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Uma análise feminista sobre a série A Feiticeira

A história da bruxa que abre mão de seus poderes em nome de um grande amor não é novidade na ficção. De Veronica Lake a Kim Novak, Hollywood sempre usou essa narrativa para dar o recado de que vale a pena largar tudo pela felicidade de um casamento, mesmo que isso signifique dar as costas à sua origem. Uma dessas histórias, em especial, ganhou muito destaque na cultura pop: a série A Feiticeira (Bewitched, no original), cujo enredo acompanha as vivências da bruxa Samantha (Elizabeth Montgomery), que se casa com um mortal, James (Dick York), e invadiu os lares norte-americanos entre as décadas de 1960 e início dos anos 1970. Foram oito temporadas de muito sucesso na televisão.

Em uma época de luta pelos direitos civis do povo negro e a queima de sutiãs em praça pública, A Feiticeira pode parecer uma série deslocada. Uma análise mais detalhada, no entanto, mostra que não era bem assim. O embate entre os personagens da série, principalmente entre mãe e filha, simbolizam a batalha entre o mundo de queimar sutiãs e aquele que permanece na esfera privada.

O começo de tudo

A história de A Feiticeira começou muito antes de sua estreia, quando o produtor Harry Ackerman se interessou por criar uma série sobre uma bruxa. Ele pediu ao roteirista Sol Saks que criasse o piloto da série, mas os dois logo perceberam que havia um problema com a ideia: a ausência de conflito. A protagonista era uma feiticeira, mas e daí? O fato, por si só, não era suficiente para segurar a trama. Foi então que surgiu a ideia de fazer com que o marido dela fosse contra o uso de magia. A partir de então, os produtores começaram a tentativa de vender a proposta a uma emissora.

A Feiticeira

Mas a tarefa não foi fácil: muitas ficaram com medo de que a série pudesse incitar o satanismo e, por isso, preferiram recusar a oferta. No fim das contas, a ABC adquiriu os direitos e a série pôde começar a ser produzida, tornando-se um sucesso. Ao contrário de I Love Lucy, contudo, primeiro sitcom norte-americano dos anos 50, A Feiticeira não contava com uma protagonista que queria quebrar as regras o tempo inteiro. Enquanto em I Love Lucy, Lucy (Lucille Ball) desejava pertencer ao show business, mas era sempre impedida por Rick Ricardo (Desi Arnaz), seu marido e cantor de uma boate chamada Tropicana, Samantha escolhe, no dia de seu casamento, seguir com as normas exigidas: a primeira delas, ser uma boa esposa; a segunda, não fazer uso de magia. O que os episódios da série mostram são situações nas quais Samantha usa a magia como último recurso, quando sua inteligência não consegue lhe ajudar — o que muito irrita sua mãe, Endora (Agnes Moorehead), que não aceita que a filha tenha aberto mão de seus poderes. O conflito entre mãe e filha, por sua vez, é um ponto crucial para entendermos o que existe no subtexto de A Feiticeira, e o discurso sobre as normas de uma sociedade patriarcal que ali existe.

O subtexto de A Feiticeira: a possibilidade de inúmeras análises

Nos anos 50, o mundo foi sacudido pela publicação de A Mística Feminina, ensaio de Betty Friedan e pioneiro a discutir as implicâncias das limitações impostas às mulheres, que estavam limitadas à esfera privada. Suicídio e depressão estavam na agenda das mulheres casadas. Elas nunca eram simplesmente Jessica ou Laura: pelo contrário, estavam sempre ligadas ao marido ou aos filhos; eram esposas ou mães de alguém. Friedan entrevistou muitas mulheres para compor esse triste retrato da vida das mulheres brancas, burguesas e de classe média, e aponta que a volta das mulheres para casa após o fim da Segunda Guerra Mundial provocou uma retração. Isso quer dizer que as mulheres tiveram que assistir à tomada de seus empregos, já que agora existiam homens suficientes para preenchê-los e seus esforços já não eram mais necessários.

