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Dez casais para acreditar no amor

São tempos difíceis para os sonhadores e para aqueles que acreditam no amor – casais que sempre estiveram por aí, povoando o imaginário popular com seus relacionamentos aparentemente perfeitos, se desfizeram e nos deixaram (quase) em prantos, questionando até que ponto vale a pena continuar acreditando nesse tal amor. Chris Pratt e Anna Faris desfizeram um casamento de oito anos, enquanto Angelina Jolie e Brad Pitt se separaram após doze anos juntos, provando que nem tudo dura para sempre. No quesito casais que partiram nossos corações, também temos um belo exemplo em terras tupiniquins: Fátima Bernardes e William Bonner nos mostraram que por mais difícil que uma separação seja, ela também pode vir para o melhor – não dissemos para quem.

Por isso, mesmo que a tristeza nos alcance nesses momentos de desalento, ainda há muitos motivos para sorrir, acreditar e voltar a deixar o coração bater mais forte. Prova disso são alguns casais da cultura pop que parecem ter desvendado a fórmula do amor e tiram de letra a tarefa de se relacionar com outra pessoa de modo saudável e construtivo. Como forma de dizer que ainda há motivos para acreditar no amor, listamos dez casais que vão te deixar com o coração quentinho e uma certeza: ainda existe amor nesse mundo, nem que seja na ficção.

Alphonso e Elena, Agents of Shield

Desde seu lançamento, em 2013, Agents of Shield vem subvertendo uma série de clichês utilizados em produções derivadas de quadrinhos, o que é bom para a fama da série, que possui uma representação feminina admirável, tramas originais na medida certa, e, nesse pacote, alguns relacionamentos românticos e de amizade que rompem com estigmas perpetuados pelo gênero. Quando se trata desse assunto, Mack (Henry Simmons) e Elena (Natalia Cordova-Buckley) estão no topo da lista de casais mais bem resolvidos de todos os tempos do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), além de engrossar os números de diversidade em Hollywood, sendo um dos mais belos exemplos de casal inter-racial.

Desde o começo, Mack e Elena são apresentados como personagens com visões diferentes sobre muitas coisas: o mundo, Inumanos, o papel da Shield no combate aos vilões e no gerenciamento dos desastres que afligem a Terra. Mesmo que role uma química desde o começo e uma trama com resquícios de enemies to lovers, era difícil acreditar muito em um relacionamento duradouro justamente por essas diferenças e pela personalidade irredutível dos dois. Entretanto, após se tornarem oficialmente um casal na quarta temporada, eles dão um show de entendimento do que é necessário para manter uma relação estável, saudável e madura, deixando claro que o amor e paixão também precisam estar acompanhados de companheirismo, confiança, dedicação e, sobretudo, honestidade para não omitir atitudes, opiniões ou discordâncias. E, no caso deles, compartilhar apenas fortalece o relacionamento, como acontece quando Mack se abre sobre a morte de sua filha, Hope.

Apesar disso, não são poucos os episódios em que eles discordam ou agem de modos que um ou outro não aprova, mas no final do dia eles sentam, conversam e colocam todos os pingos nos is. Isso não significa que os dois estejam isentos de brigas e mágoas durante o tempo que estão juntos (a reta final da quinta temporada que o diga), mas as bases do relacionamento saudável que eles partilham – conversar sobre as coisas que acontecem na vida um do outro e deixar que a confiança e admiração sejam a bússola de seu convívio – ajuda-os a sair dos conflitos e percalços como indivíduos melhores.

Chandler e Monica, Friends

A conhecidíssima Friends conquistou seu lugar ao sol há muito tempo. A sitcom criada por David Crane e Marta Kauffman, transmitida pela NBC entre 1994 e 2004, vinte anos atrás, já era premiada nas terras gringas. Com um enredo simples, Friends conta a história de seis amigos que vivem em Manhattan, trabalham ocasionalmente, bebem café e conversam sobre a vida. Às vezes, eles se envolvem romanticamente. É um tipo de comédia que até hoje, vinte e quatro anos depois, ainda ressoa bem entre os telespectadores, é reprisada em diversos canais, e tem uma legião de fãs realmente ávidos. Dentre os diversos casais que Friends explora, o melhor e mais saudável deles está bem longe de discutir se eles deram um tempo ou não: Chandler Bing (Matthew Perry) e Monica Geller (Courtney Cox).

