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Para quem ama o amor: 13 k-dramas (e um c-drama) que são repletos de romance

“A Pessoa, seja um cavalheiro ou uma dama, que não aprecie um bom romance,  deve ser terrivelmente estupido”

A Abadia de Northanger, Jane Austen

Quando Round 6 estourou, os dramas asiáticos, especialmente os k-dramas, estavam com mais evidência do que nunca. Apesar do sucesso não ter vindo do nada (e sim de uma série de investimentos feitos pelo governo da Coreia do Sul no audiovisual), as pessoas começaram a entrar nesse universo tão rico de produções e, no processo, descobriram que a maioria delas tinha muito romance. Mas muito romance mesmo.

Depois, algumas listas foram publicadas indicando k-dramas que saiam um pouco do gênero “água com açúcar” e tinham pouco ou nenhum romance inseridos na sua trama. Para quem já estava acostumada com esse mundo e sempre acompanhou as produções (ou passou a acompanhar antes de Round 6), ficou com uma pergunta na cabeça: por que alguém gostaria de ignorar uma das melhores qualidades dentro do escopo dessas produções?

A verdade é que os k-dramas são, na sua essência, obras românticas. Isso não é necessariamente uma regra (existem boas exceções) e todo mundo sabe que eles têm as suas limitações, mas é impossível ignorar aquilo que a TV sul coreana faz de melhor: mostrar conexões humanas e como elas nascem, crescem e evoluem. É por isso que nessa lista separamos algumas das melhores produções “água com açúcar” e indicamos aquelas histórias que nos fizeram suspirar, rir, chorar e até mesmo entender um pouco mais sobre o amor.

Afinal, todo mundo procura por amor. Nós do Valkirias somos só um pouco mais honestas sobre isso.

A Fada do Levantamento de Peso Kim Bok-joo, Viki

Por Debora

k-dramas

Como uma boa apreciadora de tropos românticos, confesso que o famoso “friends to lovers” (de amigos a amantes, em tradução livre) não figurava no meu ranking de histórias favoritas para consumir. Isso mudou quando me encantei pelo modo como Weightlifting Fairy Kim Bok-joo conduz a história entre sua protagonista, que dá nome ao k-drama, e seu amigo nadador, Jung Joon-hyun (Nam Joo Hyuk). Seguindo um clichê muito utilizado nas produções coreanas, os dois se conheceram ainda crianças, porém a vida os levou para caminhos diferentes até que eles se reencontram na faculdade.

Com um início de relação marcado por brigas e pequenos desentendimentos, é divertido acompanhar uma durona e desbocada Bok-joo (Lee Sung-kyung) ser importunada por um irreverente, calmo e com olhos de cachorrinho que caiu da mudança Joon Hyun até ele vencer as barreiras dela e ganhar sua confiança. Assim, eles evoluem da amizade para o romance de uma forma crível, gostosa de ver e que nos faz suspirar a cada cena em que os dois se apoiam por entenderem muito bem o que cada um passa, já que compartilham a paixão pelo mundo do esporte; ou também no âmbito pessoal, seja ele com os problemas com a mãe que o abandonou e as crises de ansiedade, que dificultam sua participação nas competições de natação, ou ela, que luta contra estereótipos de gênero por praticar um esporte dito masculino e que, junto com a descoberta de amar alguém, enfrenta o questionamento de se é preciso performar feminilidade para se ver como mulher, como alguém digna de receber um olhar de amor romântico, até chegar ao entendimento de que tudo bem se a resposta for sim, se for algo que vai ao encontro do que está dentro dela.

No fim do dia, os dois amigos que tornam-se um casal e estabelecem uma conexão tão genuína e cheia de compreensão nos presenteiam com uma história deliciosa, cheia de frescor, que transmite de maneira apurada o sentimento de ser jovem e estar aprendendo a se encontrar em si mesmo e com os outros; e de bônus, recebemos cenas cheias de carinho, cuidado, que deixam o coração palpitando e as bochechas doendo de tanto sorrir, feliz por Bok-joo e Joon-hyun.