A Mística Feminina foi o primeiro esboço do feminismo em uma época em que era proibido falar sobre isso. A retração discutida por Friedan também pôde ser sentida no cinema: se nos anos 40 os filmes retratavam mulheres como trabalhadoras e agentes do próprio destino, como é o caso de Alma em Suplício, o mesmo não pode ser dito sobre as produções da década seguinte. Nos anos 50, os filmes passaram a abordar a dor dos soldados, sua falta de adaptação à sociedade após retornarem do front, deixando as mulheres em segundo plano como as esposas (in)compreensivas.

A Feiticeira, de certa forma, é uma série que se encaixa na tentativa de trazer de volta as tramas das quais as pessoas tanto gostavam, aquelas que agradavam a família tradicional norte-americana. Enquanto um lado do cinema pendia para tramas como Psicose, o outro tentava desesperadamente resgatar os valores cristão e burgueses. É o caso, por exemplo, da franquia de filmes com o casal Doris Day e Rock Hudson que, embora vendidos como modernos, ainda mantinham Day atrelada à histórias cujo objetivo era mostrar que toda mulher precisava de um homem, não importa quão bem-sucedida e independente ela fosse.

A Feiticeira

Samantha e James: uma relação abusiva de poder

O episódio piloto de A Feiticeira começa com o narrador contando a história de James e Samantha. É tudo muito lindo, amor à primeira vista, até que, na noite de núpcias, James descobre que Samantha é uma bruxa. Sua reação é a pior possível e, ao final do piloto, Samantha lhe diz que pretende viver como mortal, que não vai usar magia. A decisão da esposa faz com que James possa respirar tranquilo novamente. Mas afinal, por que o marido tem tanto medo de que a esposa use seus poderes?

James é um publicitário bem-sucedido, que provavelmente integraria o time de Don Draper (Jon Hamm), em Mad Men, se tivessem se conhecido. Ele é uma grande promessa de sua empresa e não é à toa que seu chefe, Larry Tate (David White), lhe confie as melhores contas. No entanto, ao conhecer Samantha, sua imagem de homem bem-sucedido cai por terra. O dinheiro e poder de James nada importam para a esposa, uma vez que ela é uma feiticeira e pode ter o que quiser. Logo, a masculinidade do personagem é ferida, posta em questão. Os poderes de Samantha são uma lembrança de que, no fim das contas, o patriarcado não significa nada para ela. Como bruxa, Samantha foi criada em outro contexto, no qual as mulheres tinham praticamente os mesmos poderes que os homens. Qual seria, então, a utilidade de James?

A masculinidade ferida é uma das rodas que fazem a série girar. Isso porque todas as situações “engraçadas” entre o casal decorrem do fato de ele não aceitar quando a esposa tenta resolver conflitos usando magia. A própria proibição de fazer magia é uma resposta ao seu sentimento de inutilidade; como sabe que a esposa é muito inteligente e poderosa, a única maneira que ele encontra de inferiorizá-la — e, automaticamente, não se sentir inferior — é humilhá-la sempre que possível, tudo de uma maneira doce, sob a alcunha do marido preocupado com a esposa.

Em “Help, Help, Don’t Save Me”, episódio da primeira temporada, o desconforto de James em relação à Samantha é bastante palpável. Nele, James está com dificuldades para criar uma peça publicitária para uma marca de sopas. Samantha, então, tenta ajudá-lo e propõe um slogan mais moderno, com trocadilhos bastante criativos. Mas a ideia é tão boa que James acha que Samantha só pode ter chegado àquela ideia usando magia, ou seja, ela não conseguiria pensar por si só. Posteriormente, o cliente rejeita a ideia de James, pendendo para a sugestão de Samantha, e o marido, em resposta, não descansa até que o cliente rejeite a ideia da esposa. É bastante claro o quanto James sente-se inseguro ao lado de Samantha e ofuscado pelos poderes dela. Ao invés de apoiá-la, ele a humilha. Ele diz amá-la, mas não consegue reconhecer quando ela faz algo louvável. E essa, infelizmente, é uma constante na série. Pedir à Samantha que abandone a magia é uma forma abusiva de demonstrar poder. Isso porque a magia faz parte de quem ela é, como pedir que ela abra mão de si mesma? Para que a família tradicional pudesse se manter, no entanto, é óbvio que Samantha deveria abrir mão de si, exatamente como as muitas mulheres analisadas por Betty Friedan fizeram.