Chandler e Monica são amigos há anos quando vêm um erro que mal podem esperar pra cometer, ou seja, eles viajam juntos e acabam transando. É claro que a coisa toda é muito esquisita no começo, como qualquer envolvimento com um amigo o é, mas tudo acaba engrenando para se tornar, sem muito esforço, no melhor casal do universo de Friends. As tiradas dos dois para esconder o relacionamento são hilárias, a primeira vez que um diz “eu te amo” pro outro também – a icônica cena do peru na cabeça da Monica, pra quem não sabe. Até mesmo antes de se envolverem romanticamente, as interações entre os dois eram muito preciosas; mais de uma vez assistimos um apoiando ao outro. O pedido de casamento é digno de choros copiosos. A evolução dos dois como casal é bonita, delicada, e rende algum dos momentos mais dramáticos e, mais uma vez, chorosos de Friends. O desenvolvimento da relação de Mondler (nome carinhoso que os fãs deram ao casal) é muito orgânica e leve, gostosa de assistir, e traz uma brisa de ar fresco em um seriado que também desenvolve um casal problemático.

Claire e Phil, Modern Family

Lançada em 2009, Modern Family bem que trouxe algumas questões interessantes para as telas de TV norte-americanas, mas que, hoje, nove temporadas depois, nem sempre se sustenta. Prevista pra ser finalizada na décima temporada, Modern Family tem se mantido viva com a ajuda de aparelhos, mas é inegável que boa parte de seu trunfo se encontre justamente nas relações que a série nos apresenta. O casal Claire Dunphy (Julie Bowen) e Phil Dunphy (Ty Burrel) é, sem dúvidas, o melhor exemplo disso. Apaixonados desde a escola, pais de três filhos (antes crianças, hoje adolescentes bem criados), Claire e Phil evoluem juntos, e, o mais importante, mantendo uma relação de respeito e mútuo crescimento. Diferente de muitos casais com filhos da TV, os dois são fieis em manter o relacionamento aquecido, sem negar seu lado romântico, tampouco sexual. Algum dos melhores episódios de Modern Family são justamente os que Claire e Phil brincam de ser outras pessoas.

Claire é a maior torcedora de Phil, sendo a recíproca também verdadeira. Alguns dos momentos mais decisivos de suas carreiras tiveram grande apoio um do outro. Ainda que Claire, mais por ser Claire do que qualquer outra coisa, acredite que tenha que abraçar o mundo e fazer tudo sozinha, ela ocasionalmente percebe, ou se faz perceber, que seu par está ali com ela, para ela. A cumplicidade é palpável, é bonita. Além disso, é muito interessante assistir aos dois porque não se trata de um casal que teve o início do seu envolvimento desenvolvido na série, e sim de um casal que está há anos juntos e que demonstra que um casamento pode (e deve!) dar certo e se sustentar em muitas coisas boas.

Cosima e Delphine, Orphan Black

Orphan Black nos deu muitas coisas incríveis: o talento incomparável de Tatiana Maslany, capaz de interpretar uma dezena de personagens diferentes enquanto nos faz esquecer de que tudo aquilo era obra de apenas uma atriz, uma trama de ficção científica em que as mulheres estão em primeiro plano, o delineado perfeito de Felix Dawkins (Jordan Gavaris) e, é claro, o shipp #Cophine. Quando Cosima Niehaus (Maslany) conhece Delphine Cormier (Evelyne Brochu), ela se encanta pela cientista logo de cara – talvez seja a inteligência de Delphine ou simplesmente o sotaque francês, mas Cosima já estava entregue antes mesmo de saber que alguma coisa havia, de fato, começado. Ainda que os motivos para Delphine se aproximar de Cosima não tenham sido nobres no início, logo ela se viu realmente apaixonada por ela, o que a fez mudar de lado na guerra dos clones sem pensar duas vezes a respeito.

Os momentos entre as duas sempre são repletos de carinho e cumplicidade – “I just want to make, like, crazy science with you” –, e é com Cosima que Delphine passa a compreender melhor sua bissexualidade. #Cophine enfrenta idas e vindas por conta da Dyad, do Drº Leekie e pesquisas científicas não autorizadas com as células dos clones e de Kira (Skyler Wexler), filha de Sarah Manning (também Maslany), mas ao final da quinta temporada as duas conquistam tudo aquilo que o fandom desejava desde o princípio, uma vida juntas e felizes para sempre. Orphan Black conseguiu criar duas personagens ligadas pelo amor e pela ciência praticamente na mesma medida, e sem sexualizar nem Cosima e nem Delphine. Relacionamentos entre mulheres costumam ser fetichizados quando fazem parte das histórias da cultura pop, então nada melhor do que encontrar um casal que não é definido por sua sexualidade e muito menos pela exploração visual de seus corpos – #Cophine surge como um modelo de casal inteligente, imperfeitas em suas singularidades, e que se amam acima de tudo.