Strong Woman Do Bong-soon, Viki

Por Carol

k-dramas

Existem várias coisas que amo em Strong Woman Do Bong Soon, começando pelo fato de que a protagonista que leva o nome da obra (interpretada por Park Bo-young) é uma mulher de 1,50m de altura que tem super força e usa da mesma para parar vários homens escrotos. Melhor ainda: esse poder passa de mulher para mulher na sua família, fazendo desse destino algo geracional e que sua mãe e avó entendem perfeitamente. A produção, que foi ao ar em 2017 na Coreia do Sul, é divertida, emocional e tem aquele toque despretensioso que só um bom k-drama pode oferecer. Mas nada disso é tão importante quanto o romance que se desenvolve entre Do Bong Soon e o doce e sensível An Min-hyuk (Park Hyung-sik).

Confesso que, quando comecei a assistir ao k-drama, pensei que a história se desenvolveria de uma forma bem diferente. No pontapé inicial da trama, Bong Soon é apaixonada por seu colega de trabalho, In Gook-doo (Ji Soo), um policial que é do tipo dark and brooding (escuro e taciturno, em tradução livre). Com uma série de dramas já vistos na minha lista e sabendo do histórico desse tipo de personagem sempre chamar mais atenção, deduzi que Bong Soon acabaria com o mesmo, perpetuando o tropo do best friends to lovers.

Ao mesmo tempo que imaginava isso, An Min-hyuk (ou Min Min, como a Bong Soon apelidou-o carinhosamente), ganhou todo o meu coração com apenas alguns episódios. Os dois atores têm uma química especial, que funciona em vários níveis, e o romance deles se desenvolve de forma genuína, doce e sincera. Ele admira e aceita os poderes da protagonista, e ela tira um pouco da sua solidão. Eles têm momentos divertidos, e outros que mostram exatamente porque An Min-hyuk conquistou os sentimentos de Bong Soon, com ele sendo o homem mais absurdamente fofo, especial e leal que já pisou na Terra.

Pelo menos uma vez na história dos romances a menina escolhe ficar com o cara sensível, e eu não poderia estar mais feliz por isso.

Hometown Cha-Cha-Cha, Netflix

Por Debora

k-dramas

Existem vários motivos para Hometown Cha-Cha-Cha ter se tornado uma das melhores coisas que assisti no ano passado — quiçá em toda minha vida: a beleza da ilha de Gongjin, as relações de amizade e família entre todos os moradores, o casal secundário, Pyo Mi-seon (Gong Min-jeung) e Choi Eun-chul (Kang Hyung Suk), com sua personalidade tão diferente e, ainda assim, complementar; a delicadeza e profundidade com que trata temas difíceis; o desenvolvimento de personagem da protagonista, Yoo Hye-jin (Shin Min-a); a atuação digna de prêmios de Kim Seon-ho; mas, sobretudo, o que me fez esperar ansiosamente cada final de semana por novos episódios e gritar muito em capslock no Twitter e no chat privado com amigas sobre esse k-drama foi a construção do romance entre Hye Jin e Hong Du-sik (Seon-ho).

Com um toque de orgulho, más impressões e pré-conceitos, o primeiro encontro dos dois protagonistas estabelece uma relação não muito harmoniosa, o que torna tudo mais delicioso de acompanhar à medida que ambos vão conhecendo o verdadeiro eu um do outro e criando uma admiração mútua. Além disso, o modo como a trajetória dos dois é escrita após admitirem seus sentimentos me fez vibrar porque, apesar de apreciar uma boa trama com falta de comunicação, essa parece ser a única maneira conhecida por roteiristas de gerar conflito e provocar uma evolução da relação, quando nem de longe o é; e Hometown Cha-Cha-Cha prova isso muito bem trazendo a honestidade e sinceridade de Hye Jin como um ponto forte da trama e conduzindo o relacionamento dela com Du-sik de forma a mostrar que incompatibilidades e desentendimentos  possuem muitas nuances e nem sempre precisam gerar uma quebra para que haja um (re)conserto.

A trama do triângulo amoroso aqui também mostra como é possível escrever algo satisfatório e que agrade o espectador, sem sacrificar o desenvolvimento de ninguém na produção, mesmo quando se utiliza de clichês nem tão interessantes assim. Em suma, HomeCha — como é carinhosamente apelidada — é uma obra completa e que nos inunda de felicidade ao oferecer um casal bem escrito e que entrega muito romance e fofura em cenas cheias de água com açúcar e cumplicidade.

