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Capitã Marvel: mais alto, mais longe, mais rápido (baby!)

Ainda que eu goste de quadrinhos e filmes de super-heróis desde sempre, nunca fui íntima de Carol Danvers como fui de Diana Prince. Enquanto crescia, era muito mais fácil me identificar com a Mulher-Maravilha do que com a super-heroína de quem eu não sabia muita coisa. Com o passar dos anos e maior desenvolvimento do Universo Cinematográfico Marvel, fiquei atenta quando começaram a surgir rumores de que o primeiro filme liderado por uma super-heroína no MCU seria o da Capitã Marvel (e não o da Viúva Negra) e, como boa curiosa, fui investigar melhor quem era a personagem e o que ela poderia significar para as tramas desenvolvidas em todos os filmes da Marvel até então.

Como todo filme de super-herói que se preze, assim que o elenco foi divulgado e Brie Larson apareceu como a atriz responsável por trazer Carol Danvers à vida, Capitã Marvel começou a receber inúmeras críticas que aumentaram na mesma proporção em que o hype em torno do filme cresceu. “Ela não sorri.” “Ela não tem expressões faciais.” “Ela não tem bunda e não tem físico de super-heroína.” Essas foram apenas algumas das várias críticas que Brie recebeu antes mesmo do filme chegar aos cinemas, o que aconteceu mundialmente no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Filmes recebem críticas, e isso não é novidade para ninguém, visto que é praticamente impossível ter unanimidade em qualquer que seja o tópico, mas filmes não costumam ser tão bombardeados e odiados antes da estreia a não ser que sejam, bem, protagonizados por mulheres.

Foi assim com Star Wars: O Despertar da Força em 2015, com As Caça-Fantasmas em 2016, e com Mulher-Maravilha em 2017. E, para não fugir à regra, também com Capitã Marvel. As críticas recebidas pelo filme foram tão absurdas e desmedidas que até o Rotten Tomatoes, importante site de críticas de cinema, teve que remover o sistema de resenhas prévias devido aos incessantes ataques de trolls. Na manhã de sábado, 9 de março, o site foi bombardeado novamente por robôs que fizeram com que Capitã Marvel recebesse em menos de um dia mais de 58 mil críticas, colocando a aprovação do filme no site em torno de 33%, o que significa que Capitã Marvel recebeu em um dia muito mais críticas que Vingadores: Guerra Infinita acumulou durante todo o tempo em que ficou em cartaz nos cinemas em 2018. Mas a pergunta que fica é: a quem interessa ver Capitã Marvel fracassar nos cinemas?

Mesmo que possamos deixar essa questão apenas no reino da retórica, ela não é difícil de responder se assim quisermos. O que os trolls, e homens brancos em geral, se recusam a entender, é que por muitos anos nos foi negada a representatividade que eles sempre tiveram em todas as mídias da cultura pop e mesmo isso não nos impediu de consumir filmes de heróis, quadrinhos e séries de televisão por anos a fio. Muitas das críticas de Capitã Marvel escritas por homens que li no decorrer da semana diziam ser difícil se conectar com a Carol Danvers de Brie Larson e que, portanto, eles não conseguiam gostar do filme. E aqui vai uma novidade: em que nível, nós mulheres, deveríamos nos conectar com Bruce Wayne, Steve Rogers, Tony Stark e tantos outros heróis (brancos) para que pudéssemos gostar verdadeiramente de seus filmes? Pois é, nenhum. Se tem um drama que nós mulheres não sabemos o que é, é ser o cara branco padrão e salvador da pátria, e isso nunca nos impediu de sermos fãs de O Cavaleiro das Trevas, Capitão América ou Homem de Ferro.

De qualquer forma, eis que, finalmente, a primeira super-heroína da Marvel deu as caras no cinema, quebrando recordes de bilheteria arrecadando 20,7 milhões de dólares em pré-estreias nos Estados Unidos, fazendo do filme a quinta maior abertura de uma produção do estúdio naquele país. Enquanto isso, na China, a história de Carol Danvers é a melhor abertura de um filme solo da Marvel Studios, e no Brasil é a segunda melhor estreia de um filme do MCU, atrás apenas de Vingadores: Guerra Infinita. Ao que tudo indica, Carol Danvers também tem o poder de arrecadar em bilheterias e não somente de chutar bundas em todas as galáxia. Cercado de expectativas, principalmente após o desfecho de Guerra Infinita, Capitã Marvel possuía duas missões muito claras: ser o filme de origem da personagem mais poderosa do MCU enquanto organiza o antes de uma linha do tempo que conhecemos desde 2008. Será que a dupla de diretores Anna Boden — a primeira mulher a comandar um longa no MCU — e Ryan Fleck atingiu esses objetivos?