Jake e Amy, Brooklyn Nine-Nine

Apesar de termos deixado nossos dois centavos sobre Brooklyn Nine-Nine, falar dessa série nunca será demais já que é praticamente unânime que estamos vivenciando a exibição de uma das melhores sitcoms já feitas. Nesse quesito, o relacionamento de Jake Peralta (Andy Samberg) e Amy Santiago (Melissa Fumero), com certeza, ajuda a endossar a lista de motivos que nos fazem amar tanto essa produção, visto que, mesmo em séries de comédia – teoricamente mais próximas de um ideal de desconstrução de padrões e clichês nocivos – pode ser difícil achar relacionamentos que tenham uma construção concreta e sedimentada em tramas saudáveis, sem resquícios dos ideais de romances conturbados que roteiristas parecem tanto amar escrever.

Jake e Amy são os tipos de personagens que, desde a primeira cena, sabemos que são destinados a ficarem juntos. Mais do que compartilhar o amor por resolver crimes, vencer competições e serem sarcásticos um com o outro, eles dividem um coleguismo sem igual, que cresce para uma amizade de apoio e suporte nas decisões um do outro ao longo das duas primeiras temporadas até adquirir um tom explicitamente romântico no terceiro ano da série. A partir do momento em que ficam juntos, o relacionamento dos dois detetives é baseado na honestidade dos sentimentos e na facilidade em expressá-los, sem tornar doloroso ou excruciante emocionalmente admitir o amor um pelo outro, mesmo para Jake, que carrega uma bagagem pesada quando se trata de qualquer tipo de relacionamento. Com Amy, contudo, Jake consegue se tornar, aos poucos, melhor. A imaturidade emocional que permeia algumas áreas de sua vida lentamente começa a se dissipar, e atitudes genuínas começam a acontecer, como no final da primeira temporada, quando Jake admite estar interessado romanticamente em Amy, mas não espera que o sentimento seja recíproco. Ou, ainda, alguns episódios depois, agora já totalmente apaixonado, e até incentivado por Rosa (Stephanie Beatriz) a sabotar um encontro dela, ele reconhece que não é seu lugar interferir na vida amorosa de Amy; se ela estiver feliz, isso deveria ser o suficiente para ele.

Todavia, a lista de coisas que tornam o envolvimento dos dois não para por aí. “Look, you can´t be afraid to be successful. You’re too good for that” [“Olha, você não pode ter medo de obter sucesso. Você é boa demais para isso”, em tradução livre]é uma das frases mais adoráveis ditas por Jake para Amy, quando, como boa pessoa que abomina falhar, ela surta às vésperas de prestar a prova para o cargo de sargento. Apoiar um ao outro em suas ambições e decisões é outra grande qualidade dos dois, que reconhecem e admiram os talentos um do outro (como quando Amy mostra para Peralta que ele pode ser um bom líder, quando ele fica temporariamente no cargo de capitão); e também cultivam o afeto com companheirismo e comprometimento, o que ajuda a manter uma relação madura, aberta e leve, que cresce organicamente, sem encontros e tramas forçadas, e mostra que o diálogo, combinado com outros fatores, é a chave de qualquer relacionamento.

Leslie e Ben, Parks & Recreation

Parks & Recreation também foi uma das criações de Michael Schur. Televisionada de 2009 a 2015, a série protagonizada por Amy Poehler no papel de Leslie Knope conta a história de um departamento da prefeitura – o de que parques e recreação – de Pawnee, cidade fictícia, em Indiana. Com nomes como Rashida Jones, Aziz Ansari, Nick Offerman, Chris Pratt e Aubrey Plaza no elenco, a série nem sempre fez bem nos números, mas conquistou, ao longo dos anos, uma legião fiel de fãs. Para além de ótima personagem, sempre pronta para resolver pepinos e enaltecer mulheres, Leslie Knope também é peça importante dentro de um dos melhores casais da série. Ben Wyatt, personagem de Adam Scott, é introduzido na trama lá pelo final da segunda temporada, quando chega ao departamento para servir de supervisor oficial do governo. O primeiro ímpeto de Leslie é desgostar do moço, o que ela faz com ferocidade, então o casal faz parte daquela clássica trope: de inimigos à amantes.

