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Amor de Mãe: a telenovela como obra aberta em tempo real

Com 125 capítulos exibidos entre 2019 e 2021, a Rede Globo levou ao ar Amor de Mãe, uma telenovela curta que, por conta da pandemia, durou um ano e meio. Apresentando a história de três mães muito diferentes em uma trama que tinha como pontapé inicial o tráfico de crianças dos anos 1980 e 1990, trouxe elenco amplo e de calibre. Lurdes (Regina Casé) tem o filho vendido pelo marido no interior do Rio Grande do Norte. Após um acidente que tirou a vida do homem, ela pega os outros quatro filhos e vai para o Rio de Janeiro, para onde acredita que a criança foi levada. No fictício Bairro do Passeio, no Rio de Janeiro, Thelma (Adriana Esteves) entra num incêndio para salvar seu bebê. 25 anos depois, Vitória (Taís Araújo), uma advogada de sucesso, entrevista Lurdes para um emprego de babá para seu futuro filho adotivo. Elas ainda não sabem, mas suas vidas se entrelaçarão por conta de seus passados.

Recheada de encontros e desencontros, filhos abandonados e desaparecidos, Amor de Mãe tem sua história fundada na tentativa de resposta ao que aconteceu com tantos “menores abandonados” que povoavam não só a realidade brasileira como também as histórias fictícias das telenovela, e o futuro das mães que os perderam, os abandonaram ou os criaram. Indo em sentido oposto à proposta das telenovelas anteriores apresentadas no horário das 21h, o primeiro folhetim escrito por Manuela Dias — autora da aclamada minissérie Justiça (2016) — prometia uma trama calcada no realismo. Em entrevistas de divulgação da obra, tanto a autora quanto o diretor José Luiz Villamarim, afirmaram que a novela não teria um vilão, quem moveria as histórias seriam os próprios desencontros da vida.

Já em sua estreia, os telespectadores perceberam que não seria bem assim: Álvaro (Irandhir Santos) era um vilão bem marcado, empresário inescrupuloso e imoral, idêntico a tantos outros que já figuraram em telenovelas. Com uma tendência ecodestrutiva, se embrenhou por todas as tramas e núcleos distribuindo maldades direta ou indiretamente para todos os personagens “de bem”. Comparado nas redes sociais ao vilão Doutor Abobrinha (Pascoal da Conceição) do programa infantil Castelo Rá-Tim-Bum (1994-1997), e tendo semelhanças também com Capitão Sujo dos quadrinhos da Turma da Mônica, Álvaro era caricato em todas as suas maldades, tentando se redimir apenas pelo amor questionável que sentia por Verena (Maria) e o filho que tinha com ela.

A novela, ao final, apresentou a maioria de seus personagens de forma maniqueísta, uns mais sutilmente, outros de forma exagerada, lembrando por vezes as reviravoltas das tramas de João Emmanuel Carneiro — o que também tem sua validade, mas está longe da proposta inicial. Não fosse o grande enfoque da autora no suposto realismo do folhetim, talvez várias situações da trama passassem despercebidas pelos espectadores, ou ou fossem até mesmo louvadas como boas soluções cinematográficas. Porém, a insistência em continuar afirmando e acreditando no realismo de sua trama aumentou a confusão dos espectadores.

Existe um contrato velado entre autor e o telespectador de telenovela. Apesar de gostar de reviravoltas, o público que acompanha folhetins raramente gosta de ser traído em suas expectativas, vide a popularidade das “revistas de fofoca de novela” antigamente, e os milhares de seguidores de contas nas redes sociais que dão furos sobre o assunto hoje em dia. Essas expectativas são fundamentadas em características do gênero folhetinesco: mocinhas são mocinhas e vilões são vilões. Sim, é possível subverter esses estereótipos em certos níveis, mas a verdade é que a protagonista que tende ao lado “bom” sempre se dá bem no final, e a vilã “má” paga pelo que fez, muitas vezes com a própria vida.

