Categorias: MÚSICA

6 álbuns de mulheres que merecem sucessores em 2021

Fã que é fã, sempre quer mais — e essa é uma máxima aplicável a qualquer conteúdo do universo da cultura pop. Tanto o é que fãs são capazes de assistir a quatro horas de um filme de super-heróis e ainda pedir por mais quando os créditos sobem na tela, assim como de enfrentar horas em filas quilométricas para pegar o melhor lugar em um show (inclusive: saudades). Sendo assim, após anos reciclando os mesmos álbuns e as mesmas músicas vezes sem fim, chega o momento em que mesmo os fãs mais apaixonados clamam por novidades — e é justamente esse o intuito da lista que você lê a seguir.

Por mais que ainda sejamos apaixonadas por “Hello”, de Adele, e que ouvir Melodrama, da Lorde, seja sempre uma experiência singular, nossos corações de fã clamam por novidades de nossas favoritas. Já se tornou tradição no Valkirias vir à público pedir, suplicar, para que algumas de nossas queridinhas lancem álbuns — algumas vezes jogar para o universo dá certo, outras, não (Rihanna, estamos olhando para você), mas a diversão está em simplesmente tentar.

Adele, 25

6 álbuns de mulheres que merecem sucessores em 2021

Tão famosa por suas ausências quanto por seus lançamentos, o último álbum de Adele chegou ao mundo no longínquo ano de 2015. Nunca foi tão certo dizer que a vida era completamente diferente naquela época e a própria Adele era outra pessoa no momento do lançamento de 25: quatro anos a separavam do sucesso de 21, lançado em 2011, a cantora havia passado por um bloqueio criativo e se tornado mãe. Quando 25 foi lançado mundialmente, Adele disse que as canções do álbum foram escritas para que ela pudesse fazer as pazes consigo mesma, embora muitas dessas mesmas canções falem de melancolia, do saudosismo de Adele por sua antiga personalidade e alguns arrependimentos. A maternidade também surge como um tema nesse trabalho, mostrando o impacto da chegada de seu primeiro filho em sua vida. Com onze músicas inéditas, é de 25 os sucessos “Hello”, “Send My Love (To Your New Lover)” e “When We Were Young”. Foi com 25 que Adele levou para casa cinco prêmios Grammy nas categorias Gravação do Ano, Álbum do Ano, Canção do Ano, Melhor Álbum Pop e Melhor Performance Pop Solo — a vitória de 25 sobre Lemonade, de Beyoncé, foi considerada controversa para muitos, inclusive para a própria Adele que, no discurso de agradecimento, aproveitou para exaltar Queen B como a artista de sua vida.

O que esperar: No final de 2020, Adele participou do programa estadunidense Saturday Nigth Live em uma de suas poucas aparições públicas desde que entrou em hiato com sua carreira. Na época, a participação da cantora no SNL levou os fãs a acreditarem que um anúncio importante seria feito, mas Adele deixou claro que, na ocasião, o álbum ainda não estava pronto. De lá para cá, somente silêncio por parte da cantora ainda que rumores deem conta de que o novo trabalho seja excelente — algo que não podemos discordar em se tratando de Adele. Matt Chamberlain, baterista do Pearl Jam, deu entrevistas em 2020 comentando sobre como trabalhou com Adele em algumas canções em gravações secretas em Londres, enquanto Alan Carr, amigo da cantora, disse que podemos esperar pelo álbum novo no início de 2021. O fato é que março está quase no final e ainda nem sinal de qualquer single, então nos resta continuar ouvindo as canções antigas em loop.

Birdy, Beautiful Lies

6 álbuns de mulheres que merecem sucessores em 2021

A cantora e compositora Birdy já apareceu por aqui na lista que publicamos em 2018 e o pedido apenas se renova: queremos álbum de inéditas, por favorzinho! Embora o novo álbum já tenha data de lançamento definida (30 de abril!) e Birdy tenha divulgado as canções “Loneliness” e “Surrender”, vale o reforço de que precisamos de músicas novas para conseguir sobreviver a mais um ano de pandemia. A cantora de 24 anos não decepciona e os singles de seu quarto álbum de estúdio, batizado de Young Heart tem tudo aquilo que amamos em suas composições: letras inspiradas, vocais perfeitos e muito, mas MUITO sentimento.

O que esperar: Com o anúncio de Young Heart, já sabemos que teremos quinze canções inéditas compostas por Birdy em parceria com Daniel Tashian e Ian Fitchuck que também trabalharam na produção do álbum. Em entrevista para a Vacancy, Birdy disse que para as composições buscou inspiração nos clássicos de Joni Mitchell e Nick Drake, o que deve se refletir em arranjos mais crus e não tão enfeitados como os de Beautiful Lies, seu álbum de 2016. Nas palavras da própria Birdy, Young Heart é um álbum muito mais pessoal, visto que ela passou por diversas experiências nos últimos cinco anos que a mudaram completamente. Tais experiências, de acordo com a cantora, mudaram o entendimento que ela tem não apenas do mundo mas de si mesma enquanto artista. “This album means a lot to me — I want do protect it”.

