Categorias: LITERATURA

Heróis de Novigrath: salvando o mundo, uma partida de cada vez

“Heróis de Novigrath é mais do que um jogo de computador. É um esporte. Uma paixão mundial que atrai milhões de torcedores fanáticos para estádios, banca equipes famosas e leva seus jogadores do chão ao topo — e vice-versa.” Essa é a primeira coisa que lemos sobre Heróis de Novigrath na página oficial do livro, e eu sei bem o que você provavelmente está pensando: “por que eu leria um livro sobre LOL?” Não se preocupe, também foi a primeira coisa que eu pensei.

Lançado pela Suma de Letras, selo da Companhia das Letras, em 2018, e escrito pela paraense Roberta Spindler, Heróis de Novigrath apesar de nos apresentar a um universo que está cada vez mais presente na nossa realidade, o de campeonatos de jogos de computador, e a um próprio mundo que tem sua própria história, personagens e adversidades, fala especialmente sobre amizade, família, e sobre acreditar em si mesmo.

A história começa quando conhecemos Pedro, um ex-jogador de HdN que deixou a fama o derrubar e acabou perdendo tudo que tinha conquistado com suas habilidades no jogo por ser, digamos, temperamental. Nesse mundo, Heróis de Novigrath pode ser tanto um hobbie, fonte de renda e um esporte profissional e, nesse mundo, Pedro foi de herói a vergonha da comunidade. Ao mesmo tempo em que conhecemos Pedro, também somos apresentados de forma meio assustadora ao que será o grande enredo da história: os personagens de HdN estão literalmente criando vida e saindo do jogo. Rapidamente nos vemos dentro de uma briga que vai além dos computadores, entre os Defensores de Lumnia e os Filhos de Asgorth, que começam a levar sua guerra do jogo para o mundo real. Dentro desse contexto, cabe a cinco adolescentes resolver essa situação — e tudo isso em um Campeonato Mundial.

A representatividade vai além da própria autora, e, no livro, vemos que os adolescentes “escolhidos” pelos Defensores de Lumnia vêm dos mais diferentes vivências, e muito embora a história seja narrada especialmente pelo ponto de vista do Pedro (mas não tem primeira pessoa), Roberta consegue nos dar nuances de todos os outros personagens que são tão complexos quanto ele: Cristiano é um jovem negro com muitas dúvidas e que precisa estar sempre alinhado com suas oportunidades (e cuidar um pouco de sua arrogância), Sam é uma mocinha nordestina e dona de si, Aline vem de uma família coreana super certinha, Adi é músico e tem o cabelo colorido mais daora do Brasil e Pietro é o irmão gêmeo de Adi e meu próprio rei LGBTQ+ (e que tem um namorado fofíssimo). É impossível escolher um personagem favorito!

Heróis de Novigrath já me colocou, logo no começo, em contato com uma fantasia que deve ser sonho de todo mundo que é apaixonado pelo seu avatar (aquele personagem que você ama e grita SOU EU sempre que seleciona ou vê algum desenho na internet) no jogo favorito: uma fantasia onde os personagens e os jogadores vivem quase como um só, um emprestando sua força física, mágica e psicológica para o outro. Isso definitivamente foi o que me fez ficar mais encantada. Esse livro tinha tudo para “não ser pra mim”, mas eu nunca me senti tão feliz acompanhando as encrencas em que os personagens se metiam, e acompanhar sua evolução não apenas no campeonato quanto como pessoas, foi incrível e super relacionável. As histórias deles são histórias reais.

Embarquei nas aventuras que esse livro traria pra mim com a mentalidade de quem estava lendo um infantojuvenil do Rick Riordan, e essa foi a melhor coisa que eu fiz. Assim como Riordan ensina crianças a apreciarem histórias e lendas das mais diversas culturas, eu sinto que a Roberta me ensinou a ver o mundo dos games com outros olhos.

É claro que espero nunca precisar fazer parte de um mundo onde monstros ameaçam destruir a humanidade, mas eu espero muito fazer parte desse mundo onde adolescentes de quaisquer origem, raça ou sexualidade podem ser responsáveis por salvar o mundo.

Mesmo que seja capturando uma bandeira de cada vez.

O exemplar foi cedido para resenha por meio de parceria com a Editora Companhia das Letras.


** A arte em destaque é de autoria da editora Ana Luíza. Para ver mais, clique aqui!

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