Atenção: este texto contém spoilers!

O filme tem início com Vers (Larson) tendo mais um de seus pesadelos: misturando flashes de imagens que não reconhece e um acidente aéreo do qual não se lembra, ela nunca conseguiu compreender os motivos de ver tais memórias em seus sonhos. Sem conseguir voltar a dormir, Vers vai até seu mentor, Yon-Rogg (Jude Law), e pede por uma sessão de treinos para espairecer, pois, aparentemente, é assim que soldados gastam energia. É durante essa troca de socos e chutes que Yon-Rogg diz a Vers que ela só atingirá seu potencial derrotando-o em uma luta; quando conseguir se equilibrar emocionalmente (isso soa familiar pra você?). Logo no início, Capitã Marvel já traça um paralelo com nosso mundo real onde mulheres sempre são diminuídas por sentirem, de acordo com o “senso comum”, mais do que homens. Emoções nos tornam frágeis e vulneráveis, “o maior inimigo de um soldado em um campo de batalha”, e assim Yon-Rogg vai, de pouco em pouco, ampliando seu controle sobre Vers. Controlando-a emocionalmente, Yon-Rogg também controlará o incrível poder que ela possui e que lhe é dito, inúmeras vezes durante o filme, que pode ser tirado assim como lhe foi dado.

Após usar mais poderes do que deveria no sparring com Yon-Rogg, Vers é encaminhada à Inteligência Suprema, uma entidade onisciente do povo Kree. A aparência da Inteligência Suprema é moldada de acordo com a pessoa a quem ela se dirige, que, no caso de Vers, assume as feições de uma mulher mais velha, alguém de importância em seu passado, mas de quem ela não se lembra. Para além de levar uma reprimenda pelo uso indevido de seus poderes — e de novo a história do “o que foi dado pode ser tirado”, levando Vers a acreditar que todo seu poder foi concedido pelos Kree e por eles, de alguma forma, pode ser tomado —, a protagonista é enviada em uma missão junto da Starforce, o destacamento Kree de que Vers faz parte ao lado de Yon-Rogg, Minn-Erva (Gemma Chan), Bron-Char (Reune Temte) e Korath (Djimon Hounsou). O objetivo do grupo é resgatar um Kree, mas a missão se mostra uma emboscada por parte dos Skrull, com quem os Kree estão em guerra, para raptar Vers.

Nas mãos dos Skrull, Vers passa por uma série de intervenções psíquicas, o que a faz ter acesso às memórias e lembranças de uma vida anterior da qual não se recorda, inclusive vislumbrando a pessoa cuja aparência a Suprema Inteligência assume durante suas conversas. É durante esse interlúdio que Vers descobre que aquela mulher importante de seu passado é a Dra. Lawson (Annette Bening), responsável pelo Projeto Pegasus, uma divisão da S.H.I.E.L.D. Os Skrull, por sua vez, querem extrair de Vers a localização da Dra. Lawson, mas Vers não está disposta a deixar que eles mexam com sua mente por muito tempo e resiste às investidas, conseguindo fugir da nave dos Skrull, aterrissando no planeta C-53, também conhecido como a Terra na década de 1990, em cima de uma loja Blockbuster. A Dra. Lawson foi vista pela última vez no planeta C-53, então Vers, com flashes de memórias antigas, decide investigar o mistério que envolve a cientista e o motor da velocidade da luz que os Skrull buscam, ignorando a ordem de Yon-Rogg para permanecer à espera do resgate da Starforce.

Por conta de seu pouso forçado em cima de uma Blockbuster, Vers é interpelada por um jovem Nick Fury (Samuel L. Jackson) e o novato Agente Coulson (Clark Gregg). Ainda que Vers conte toda a verdade para Fury, ele a vê como uma ameaça e não demora para que uma perseguição tenha início: Vers atrás de um Skrull que também caiu na Terra devido à sua fuga, e Fury atrás da suspeita Vers. Capitã Marvel tem um início dinâmico e não perde muito tempo com explicações, o que não é, de maneira alguma, um problema: mesmo aqueles que não conhecem a história da super-heroína de maneira prévia poderão se situar na trama do filme e conseguirão torcer por ela, acompanhando-a enquanto encontra e encaixa as peças de seu passado. Para um filme de origem, os diretores Anna Boden e Ryan Fleck ousaram ao construir a trajetória de sua protagonista por meio de flashbacks, conectando passado e presente à medida que Vers redescobre sua identidade. Acompanhar a heroína revisitando a Terra, unindo as peças que faltam de sua história, é dinâmico e divertido; Vers é uma personagem super-poderosa de início, ela apenas precisa entender o que aconteceu nesse meio tempo para se libertar.