Touch Your Heart, Netflix

Por Debora

k-drama

Falando em “água com açúcar”, o termo é perfeito para definir Touch Your Heart, que conta a história da atriz Oh Jin-shim (Yoo In-na) que, após se envolver em um escândalo, passa a ter dificuldades em conseguir papéis. Quando surge uma proposta de atuação que realmente quer, ela aceita as exigências da produção para se preparar para o papel, o que inclui viver in loco a experiência da personagem que vai representar, ou seja, ela será secretária em um escritório de advocacia. As complicações começam quando ela se depara com o advogado Kwon Jung-rok (Lee Dong-wook), para quem irá trabalhar.

Sisudo, focado no trabalho e de poucas palavras, ele não tolera a incompetência de Jin-shim, que está aprendendo suas funções, e acha seu jeito extrovertido e expansivo exagerados e uma distração para sua concentração ferrenha. Com uma ótima dinâmica do clichê sunshine/grumpy (raio de sol/mal-humorado, em tradução livre), Touch Your Heart mostra que, quando bem escrita, com personagens que cativam e convencem a audiência, não é preciso, necessariamente, de uma trama mirabolante, mas que um conjunto de cenas simples, fofas e cotidianas com um toque que só a ficção é capaz de dar pode tornar uma produção interessante e doce de se acompanhar. Torcer por um casal e ansiar pelos momentos em que eles vivem situações em que os sentimentos um pelo outro ficam a mostra, é o suficiente para encantar e derreter nossos corações quando une química dos protagonistas, romance bem desenvolvido, com pitadas de humor e angst na medida certa.

Dali and the Cocky Prince, Viki

Por Carol

k-dramas

Dali (Park Gyu-young) é a mais delicada e inteligente das protagonistas dos k-dramas, enquanto Moo-hak (Kim Min-jae) é o mais absurdo e extravagante dos male leads. E o romance deles funciona completamente, do começo ao fim. A história começa quando Dali perde o seu pai, tem que voltar para a Coreia do Sul e tocar o museu que herdou, lutando contra as dívidas e os problemas da família. Moo-hak é uma das pessoas que tinha investido no museu e, quando ele percebe que ela está completamente perdida quando se trata de dinheiro e liderar um negócio, fazendo com que os riscos dele perder o investimento seja muito alto, decide ajudá-la a lidar com as dificuldades. Nesse processo, os dois acabam se apaixonando.

Para cada vez que Moo-hak é absurdamente vaidoso, exagerado e ganancioso, ele é dez vezes mais leal, incrível e a única pessoa possível para Dali, que não hesita em fazer a coisa certa sempre, seja pelo seu pai ou pelo próprio Moo-hak. O que é mais interessante de perceber nesse drama é que, se na superfície os dois são completamente diferentes um do outro, eles são muito parecidos em todos os aspectos que realmente importam: eles são leais ao que se sentem e ao que nasce entre eles, se comunicando e se ajudando sem nunca sair do lado um do outro, fazendo com que essa obra seja uma das minhas favoritas da vida toda.

Semantic Error, Viki

Por Debora

Semantic Error apresenta a deliciosa história de Chu Sang-woo (Jae Chan) e Jang Jae-young (Park Seo-ham) que desenvolvem uma relação que vai do ódio ao amor. Tudo começa quando Sang-woo, um estudante prodígio de Ciências da Computação, não coloca o nome de outros alunos “encostados” que não contribuíram com um trabalho em grupo. Uma dessas pessoas é Jae-young, formando de Design, com um futuro brilhante pela frente, mas que repetirá o ano por ter tirado zero na disciplina devido a atitude — sensata — de Sang-woo.

Indignado, ele decide infernizar os dias daquele que arruinou sua formatura com seu jeito descolado, despreocupado e nada comprometido, tudo o que mais irrita Sang-woo, que é organizado, com uma rotina planejada minuto a minuto e leva tudo muito a série. O feito que o roteiro desse k-drama boys love (ou BL, como conteúdos que tem como foco uma relação gay são chamados na Coreia do Sul), adaptado da webtoon homônima, é arrebatador. Em oito episódios, com média de 20 minutos cada, os personagens são desenvolvidos de forma bela e singular, nos fazendo amá-los quase que imediatamente.