Por sua vez, quando Samantha pede algo, a resposta nunca vem na forma de respeito e atenção. Em “It Shouldn’t Happen to a Dog”, terceiro episódio da primeira temporada, Samantha transforma Mr. Barker (Jack Warden), um dos clientes do marido, em um cachorro depois que ele lhe dá uma cantada. Ela passa a festa inteira esquivando-se do comportamento abusivo do cliente, porém, depois de tentar beijá-la, Samantha se irrita e o transforma em cachorro. Mas quando fica sabendo do ocorrido, a reação de James é censurar a esposa, e não condenar a atitude do cliente. Não lhe interessa saber se sua esposa está bem, se Mr. Baker tentou algo além de abuso verbal. Ele só deseja que ela o transforme em humano novamente. “Você deveria agir como qualquer mulher”, argumenta James, o que significa aceitar ou simplesmente ignorar a situação. Não importa se Samantha tomou uma atitude contra um abuso; transformar o cliente em cachorro prejudica o emprego de James.

O problema, portanto, não está em Samantha ter escolhido ser mortal, mas sim no fato de que ela não conta com o apoio do marido. Toda e qualquer ação da bruxa é censurada, envolvendo magia ou não. Dessa forma, James não passa de uma reprodução repaginada de tantos outros personagens da televisão norte-americana, como Ricky Ricardo.

Endora e Samantha: a má feminista versus a dona de casa

Além do embate entre marido e mulher, mãe e filha também se enfrentam em A Feiticeira. Contudo, no cerne das brigas entre Endora e Samantha está um motivo bem diferente: a mãe não aceita o estilo de vida da filha.

A Feiticeira

Endora foi criada para servir como alívio cômico e preencher a vaga do estereótipo da “sogra chata”. Ela aparece quase sempre para aprontar algo na história, mais especificamente para James, a quem ela detesta. No entanto, uma análise mais aprofundada da personagem nos mostra que a chatice é o predicado menos adequado para descrevê-la. Endora é divorciada de Maurice (Maurice Evans) e passa a vida viajando pelo mundo. É fina e elegante, além de muito consciente de sua posição enquanto mulher. Por isso mesmo não aceita o casamento da filha com um mortal; ela sabe que a capacidade de Samantha para encontrar um homem que a valorize muito mais é enorme. Em outras palavras, Endora é a má feminista.

Tudo em Endora grita má feminista. Para começar, sua aparência física é bastante caricata, com destaque para os cabelos ruivos e a maquiagem azul nos olhos. É como se, para deturpá-la ainda mais, os criadores da série tivessem escolhido uma aparência incômoda para ela, como as bruxas más dos contos de fadas. Endora só se torna bonita quando está como uma mortal — o que também é bastante simbólico. Por alertar a filha sobre os riscos de um casamento com um homem comum — isto é, mortal — ela pode ser considerada o primeiro ícone feminista da televisão norte-americana. É muito interessante observar que, cada vez que há um problema entre o casal, Endora aparece para relembrar Samantha o quanto aquela fora uma escolha errônea, quase como se estivesse lá para ser o anjo feminista da vida de uma mulher.

Muitos críticos leem a relação entre mãe e filha como um embate entre os anos 60 e 50, em que Samantha representa a esfera privada, o casamento feliz e as donas de casa infelizes de Betty Friedan, enquanto Endora é o feminismo pulsante dos anos 60. Apesar de não concordar, Endora respeita muito a escolha da filha. Ela nunca fez nada para acabar de fato com o casamento dela. Endora atua muito mais nos bastidores, tentando fazer com que sua filha analise a escolha que fez, mas a conclusão continua a ser um problema exclusivamente dela. Endora é, também, quem proporciona momentos de lazer à filha, como no episódio em que elas viajam para Paris. Por ser uma mulher que não se encaixa na realidade mortal, Samantha quase não tem amigos, mantém-se isolada, e é por isso que o companheirismo de sua mãe é tão importante. No fim das contas, é ele que a permite falar o mesmo idioma com outra pessoa.

