Categorias: LITERATURA

Quando tudo faz sentido: muito além das leis da física

“Obviamente, você nunca foi uma garota de 13 anos”, diz Cecilia, personagem de As Virgens Suicidas, após ser confrontada pelo seu médico, que não acredita que ela, uma jovem tão doce e bonita, com uma vida inteira pela frente, teria vivido o suficiente para conhecer o lado mais obscuro da vida, quiçá ser responsável por uma tentativa de suicídio. A resposta de Cecilia, no entanto, sintetiza conflitos e sentimentos que, se não suficientes para justificar suas ações, apresentam um novo olhar sobre a complexidade das experiências adolescentes — exatamente o contrário do que acredita o senso comum.

Cecilia decide tirar a própria vida e assim o faz porque, na altura em que se encontra, essa lhe parece a única saída. Tanto no filme dirigido por Sofia Coppola, quanto no livro que deu origem ao longa, seus motivos ficam em suspenso para dar lugar à especulação: sabe-se que as irmãs Lisbon são jovens adolescentes, bonitas e imaculadas, que vivem sob a rédea curta de pais muito religiosos. Não há nada engraçado, poético ou glamouroso naquele ambiente, mas pouco se sabe sobre as reais motivações das irmãs que, uma a uma, decidem tirar a própria vida. Elas eram apenas adolescentes com um futuro inteiro pela frente; que motivos teriam para abrir mão de si mesmas?

A história de Cecilia e suas irmãs não é a única: Hannah Baker (Katherine Langford), personagem de 13 Reasons Why, adaptação da obra literária Os 13 Porquês, de Jay Asher, também decide tirar a própria vida após uma cruel sucessão de fatos que, pouco a pouco, destroem sua esperança e vontade de viver. Hannah conta a própria história a partir de sete fitas e 13 lados deixadas com um amigo antes de sua morte, cada uma destinada a esclarecer um dos motivos que a levaram ao suicídio, mas isso só acontece quando a salvação não é mais uma possibilidade. Embora seja um enredo controverso — problematizado, não por acaso, à exaustão —, a série levanta questões que dificilmente são associadas à vivência adolescente com a seriedade que merecem. Hannah é estuprada, humilhada, abusada de diversas maneiras, vítima de bullying e slut shaming, e entra em uma espiral de tristeza, tudo isso enquanto assiste o mesmo acontecer com outras garotas ao seu redor, mas seus pedidos de ajuda nunca são ouvidos. Ninguém vê o que está acontecendo até que seja tarde demais. 13 Reasons Why não ignora a presença de pais e responsáveis, mas são esses mesmos adultos que, cegos por quaisquer outros motivos, não percebem aquilo que ganha espaço em meio à rotina familiar e escolar.

A trajetória de Elizabeth Emerson, protagonista de Quando Tudo Faz Sentido, está, ao mesmo tempo, perto e distante dessas personagens: assim como Cecilia, e também como Hannah, Liz é uma adolescente tomada pela depressão, pela ansiedade e por outros transtornos, mas também assombrada pela solidão e pela culpa, que a perseguem de maneira implacável. Na altura em que a conhecemos, ela já não acredita que mereça continuar a viver, em partes porque condena muitas de suas ações e escolhas, o que pouco a pouco a faz perder as esperanças — no mundo que a cerceia, mas principalmente em si mesma. Liz pertence a um seleto grupo de adolescentes que, a princípio, não parecem ter tanto assim com o que se preocupar: eles são ricos e bonitos, especialmente populares e bastante descolados. Mas são também jovens extremamente problemáticos e por vezes cruéis, que se divertem às custas daqueles que não se encaixam no mesmo padrão com a mesma facilidade. Boa parte dos conflitos de Liz partem do questionamento de ações que ela própria julga como erradas, mas que continua a repetir de todo modo — porque é humana, porque deseja pertencer. Liz não é especialmente má, nem especialmente boa, mas faz escolhas que a colocam no primeiro grupo aos olhos daqueles que não a conhecem o suficiente, e mais tarde, aos olhos dela mesma — e ela não nega, receosa de que sair fora da curva seja uma alternativa ainda pior.

Ironicamente, é exatamente para fora da curva que Liz vai quando decide tirar a própria vida. Após uma aula de física sobre as Leis de Newton, ela fecha os olhos e vira o volante de sua Mercedes de encontro ao que acredita ser o fim de seu sofrimento, mas principalmente daqueles que tiveram o azar de conhecê-la. Tudo é planejado com semanas de antecedência, o suficiente para parecer um infeliz acidente: é inverno, as ruas estão cheias de neve, poderia ter acontecido com qualquer um. Mas como nos lembra a capa do livro, “não existem acidentes”, e essa é a verdade que, página após página, Amy Zhang, a autora, busca provar. Entre aulas de física, teorias jamais aplicáveis à vida real e discussões que se distanciam da unidimensionalidade atribuída aos adolescentes de modo geral, Zhang nos leva em um passeio pelo passado de Liz, acompanhadas por um narrador misterioso, enquanto aguardamos o desfecho da personagem: será que Liz Emerson irá sobreviver?

