Categorias: LITERATURA

Enquanto Eu Não te Encontro, de Pedro Rhuas

O que você faria se encontrasse o amor da sua vida em uma balada temática? E se você encontrasse o amor da sua vida para apenas perdê-lo horas depois? Em Enquanto EuNão te Encontro, Pedro Rhuas nos proporciona uma história de amor com encontros e desencontros, aceitação e desafios, nos fazendo refletir sobre as nossas próprias histórias e nos fazendo sonhar por meio da fantasia romântica de Lucas e Pierre.

Atenção: este texto contém spoilers!

Tudo se inicia quando Lucas convence o seu melhor amigo, Eric, a irem juntos na inauguração do Titanic, uma boate gay temática inspirada no filme sucesso de Hollywood. Os dois são melhores amigos de infância, tendo mudado juntos do interior para Natal para cursarem a faculdade e estão aproveitando o momento para se conhecerem e entenderem quem são. Meses depois da mudança, Eric se envolve com Raul, deixando Lucas reflexivo sobre suas expectativas sobre morar em uma cidade grande, sobre sua vida amorosa (ou a falta dela), seus sentimentos e o seu relacionamento com o amigo.

Surpreendido por Raul a tiracolo na noite que deveria ser apenas dos dois melhores amigos, Lucas não quer estragar a saída mais esperada do ano: a inauguração do Titanic. Logo de início ele é recebido por uma drag queen que, em toda sua complexidade e mistério, se compara com a Lagarta de Alice no País das Maravilhas e logo de cara faz uma previsão do futuro de Lucas.

Ainda tentando transformar sua noite em algo positivo, a última coisa que Lucas precisava era ser surpreendido por uma chuva de bebida alcóolica em sua roupa no meio do evento, levando-o para uma das primeiras humilhações da noite. O que Lucas não esperava era que o autor do crime fosse ninguém menos que Pierre, um franco-potiguar que ele mesmo apelida de Adônis pelo seu porte de galã de novela das nove, e se apaixona na hora.

Enquanto Eu Não te Encontro

A trama se desenrola a partir do encontro de Pierre e Lucas, que se conhecem e se descobrem em apenas algumas horas no Titanic, tornando a noite trágica em mágica, quase como uma ilusão da mente carente de Lucas, onde o príncipe encantado vem ao seu encontro no meio do baile para então desaparecer quando o relógio bate meia-noite. No caso de Lucas, o relógio vem em forma de um Eric muito bêbado, que interrompe a noite mágica, e a torna de volta em tragédia quando seu celular, que contém a única informação de contato de Pierre, sofre um terrível acidente fatal.

Sem ter como entrar em contato com o seu príncipe encantado, Lucas se perde na tristeza e na ilusão do que poderia ter sido sua vida com o francês. Pela primeira vez, ele se sente verdadeiramente sozinho, entendendo a sua própria relação com o romance e o amor, entendendo que seus amigos estão seguindo suas vidas com seus relacionamentos e que a relação entre eles talvez não será sempre a mesma que possuem desde criança.

Ninguém consegue explicar como uma primeira paixão consegue fazer tanto estrago na nossa vida. Em apenas algumas horas, a vida de Lucas ficou de cabeça para baixo como nunca havia acontecido em toda a sua vida por causa de Pierre. No meio da festa, Lucas e Pierre se teletransportam para o seu próprio universo e conversam sobre tudo, transformando aquelas poucas horas em uma vida inteira conhecendo um ao outro. Quando Lucas percebe que pode nunca mais verá Pierre , é difícil de se convencer a seguir em frente.

Alguns meses depois, Lucas dá mais uma chance ao amor ao marcar um encontro com João, um swiftie para o desgosto de sua alma katycat. Enquanto estão no meio do encontro, quase se convencendo dessa nova chance, o garoto se depara com um fantasma do seu passado: Pierre acompanhado por outra pessoa. Os dois então embarcam em um reencontro de horas intensas para recuperarem o tempo perdido, ambos agarrando com unhas e dentes a nova oportunidade que o destino estava lhe dando.

O que torna Enquanto Eu Não te Encontro especial é o quão palpável ele é para o leitor. Em meio aos seus clichês, Lucas é um jovem que agarra a oportunidade de sair da casa dos pais para morar em uma cidade grande e se descobrir com a liberdade que apenas uma capital pode proporcionar, que ama seus amigos e ainda não entende o tamanho do mundo, apesar de já ter passado por muitos obstáculos. Seguindo a corrente de romances jovens-adultos contemporâneos brasileiros, Pedro Rhuas escreve algo perto do seu coração e da sua vivência e nos faz nos identificar junto com ele, porque é algo que podemos ter vivido e vivemos todos os dias, seja com relação aos questionamentos, a identidade, sexualidade, relacionamentos apresentados no romance.

Vencedor do concurso CLIPOP, organizado pela editora Seguinte para encontrar novos nomes da literatura brasileira, Pedro Rhuas faz sua estreia com Enquanto Eu Não te Encontro e nos mostra que os encontros e desencontros são um lembrete para que vivamos intensamente todos os momentos, que somos destinados a grandes coisas e não devemos perder as esperanças para conseguirmos viver aquilo que merecemos.

O exemplar foi cedido para resenha por meio de parceria com a Companhia das Letras.


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