Desde o lançamento de A Feiticeira, muita água já rolou no moinho chamado sociedade. Mas a série permanece como uma eterna fonte de análises. É olhando para trás que conseguimos entender por que algumas representações continuam intocáveis, enquanto outras são questionadas. No caso das bruxas, podemos dizer que as coisas mudaram para melhor. De American Horror Story: Coven ao O Mundo Sombrio de Sabrina, elas têm sido retratadas como mulher independentes e complexas. A bruxa que abre mão de seus poderes por um mortal parece ter ficado no passado. Quanto ao movimento de nariz charmosíssimo criado por Samanta, esse jamais sairá de moda — ainda bem.

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19 comentários

  1. Adoro a série a feiticeira. Tenho uma concepção um pouco diferente. Os poderes da Samantha são muito superiores a vida mortal.ela tudo pode e a vida quase que infinita como fica claro quando seu marido pergunta sua idade faz dela uma mulher que cede por amor durante a vida dele a opção de ceder aos seus temores. Pois contra feitiçaria ele não tem defesa. O amor de aceitam-se como é e dele de apesar de não passar de um mortal. Como diz na série,pra mim é uma verdadeira história de amor.

    1. Oi Mirian, obrigada pelo comentário! O mais legal de quando vemos algum produto, seja uma série ou filme, é a infinidade de visões que podemos ter acerca dela. Acho que a história de amor entre eles é muito bonita, sim, porém me parece, como tentei descrever no texto, que esse amor tem um limite, sabe? Quero dizer, se ele não satisfaz ao James, então não serve. Para mim, se ele a amasse incondicionalmente, abraçaria o fato de ela ser uma bruxa. É claro que, dessa forma, não teríamos um conflito na série, mas eu bem que gostaria de ver o James abraçando esse dom de fato, e não apenas quando ele precisa da feitiçaria, sabe?

      A Feiticeira foi uma das minhas séries de infância, então também gosto muito dela! <3

      1. Estava assistindo o Viva e jamais tinha assistido a série, só o filme com Nicole Kidman. Incomodou-me profundamente a forma que ele a trata. “Estou com fome, mulher”, fazendo dela uma mera fantoche dele, tendo que agir como o satisfaz. O mais triste é que foi uma série de grande sucesso em uma época, como você disse, complicada para as mulheres pelo contexto em que elas foram reinseridas. Séries assim só reafirmaram a sociedade patriarcal, o sexismo, machismo. Procurei no Google e logo apareceu a sua análise, fico feliz por ela e pelos comentários; estamos em constante evolução e problematização. Ufa!

      2. Olá Jéssica!
        Estou escrevendo um artigo cientifico sobre a série “A Feiticeira”, onde abordo justamente a questão do feminismo e a sociedade patriarcal. O que escreveu tem total relação com meu trabalho, e gostaria de usá-lo em uma citação. Ficaria muito agradecida se pudesse me dizer qual é o seu sobrenome para que possa cita-la.

  2. É só lembrar das reações da Sr. Kravitz pra saber porque o James não queria o uso de feitiçaria. Isso tem mais haver com o fato de ser algo incompreensível para a sociedade do que pra ego de macho ferido mesmo.

    1. Oi Adriana, tudo bem? Obrigada pelo comentário 🙂 Acho que também é possível ler a série da forma como você coloca. Até porque a bruxaria, se pensarmos em tudo o que ela representa, na liberdade (porque Endora é divorciada e a Tia Clara é uma mulher solteira que viaja por aí), realmente não tem como ser aceita na sociedade retratada na série. Então, para mim, a feitiçaria é incompreensível porque os valores do mundo bruxo não conversam com os do mundo mortal.

    1. Também vejo na série uma pitada de crítica a esse modelo de vida feminino nos anos 50. As peças publicitárias e o audiovisual da época vendia esse ideal feminino que cuida da casa e dos filhos e se sente completa. Tem tudo limpo e comida feita antes do marido chegar em casa, como se administrar o lar e filhos fossem tarefas fáceis, prazerosas e edificantes. Aí a série mostra que pra atingir a esse ideal vendido pelo american way of life (o mesmo que levou as mulheres entrevistadas por friedma à infelicidade, que é personificado na figura da betty draper) é impossível sem ter a mão poderes mágicos.