“Era seu medo mais antigo, aquele silêncio. Ela sempre odiava quando não havia nada a dizer, detestava os minutos de escuridão durante festas do pijama — quando todo mundo se calava, mas ainda não tinha dormido —, detestava a sala de estudo, detestava pausas em telefonemas. Outras meninas pequenas tinham medo do escuro, cresciam e deixavam seus medos para trás. Liz tinha medo do silêncio e segurava seus medos com tanta força que eles cresciam, cresciam e a engoliam.”

Grande parte da história se passa no ambiente hospitalar, que serve de cenário para o vai e vem de memórias e personagens que aguardam por notícias sobre o estado de saúde de Liz: a mãe, os colegas da escola, as amigas mais próximas, o professor de física. É nesse ambiente frio e estéril que muitos são confrontados pela perspectiva da morte — às vezes pela primeira vez —, algo que inevitavelmente virá de encontro a todos, mas que até aquele momento lhes parecia muito distante. O suposto acidente de Liz evoca a noção de mortalidade, que pouco a pouco ganha forma para esses adolescentes. No entanto, é também em meio à dor e ao sofrimento que pequenos gestos de gentileza ganham espaço. Barreiras impostas dentro do ambiente escolar são delicadamente quebradas e máscaras são retiradas de modo a apresentar facetas inteiramente novas de personagens que, em qualquer outra circunstância, se apresentariam ao mundo de formas muito diferentes. Definições dicotômicas como bom e mau são abandonadas, borrando as linhas que definem e separam aquelas pessoas para permitir que sejam mais do que uma coisa só. Por mais incômodo que seja ter contato com o lado mais sujo, egoísta e mesquinho desses jovens, à medida que a história avança, fica claro que todos — ou quase todos — estão lutando as próprias batalhas, e que o que existe entre aquilo que transparece e a realidade de cada um é muito mais complexo do que acredita nossa vã filosofia.

Atenção: este texto contém spoilers!

A própria Elizabeth Emerson luta batalhas muito particulares, mas muito pouco fica realmente evidente em sua rotina. É preciso que ela tome uma decisão extremista para que aquilo que fica restrito ao âmbito particular venha à tona. Liz não é apenas uma garota bonita e rica, que pratica bullying, humilha pessoas que não estão no mesmo patamar da hierarquia escolar, que não se importa com física e enche a cara em festas. O que Quando Tudo Faz Sentido busca é justamente mostrar que, por trás de uma vida aparentemente invejável, escondem-se traumas e conflitos que custam muito caro à vida da protagonista, como custariam a qualquer ser humano, e não há porque ser diferente com um adolescente. Negamos a complexidade da existência desses jovens porque parece mais fácil acreditar que eles não se importam ou que talvez não tenham tanto assim com o que se preocupar, e que suas questões não são realmente relevantes — essas relegadas aos adultos, e somente aos adultos, bastiões das Questões Relevantes™ do mundo. No caso de transtornos mentais, essa realidade torna-se ainda mais palpável: se entre adultos problemas como a depressão e a ansiedade ainda são considerados tabu, o silêncio é o que resta aos mais jovens. O suicídio continua a ser a segunda maior causa de mortes no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde de 2012, atrás apenas de acidentes de trânsito, muitos dos quais acontecem em decorrência de transtornos mentais, problemas familiares e bullying, mas existe um abismo entre a conscientização e diálogo efetivos e a discussão vazia e sensacionalista que ainda parece ser regra quando tocamos no assunto.

“Eu a vi gravar seus erros em pedras, que se arranjaram ao redor dela e se tornaram um labirinto que ia até o céu. Como aprendeu com tão poucos dos erros, ela estava perdida. Como não tinha fé em nada, não tentava encontrar uma saída.”

A regra, contudo, não se aplica aqui: de forma bastante inteligente e acolhedora, Zhang constrói personagens extremamente complexos, ambíguos e de moralidade questionável, a quem rótulos jamais são impostos. Embora desempenhem papéis muito específicos no microcosmo escolar, existe a consciência de que a vivência desses jovens abrange características múltiplas, e são elas exploradas ao longo da narrativa — nenhuma das quais contempla exclusivamente a experiência juvenil, respingando de forma muito particular em cada um. Ao mesmo tempo, o livro não se restringe ao universo diegético criado pela autora, transformando o colégio em uma representação em menor escala da nossa sociedade — uma realidade, desnecessário dizer, também brutal.