Puxando os fios que se apresentam em sua investigação, agora ao lado de um Nick Fury que viu de perto a ameaça que paira sobre a Terra, Vers chega até Maria Rambeau (Lashana Lynch) e sua filha, Monica (Akira Akbar). Ao encontrar Maria, Vers descobre, finalmente, as peças que estavam faltando em sua história e reassume seu nome de batismo, Carol Danvers, e entende que tudo o que lhe foi dito nos últimos seis anos por Yon-Rogg e todos os Kree não passava de mentiras. É nesse momento que Talos (Ben Mendelsohn), um Skrull infiltrado entre os humanos, inclusive na S.H.I.E.L.D., chega até a casa de Maria e conta sua história, mostrando a Carol que a guerra travada entre os Kree e os Skrull não é, de maneira alguma, justa. Carol, enquanto Vers, fazia parte de uma farsa que separou famílias Skrull inteiras, tornado-as refugiadas, e decide que é sua função ajudá-los a encontrar, e continuar, o trabalho da Dra. Lawson, cuja real identidade é a Kree Mar-Vell: desenvolver um núcleo de energia capaz de levar uma nave Skrull para um lugar seguro a fim de que possam viver longe dos Kree e sua ameaça de aniquilação.

Filme e quadrinho divergem em dois pontos até o momento: Mar-Vell, a identidade verdadeira da Dra. Lawson, é um homem na trama original, enquanto os Skrull são os vilões da história, e não os Kree. Para Capitã Marvel não há realmente nenhum dano em trocar o cânone, significa apenas dizer que, caso a Marvel Studios queira, um dia, utilizar o Capitão Marvel em suas histórias no cinema, terá que fazê-lo de outra maneira, e que o arco “Aniquilação”, da invasão Skrull à Terra, poderá ter suas origens alteradas para justificar os acontecimentos em Capitã Marvel. Como mídia independente, a trama de Capitã Marvel funciona bem mesmo com tais alterações, visto que aqui o interesse maior reside na construção de Carol Danvers como a maior super-heroína do Universo Cinematográfico Marvel, o que é feito em um filme divertido e coerente, nem sempre assertivo, mas muito importante. Brie Larson é uma Capitã Marvel/Carol Danvers perfeita: ela é divertida, espirituosa, corajosa e — não se preocupem, haters! — ela sorri quando acha que deve fazê-lo. Suas interações com Nick Fury são sempre ótimas, regadas a uma boa dose dos momentos engraçadinhos que são especialidade da Marvel. Eles formam um dupla carismática e coesa e em nenhum momento há uma tensão desnecessária entre eles; ao contrário, há respeito mútuo e muita consideração. Some-se a isso as interações com Goose, a gatinha que na verdade é um alienígena da raça Flerken, e temos algumas das cenas mais divertidas do filme.

Capitã Marvel também é responsável por alguns dos melhores momentos entre mulheres em filmes de super-heróis, algo que a Marvel vem melhorando em fazer desde que lançou Pantera Negra e nos presenteou com suas incríveis personagens femininas em um filme sobre homens, mas não muito, com um herói que depende delas para a conclusão de sua narrativa. Ainda que alguns críticos não pareçam entender os motivos que fazem da Dra. Lawson/Mar-Vell alguém tão importante para Carol Danvers e Maria Rambeau, toda a admiração dessas mulheres pela cientista reside em uma única palavra: oportunidade. Foi a Dra. Lawson quem colocou tanto Carol quanto Maria para pilotarem seus aviões em um lugar, a Força Aérea norte-americana, e em um momento, os anos 1980/1990, em que a elas não era permitido serem pilotos por completo. Ambas atuavam em uma área cujo foco é a guerra, mas trabalhavam no Projeto Pegasus, uma divisão criada pela Dra. Lawson para acabar com tais conflitos. Tudo isso já nos mostra quebras de paradigmas, reafirmando a importância de Capitã Marvel e sua narrativa para as personagens femininas.