Ainda que muito competentes em seus trabalhos, nem Leslie nem Ben possuem a maestria da interação social, então a evolução dos dois como casal é absolutamente adorável (e também engraçada): são dois adolescentes no corpo de uns trinta-e-poucos-anos, que ficam envergonhados, gaguejando e fazendo piadinhas péssimas. Apesar disso, quando os dois realmente ficam juntos, se tornam um casal que só evolui e que se apoia incondicionalmente. Cada um deles possui suas próprias peculiaridades, nerdices e paixões, e, em muito, são diferentes. Essas características são celebradas, não diminuídas, e é de aquecer o coração o quanto um ama ver o outro feliz. Realmente um casal que vale a pena acreditar e, mais ainda, assistir.

Lito e Hernando, Sense8

Sense8 é uma série pautada na diversidade desde sua concepção, então nada melhor do que ter um casal – que se transformou praticamente em trio – como um dos melhores de sua trama perfeitamente inclusiva. Lito Rodriguez (Miguel Ángel Silvestre) é um famoso ator mexicano, estrela e galã de novelas e filmes, que mantem um relacionamento amoroso – e secreto – com Hernando (Alfonso Herrera), um professor universitário. Com receio de que a revelação de sua orientação sexual acabe com sua carreira, Lito decide não assumir Hernando e conta com a ajuda de Daniela (Eréndira Ibarra), que aceita se passar pela namorada do ator. Não demora, no entanto, para que o público descubra que Lito é gay, e seu mundo parece virar de ponta cabeça – pelo menos até o momento em que ele aceita que não quer viver mentindo e decide ser quem verdadeiramente é.

Lito e Hernando precisam enfrentar o mundo em que estão inseridos, uma cultura extremamente machista, para que possam viver seu amor. Desafiando tudo e todos, eles decidem ficar juntos, doa a quem doer. Em um dos momentos mais icônicos da série, filmado na Parada LGBT+ em São Paulo, o casal finalmente externa os sentimentos e decidem que é isso, estão juntos até o final. Ainda que Daniela comece a fazer parte do casal – seria quase um relacionamento poliamoroso? – Lito e Hernando já são endgame desde o começo de Sense8.

Madame Vastra e Jenny Flint, Doctor Who

Uma das qualidades das séries e filmes sci-fi é a miríade de interações interpessoais, sejam elas amorosas ou de amizade (ou até ódio), proporcionadas pelas histórias contadas. Com Doctor Who tendo um plot centrado em um alien que viaja pelo espaço-tempo e encontra uma diversidade incrível de semelhantes e pessoas, não é de surpreender a existência abençoada de um casal como Madame Vastra (Neve McIntosh) e Jenny Flint (Catrin Stewart).

A primeira aparição das duas acontece na sexta temporada, quando o Eleventh Doctor (Matt Smith) decide cobrar um favor de Vastra para salvar sua atual companion, Amy (Karen Gillian). Mas a história das duas tem início muito antes disso. Uma Siluriana (espécie de réptil terrestre que viviam em uma sociedade avançada antes do surgimento da humanidade), Vastra é uma detetive que presta serviços de consultoria para a Scotland Yard e também integra a sociedade da era Vitoriana. Em suas aventuras conhece Jenny, que desde cedo sofre retaliações de sua família pelos tipos de “companhias” com as quais anda. Apesar de, em um primeiro momento, ser contratada como empregada de Vastra (e manter essa aparência para o restante do mundo), a relação das duas logo evolui romanticamente para o casamento.

Parceiras também de ação, as duas não deixam a desejar quando o assunto é chutar bundas e prender vilões, mas o relacionamento carrega muito mais significado do que isso. Um casal interespécie não parece algo incomum de acontecer em uma série como Doctor Who, entretanto, mesmo que a produção (assim como Star Wars, por exemplo) carregue uma mensagem de aceitação, esperança e amor acima de tudo, sabemos que na prática a história não é bem assim. Introduzir um casal interespécie lésbico não deveria, mas foi um grande passo para a série. E apesar de todos os poréns que o nome Steven Moffat possa despertar, o trabalho feito por ele ao escrever Jenny e Vastra aquece corações, pois traz um casal que aprende com suas diferenças, reconhece seus defeitos (“Was I being insensitive again, dear?”) [Eu estava sendo insensível de novo, querida?, em tradução livre] e tenta melhorar a partir deles, nunca deixa a diversão e cumplicidade de lado, mesmo com a morte batendo à porta, e o mais importante, são um ótimo exemplo de que aparência, orientação sexual ou até, nesse caso, ser de diferentes espécies, não deveriam excluir ou impedir ninguém de desfrutar de uma grande e saudável história de amor.