Gwen Stefani, You Make It Feel Like Christmas

6 álbuns de mulheres que merecem sucessores em 2021

É curioso que o último álbum de estúdio de Gwen Stefani, que construiu sua carreira musical liderando o No Doubt, tenha sido justamente um de músicas natalinas. Lançado em 2017, You Make it Feel Like Christmas é composto por doze canções temáticas do jeitinho que estadunidenses gostam. Some-se ao tema o fato de Gwen estar, na época, encantada com seu novo namorado, hoje noivo, Blake Shelton, e temos uma compilação doce como um biscoito de gengibre. E não podemos realmente culpá-la por querer um pouco de magia e encantamento após seu divórcio de Gavin Rossdale, com quem ficou casada por 14 anos, e sobre quem desabafou em algumas faixas de seu álbum de 2016, This Is What the Truth Feels Like. A Gwen Stefani que vemos nesses dois últimos álbuns está bem distante tanto da Gwen do No Doubt quanto da Gwen de Love, Angel, Music, Baby, seu primeiro álbum solo, e um sucesso, lançado em 2004, e de The Sweet Escape, de 2006. E também não podemos culpá-la por querer testar ritmos novos, afinal são 35 anos de carreira na música. É nessa onda que recebemos a canção country gravada por ela e Shelton, “Nobody But You”, em 2019, premiada com o CMT Music Award de Melhor Vídeo Colaborativo do Ano, e aguardamos um novo álbum solo por parte dela.

O que esperar: Dando início ao seu novo capítulo musical, Gwen Stefani lançou a canção “Let Me Reintroduce Myself” no final de 2020. Tanto a canção quanto o vídeo são um passeio pela carreira e memórias de Gwen. Eu, como fã há muitos anos, me diverti encontrando no vídeos diferentes encarnações da cantora, passando pelos primórdios do No Doubt, com Gwen usando o look dos vídeos “Dont’ Speak”, “I’m Just a Girl”, “Let Me Blow Your Mind” e de sua era solo, incorporando suas versões de “What You Waiting For?” e “The Sweet Escape”, apenas para citar alguns. “Let Me Reintroduce Myself” tem batidas latinas, de reggae e ska (o que ela costumava produzir com o No Doubt) e pop, sinalizando um retorno às origens. O vídeo em si é um deleite para qualquer fã e uma celebração dos já citados 35 anos de carreira e dá a pista do que virá a seguir na carreira de Gwen: não que ela precise ser reapresentada, ela sempre esteve por aqui.

Lorde, Melodrama

6 álbuns de mulheres que merecem sucessores em 2021

Nascida na Nova Zelândia, em 1996, Ella Marija Lani Yelich-O’Connor iniciou sua carreira aos 12 anos, quando foi descoberta por um agente que havia assistido a gravação de sua apresentação em um show de talentos da escola e ficou impressionado com seu talento, o que lhe rendeu o contrato com uma grande gravadora. Sob o nome artístico que a faria famosa, Lorde passou os anos seguintes trabalhando em músicas para o seu primeiro álbum, Pure Heroine, lançado em 2013, que lhe rendeu algumas indicações ao Grammy do mesmo ano, do qual saiu vitoriosa nas categorias de Canção do Ano e Melhor Performance Pop do Ano. Desnecessário dizer que, desde então, Lorde se tornou uma das artistas mais notáveis de sua geração, mas foi com Melodrama, seu segundo e mais recente trabalho, que ela comprovou não ser um sucesso passageiro. Mais maduro e robusto que seu antecessor, Melodrama é um álbum bastante pessoal na medida em que olha para as experiências da cantora de forma muito próxima — menos como espectadora, mais como personagem —, e aborda temas que vão da solidão ao amor, da perda ao peso de nossas emoções, que são misturadas ao conjurar de sensações de entorpecimento, euforia e melancolia. O resultado é um trabalho denso e único, como não poderia deixar de ser.

O que esperar: Embora dona de uma discografia pequena, Lorde já demonstrou ser uma artista versátil, que não se limita a um único estilo, brincando com letras, sonoridades e vozes. É também dona de um eu-lírico que absorve muito daquilo que o cerca, mas o faz de maneiras distintas — mais observador, no caso de Pure Heroine, mais como agente, em Melodrama. Talvez por isso seja tão difícil precisar o que esperar de seu próximo trabalho: suas experiências nos últimos anos podem ser um indicativo do que está por vir (seu trabalho, afinal, sempre foi bastante autoral), mas a certeza é, na melhor das hipóteses, uma impossibilidade. Uma coisa é certa: Lorde nunca decepciona e, dessa vez, não há por que ser diferente.