Lurdes e os filhos

João Emmanuel Carneiro subverteu esses tropos em alguns pontos, apresentando ao público mocinhas e vilãs facilmente confundíveis e protagonistas que trocam de lugar durante as tramas, como em A Favorita (2010) e Avenida Brasil (2012). Porém, ao final, o público ainda assim tem sua catarse e as mocinhas triunfam.

Ao nos apresentar uma de suas vilãs como mocinha, sem dar aviso prévio algum sobre o nível de corruptela apresentado pela personagem, Manuela Dias insere em Thelma um maniqueísmo disfarçado que causa estranheza. Talvez não chegue a trair o público em seu acordo velado, mas o confunde, o que acaba alienando a audiência. Não é preciso subestimar o entendimento dos espectadores durante a trama, mas algumas convenções são necessárias para o desenrolar da história.

Thelma, completamente psicopata, inicia a trama como uma mãe controladora, mas amiga fiel. Não existe reviravolta em sua jornada, mas uma escalada crescente, fugindo cada vez mais da proposta realista do início e caindo finalmente numa trama quase surreal, em que o espectador tem de estar inserido totalmente nas loucuras da personagem para acreditar em suas maldades.

Lurdes, a personagem com dois pés muito bem fincados na emulação da vida real, que em momento algum se desinsere do cotidiano dos próprios espectadores, fica deslocada nas interações com Thelma, principalmente na última fase. Parece que as duas personagens vivem ao mesmo tempo em mundos paralelos: Thelma no das telenovelas em que tudo é possível, em que maldades não têm limites, beirando o absurdo; Lurdes calcada na realidade, vivendo sua vida como se pudesse sair da televisão e entrar pela porta da sala de quem a assiste a qualquer momento.

A terceira protagonista, Vitória, se perde no meio das duas, ficando arcos e arcos sem trama própria. Com uma abordagem inicial que lembrou a personagem Helena de Viver a Vida (2009), interpretada pela própria Taís Araújo, Vitória era mulher negra, rica, competente e muito bem empregada como “uma das melhores advogadas do país”. Após cometer muitos erros na vida antes do início de sua trajetória na novela, estava disposta a se regenerar, o que acaba a tornando, na totalidade da trama, uma personagem boa, que sofre e perde muito.

Como personagem negra, Vitória perder o emprego a ponto de ter que se virar fazendo costuras para fora é uma narrativa quase racista. A personagem, de advogada renomada a ter que fazer bicos com algo que não tem nada a ver com sua profissão, não causa apenas estranheza, mas desconforto. Ao adicionar o machismo de Vitória ter que voltar para o próprio apartamento apenas por ele ter sido comprado por seu marido milionário deixa tudo mais vazio na trajetória da personagem, que parece afirmar que para uma mulher negra se “regenerar” moralmente tem que se submeter a vários tipos de humilhações.

Vitória e Davi

Também Érica (Nanda Costa) sofre com o machismo da trama. Se envolvendo com Raul (Murilo Benício), é trocada por Vitória, e ao se envolver com Sandro (Humberto Carrão) é trocada por Betina (Ísis Valverde). Após se desinteressar pelo salão de beleza, a crescente jornada em busca da profissão de empresária musical é tolhida pela pandemia. Ela então trabalha em um bar, se envolve com o ecoativista Davi (Vladimir Brichta) e passa a tomar conta do galpão de reciclagem, vivendo em função do namorado. Apenas no último capítulo é que volta a olhar para si, só porque Verena a procura para voltar aos palcos.