Além disso, o modo que sentimentos complexos, por vezes conflitantes, como o desabrochar de uma das sensações mais tempestuosas, estar apaixonado, é retratado, ganha o coração do espectador por sua sinceridade e sensibilidade, já que para alguns o amor surge como algo bem-vindo e até alentador; para outros vira o mundo de cabeça para baixo e faz questionar todos os pensamentos. Essa dualidade em sentir também diz muito sobre a personalidade dos protagonistas que, tão diferentes, no fim acabam se complementando nos pequenos detalhes e entregam cenas e mais cenas que ficam marcadas na memória pela doçura e afeto.

Her Private Life, Netflix

Por Carol

k-drama

Dos k-dramas da mulher que tem um dos sorrisos mais lindos do mundo — Park Min-young — eu poderia falar sobre What’s Wrong With Secretary Kim (um clássico entre as dorameiras) ou até mesmo Healer, mas a verdade é que nenhum dos dois se compara com Her Private Life — pelo menos no quesito romcom.

No k-drama, Min-young vive Sung Deok-mi, uma mulher que tem uma vida completamente funcional: família, amigos e um emprego que ela realmente gosta. No seu tempo livre, no entanto, ela é uma fangirl integral, que dá tudo o que tem para atualizar seu fansite e seguir (respeitosamente) seu ídolo. Por causa das expectativas da mulher no local de trabalho, Deok-mi não conta para ninguém o que ela faz quando não está trabalhando, e segue levando uma vida dupla. Até a chegada de Ryan Gold (Kim Jae-wook), um artista que assume o cargo de diretor no museu onde ela é curadora.

Os dois atores têm uma das químicas mais absurdas que já vi em qualquer produção romântica da vida e os personagens têm muito a oferecer um ao outro. Enquanto Ryan aceita Deok-mi como uma fangirl e respeita seus hobbies, encorajando-a em todos os aspectos, ela faz com que ele se abra mais e procure ajuda para confrontar seu passado. Existe uma trama absurda no final do k-drama, mas nem isso estraga o resultado final, que mostra um casal maduro, cheio de comunicação, confiança e respeito. Tudo isso sem contar que as cenas de beijo dos dois são as melhores do dramaland.

You Are My Glory, Tencent Video

Por Debora

You Are My Glory entrou para minha lista de melhores produções que assisti em 2021 e me fez querer voltar ao passado para agradecer a Debora adolescente por ter se tornado fã de romances. Quando você se depara com algo tão bem escrito e executado é impossível não pensar que aqueles que continuam a subestimar o poder que uma produção que tem como ponto central desenvolver a relação romântica entre duas pessoas carrega estão perdendo entretenimento de qualidade. Mas a perda é deles, afinal.

Neste c-drama acompanhamos o reencontro de Yu Tu (Yang Yang), um engenheiro espacial, e Qiao Jing Jing (Dilraba Dilmurat), uma celebridade, na vida adulta após um pedido de namoro não bem sucedido por parte dela na época da escola. Com a reaproximação dos dois, que habitam mundos tão diferentes, graças a um jogo de celular, do qual Jing Jing é influencer, eles passam a ressignificar a presença um do outro e a apreciar os momentos que passam juntos e todo o conflito que gostar de alguém que não se acha merecedor de receber esse sentimento gera em uma relação.

Yu Tu é o típico interesse romântico sisudo e fechado; lindo e de pouquíssimas palavras, enquanto Jing Jing é divertida, extrovertida e emana uma energia que atrai as pessoas à ela. Um combo deveras clichê e, em se tratando de um romance, os clichês não param por aí, mas é justamente esse o ponto forte de You Are My Glory. O modo como a produção se utiliza dos recursos narrativos bem conhecidos das românticas de carteirinha e entrega um casal com um desenvolvimento primoroso, repleto de cenas domésticas, com os personagens em sintonia e também em uma dinâmica de implicância carinhosa, fazem quem assiste dar play nos episódios sem se importar com o dia de amanhã.

Construir uma trama cativante também leva tempo, e isso os roteiristas entendem muito bem aqui. Isso é o que mais me fascina no c-drama: o modo como a história leva o seu tempo para se desenrolar, mas em nenhum momento parece lenta ou rápida demais, tudo acontece ao seu passo, o que mostra bem o amadurecimento dos personagens e como o entrelaçar da vida dos dois reflete no ser individual de cada um após o reencontro e o início de uma relação com novos significados. Yu Tu e Jing Jing estão para sempre em meu coração como um casal cuja história é um refúgio quando tudo que preciso é ver uma dose de amor e entendimento mútuo.

