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O fim do mundo de Phoebe Bridgers

Se 2020 foi o responsável por me ensinar muito sobre a morte, o desespero, minha própria ansiedade e minha visão do mundo, Phoebe Bridgers, com seu cabelo platinado, voz branda, letras melancólicas e exasperadas, condensou — e já havia condensado — todos esses sentimentos, pensamentos e anseios em seus, até então, dois álbuns autorais. Ou quatro, se você considerar seus projetos paralelos boygenius, dividido com Lucy Dacus e Julien Baker, e Better Oblivion Community Center, em que faz dupla com Conor Oberst, responsável por dar voz ao indie triste de Bright Eyes.

A cantora, originalmente Phoebe Lucille Bridgers, nascida em Pasadena, California, EUA, leonina de 17 de agosto de 1994, já não é rosto desconhecido das bolhas musicais alternativas. Queridinha de Matt Berninger, vocalista de The National, antes mesmo de seu primeiro EP ser lançado, Bridgers já apitava no radar indie, e dentre muitos que compraram a sua premissa, Ryan Adams aparece entre eles. Naquela época, em 2014, Phoebe, com 20 anos, contou com o apoio de Adams, já com seus quase 40, para lançar Killer, um EP de três músicas que, de maneira sórdida, Bridgers abre entoando que “às vezes eu penso que sou uma assassina”.

Obviamente Phoebe não é uma assassina, mas em seu segundo trabalho — e também maravilhoso álbum de estreia — Stranger in the Alps, figurativamente mata e arrasta na lama, com bastante classe, aquele que até então teria auxiliado-a na produção do seu primeiro EP. Isso porque Bridgers, assim como muitas outras, foi apenas mais uma a sofrer com os comportamentos abusivos de Ryan Adams. Com um histórico de oferecer ajuda a mulheres jovens no início da carreira que buscam abrir caminho no mundo da música, Ryan bajulou, presenteou, ofereceu a abertura de sua turnê e começou a flertar com a jovem, o que desaguou em um pequeno romance turbulento entre os dois. As condutas obsessivas, controladoras e manipuladoras dele, no entanto, levaram rapidamente ao fim do relacionamento e, consequentemente, na retirada da oferta para a abertura da sua turnê e em complicações para o efetivo lançamento do EP Killer.

Alguns anos mais tarde, pouco antes da estreia de Stranger in the Alps, a oportunidade de abrir a turnê de Adams retornou e, após ponderar com seu produtor, Bridgers, a fim de promover seu trabalho, optou por aceitar o convite. Obviamente, o comportamento de Ryan seguiu a mesma linha e “no primeiro dia da turnê, ele me pediu para levar algo no quarto dele no hotel e quando cheguei lá ele estava completamente nu”, contou ao New York Times. Muito embora a relação entre mulheres mais novas e homens mais velhos não seja incomum, apesar de acionar sinais de alerta, o comportamento problemático e predatório de um figurão da indústria não é de se passar despercebido, e, para Phoebe, se tornou frase de sua canção mais famosa até então — e a que me fez cruzar com o trabalho dela, em primeiro momento —, “Motion Sickness”. A segunda canção de Stranger in the Alps até soa como um leve morde e assopra (“I hate you for what you did, and I miss you like a little kid”) [“eu te odeio pelo o que você fez e sinto sua falta como uma criancinha”], mas caminha até um ponto de completa consciência quando canta “and why do you sing with an English accent I guess it’s too late to change it now… you were in a band when I was born” [“e por que você canta com um sotaque inglês? Eu acho que é tarde demais para mudar agora… você estava em uma banda quando nasci”], como quem diz: tudo é pose e intencional de um homem já feito.

Com Stranger in the Alps o olá completo de Phoebe Bridgers ao mundo soa tristonho — um vulto, como na capa do álbum, que na verdade é uma pessoa. Ela existe e você sabe que ela existe, muito embora ela faça um esforço tremendo em contrário. “Smoke Signals”, música número um do disco (e que se tornou uma favorita pessoal), referencia “How Soon Is Now”, o hino da banda inglesa The Smiths, um dos sons de muitos desajustados privilegiados. Canções como “Demi Moore” e “Scott Street” exploram temas como desejo sexual enquanto drogada e a estranheza de se reconectar e comunicar com amores dos passados. Já “Georgia” — composição mais antiga da artista, provida dos primórdios da sua adolescência — chega com batidas delimitadas e um vocal mais poderoso, entoando metáforas sobre morte e afogamento (“with my back to the shoreline, I dreamt that he drowned”) [“de costas para o litoral, eu sonhei que ele se afogou”].