Já Camila (Jéssica Ellen), sua irmã, sofreu com o racismo da novela, sendo a personagem com que aconteceram mais “desgraças” durante a exibição do folhetim. Assim como as tramas dos anos 1960, a autora não mediu esforços para fazer a personagem passar por todo e qualquer percalço cheio de fácil emoção: abandonada pela mãe biológica; apanhou da polícia; levou um tiro; sofreu um aborto; teve o útero retirado e não pode engravidar, tendo que ver a sogra que a antagonizava ser sua barriga solidária; sofreu para conseguir amamentar seu bebê; conviveu com micro agressões por parte da sogra diariamente; chorou a morte da mãe biológica pouco depois de terem se reconciliado; foi atropelada; ficou momentaneamente paraplégica; o filho ficou doente e teve que fazer uma cirurgia; chorou a morte da mãe quando Thelma forjou o assassinato de Lurdes; descobriu que casou com o próprio irmão; e teve o bebê sequestrado pela sogra. Só faltou ter sido presa injustamente para completar o bingo de desgraças de protagonistas de telenovela. Apesar de tudo, Jéssica Ellen interpretou Camila de uma forma altiva, acima dos racismos da trama, trazendo dignidade e realismo a cada fala da personagem.

Os homens negros também não foram poupados. Com um tratamento indigno, os três personagens acabaram suas jornadas através de armas de fogo: o policial Wesley (Dan Ferreira) assassinado por Belizário (Tuca Andrada) no início da trama, o chefe do crime organizado Marconi (Douglas Silva) morto a mando de Álvaro, e o advogado Lucas (Nando Brandão) “apagado” por Penha a mando do vilão.

Protagonizando pontos altos da trama, a enfermeira Betina foi ficando sem função ao longo dos capítulos. De início a personagem parecia que protagonizaria um merchandising social forte sobre violência contra a mulher, já que era abusada fisicamente pelo ex-marido. Após a morte dele, essa narrativa foi deixada de lado por outra: a moça descobriu ser irmã de Álvaro e consequentemente também herdeira da empresa PWA. Talvez a fala mais forte da novela tenha sido proferida nesse momento.

“Só porque sou boazinha, uma menina boa, eu gosto de ser pobre? Não gosto de ser pobre não. Não gosto de ser pobre! Gente boa também gosta de pagar conta no final de mês, tá?”

É o que ela diz à mãe quando essa tenta a impedir de ir contra Álvaro e reivindicar o que era seu por direito. A narrativa ascendente de Betina como empresária de sucesso logo é preterida por um romance sem sal com Sandro, que também havia descoberto recentemente ser herdeiro de Raul. Depois disso, com a chegada da pandemia na novela, Betina volta ao hospital, pega Covid, fica à beira da morte; mas acaba bem, vendendo suas ações da PWA para Raul e se desligando da empresa, virando patrocinadora da amiga e tenista Marina (Érika Januza) e tendo um filho com Sandro.

Betina

É exatamente no merchandising social que a novela mais pecou. Com um núcleo confuso de um ativista ecológico que se envolve com ecoterroristas, a rejeição por parte do público do personagem de Davi e dos jovens que o cercavam levou ao extermínio em massa deles. Vinicius (Antonio Benício) e Amanda (Camila Márdila) ambos foram assassinados no decorrer da trama, suas mortes praticamente em vão escancarando os vários equívocos de abordagem do assunto durante os capítulos.

Já Davi, após as diversas ameaças e tentativas de assassinato, termina a novela fazendo um discurso na ONU, porém sem muita clareza de objetivo e sem denúncia de pautas reais. Abordando diversos eventos reais de outras pautas que ocorreram durante esse ano e meio da novela, Davi como ativista ecológico não proferir uma fala sequer sobre os incêndios criminosos que destruíram boa parte do ecossistema do Pantanal justamente enquanto a novela era gravada e ia ao ar acaba por denotar a trama fantasiosa a qual o personagem pertencia, um núcleo que tenta se fazer relevante, mas que ao final acaba sem impacto algum no dia a dia do brasileiro.

A exposição do movimento dos secundaristas de 2015 que ocorreu no estado de São Paulo foi uma amarração interessante da trama com a realidade. Porém, o equívoco de colocar Camila, uma professora, como cabeça do movimento ficcional confunde os espectadores quanto ao que ocorreu na realidade. Em 2015, o movimento foi em sua totalidade organizado pelos alunos, sem líder algum, muito menos adultos. Professores e pais apoiaram os alunos, mas nenhum deles tomou a frente ou falou pelos jovens durante e após as ocupações.