      1. Oi Lívia, tudo bem? Obrigada pelo comentário 🙂 Sim, dá para analisar a essa série a partir desse comentário que você fez. É muito interessante a ideia de mostrar que apenas a magia torna a mulher “perfeita”, mas nem sempre, porque a Samantha acaba se metendo em trapalhadas e a magia mais atrapalha do que ajuda. Então fica a pergunta: será que existirá perfeição? Enfim, a série faz esses movimentos interessantes, de ir e voltar, digamos assim, é incrível como uma produção aparentemente “boba” nos faz refletir tanto, né?

  3. Muito bom o texto, parabéns. Eu me recordo de assistir e gostar muito da série, não sei dizer se na ocasião me senti incomodado, eu devia ter uns onze ou doze anos, mas eu já sabia que algo de errado não estava certo naquela representação de família tradicional americana.
    Fiquei curioso pra saber como você vê a série Jennie é um Gênio, uma vez que é até difícil desassociar uma seria da outra. Talvez a Jennie seja mais “empoderada” mas mesmo assim ainda vejo a questão do fetiche à mulher estrangeira, a identificação da mulher como instrumento do desejo masculino. Mas repito, eu adorava essas duas séries 🙂

    Vou seguir mais seus textos, parabéns.

  4. Eu sempre gostei da série, mas sempre achei o James um idiota. Quando era criança, sempre pensava: o que raios a Sam está fazendo com ele? Me divertia vendo como ela, no fim, sempre resolvia a bagaça toda! XD

  5. Olá, Jéssica!
    Lembro de A Feiticeira na época de minha infância, mas não lembro de assistir etc. Hoje meu marido colocou num canal que estava passando esse tal episódio “It Shouldn’t Happen to a Dog”. Assisti e, crítica como sou, fiquei indignada com a postura de James. Ele não valoriza o assédio, acha que ela está apenas exagerando, é contra a magia, puxa a Samantha pelo braço o tempo todo e fora tudo aquilo entrelinhas – ou não. Achei absurdo e resolvi expressar minha opinião. Pra quê? Meu marido agiu como o James, falando que aquilo era só uma série, pra se divertir, que era muito “mimimi”. Brigou comigo porque tenho uma opinião diferente da dele. Eu disse que é fácil achar graça quando se está no papel do opressor e não do oprimido.
    Enfim!!! Ótimo texto!!!
    Um abraço!

    1. Oi Janaína, tudo bem? Obrigada por compartilhar uma história tão pessoal conosco. Imagino como deve ter sido terrível ouvir de seu marido que aquela situação do James não é “nada”. Para mim, é muito difícil olhar esses produtos mais antigos (ou fã de coisas em geral) e perceber os problemas, porque existe a memória afetiva de ver essas séries quando criança e de como era maneiro. Mas, infelizmente, é necessário a gente se dar conta desses problemas justamente para não normalizar comportamentos abusivos. Fico feliz que meu texto tenha despertado essa reflexão em ti!

  6. Nossa que análise maravilhosa!! Quando criança amava assistir a feiticeira e jeannie é um gênio, quando adulta comecei a analisar mais profundamente as relações vividas pelas duas personagens e percebi o quão machistas elas eram! Parabéns pelo texto!!

    1. Oi Gabriela, tudo bem? Obrigada pelo feedback, fico super contente que tenha gostado! Eu também cresci vendo essas duas séries e é muito louco perceber o quanto elas moldaram a nossa visão de mundo, né? Jeannie tinha um lance tão abusivo também, ela estar PRESA na garrafa e só sair para realizar as vontade de seu mestre, fora a sexualização de Barbara Eden. Enfim, o bom é que podemos olhar para essas produções hoje e apontar esses problemas, acho muito importante!

  7. Adorei o artigo. Minha mãe e minha tia adoravam essa série e sempre torciam pela Endora. Para elas, o James era um atraso na vida da Samantha. Parabéns pela análise maravilhosa!

  8. Lançar um olhar do Seculo XXI sobre eventos acontecidos no começo da segunda metade do Sec. XX é um tanto quanto complicado mas, concordo que o machismo da sociedade americana e mundial da época estão claramente retratados na relação conflituosa e intensa entre Samantha e James Stevens. Mas, confesso eles formavam um casal adorável. E eu era apaixonado por ela.