Mas, dentre as muitas boas canções de Bridgers em seu álbum de estreia e que dão conta de pintar um panorama sobre o tipo de arte que ela faz e quer fazer, é em “Funeral” que a destreza de Phoebe como artista entra em cena. Ao cantar em um funeral para um garoto um ano mais novo, uma epifania acontece e um redemoinho de emoções, pensamentos e sensações se misturam e disputam espaço: resignação, tristeza, cansaço, vergonha, apatia. Em entrevista concedida em 2017, ela reconhece que a temática morte é um pano de fundo para Stranger in the Alps, não sendo, necessariamente, um flerte com a certeza do próprio fim — é a morte como a visão daqueles que matam, dos que morrem, dos que querem morrer, e sobre nada disso também. Afinal, a ambiguidade das composições e criações de Phoebe Bridgers é o seu maior trunfo e apenas uma das razões do porquê tanto o primogênito quanto o segundo álbum caíram nas graças da crítica e dos ouvintes e, por consequência, conquistaram um bocado de fãs.

Suas criações e sua postura culminam na personificação de uma onda que atingiu não só um punhado de artistas que cantam, compõem e performam o melhor de um gênero que há muito existe e ultimamente está em evidência, o sadcore, como também da bolha que acompanho de perto e, de uma narradora não confiável, me insiro: a da millennial desesperançosa e cansada. Diferente do glamour hollywoodiano de Lana Del Rey ou do entre bares de Elliot Smith, Phoebe carrega dentro de si e de seus álbuns uma espécie de raiva contida e aparada, lapidada a muito custo, e no seu segundo e imaculado disco, Punisher, lançado na metade do ano mais esquisito da vida de muita gente e um ano histórico em especial para aqueles que nunca haviam experienciado nada remotamente parecido, o indie triste de Phoebe mais soa como um terror eminente. E, pincelado com a persona que projeta nas redes sociais, um terror que desdenha e normaliza.

O encarte do álbum abre com um miniconto de Carmen Maria Machado, autora de O Corpo Dela e Outras Farras — um dos livros favoritos de Bridgers. Nele, denominado “Yesterday, Tomorrow”, respingos de Stranger in the Alps aparecem sutis, mas é em torno do horror de um fim do mundo conhecido e inevitável, de um fantasma que nunca vai embora, de um estar constantemente paralisado em meio a algo, que a atmosfera de Punisher cresce. Ainda que possa soar e lembrar baladas sobre amores que já não são, como no caso de dos trechos iniciais de “I Know the End” ou na ótima “ICU” — ambas sobre seu ex-namorado, parceiro criativo, baterista e companheiro de palco, Marshall VorePunisher é um trabalho mais expansivo que isso. Apesar de conectar elementos de introspecção e ruminações de um passado, há algo que destoa do lugar comum. “DVD Menu”, um instrumental de um minuto, abre, de forma pitoresca, a tela do que está por vir, enquanto “Garden Song” refere, justamente, o encarar de uma tela enquanto, mentalmente, caminha para a dissociação [“I’m at the movies, I don’t remember what I’m seeing, the screen turns in to a tidal wave”]. “Kyoto” é sonoramente alegre, liricamente complexa, enquanto sua sucessora, que dá nome ao álbum, “Punisher” é especialmente bela. Em canções como “Halloween”, “Chinese Satellite” e “Savior Complex” há uma costura entre o além e o que ficou pra trás, o ser e o observar, o vislumbre de algo ou alguém que está ali, sempre à espreita. “Graceland Too”, que se aproxima de um suave folk, é um suspiro dentro de um disco tão denso.

Contudo, é na canção “I Know the End”, que encontramos o clímax e o encerramento do trabalho. Com quase seis minutos de duração, o quarto single de Punisher leva o ouvinte a uma jornada que foi muito bem pavimentada nas dez músicas que a antecedem. Nos acordes iniciais, engana ao soar lenta e tranquila, mas não necessariamente leve em lirismo. À medida que a música avança, a tranquilidade vai abrindo espaço para a exasperação. Como um carro em movimento e desenvolvendo velocidade, “I Know the End” troca de marcha e acelera e, ao chegar na linha final, você sente vontade de fazer coro à gritaria que toma conta quando da constatação de que o fim está, finalmente, aqui. Para a Apple Music, Phoebe descreve a canção como uma combinação de tudo o que ela gostaria de fazer: gritar, cantar sobre dirigir em direção ao norte da Califórnia, ter uma balada e ao mesmo tempo uma canção de metal. Diz, ainda, que o sentimento de dirigir por horas a fio emulam a sensação de purgatório, pois “I get thrown into this time that doesn’t exist when I’m doing it, like I can’t differentiate any of the times in my memory. I guess I always pictured that during the apocalypse, I would escape to an endless drive up north” [“Eu sou jogada para esse tempo que não existe quando estou dirigindo, como se eu não pudesse diferenciar nenhum dos tempos na minha memória. Acho que sempre imaginei que durante o apocalipse, eu escaparia para uma jornada sem fim para o norte.”]. A artista revela que ama enganar as pessoas, colocando-as em uma vibe e depois mudando-a completamente, o que é, sem tirar nem pôr, o que ocorre aqui. Para mim, “I Know the End” é a melhor música de 2020.

