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She-Ra e As Princesas do Poder: o “enemies to lovers” de Adora e Catra

É impossível falar sobre She-Ra e As Princesas do Poder sem mencionar sua importância pela diversidade de personagens, empoderamento feminino e representatividade LGBTQIA +. O final feliz de Adora (Aimee Carrero) e Catra (AJ Michalka) foi um passo significativo para a representação de romances lésbicos no mundo das animações.

A dinâmica de Catra e Adora foi construída com muito cuidado e delicadeza ao longo do enredo das temporadas e acompanhou o crescimento das duas jovens. Meio ao turbilhão de dúvidas e inseguranças de duas adolescentes tentando compreender quem são e o seu lugar no mundo, a amizade vira rivalidade com traços de tensão romântica.

Catra e Adora

No início, a relação de carinho e proteção entre as meninas é clara. Na hostilidade da Zona do Medo, elas crescem como melhores amigas, sendo o apoio e a força uma da outra. Muito além da rotina na Horda e dos sonhos de governar o mundo no futuro, Adora e Catra dividiam também promessas de sempre cuidar uma da outra.

No entanto, tudo muda depois que Adora se torna She-Ra e as duas passam de aliadas a inimigas. Não apenas por estarem em lados opostos na guerra, mas também pela mágoa que se instala, pois Catra se sente abandonada por Adora e traída por sua escolha. No início, Catra é apenas uma menina insegura de si, buscando aprovação e tentando provar a todo instante sua força. Sua reação, então, é canalizar a dor da separação em raiva e motivação para derrotar She-Ra e a Rebelião.

Adora, por sua vez, ao mesmo tempo que precisa aprender a ser She-Ra, tenta entender melhor quem ela é como Adora e como as duas podem salvar Etéria. Ela sofre com sua falta de escolhas, com o fato de não conhecer seu passado e de ter seu destino imposto. Com a pressão de ser responsável por salvar Etéria, Adora negligencia sua própria felicidade e bem-estar para priorizar as necessidades dos outros.

Catra e Adora

Como um bom “enemies to lovers” (inimigos a amantes, em português), a relação de Catra e Adora é marcada por momentos tensos e doces, resultados da complexidade dos seus sentimentos uma pela outra, que por ora aproximam, por ora afastam as duas. O Baile das Princesas (“Princess Prom”), a visita ao passado através das ilusões da cidadela dos Primeiros (“Promise”), a realidade alternativa desencadeada com a abertura do portal em que as duas continuavam amigas na Horda (“Remember”) são alguns dos episódios que provam que a afeição entre as duas, apesar de abalada pela separação, continua existindo. De certa forma, as duas nunca pararam de se proteger, guardando com carinho as memórias do passado e a vontade de se reaproximar.

No entanto, no final da terceira temporada, a relação das duas, aparentemente, se desgasta além do limite. Depois que Catra abre o portal, Adora, que até aquele ponto, ainda tinha esperanças de que a relação entre as duas pudesse ser recuperada, parece desistir de vez de tentar acertar as coisas entre elas. Abalando os já confusos sentimentos das duas, a irreversibilidade da rivalidade dói em Adora e leva Catra a uma espiral de raiva que a isola de todos que ainda se importavam com ela.

Adora sempre foi confiante, enquanto uma motivação inabalável marcava Catra. Mas, na quinta temporada, é uma Adora insegura por não conseguir mais se transformar em She-Ra que parte para o resgate de uma Catra que desistiu de si mesma. Já preparando a trama para o final, é a força dos sentimentos das duas, da Adora que precisa reaver sua amiga, que dá a ela forças para reencontrar She-Ra.

Catra e Adora

Nesse caminho, a reconciliação e o profundo conhecimento uma da outra levam à conclusão do crescimento das duas. Catra, que passou tanto tempo construindo um coração de pedra, se abre para os arrependimentos, permitindo-se ser vulnerável e mostrar o que sente. Ela se esforça para consertar os erros que cometeu e proteger Adora, a quem ela sabe que ama. É justamente esse amor que salva Etéria. A declaração de amor das duas, coroada com um beijo, salvou She-Ra e derrotou o Mestre da Horda.

O romance de Adora e Catra é central tanto para a trama de She-Ra e As Princesas do Poder, quanto para a luta por uma sociedade mais inclusiva. Com a representação de duas adolescentes lutando para encontrar sua força, formando sua identidade e se descobrindo lésbicas, uma mensagem significativa. Amor é amor e amar é um ato poderoso e capaz de salvar o planeta.


** A arte em destaque é de autoria da editora Ana Luíza. Para ver mais, clique aqui!

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