O sociólogo canadense Erving Goffman, em 1959, já acreditava que a existência humana é compreendida não como uma realidade unidimensional e irrevogável, mas como um grande palco onde desempenhamos diferentes papéis de acordo com uma definição prévia de hierarquias, funções e expectativas que envolvem nossas interações sociais e partem de interesses específicos, sejam eles conscientes ou não. Em O Papel do Eu na Vida Cotidiana, Goffman aborda a atuação como parte intrínseca à vida humana; não somos os mesmos em todas as situações ou em todos os lugares, e editamos nossas vidas de modo a mostrar aquilo que melhor nos convém em determinadas circunstâncias, quase sempre norteados por convenções sociais pré-estabelecidas — que, para todos os efeitos, são regidas por valores estruturados sobre os pilares do patriarcado.

No caso de Liz, a cobrança externa muitas vezes não é direta, partindo de configurações dispostas muito antes de ela sequer ter consciência dessa construção. O desejo por pertencimento não surge como uma desculpa para seu comportamento, transformando-se no fio condutor que determina muitas de suas ações. Em “Cinquenta e Cinco Minutos Antes de Liz Emerson Bater Com o Carro”, vigésimo capítulo do livro, o narrador nos leva a um episódio da vida da personagem em que ela se sente extremamente culpada por humilhar publicamente uma colega, mas o sentimento não é suficiente para fazê-la parar. Do contrário, seria ela a ocupar aquele lugar, e quem em sã consciência gostaria de se tornar pária social? Liz sucumbe porque é humana e também porque é vítima, sem saber que a culpa por todos os seus feitos, mais tarde, a faria desistir da própria existência.

“Então, quanto todas as outras pessoas se tornaram cegas ao que dizia respeito a Melody, Liz continuou observando. Tentou entender por que todo mundo tinha tanto medo de ser diferente, e por que ela também tinha. Cem vezes ela abriu a boca para defender Melody, e cem vezes a fechou. Teria sido uma passagem sem volta para a linha de tiro.”

O bullying não é, por si só, uma questão exclusiva de gênero. Entretanto, muitos dos conflitos que permeiam a vida de Liz — e de Kennie, e de Julia, suas melhores amigas, e também da sua mãe — não existiriam se ela não fosse mulher. Segundo dados também da OMS, embora as taxas de suicídio sejam maiores entre o sexo masculino, entre 2010 e 2012 o índice cresceu 18% entre a parcela feminina da população mundial, sendo consideravelmente maior em países onde as diferenças e violência de gênero apresentam-se com mais força. Quando Tudo Faz Sentido não é uma obra explicitamente feminista, mas ainda expõe situações que, de maneira direta ou indireta, jogam luz sobre os diferentes desdobramentos do machismo. O fato de ser uma garota privilegiada não torna as coisas mais fáceis para Liz, que ainda precisa manter a própria imagem, ainda que isso lhe custe a saúde física e mental. Nos bastidores, ela não lida apenas com a depressão, que surge tanto em decorrência de sua insatisfação com a própria vida, quanto pelo luto, o abandono e a culpa, mas também com a bulimia, que a garota desenvolve como uma forma de manter-se magra.

Conforme descobrimos mais tarde, Liz não é a única vítima desse discurso: para além dos personagens que sofreram bullying e foram, em algum momento, humilhados pelo seu grupo de amigos, a obra também fornece um olhar mais gentil e esclarecedor sobre a vida de suas duas melhores amigas, Julia e Kinnie, e também de sua mãe, Monica. Após a morte do marido, Monica se torna uma mãe muito ausente e distante, e a tragédia compartilhada com a filha não as tornam mais próximas. Ao contrário, a dificuldade em lidar com o luto as afasta, somado ao fato de que, para Monica, Liz sempre seria um lembrete vivo de todas as suas falhas como mãe. Em um acesso privilegiado, descobrimos que, embora apresente uma fachada fria e equilibrada, o acidente de Liz a destrói por dentro; momento em que Monica também vai admitir para si mesma que nunca soube exatamente como ser… mãe. É muito fácil culpá-la pela ausência, pela falta de diálogo e cuidado porque é muito fácil ignorarmos que Monica é também humana. Ela não sabe ser mãe e não sabe ser a mãe que a filha precisa tanto quanto não sabe lidar com o próprio luto e com a morte precoce do marido. Na contramão a uma abordagem tendenciosa e superficial, Zhang reconhece que essa é uma situação extremamente delicada e não nega a complexidade de Monica como mãe e mulher. Quando Tudo Faz Sentido afirma que relações humanas podem ser muito complicadas e que conflitos dificilmente são solucionados com respostas fáceis — talvez, elas nem sequer existam. Assim, quando Monica passa muito tempo longe da família e da própria casa, suas ações não são vistas de forma isolada e a obra não se apressa em classificá-la como uma péssima mãe, preferindo entender o porquê do distanciamento e o contexto em que ele se materializa.