Como se não bastasse colocar mulheres em um ambiente de trabalho completamente machista sem que elas precisem se tornar rivais para serem bem sucedidas, Capitã Marvel também constrói uma sólida história de amizade entre Carol e Maria. Durante o filme não nos é mostrada a família de Carol Danvers, com exceção de um rápido flashback em que o pai briga com uma Carol criança (interpretada em dois momentos; aos treze anos por Mckenna Grace, e aos seis por London Fuller) por ela estar se aventurando em brincadeiras para meninos, indicando que Carol nunca teve o apoio da família em suas escolhas. Esse pequeno flashback nos leva a uma das cenas mais emblemáticas do filme, de Carol se erguendo após cada queda e tentando de novo, mas também à simplicidade e carinho contidos na declaração de Monica: ela e sua mãe, Maria, são sua família. Aqui, Capitã Marvel, cujo roteiro é de autoria de Anna Boden, Ryan Fleck e Geneva Robertson-Dworet, quebra outro arquétipo ao incluir um núcleo familiar fora dos “padrões” — e com isso não quero insinuar que há um sub-plot romântico entre Carol e Maria (embora eu não fosse achar ruim se tivesse!), mas apenas dizer que família é quem está lá pra você independente de como seja formada. Carol e Maria se uniram no objetivo comum de serem pilotos da Força Aérea, mas no decorrer do caminho encontraram uma na outra o apoio de que precisavam para continuar — Maria, inclusive, por ser negra e mãe solo, ainda precisou enfrentar um percurso ainda mais árduo do que Carol, e pôde fazer isso devido ao apoio que a amiga depositou nela.

E é por conta do apoio de mulheres como a Dra. Lawson e Maria Rambeau, e por quebrar as correntes que a prendiam, que Carol Danvers é tão importante e poderosa. Por mais clichê que possa soar, Yon-Rogg representa cada homem que tenta cercear as mulheres poderosas que existem em suas vidas com medo de serem obliterados por elas. Usando de frases de efeito — a sempre repetição do mantra de que o que foi dado pode ser tirado, e de que tudo o que ele quer de Vers/Carol é a melhor versão dela, a versão que ele pode controlar —, Yon-Rogg faz o possível para manter os poderes da ex-piloto da Força Aérea sob seu domínio. Ele sabe que a partir do momento que Carol perceber quem verdadeiramente é e que o poder que possui é imenso, ele perderá qualquer vantagem que pense ter sobre ela. É dessa maneira que Capitã Marvel traça mais um paralelo com nossa vida real fora das telas: nós somos muitas, somos fortes, e no entanto sempre existem homens prontos para nos diminuir, colocando empecilhos em nosso caminho, nos impedindo de usar do nosso potencial, com medo de que possamos descobrir o verdadeiro poder que existe dentro de cada uma de nós. É fácil colocar mulheres em posição de submissão quando se tem acesso a uma estrutura milenar de poder, dizer que mulheres não são capazes de fazer isso ou aquilo. No final das contas, nós estivemos lutando com um braço amarrado às costas desde sempre. Quando Carol Danvers consegue quebrar esse ciclo de submissão é poderoso, porque, ei, é um filme de super-herói e tudo mais, mas é uma situação que vivemos todos os dias.

A melhor versão de Carol Danvers é a versão que rompe com o domínio Kree sobre ela. É a versão de que se lembra com clareza de seu passado, de seus vôos na Força Aérea, de fazer parte do Programa Pegasus e de tentar acabar com as guerras. É a versão que escolheu Maria e Monica como lar, que faz piadas e é descontraída, que joga fliperama, canta no karaokê e brinda com cerveja. É a versão que chuta bundas ao som de “Just a Girl” do No Doubt e anda de moto enquanto toca “Only Happy When It Rains” do Garbage. A melhor versão de Carol Danvers é aquele que se levanta do chão quantas vezes for necessário, não importando o quão difícil seja ouvir desencorajamentos durante toda a vida — por parte do pai, do irmão, dos colegas da Força Aérea e de qualquer homem que se ache no direito. Carol Danvers não tem que provar nada a ninguém, nem nós. Se “sentir sentimentos” é o que nos difere, o que nos fortalece, que assim seja.

Os coadjuvantes também são essenciais para a trajetória de Carol Danvers e sua transformação na Capitã Marvel e são eles Maria e Monica Rambeau e, claro, Nick Fury. Elas não são tão desenvolvidas quanto gostaríamos que fossem, mas Maria demonstra suas habilidades de piloto de caça em uma incrível cena de perseguição nos céus, enquanto sempre há a possibilidade de que Monica, uma garotinha de onze anos que já demonstra coragem ao instigar sua mãe a partir em missão ao lado de Carol, venha a assumir o manto da Miss Marvel no futuro do MCU. Sabemos que Fury está no início de carreira e todos os outros filmes da Marvel nos mostraram até onde ele chega, então é refrescante ver essa versão menos taciturna do criador da Iniciativa Vingadores, e principalmente como ele se entrosa de maneira perfeita com Goose. Alguns fãs têm, inclusive, reclamado da maneira como Fury perde o olho, mas, convenhamos, isso é querer muito colocar defeitos em um filme perfeitamente coerente, com uma estrutura narrativa que, embora não seja original (não há realmente muito o que fazer em um filme de prelúdio), cumpre seu papel de apresentar a Capitã Marvel, seus poderes e a função no vindouro Vingadores: Ultimato, a ser lançado em abril deste ano — e o faz sem sexualizar a personagem em momento algum, seja com o uniforme perfeitamente adequado à sua função de soldado, seja por meio da câmera que jamais passeia pelo corpo da personagem de maneira bizarra.

De maneira geral, Capitã Marvel é um filme padrão de super-heróis que caiu no radar dos trolls devido a algumas declarações feitas por Brie Larson durante o período de divulgação de seu longa. A atriz decidiu usar sua voz e seu lugar de privilégio para transformar as entrevistas e conferências de Capitã Marvel em ambientes inclusivos, solicitando que mais mulheres e pessoas não-brancas tivessem maior acesso a ela e ao filme em detrimento do crítico de filme padrão, o homem branco. O que poderia (e deveria) soar como um pedido simples por maior inclusão e diversidade de uma pessoa em posição de privilégio, foi interpretado por trolls e ativistas a favor dos homens (os incells) como a desculpa perfeita para dar início a uma campanha de boicote ao filme — o que não tem impedido Capitã Marvel de quebrar recordes de bilheteria em todo o mundo. Como dito anteriormente, esse tipo de comportamento não é novidade quando se trata de filmes protagonizados por mulheres e pessoas não-brancas em universos ditos tipicamente masculinos, como os filmes de super-heróis. É incrível, e bizarro, ver como certos fãs se sentem tão ameaçados pela diversidade e inclusão, logo eles que, por anos, reclamaram de serem deixados de lado.

Apesar de não ser realmente inovador, Capitã Marvel empolga e brilha, muito por conta de Brie Larson — tão duramente criticada por sua falta de sorrisos. É ela quem dá o tom do filme e de sua personagem, que consegue transitar com facilidade entre a comédia e o drama, e que mostra, fora das telas também, que não tem que provar nada a ninguém. Se Capitã Marvel tem o potencial para ser uma nova grande franquia no MCU, é principalmente por conta de Brie. Mesmo que solicitar uma maior inclusão e diversidade em entrevistas seja um pequeno passo a dar, ele foi dado, o que demonstra a vontade de Brie Larson de usar seu poder de fala para romper barreiras, ainda mais se lembrarmos que ela ainda não era a personagem mais poderosa da Marvel quando se recusou a aplaudir o Oscar recebido por Casey Affleck, que enfrenta acusações de abuso sexual, em 2017. “O que quer que eu tenha feito no palco fala por si mesmo”, disse Brie em entrevista à Vanity Fair após o ocorrido. Assim como sua contraparte poderosa nos cinemas, Brie não tem medo de ir à luta. Mais alto, mais longe, mais rápido — o céu não é o limite para a Capitã Marvel.

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4 comentários

  1. Uma ótima análise. Adorei o filme e senti-me emocionada nas cenas em que ela se levanta e continua, mesmo que os homens que a rodeiam façam de tudo para deixá-la no chão.

    Não é meu filme favorito da Marvel, mas é aquele que me emocionou mais, pois me senti verdadeiramente representada.

  2. Ótimos pontos! Assisti e adorei o filme. O único filme da Marvel que tinha gostado muito foi o do Pantera e a Capitã me deixou bem animada para o próximo. Percebi que o que me faltava na Marvel era uma super-heroína forte. Até então não tinha nada que me fizesse roer as unhas esperando os próximos filmes. Diferente da DC que com a Mulher maravilha sempre mostrou esse lado poderoso

  3. Filme incrível!! Análise mais incrível ainda, concordo que o filme não é perfeito mas eu já cheguei nele ciente de todo o peso que o hype pós guerra infinita ia causar. O filme “deveria” apresentar a personagem, criar gancho para ultimato, mostrar uma personagem forte sem precisar sexualizar, carregar representatividade e até um pouco de militância, além de mostrar um pouco do passado de Fury e Coulson, mano, é muita coisa para um filme que sendo de super herói deveria também ter cenas de ação e ser divertido. A capitã segurou bem a barra. A melhor cena para mim é quando está combatendo a grande inteligência que diz “sem nós você é apenas humana” e mesmo assim ela levanta o tempo todo, e fechando com chave de ouro o socão que ela dá no Yon-rogg e também nos haters com aquele maravilhoso “não preciso provar nada para você”. <3