Mitski, Be the Cowboy

6 álbuns de mulheres que merecem sucessores em 2021

Mitsuki Laycock, Mitski Miyawaki ou apenas Mitski, como se tornou mais conhecida, pode não ser o nome mais famoso dessa lista, mas merece o devido destaque. Filha de pai japonês e mãe estadunidense, Mitski nasceu no Japão, mas morou em uma dúzia de países (Turquia, China, Malásia, etc) antes de se fixar nos Estados Unidos — período em que também passou a estudar música clássica e composição. Nos anos subsequentes, a cantora continuou os estudos em música, tendo graduado-se pela Purchase College. Também gravou dois álbuns de forma independente nos anos de faculdade — Lush e Retire from Sad, New Career in Business, ambos de 2012/2013 — e foi vocalista da banda de metal progressivo Voice Coils, antes de ganhar notoriedade em sua carreira solo. Desde então, Mitski lançou outros três álbuns: Bury Me at Makeout Creek, em 2014; Puberty 2, em 2016; e Be the Cowboy, em 2018.

O que esperar: Be the Cowboy foi, de muitas maneiras, um marco na carreira de Mitski: enquanto Bury Me at Makeout Creek fez da guitarra seu principal instrumento e Puberty 2 estabeleceu seu sucesso entre a crítica especializada, Be the Cowboy não apenas reafirma a qualidade de seu trabalho, mas alcançou um público ainda maior. Suas músicas continuam a ser uma mistura de tristeza e fragilidade, imperfeição e instabilidade, e vêm de um lugar em que o controle é apenas uma ilusão e olhar para si mesma é dificilmente gostar daquilo que se vê. Be the Cowboy não se esquiva de nada disso, permitindo a Mitski incorporar uma versão de si mesma mais colorida, que pode desempenhar muitos papéis. É um trabalho mais refinado, com melodias muito complexas que demonstram, na prática, o seu amadurecimento como artista. Agora, aos 30 anos (ela completa 31 em setembro de 2021), três anos desde o lançamento de seu último álbum e uma pandemia, o futuro de Mitski é uma incógnita. A evolução do seu trabalho ao longo dos anos demonstra um aprendizado contínuo, assim como investigar as nuances da própria identidade se tornou o grande tema de suas composições. Sem nada anunciado até o momento, um mundo de possibilidades se estende a sua frente e, ao menos por ora, só nos resta especular por qual estrada ela decidirá continuar sua caminhada.

Paramore, After Laughter

Álbum mais recente do Paramore, After Laughter foi lançado em meados de 2017, após um período conturbado para a banda que resultou em um trabalho mais complexo lírica e sonoramente: dançante e colorido, mas longe de ser feliz. Depois de vislumbrar o fim, não pela primeira vez, o processo movido pelo ex-baixista Jeremy Davis, e o fim do casamento de Haley Williams com o também músico Chad Gilbert, After Laughter funciona como uma espécie de exorcismo, repleto de faixas confessionais que transitam pelos diferentes estágios desse processo. Ao mesmo tempo, o álbum também representa uma ruptura com os álbuns anteriores da banda — os excelentes All We Know is Falling, de 2005; Riot!, de 2007; Brand New Eyes, de 2009; e Paramore, de 2013. Outrora adepta das guitarras estridentes e batidas frenéticas, After Laughter demonstrou a versatilidade da banda tanto quanto sua maturidade, e como os reveses podem se tornar, no fim, aprendizados. Mas o que vem depois da tempestade?

O que esperar: Desde o fim das turnês de divulgação de After Laughter, Hayley Williams, Taylor York e Zac Farro deram poucos sinais sobre o retorno da banda ao estúdio. O lançamento de Petals for Armor no ano passado, primeiro — e aclamado — álbum solo de Williams, sucedido por um segundo álbum surpresa, Flower for Vases, lançado no início de 2021, deram início a boatos de que o Paramore, afinal, poderia chegar ao fim — boatos que, no entanto, foram desmentidos pela cantora. Questionada sobre novos trabalhos solo e a existência de composições não utilizadas, Williams afirmou que existem músicas que acabaram não sendo incluídas em ambos os álbuns, mas que ela não tinha planos para um novo trabalho solo no momento e tampouco sabia se essas músicas serviriam ao Paramore. Na mesma mensagem, a cantora afirmou estar pronta para trabalhar no próximo disco da banda, e concluiu com um bastante apropriado “vamos lá”. Não há pistas do que pode vir a seguir; de fato, há um leque de caminhos disponíveis, do retorno às origens de seus primeiros álbuns a algo inteiramente inédito. É evidente que seus integrantes têm maturidade e consciência suficientes para fazer o que quiserem, e fazerem bem. Só nos resta, portanto, acompanhar os próximos capítulos dessa bela jornada.

Texto escrito em parceria por Ana Luíza e Thay

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