Nomi e Amanita, Sense8

Quando Sense8 tem início, Nomi Marks (Jamie Clayton) e Amanita Caplan (Freema Agyeman) já formam um casal perfeitamente entrosado e apaixonado. Não demora muito, no entanto, para que a confusão envolvendo o cluster do qual Nomi faz parte as alcance, virando de cabeça para baixo um mundo belamente equilibrado entre cumplicidade e amor. Como se não bastasse fugir de Sussurros (Terrence Mann) e da organização que caça os sensates, o casal também precisa lidar com a família de Nomi que não aceita o fato de que ela é transexual e se relaciona romanticamente com outra mulher.

Sense8 é uma série que chegou chutando a porta em diversas questões, e uma das principais é a representatividade da comunidade trans – dentro do universo LGBT+, são os transexuais que sofrem mais discriminação, além de serem alvo de assassinatos violentos no mundo todo. Vale lembrar que o Brasil é o país que lidera o ranking mundial de assassinatos de pessoas transexuais de acordo com levantamento da ONG Transgender Europe (TGEu), contabilizando 868 mortes entre os anos de 2008 e 2016. Nomi tem sua importância principalmente por colocar em evidência um assunto ainda tratado com preconceito e crueldade, mostrando que não há nada de errado em encontrar sua verdade e se assumir para o mundo, ainda que para isso sejam necessárias altas doses de coragem e determinação.

Outro ponto importante do relacionamento entre Nomi e Amanita vem ao demonstrar que identidade de gênero e orientação sexual são coisas completamente diferentes uma da outra – em poucas palavras, identidade de gênero é, como diz o nome, o gênero com o qual a pessoa se identifica e pode ser aquele com que nasceu, ou não; há pessoas que se identificam como mulheres, outras, como homens, e outras, ainda que se identificam das duas formas ou de nenhuma, os não binários. A orientação sexual é definida pelo gênero com o qual a pessoa desenvolve atração sexual, que pode acontecer por pessoas do mesmo gênero, de outro ou de ambos. No caso de Sense8, Nomi é uma mulher trans lésbica, enquanto Amanita é uma mulher cis lésbica. E em um mundo louco em que pessoas podem se conectar com outras apenas dentro da mente, elas encontraram uma na outra o apoio e o amor de que precisam para lutar contra todos aqueles que se colocam em seu caminho. Seria simples para Amanita desistir de Nomi – há toda a confusão com Susurros, fugas alucinadas por São Francisco e depois pelo mundo –, mas ela decide ficar pelo amor que sente por sua namorada. O relacionamento entre elas é sincero e saudável desde o princípio, sempre regado a muito carinho e momentos adoráveis de companheirismo e amizade.

Randall e Beth, This Is Us

Quando o assunto é This Is Us, muito se fala da épica história de amor entre Jack (Milo Ventimiglia) e Rebecca Pearson (Mandy Moore), mas um dos melhores casais da série é, sem dúvida, formado por Randall (Sterling K. Brown) e Beth (Susan Kelechi Watson). Juntos desde a faculdade, o casal transborda cumplicidade, honestidade e suporte mútuo. Pais de duas meninas, dividem igualmente as tarefas de criação e educação das garotas e são parceiros em tudo, como deve ser. Ainda em seus momentos turbulentos e difíceis, Randall e Beth conseguem encontrar um equilíbrio saudável em seu relacionamento, sabem a hora de pedir desculpa, de desculpar, de tocar nos assuntos delicados que precisam ser tocados sem partir para jogos ou brigas desnecessárias.

Beth e Randall são cúmplices antes de tudo, e isso fica evidente na maneira como lidam com a vida e a família. São honestos um com o outro quanto ao que sentem e pensam, e isso fica evidente em diversos momentos durantes os episódios – quando Beth pensa estar grávida pela terceira vez e se assusta ou quando Randall encontra seu pai biológico, distante por 36 anos, por exemplo. Em outro momento, quando Randall decide acolher Déjà (Lyric Ross), uma adolescente em situação de vulnerabilidade em casa, Beth o apoia mesmo que imagine que isso poderá feri-los depois. O amor entre Randall e Beth é palpável e se relationship goals fosse um verbete no dicionário ilustrado, certamente uma fotografia desse casal serviria de exemplo.

Texto escrito em parceria por Ana C., Débora e Thay.

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3 comentários

  1. Poxa, vacilo por Monica e Chandler nessa lista, cara total babaca com ela quando ela era gorda. Ela emagrece pra esfregar na cara dele, vira chef por conta dele, a Monica é uma personagem tão carente que aceita um bofe bosta gordofobico dentre muitas outras coisas devido a própria insegurança. A propósito o Chandler, o Ross e o Joey são todos boys lixo.