Station. Tinha sido ali que percebera pela primeira vez o poder de atração da noite, sentido seus perigos, armadilhas que vinha evitando desde então. Outro tipo de garota. Como alguém podia saber que tipo de garota ela era se Anna vivia só? As garotas daquele tipo podiam ser simplesmente as que não tinha ninguém para lhes dizer que não eram daquele tipo.”

Com sua maior parte ambientada durante a Segunda Guerra Mundial, Praia de Manhattan se distancia das grandes histórias de guerra ao centralizar as narrativas daqueles que ficam em casa, nos Estados Unidos, e são impactados pelo conflito de maneiras muito particulares. Mesmo em comparação aos cidadãos europeus, a experiência norte-americana na guerra parece muito distinta, e muitas vezes distante, e não era difícil que, para quem não estava no front ou não tivesse nenhuma pessoa próxima lutando contra o exército nazista, ela fosse uma realidade muito abstrata. Jennifer Egan revela essa face pouco conhecida com tanta sensibilidade quanto seria possível, mas sem jamais perder o olhar crítico.

O mesmo cuidado é utilizado na construção de seus personagens. Anna, Eddie e Dexter, os protagonistas, são pessoas extremamente complexas, que ocupam diferentes lugares na sociedade e cujas histórias dificilmente se entrelaçariam em outra época ou lugar, mas que, dentro da narrativa delineada por Egan, cruzam-se de maneira irrevogável e servem como ponto de partida para reflexões que não se restringem ao período no qual a história se ambienta. Relações familiares, machismo, deficiência, crime e romance são alguns dos temas abordados pela autora em seu mergulho na natureza humana, construindo uma narrativa tão bonita quanto memorável. — Compre!


** O fundo da arte em destaque é de autoria da nossa colaboradora Carol Nazatto. Para conhecer melhor seu trabalho, clique aqui!

** A montagem da arte é de autoria da editora Ana Luíza. Para ver mais, clique aqui!

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2 comentários

  1. Adorei as indicações, já estão na minha lista de livros para 2019! <3

    Apenas uma correção: no título, o livro A vida compartilhada em uma admirável órbita fechada está com o nome trocado por "incrível"