LITERATURA

Vou Te Contar Por Que Estou Solteira: amizades femininas e relacionamentos

Foi somente por um acaso do destino que conheci a Simone Lemos, autora do livro Vou Te Contar Por Que Estou Solteira. Meu namorado pegou um voo para Nova York e acabou sentando ao lado dela e, depois de um papo, reconheceram que eram brasileiros indo para o mesmo destino; ela já morava em Nova Jersey e havia vindo ao Brasil visitar a família. Muito querida, ela ofereceu carona para ele até uma estação de metrô próxima quando chegaram no aeroporto JFK, mas desde então nunca mais se falaram. Até que ela lançou um livro e quando ele ficou sabendo, pediu uma cópia autografada para mim visto que ele sabia que eu adorava YA e livros sobre relacionamentos.

Quando o livro chegou em casa e eu peguei para, enfim, ler, fiquei com dois sentimentos muito fortes pela história, um no início dele e outro quando terminei.

Aviso: este texto contém spoilers!

O livro fala sobre a história de Maitê, uma mulher solteira que chegou aos 30 anos e está ficando “para trás” na busca por um marido. Ao me dar conta de que a narrativa seria sobre uma mulher que é bem sucedida, bonita, independente e que estava apaixonada pelo colega de trabalho de forma bizarra fiquei com o pé atrás. Continuar uma leitura em que eu me irritaria com um pensamento retrógrado e muito machista da parte da protagonista que acreditava que só seria feliz depois de casar me deixou nos nervos.

Mas eu continuei a leitura, dando uma chance para o caso da querida Maitê. Ela passa basicamente a história toda correndo atrás de Leo, seu colega de trabalho, que só dá a mínima para ela na hora em que quer dar uma “escapadinha”, traindo a namorada. Mesmo sabendo que o moço era comprometido, Maitê continuava lendo livros de autoajuda que ensinavam como fisgar o macho da sua vida. Muitas confusões, desentendimentos, ela se sentindo feliz quando ele ligava e se vendo chorando no sofá, sozinha, quando ele nem mandava uma mensagem. Até que somos apresentados às amigas dela e, então, a história começa a fazer muito mais sentido.

Maitê tem colegas de trabalho que são suas confidentes diárias mas, na verdade, ela se orgulha de sua amizade desde a escola com Angélica e Babi. Ambas mulheres profissionais de sucesso, independentes. Uma com um namorado que não a pede em casamento, e a outra querendo se mudar para a casa do amado. São tão pra frente que ambas resolvem suas situações com os queridos até o fim do livro e dá orgulho de ver suas atitudes! Mas independente da situação amorosa delas, o que me prende aqui é na sororidade entre elas. São amigas de verdade, de dizer umas poucas e boas na cara uma da outra, afinal, não querem que nenhuma delas sofra. E as amigas são a salvação de Maitê quando a fazem perceber que ler livros de autoajuda, ou ser a segunda opção na vida de Léo, não era nada do que ela merecia.

A sororidade é a união entre mulheres, é o princípio de que a outra menina sempre será sua aliada e amiga, e nunca inimiga. Pode passar muito despercebido nas nossas vidas, mas é mais comum do que se imagina sermos colocadas umas contra as outras, principalmente por conta de tantos péssimos exemplos da cultura pop. Passamos por momentos assim, de mulher contra mulher, quase diariamente e não notamos o quanto isso é uma ação machista. Por isso, com uma maior explicação e apresentação do que sororidade é para as pessoas, fica mais fácil de praticar novas ideias e atitudes com as manas.

Mulher que ajuda mulher está combatendo quem não acredita na igualdade que todos merecem e isso só facilita ainda mais para sermos deixadas para trás por homem que acha que mulher deve ser quem espera e não quem executa. E amizades femininas podem ser muito delicadas se as participantes não forem empaticas e compreenssivas com suas amigas. Afinal, o que mais se vê em novela é uma mulher querendo roubar marido da outra, uma mentindo para outra, uma amiga que diz que ama a colega e está falando mal dela pelas costas. Isso está muito errado gente! Onde já se viu ter esse pensamento?

Mas sim, tivemos ele por muito tempo e está mais do que na hora de virarmos esse jogo.

Ter uma amiga de verdade é saber que você pode contar com essa pessoa para o que você precisar, seja um colo em dia de tpm ou um toque quando se está indo pro caminho errado. Amiga de verdade é quem quer o seu bem e que te ajuda a realizar o que você quer, que está perto ou longe, mas que está do “seu lado”. Portanto, no caso da Maitê, a Angélica e a Babi são amigas de verdade sim. Não é porque elas disseram umas verdades pra ela que isso carateriza sororidade, mas também porque elas estavam do lado da Maitê quando ela precisava, seja pra dar pitacos ou pra consolar. Foram pessoas que quiseram muito o bem dela e por isso não descansaram até que a fizeram ver que o relacionamento com Leo não era o melhor para ela. Já diferente das colegas de trabalho, em que Vívian quer roubar as pautas de Maitê para aparecer na capa. Entenderam a diferença entre amizade feminina e falta de sororidade na sociedade? Sororidade é a união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum.

Mas como tudo na vida, a pessoa tem que se ligar sozinha das burradas, né? Por isso, depois de tirar o Léo da cabeça e entender que ele era só um joguinho para ela também, Maitê compreende, enfim, que a pessoa mais importante na vida dela é ela mesma. Que ela que deve estar feliz com sua própria companhia e que o amor é algo que simplesmente acontece, que não adianta premeditar todos os passos. Tanto que Maitê conhece alguém bem interessante no lugar que menos imaginou ser uma oportunidade pra achar um namorado!

Acabei a leitura muito leve e vendo o quão importante é ter pessoas positivas ao nosso redor, como existe, sim, sororidade e como quem manda na nossa vida é a gente mesmo! Dá sim para desconstruir pensamentos antigos e quadrados, afinal, lugar de mulher é onde ela quiser e com quem quiser!

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