De forma parecida, Julia e Kinnie são exemplos de estereótipos comuns à narrativas adolescentes — a garota linda e inteligente, a bobinha e popular —, mas que são desconstruídas até romperem com a unidimensionalidade que lhes é atribuída de imediato. Tanto uma quanto a outra desempenham papéis importantes na trajetória de Liz, mas encontram espaço para contar as próprias histórias individualmente — e essas histórias nunca são mais fáceis em comparação. Julia é uma menina aparentemente perfeita, inteligente, eloquente e de aparência sempre impecável, que se torna amiga de Liz em uma estranha sucessão de fatos: vítima da maldade direcionada da segunda, ela se recusa a assumir o papel de vítima, respondendo às ameaças de forma sagaz e à altura da hostilidade que recebe, o que é suficiente para aproximá-las. Eventualmente elas se tornam inseparáveis, cuidam uma da outra e estabelecem um relacionamento de imenso carinho e cumplicidade, mas as coisas começam a sair do controle quando Julia começa a usar drogas — uma culpa que dificilmente seria sua, mas que Liz insiste em carregar. Porque também teve a vida marcada por pequenas tragédias restritas ao âmbito particular, Julia encontra nos conteúdo de seus saquinhos ziplock seu próprio escape, do qual ela não consegue se desvencilhar. A culpa pelo vício fica em suspenso no relacionamento de ambas, que pouco a pouco começa a ruir: em partes, porque Liz insiste que a amiga procure ajuda, enquanto Julia insiste em culpar a outra pelo vício. A obra, no entanto, não questiona se alguma delas é realmente responsável, fazendo a pergunta contrária: podemos culpar alguma delas? Definitivamente, não.

Kinnie, por outro lado, subverte a figura da garota fútil e vazia, bobinha demais para o próprio bem. Fruto de uma família extremamente religiosa, ela crescera em um ambiente bastante rígido, cercado por valores morais moldados pela tradição cristã. Assim, quando engravida acidentalmente, ela sabe que o aborto é a única opção capaz de lhe assegurar um futuro longe do olhar super protetor dos pais ou do laço familiar que cada vez mais tornava-se um nó. Mas isso não a impede de fantasiar um futuro com um filho, um futuro no qual não seria julgada por ser uma mãe tão jovem ou onde tivesse a possibilidade de viver conforme suas próprias regras. A dor de Kinnie é a dor de uma garota que quer ser mãe, ainda que uma muito nova, mas é obrigada a abrir mão do seu desejo em função… de quê exatamente? De uma vaga em uma boa faculdade que ninguém acredita que ela seja realmente capaz de conseguir? Um casamento que talvez não queira tanto assim? Não ser vista com maus olhos por uma sociedade que a olharia da mesma forma se soubesse que ela havia realizado um aborto? São questões verdadeiramente complexas e embora o livro não forneça todas as respostas, ele nos leva a pensar sobre cada uma delas — e sobre nós mesmas, e sobre nossas próprias experiências juvenis.

“Ela não ligava para o sexo. Uma hora depois, tinha escolhido nomes de meninos e meninas, nomes perfeitos. Queria comprar roupas de bebê. Queria uma cadeirinha para o carro. Queria um futuro que pudesse construir sozinha. Mas quando se enrolou embaixo das cobertas e ouviu sua respiração bater nos cobertores, começou a chorar de novo porque sabia que nunca conseguiria fazer aquilo. Não podia.”

Para toda ação há uma reação oposta de igual intensidade, diz a terceira Lei de Newton, algo que aprendemos ainda muito jovens, o que pode ter sido há muito tempo ou nem tanto tempo assim. O que ninguém diz, no entanto, é que as leis da física partem de uma suposta realidade em que resistência, atrito e outros fatores externos são desconsiderados para dar lugar a uma realidade forjada, perfeita e, consequentemente, jamais aplicável ao nosso mundo. A existência humana é muito mais do que causa e efeito e viver é uma experiência complexa, múltipla, difícil, contraditória e quase sempre frustrante. Mas como Quando Tudo Faz Sentido sensivelmente nos lembra, ela ainda é a melhor opção que temos. Se a vida é uma grande piada cósmica em que nada faz sentido, talvez a resposta esteja justamente em meio ao nosso próprio caos.

O exemplar foi cedido para resenha pela Editora Rocco.


** A arte do topo do texto é de autoria da nossa colaboradora Carol Nazatto. Para conhecer melhor seu trabalho, clique aqui!

Participamos do Programa de Associados da Amazon, um serviço de intermediação entre a Amazon e os clientes, que remunera a inclusão de links para o site da Amazon e os sites afiliados. Se interessou pelo livro? Clique aqui e compre direto no site da Amazon!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *