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LITERATURA

Lições de Chimamanda Ngozi Adichie para educar pessoas feministas

O livreto Para Educar Crianças Feministas surgiu como uma carta que a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie escreveu para uma amiga de infância que acabara de ser mãe de uma menina. Essa amiga, Ijeawele, recorreu à Chimamanda em busca de conselhos que ajudassem na criação de Chizalum Adaora não só como uma criança feliz e saudável, mas também como uma criança feminista. De acordo com a definição estabelecida por Chimamanda em outro livreto, Sejamos Todos Feministas, feminista é a pessoa que acredita na igualdade econômica, política e social entre os sexos, uma definição que é simples, mas cuja práxis se torna complexa uma vez que a desigualdade está em todo lugar.

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LITERATURA

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Literatura – Parte 1

Quando se é mulher, reivindicar a própria voz é um ato revolucionário. Quando Virginia Woolf disse que, para ser escritora, uma mulher precisa de um pouco de dinheiro e um teto todo seu, ela estava listando duas coisas aparentemente simples que, analisadas no contexto da história das mulheres, representam algo grandioso. Ter algum dinheiro para se manter e um quarto para escrever é sinônimo de uma vida vivida com autonomia o suficiente para bancar o próprio ofício e ter a liberdade de exercê-lo — coisa que muitas mulheres nunca tiveram e ainda não têm. Seja a irmã imaginária de Shakespeare fantasiada por Woolf, ou as inúmeras mulheres cujo potencial é desperdiçado por conta da falta dessas duas condições básicas — que se manifestam seja na pobreza, na sociedade opressora ou num contexto de violência — o confinamento silencioso em nossa condição continua fazendo parte do nosso gênero, se manifestando com mais força para umas do que outras, mas ainda presente.

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LITERATURA

No Seu Pescoço, no meu pescoço, nos nossos pescoços

No seu pescoço

No Seu Pescoço, primeiro livro de contos da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie foi, coincidentemente, o primeiro livro da autora que eu li. Não por falta de vontade, mas por falta de energia para investir na área literária em geral, e – vamos admitir – por aquele medo nosso de cada dia de sair da zona de conforto. Eu tinha medo do desconforto, eu tinha medo de não me acostumar imediatamente a um estilo literário que eu nem sabia qual seria. Era um ponto importante demais para arriscar sem tremer.

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CINEMA

Por que a decisão de Nicole Kidman importa (mas é só o começo)

(Ou Cannes, representatividade, indústria cinematográfica e micropolítica)

“Eu faço [um esforço consciente de trabalhar com mulheres]. Eu acho que é necessário e vou continuar fazendo. Parte da minha contribuição é poder dizer: a cada 18 meses farei um filme com uma diretora, porque esse é o único jeito de as estatísticas mudarem. Quando outras mulheres começarem a dizer: ‘Não, eu vou ESCOLHER uma mulher agora’.”

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LITERATURA

Let’s get information: 9 livros sobre feminismo para iniciantes

Por muito tempo hesitei ao me declarar feminista porque não tinha estudado o suficiente e acreditava que isso me separava do movimento. “Me identifico com o feminismo, mas não sinto que sou feminista porque ainda não li a teoria”, era o que eu dizia e já ouvi muita gente dizer. É verdade que o feminismo, principalmente uma considerável parcela do movimento brasileiro, se desenvolveu de forma bastante encastelada nas universidades, ganhando até o nome de feminismo acadêmico, mas não podemos limitá-lo a essas discussões construídas no ambiente fechado e excludente das universidades. Estudar, ainda mais estudar relações de gênero, continua sendo um privilégio para poucas, e ainda que seja muito enriquecedor e esclarecedor estar em contato com esse tipo de conhecimento, entendendo de forma contextualizada como surgiram ideias e conceitos que buscamos e lutamos na prática, o domínio teórico não pode ser uma barreira que nos separa, muito menos que se coloca numa posição superior àquela da experiência vivida todos os dias, por todas as mulheres — que está longe de ser única ou igual.

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