Camila também protagonizou outro equívoco no enredo: o da paraplegia como história de superação e demonstração de “força” da personagem. PcDs (Pessoas com Deficiência) convivem com essas características de forma corriqueira. Colocar essa condição de vida como superação dramática é capacitista, desnormalizando as diferenças na vida de milhares de brasileiros que convivem com essas dificuldades de integração na sociedade diariamente, além do preconceito enraizado socialmente.

Foi Vitória quem, apressadamente, se envolveu com dois assuntos que, se muito comentados pelos espectadores, também apresentaram falhas, mais pela pressa em tratá-los de forma correta do que pela abordagem. Vitória, que ficou capítulos e mais capítulos sem história alguma, recebeu, na semana final, dois enredos de merchandising social: o do aumento da violência doméstica na pandemia e o da volta da mãe biológica.

Vitória e Tiago

É uma estatística alarmante que com a pandemia e os isolamentos sociais a violência doméstica tenha aumentado de forma gritante, não apenas no Brasil como no mundo. Campanhas circularam pela internet para alertar sobre sinais apresentados por vítimas dessa violência. O X vermelho marcado na mão é uma das principais formas de comunicar que se está sendo vítima de violências e o tempo é essencial para afastar as vítimas de seus agressores. Vitória, porém, resolve todos os casos de violência que chegam até ela de forma pacífica, até mesmo confrontando o abusador de uma das vítimas.

No penúltimo capítulo, Vitória tem mais uma trama inserida em sua narrativa. A mãe biológica de Tiago (Pedro Guilherme Rodrigues) o procura. Emocionalmente instigante, o arco interessa pelo espelhamento da história que Vitória apresentou anteriormente no folhetim sendo uma jovem mãe que também teve de doar seu filho, o recuperando décadas mais tarde. Porém, oposto ao processo legal de adoção de Tiago, Sandro foi mais uma criança abandonada da novela. Ele, Camila e Danilo passaram pela chamada adoção “à brasileira”, quando uma mãe pega uma criança para criar, sem passar pelos trâmites legais das varas e juizados. Diferente desse tipo de adoção, a adoção legal corre em segredo de justiça, preservando a identidade dos pais adotivos. Após a adoção finalizada, parentes biológicos não têm direito legal algum sob a criança, muito menos podem procurá-la, e se ocorre é por uma falha jurídica passível de processo.

A grande característica do gênero telenovela é que o enredo é um reflexo do tempo e espaço (zeitergeist) em que o folhetim é exibido, se ligando diretamente aos acontecimentos da narrativa. Ao mesmo tempo, tem também a necessidade de ser atemporal. As grandes telenovelas brasileiras baseiam seu sucesso nessa qualidade e os grandes autores conseguiram atingir esse ponto com maestria (Gilberto Braga com Vale Tudo, as Helenas de Manoel Carlos, Glória Perez e seu O Clone). Em seu primeiro folhetim, a autora Manuela Dias consegue esse êxito, mesmo que com altos e baixos.

Amor de Mãe é atemporal ao abordar as relações diversas entre mães e filhos, dos personagens principais aos figurantes; e é também ancorada em 2020 ao colocar o grande vilão da trama como um empresário capitalista anti-ecológico, que destrói tudo e todos à sua volta em nome de dinheiro. Porém, não foge dos clichês gastos do folhetim, abusando exaustivamente, por exemplo, de sequestros (ao todo foram quatro durante a trama: Marconi sequestrou Betina e Lurdes, e Thelma sequestrou Lurdes e o bebê Caio).

É apressada também a abordagem LGBTQA da narrativa. Ao ter apenas dois personagens-figurantes gays durante toda a trama — Miguel (Giulio Lopes), o pai de Davi e melhor amigo de Lídia (Malu Galli, divertidíssima em cena e um dos pontos altos da trama) e Felipe (Raphael Logam), professor que substitui Camila na licença maternidade —, a autora tentou consertar o equívoco com um casal de mulheres bissexuais no último momento. Apesar do desenvolvimento apressado e das conotações moralmente ambíguas, Penha (Clarissa Pinheiro) e Leila (Arieta Corrêa) caíram nas graças do público e terminaram a novela juntas, com direito a vários beijos em cena. Uma evolução gritante para um país que mostrava seu primeiro beijo gay explícito no mesmo horário apenas sete anos atrás.

