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Fernanda

TV

The Killing, Sarah Linden e as mulheres complicadas da TV

Quem me recomendou The Killing foi Patti Smith. Para grande infelicidade minha, não estávamos batendo um papo agradável quando isso aconteceu, mas ela fala algumas vezes sobre a série no seu livro de memórias mais recente, Linha M. Talvez você não saiba, mas Patti Smith adora séries policiais. Nenhuma das várias que acompanha, no entanto, parece ser tão especial para ela quanto The Killing, à qual dedica um capítulo inteiro, discutindo seu cancelamento bem em meio a um enorme cliffhanger e todo seu carinho por sua protagonista.

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TV

“Se você não gosta do que estão dizendo, mude a conversa”: a trajetória de Peggy Olson

“Em pouco tempo e com sorte você virá morar na cidade. Mas se você tiver sorte mesmo você ficará no subúrbio e não terá que trabalhar”.

Essa é uma das primeiras frases que Peggy Olson, interpretada pela brilhante Elisabeth Moss durante as sete temporadas de Mad Men, ouve ao chegar ao escritório da Sterling Cooper para seu primeiro dia de trabalho como secretária. Quem diz isso a ela é Joan Harris (a também brilhante Christina Hendricks), coordenadora das secretárias da agência, depois de questioná-la sobre o número de trens que precisava pegar para chegar em Manhattan vinda do Brooklyn (apenas um). Naquele momento, uma manhã de algum dia qualquer do ano de 1960, nenhuma das duas tinha como saber que o futuro que as esperava não tinha absolutamente nada a ver com o subúrbio, muito menos que isso não era ruim — muito pelo contrário.

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LITERATURA

Svetlana Aleksiévitch e a face feminina da guerra

Se abrirmos um livro de história, inevitavelmente nos depararemos com uma série de guerras – algumas maiores e outras menores – que permeiam nosso passado. As guerras, parece, são tão antigas quanto o nosso mundo, dito civilizado, e, para o bem ou para o mal, fazem parte das nossas identidades nacionais. Assistimos às guerras diariamente e naturalizamos tanta barbárie e horror em nome de um monte de coisas: ideais, a paz mundial (atingida por meio da violência), crenças… (Dos interesses econômicos é melhor não falar tanto assim). Aceitamos as guerras como parte de nossa história, e falamos muito sobre elas, especialmente sobre as duas grandes guerras da história do mundo. O livro-reportagem A Guerra Não Tem Rosto de Mulher (Companhia das Letras, 2016), da bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, poderia ser só mais um dos numerosos trabalhos que discutem a Segunda Guerra. Mas não é. Originalmente publicado em 1985, o livro busca contar as histórias (em grande parte esquecidas) das mulheres soviéticas que estiveram na linha de frente. Porque, sim, elas estiveram lá. E foram muitas.

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TV

The Hour: jornalismo, crítica e protagonismo feminino nos anos 50

Considero The Hour, série criada por Abi Morgan e exibida pela BBC entre 2011 e 2012, como minha história injustiçada particular. Situada na década de 1950, mais especificamente em 1956, The Hour contou a história de um grupo de jornalistas e produtores trabalhando em um noticiário comandado por uma jovem mulher, Bel Rowley (Romola Garai). A série teve apenas duas temporadas com tons bastante distintos. A primeira delas tem um clima pesado de espionagem, com uma carga deliciosa de jornalismo investigativo conduzido por Freddie Lyon (Ben Whishaw), e também se concentra no estopim da Guerra do Suez. É uma temporada ótima que se resolve em si mesma, mas é na segunda que a série brilha ao máximo, desvelando aos poucos um grande esquema que envolve corrupção, chantagem, racismo, xenofobia e misoginia. Podem parecer elementos demais, mas a mão de Abi Morgan não deixa a história desandar, e não foi por acaso que ela recebeu um Emmy pelo roteiro dessa temporada em 2013.

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LITERATURA

O Grande Gatsby e a tragédia pessoal de Daisy Buchanan

Ao longo de sua curta vida, F. Scott Fitzgerald escreveu mais de uma centena de contos para sobreviver e alguns poucos romances para responder às suas aspirações artísticas mais profundas. Sempre que lançava um romance, também publicava, mais ou menos à mesma época, um livro de contos cujos temas se assemelhavam àqueles desenvolvidos na narrativa mais longa. À época de O Grande Gatsby, Fitzgerald lançou All the Sad Young Men [Todos os jovens homens tristes] e, não por acaso, ele é muito próximo de Gatsby. Nick Carraway, o narrador do romance, é claramente um desses homens tristes: melancólico e reflexivo, assistindo das beiradas, profundamente ciente da vida que passa e de seu próprio distanciamento dela. O Gatsby, que dá nome ao livro, não é realmente um homem triste, mas é trágico: obsessivamente atrás de um passado que não pode recuperar, ele tenta tudo, mas, no fim das contas, é destruído pelo seu sonho. Sonho esse que parece incluir construir uma vida ao lado de Daisy Buchanan, considerada por muitos como a grande antagonista de sua história. Só que Daisy também tem a própria cota de tragédia, que costumamos ignorar.

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LITERATURA TV

Livre, a referência mais importante do revival de Gilmore Girls

No terceiro episódio do revival de Gilmore Girls, Lorelai (Lauren Graham) é vista lendo Livre – originalmente chamado de Wild –, livro de memórias de Cheryl Strayed publicado em 2012 e adaptado para o cinema em 2014 pela então recém-nascida produtora de Reese Witherspoon. Diferentemente do que seria natural esperar, nos quatro episódios do revival a referência literária mais importante não parte de Rory, e sim com Lorelai. Livre se torna extremamente importante para a jornada vivida pela personagem.

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