Fight For My Way, Viki

Por Debora

Neste k-drama friends to lovers, a Coreia do Sul provou mais uma fez como domina a arte de contar uma história de amigos de longa data que acabam se apaixonando um pelo outro. O mais cativante no caso de Fight For My Way é que o desenvolvimento da relação entre Choi Ae-ra (Kim Ji-won) e Ko Dong-man (Park Seo-joon) tem um pano de fundo que cativa e envolve tanto quanto a química dos atores: a premissa do drama é a luta pelos sonhos dos personagens que não puderam ser realizados porque a vida se impôs diante de seus desejos.

“I guess people really need to do what they love” (“Eu acho que as pessoas realmente precisam fazer o que elas amam”, em tradução livre), diz em um episódio a protagonista, em uma cena em que está devastada após ter perdido o emprego pelo qual sonhou a vida toda: ser locutora. Logo ao se lado, no entanto, está Dong-man, seu melhor amigo desde criança e com o qual compartilha os pequenos e grandes momentos de sua vida. O sonho dele de ser um famoso lutador de taekwondo também foi impedido por circunstâncias maiores, mas, assim como Ae-ra, ele nunca desistiu de lutar por ele.

Entrelaçado a essa busca constante, mesmo que por vezes desanimadora e cheia de derrotas, por seus sonhos, a amizade dos dois vai evoluindo para algo mais, quando ambos começam a se dar conta de que o carinho, admiração, cuidado e a familiaridade que sentem um pelo outro talvez não seja mais apenas fraterna. O que mais me cativou no casal e fez o drama se tornar uma preciosidade na minha lista, preenchendo vários requisitos do que um romance precisa ter, foram justamente as interações entre os dois, seja os momentos de implicância e briguinhas, ou os repletos de tensão sexual ou, ainda, os de apoio incondicional.

No fim, o roteiro consegue entregar uma história completa com seus protagonistas e nos faz acreditar que talvez não seja tão difícil assim escrever uma amizade que se transforma em romance quando consegue-se utilizar a favor da trama o companheirismo e confiança que vem com uma relação de longa data.

The King’s Affection, Netflix

Por Carol

Geralmente quando falam de sageuks (obras históricas da Coreia do Sul), as pessoas pensam em desgraça. E na maioria das vezes, elas estão certas. Os sageuks são, na sua essência, obras melodramáticas — que têm certo espaço para a comédia, sim, mas que geralmente carregam um pano de fundo dramático muito mais forte. Produções como a clássica Moon Lovers e a recente The Red Sleeve provam exatamente esse ponto. Porém, como a Coreia é a Coreia, existe muito romance dentro do escopo das mesmas.

The King’s Affection tem sua dose de desgraças, mas tem também uma quantidade considerável de romance, que inclui (e não estou brincando) o que é uma espécie de quádruplo amoroso. O pontapé desse emaranhado de amor é quando Dan-i (Park Eun-bin) tem que assumir o lugar do seu irmão gêmeo morto como príncipe herdeiro, fingindo ser um homem, o que faz com que ela se torne uma pessoa distante, fria e sempre em alerta, com medo de ser descoberta como mulher. Ao seu lado, ela tem Lee Hyun (Nam Yoon-su), que sabe do seu segredo, e o seu professor Jung Ji Woon (Rowoon), que não sabe.

Como uma pessoa apaixonada por sageuks e k-dramas em geral, já percebi que a Coreia do Sul tem certa obsessão por inverter o gênero de personagens, criando histórias onde um se apaixona pelo outro sem saber a verdade só para, mais tarde, o público descobrir que eles realmente sabiam quem seu amado realmente era; em The King’s Affection, no entanto, Ji Woon simplesmente se apaixona por Dan-i e ele realmente não sabia quem ela era. Quando assume, inclusive, ele diz que não se importa, sente o que sente, e é isso.

É mais difícil de conquistar Dan-i, mas Ji Woon é sensível, empático e não tem medo de expor seus sentimentos. E apesar de ser doloroso ver o amor não correspondido que Lee Hyun tem por Dan-i, por exemplo, é ainda mais satisfatório ver o relacionamento dos dois protagonistas. No final, The King’s Affection é sobre encontrar seu lugar no mundo ao lado das pessoas que amamos, mesmo que isso signifique sacrificar algumas coisas no caminho.