Impossível negar a emoção que a novela proporcionou com Chay Suede como Danilo, que iniciou a trama com um tipo tímido, quase apagado, crescendo e ganhando destaque até terminá-la como protagonista, descobrindo ser Domênico, o filho perdido de Lurdes. As cenas junto com Regina Casé e Adriana Esteves o colocam no mesmo patamar das atrizes consagradas, elevando não só o personagem como também o ator a um marco de historicidade. São os três que colocam Amor de Mãe na lista das grandes telenovelas brasileiras.

Lurdes e Danilo

Manuela Dias conseguiu um feito inédito que poucos ou quase nenhum autor conseguiu em vida: abordar um evento histórico enquanto esse evento ocorre. Se equiparando à vida real, os personagens continuaram a viver seus cotidianos dentro do contexto da pandemia de Covid-19, mas se adaptando a uma nova realidade. A autora conseguiu dar um ar de leveza ao assunto que outros que tentaram e não conseguiram, colocando situações inusitadas e engraçadas para ilustrar o momento.

Na contramão do drama abordado por outros autores internacionais que também inseriram a pandemia em suas tramas, Manuela Dias acaba abordando o isolamento, as higienizações e as máscaras de forma leve, mostrando a realidade brasileira durante de um jeito que dialoga não com o desespero governamental, mas sim com a esperança. Sem ignorar a quantidade de mortes, preferiu dar ênfase ao bom humor das situações.

O texto tratou a pandemia de forma natural, quase banal, e talvez por isso tenha se equivocado, errando por diversas vezes, dando um peso menor à doença do que ela realmente tem. Com isso trouxe desinformação e confusão, mais um item na lista de merchandising sociais equivocados. A pandemia enxugou personagens figurantes do elenco, mas além de Betina não teve impacto real em nenhuma das tramas, centrais ou secundárias. Adicionando a isso as desinformações de higienizações, uso de máscaras e recontaminação, a pandemia dentro do folhetim ficou mais como documento histórico do que realmente inserida na trama.

Uma novela ambígua que dividiu opiniões, teve unanimidade nos elogios à direção e fotografia. José Luiz Villamarim se cercou de diretores de núcleo que vieram do cinema (como Walter Carvalho, Philippe Barcinski e Isabella Teixeira, todos figurantes nas chamadas de vídeo da PWA), trazendo assim um jogo de câmera mais dinâmico para a novela. Os ângulos e as tomadas enchem os olhos e casam com os bons diálogos do folhetim, união perfeita também com a trilha sonora assinada por Marcel Klemm e por Villamarim, com destaque para a marcante canção “Onde Estará o Meu Amor?” composta por Chico César, mas gravada e marcada na voz de Maria Bethânia, tema de Lurdes e sua busca pelo filho Domênico (curiosamente foi um espectador que sugeriu a canção antes do início da novela nas redes sociais de Regina Casé).

Manuela Dias tem, acima de tudo, um jeito único de escrever roteiros e diálogos, de forma natural e real, e esse foi o grande atrativo de Amor de Mãe. Seus diálogos se equiparam aos de Manoel Carlos e Lícia Manzo, porém, deixou a desejar com uma construção de narrativas aleatórias, com tramas frágeis que não evoluíram naturalmente (é só observar as diversas trocas forçadas e desnecessárias de casais durante os arcos). Apesar disso, sua Dona Lurdes e a busca pelo filho desaparecido, esforço em conjunto com Regina Casé e a equipe de direção, marcou e emocionou como personagem complexo e real, o grande trunfo que coloca Amor de Mãe como um dos marcos da telenovela brasileira e exemplo perfeito do funcionamento de uma obra aberta em tempo real.

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