Se pudesse comparar um disco a um evento natural, compararia, metaforicamente, Stranger in the Alps a um lago — você visita, pode se banhar e se divertir, e ao sair, uma lufada de ar gelado faz com que seu corpo retraia; você pode, também, observar de longe, admirar a água que chega suave até a costa; ou ainda submergir para um mundo de sons abafados. Enquanto Punisher é um buraco-negro: você sabe que ele vai te consumir, só não sabe como. E na minha posição de ouvinte esporádica para indiferente, e, de forma repentina, para obcecada, foi o que me colocou para pensar no porquê ambos álbum e artista se tornaram queridinhos pessoais. A primeira nota é porque a moça (licença poética para chamar de moça já que Phoebe tem apenas um ano a menos que eu) é realmente boa no que faz; há algo na sua forma de contar histórias e criar mundos que é realmente surpreendente. A segunda nota é que há algo de peculiar em existir em um momento político, climático e social tão instável, sob a redoma de um sistema econômico que nos transforma em produtos e produtores, onde nossa existência é baseada no quanto produzimos e consumimos. E Phoebe tem plena lucidez sobre isso.

“It’s the idea of having these inner personal issues while there’s bigger turmoil in the world — like a diary about your crush during the apocalypse. I’ll torture myself for five days about confronting a friend, while way bigger shit is happening. It just feels stupid, like wallowing. But my intrusive thoughts are about my personal life.” [“É a ideia de ter esses problemas pessoais internos enquanto existe um turbilhão maior no mundo, como um diário sobre a sua paixonite durante o apocalipse. Eu vou me torturar por cinco dias sobre confrontar um amigo, enquanto merdas muito maiores estão acontecendo. É uma sensação idiota, como afogar as mágoas. Mas meus pensamentos intrusivos são sobre minha vida pessoal.”] Phoebe, para Apple Music.

Os tempos atuais demandam que, como se equilibrar em uma corda bamba, conciliemos estarmos apaixonados, felizes e realizados profissionalmente (ou de coração partido, tristes e frustrados), ao mesmo tempo em que conscientes de pessoas sendo mortas apenas por existirem; sendo separadas de suas famílias e colocadas em jaulas; sendo escravizadas, estupradas, assassinadas. Existir, assim como engajar, é um ato político; nossos silêncios também o são. Mas quando o peso de ser consciente o tempo todo é muito para aguentar, o que a gente faz? E quando nossas próprias realizações são boas demais, ou nossos próprios dramas são gigantes demais, o que a gente faz? Não conheço uma pessoa sequer que, ciente de uma economia quebrada, de empregos precarizados, do derretimento das geleiras, ou da fragilização da democracia, não tenha dias onde simplesmente existir — mesmo que lutando ou resistindo — se torne exaustivo.

Phoebe Bridgers - Imagem decorativa

Nós, millennials, assim como Phoebe, somos responsáveis pelo fim do mundo e pela reparação dele, ao mesmo tempo. Somos egoístas, frívolos, preguiçosos, e de interesses irrelevantes ao mesmo tempo em que somos responsáveis por mudar a política, a educação, o clima, e em que paramos em hospitais, clínicas e consultórios com Síndromes como a do Impostor ou a de Burnout. Em “A história de uma geração em sete golpes”, um dos ensaios encontrados em Falso Espelho, livro estarrecedor da Jia Tolentino, a autora se desdobra sobre sete pequenos golpes que explicam com uma precisão quase cirúrgica por que estamos onde estamos e quais as alternativas existem para escaparmos desse local pouco confortável. Do Fyre Festival às dívidas estudantis, das #girlbosses às redes sociais, os golpistas — e golpes — aparecem o tempo todo, e dão certo.

“…Enquanto a riqueza continua a fluir em direção ao topo, enquanto os americanos são cada vez mais excluídos de sua própria democracia, enquanto a ação política está restrita ao espetáculo online, muitas vezes senti que a escolha de nossa era se dava entre sermos destruídos ou nos comprometermos moralmente a fim de continuarmos funcionais — naufragar, ou continuar funcional por razões que contribuem com o naufrágio. […] Nós somos o que fazemos, e fazemos o que estamos acostumados a fazer. Como tantas pessoas de minha geração, saí da adolescência e entrei nesta vida adulta frágil, frenética e instável, uma constante e implacável demonstração de que os golpes compensam.”