Our Beloved Summer, Netflix

Por Carol

Apesar de não amar absolutamente todos os aspectos de Our Beloved Summer (incluindo o trabalho que os roteiristas fizeram com os coadjuvantes), o k-drama tem um contraponto interessante para se ver uma história romântica: a produção mostra quando duas pessoas se apaixonam, como terminam e depois voltam uma para outra, e como funciona esse processo. Como resultado, a jornada de Kook Yeon-su (Kim Da-mi) e Choi Woong (Choi Woo-sik) nem sempre é divertida de acompanhar, mas as atuações de ambos os atores e a química que eles carregam na tela faz todo o processo dolorido valer a pena no final.

Anos atrás, Yeon-su era a melhor aluna na sua escola. Woong era o pior. Para criar um documentário especial sobre essa dinâmica dentro da sala de aula, os dois começam a passar muito tempo juntos. A química entre eles é tão especial, divertida e “inocente como o verão”, que milhares de pessoas passam a acompanhar a produção; é assim que os dois também se apaixonam e passam a ter um relacionamento conturbado, com uma falta de comunicação terrível e altos e baixos.

Corta para cinco anos depois, quando ambos são adultos e têm vidas completamente diferentes do que esperavam na época em que estavam na escola. Woong é um desenhista famoso, e Yeon-su trabalha com marketing. Eles são bem sucedidos, mas a parte da vida que um preenchia no outro continua vazia e dolorida. A jornada dos dois nos 16 episódios do k-drama é sobre reconstruir a ponte que foi destruída anteriormente, e ao mesmo tempo reforçar tudo para que ela não desmorone pelos mesmos motivos mais uma vez.

Our Beloved Summer é lindo: a OST é uma das melhores que já ouvi, a cinematografia complementa perfeitamente o “state of mind” [estado de espírito] dos personagens e quando Da-mi e Woo-sik estão juntos, é quase como mágica. Essa é uma jornada imperfeita e dolorosa, mas que no final vale muito a pena.

Business Proposal, Netflix

Por Carol

k-dramas

Pouco tempo depois que começou ir ao ar, Business Proposal se tornou um queridinho da dramaland. Engraçado, com todos os melhores tropos do romance usados de forma correta e com um elenco que esbanja química em todos os níveis, a produção adapta o webtoon homônimo e tem apenas 12 episódios, fazendo com que sua história se feche bonitinho, sem tramas excessivas e desnecessárias.

Quando Young seo (Seol In-ah) pede para sua melhor amiga, Hari (Kim Se-jeong), ir em um encontro às cegas no seu lugar, as duas se encaminham para conhecer o amor de suas vidas: Young seo com Cha Sung Hoon (Kim Min-Kyu), e Hari com Kang Tae-moo (Ahn Hyo-Seop). Mas até chegar nessa conclusão as coisas se desenrolam em uma série de desencontros e clichês que funcionam muito bem dentro do escopo proposto pelo drama.

Todos os clichês mais divertidos do romance estão aqui: fake dating [namoro de mentira], amor à primeira vista, um homem que não liga para absolutamente nada e acaba se apaixonando perdidamente pela mocinha, etc. Mas a realidade é que nada disso iria funcionar se os quatros protagonistas não tivessem uma química tão natural. A amizade de Young Seo com Hari é incrível, e o relacionamento de Tae-moo com Sung Hoon também. E os pares românticos então, nem preciso comentar. No final, Business Proposal se torna uma história sobre encontrar seu lugar no mundo, sobre família e, principalmente, sobre como o amor pode nascer de lugares completamente inesperados — e de forma diferentes. Tudo isso sem perder nunca sua essência divertida e despretensiosa.

Do You Like Brahms?, Viki

Por Carol

k-dramas

Em uma das partituras mais famosas de Johannes Brahms (compositor clássico) ele toca sobre a dor de ter amado a vida inteira uma pessoa que era casada com o seu melhor amigo, Clara Schumann. Neste drama, que foi exibido em 2020 na Coreia do Sul, ambos os protagonistas enfrentam seus amores não correspondidos de formas distintas: um ignorando completamente a existência da partitura, e outro abraçando a música de Brahms como uma verdade absoluta. Mas a forma com que eles lidam com isso não é o suficiente para superação e o roteiro leva os dois numa jornada que é sobre autodescoberta, seguir os sonhos e, finalmente, encontrar amor e conforto.