O horror de viver sob a necessidade de equilibrar o que acontece fora com a turbulência que sentimos por dentro é o esqueleto que sustenta as obras de Phoebe Bridgers — que tem bastante consciência dos golpes que nos aplicam. Por essa razão, não é difícil de relacionar sua postura social, que vai do engraçadinho autopiedoso debochado — um palco de comédia stand up onde a piada é simplesmente estar vivo e performando — à falta de tato (que já foram alvos de críticas), com algumas das frases proferidas pelas personagens femininas mais odiadas da HBO, em Girls. Seja em Hannah Horvath (Lena Dunham) e seu “qualquer coisa maldosa que alguém pensar em dizer sobre mim eu já disse a mim mesma, sobre mim, provavelmente na última meia hora” a Marnie Michaels (Allison Williams) com “às vezes estar dentro da minha cabeça é tão exaustivo que tenho vontade de chorar”, é muito fácil teclar 280 caracteres e projetar ao mundo uma postura inabalável — seja por não se surpreender com nada (vamos todos morrer mesmo), seja por ser do contra (ninguém paga as minhas contas mesmo), seja por ser o detentor da razão (todo mundo que discorda de mim é Hitler), ou seja por estar tão mal e no fundo do poço que, bem, qual é o ponto de qualquer coisa? Não é à toa que um livro que conta histórias sobre mulheres que perdem sua forma corpórea e cabeças caem com o desamarrar de laços se tornou um de seus favoritos. Tudo é caos, no céu há drones do governo ou naves alienígenas, tanto faz, não estamos sozinhos, após a morte assombrarei meus amigos, não tenho medo de desaparecer — o final está perto.

Em entrevista para DIY Mag, a artista afirma que não há diferença entre aquilo que ela produz e a persona que escolhe mostrar ao mundo nas redes sociais. Quando prestamos atenção, o mesmo humor depreciativo que toma forma como shitposting na internet, está presente em suas canções — mas na segunda, de uma forma lapidada. Afinal, ambos são derivados da mesma personalidade, e de uma mesma pessoa que reconhece suas muitas facetas e recusa qualquer caminho que resulte em unidimensionalidade. E o conjunto da obra — ou suas muitas formas — são encontrados em seus álbuns solos, projetos paralelos, ou até mesmo em sua nova empreitada, a Saddest Factory, o seu próprio selo de música.

Bridgers compõe com maturidade, e sabe equilibrar o que é adquirido, o que é reflexo e o que é inerentemente seu. Suas letras não são estritamente confessionais, nem estritamente amplas, e essa inexistência de dualidade na sua obra — não há bom, não há ruim —, lançam a artista para um patamar bem elevado. Mesmos histórias sobrenaturais ou de terror podem culminar na percepção acerca de coisas mais gentis e bonitas, tanto sobre a vida quanto sobre a morte. A expansividade daquilo que cria quando mistura elementos de realidade, sonhos, metáforas e histórias alheias, fisgam o ouvinte. É entre o belo e o feio, o mundano e o extraordinário, que Phoebe Bridgers desbrava seu potencial como artista — e vale muito, muito a pena conhecer o seu trabalho.

“After that, the coven of her covenant goes out beneath the new moon; they journal and play Bright Eyes and Britney Spears and act out María Irene Fornés’ plays and eat peaches. They lie on the grass and the stone and talk about the skies they were born under. They don’t believe, really, that it makes a difference, but it’s nice to think about. After all, everyone knows the world is ending. They’ve been told as much, and they can see it in the streets, and they know the world is irreparably fucked, but most importantly they feel it among themselves; they know this goodness cannot last forever.”

[“Depois disso, as bruxas da sua convenção saem sob a lua nova; elas escrevem em diários e tocam Bright Eyes e Britney Spears e atuam peças de María Irene Fornés e comem pêssegos. Elas deitam na grama e na pedra e falam sobre os céus sob os quais nasceram. Não acreditam, de fato, que isso faça diferença, mas é algo legal de pensar. Afinal, todo mundo sabe que o mundo está acabando. Disseram-lhes isso, e elas podem ver nas ruas, e sabem que o mundo está irreparavelmente fodido, mas, mais importante, sentem isso entre si; elas sabem que a bondade não pode durar para sempre.”] Yesterday, Tomorrow, Carmen Maria Machado

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1 comentário

  1. Conheci o trabalho da Phoebe Bridgers por meio do boygenius no final de 2018, e desde então foi uma experiência e tanto. Ela se tornou uma das minhas artistas favoritas. A profundidade das músicas, que tem um tom melancólico, que falam sobre morte, terror, finais, corações partidos, tudo em tom muito confessional, conquista de primeira, ainda mais em 2020, quando se vive a inconstância de achar que nada mais tem reparo, ou que ainda temos que reunir forças para lutar pela política e por um mundo melhor.
    O artigo ficou muito bom! Alguns detalhes sobre as músicas e a carreira eu não conheciam, e amo saber mais.
    Punisher é provavelmente o meu álbum favorito do ano depois do Folklore.