Do You Like Brahms? envolve dois nomes já citados anteriormente: Park Eun-bin e Kim Min-jae. Os dois protagonistas são pessoas que, superficialmente, parecem ser bem parecidas: ambos são quietos, compassivos e amam música — Park Joon Young é um pianista famoso e Chae Song Ah é uma estudante de violino. É justamente essa semelhança na forma com que eles se portam é que faz com que os dois se tornem amigos logo após se conhecerem, assim como dita grande parte do relacionamento amoroso que eles constroem mais para frente. Uma análise mais profunda, no entanto, mostra que eles são diferentes.

Song Ah tem uma paixão complicada pela música: menos talentosa que seus colegas, ela compensa tudo isso sendo a mais dedicada. Mesmo assim, escuta e aguenta muito das pessoas ao seu redor. Com tudo isso acontecendo, ela nunca desiste, motivada por sua paixão, continua se esforçando e sendo a sua melhor versão, sem nunca pisar em alguém. Melhor do que os seus colegas em todos os aspectos que importam, Song Ah é gentil, corajosa e genuína. E nos momentos que importam, ela fala o que pensa e sente, e não deixa ninguém dizer o contrário para a mesma. Já Joon Young expressa suas frustrações de uma forma bem distinta: guardando tudo para si. Sem encontrar conforto na música e tendo que lidar com milhares de problemas familiares, ele se fecha cada vez mais, ao ponto de seu amor não correspondido ser apenas mais um fardo.

O relacionamento dos dois começa como um ponto de conforto na amizade que nasce ali, e se torna algo mais quando Song Ah expressa seus sentimentos, depois Joon Young. Eles escolhem um ao outro, várias vezes, expondo seus medos, angústias, vontades e felicidades. Ao mesmo tempo, deixam para trás os seus amores não correspondidos e criam algo que é muito mais real e importante do que tudo que tiveram antes na vida.

Do You Like Brahms? se tornou um dos meus dramas favoritos da vida não apenas porque tem um romance incrível e potente, mas também porque faz com que sua narrativa sobre sonhos, realidade e expectativas estejam entrelaçados com essa história de amor. É realista de um jeito doce e honesto, assim como deixa seus personagens crescerem, mudarem e abraçarem o que faz bem para os mesmos, deixando para trás aquilo que os incomoda. Assim como Song Ah e Joon Young, o drama é genuíno.

Angel’s Last Mission: Love, Viki

Por Carol

k-dramas

Ao contrário de grande parte dos k-dramas, que contêm 16 episódios com mais de uma hora cada, Angel’s Last Mission: Love chega com um formato distinto: são 32 episódios, com apenas meia hora cada. Isso faz com que a história seja mais dinâmica e os cliffhangers mais interessantes (pelo menos nesse caso). No centro de uma história intrigante, é o romance entre Lee Yeon Seo (Shin Hye-sun) e Kim Dan (Kim Myung-soo) que chama atenção.

Quando a produção começa, Yeon Seo é uma bailarina que sofreu um acidente e perdeu a visão. Revoltada e sem um propósito, ela vive isolada na sua mansão, desconfiada de todo mundo. Já Kim Dan é um anjo problemático, que tem a mania de interferir na vida dos humanos. Na primeira vez que os dois se encontram, ele não entende a revolta de Yeon Seo, e ela não tem paciência nenhuma para lidar com sua personalidade. Até o momento em que ele é encarregado de fazer um ser humano se apaixonar, vai morar na casa e eles se apaixonam.

Na medida em que ele entra na sua vida e no seu coração, ela vai se mostrando alguém empática e intensa, que perdeu sua única forma de extravasar. Ao mesmo tempo, ele aprende a lidar melhor com a sua vontade de ajudar os humanos. A história de amor dos dois é linda e intensa, cheio de momentos dolorosamente românticos que reforçam a química dos dois atores, a OST é belíssima e a cinematografia também, mas o que se destaca mesmo é a atuação de Hye-sun, que faz de Yeon Seo uma personagem complexa e ambígua que, mesmo que não seja fácil, é completamente admirável. Por meio do romance dos dois, o k-drama também responde perguntas cruciais sobre a vida, morte e tudo que tem no meio.

Texto escrito em parceria por Carol e Debora


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