LITERATURA

Sarah Andersen: Ninguém Vira Adulto de Verdade

Talvez você não esteja ligando o nome à pessoa, mas com certeza já viu uma das inspiradas tirinhas de Sarah Andersen rolando pela internet. No Facebook, no Twitter ou no Tumblr, alguém certamente já compartilhou uma das obras de Sarah com muitos pontos de exclamação precedendo uma frase como “Isso é TÃO eu” ou “#minhavida”. E essa é a magia dos quadrinhos de Sarah: com muito bom humor, um traço inspirado e boas doses de sarcasmo, a cartunista consegue captar situações do cotidiano de qualquer mulher e ainda fazer graça com isso.

Sarah Andersen é uma cartunista e ilustradora de 24 anos vivendo no Brooklyn, em Nova Iorque. Graduada em 2014 pelo MICA – Maryland Institute College of Art –, ela começou a desenhar tirinhas (quase) autobiográficas, inspirada em sua rotina e na de seus amigos conseguindo, assim, se basear em situações banais e tirar delas humor e identificação imediata. No trabalho, em um dia particularmente tedioso, Sarah começou a rabiscar sua primeira tirinha usando o Paint (sim, aquele programinha simples quem tem em todo computador e que a gente adorava brincar quando criança!) e a publicou em sua conta no Tumblr sem imaginar, nem por um segundo, que seu desenho receberia alguma atenção. Ao notar que as pessoas estavam realmente gostando de seus tirinhas, Sarah decidiu se esforçar para fazer aquilo dar certo – e ela não poderia ter sido mais exata em sua intuição.

Criando uma rotina de publicações de seu trabalho, originalmente batizado de Doodle Time, Sarah passou a receber atenção de grandes blogs norte-americanos que começaram a republicar os desenhos com os devidos créditos. As tirinhas de Sarah fizeram tanto sucesso no mundo online – a página dela no Facebook, por exemplo, já tem mais de 2 milhão de curtidas – que logo atraiu o olhar de uma editora que, fazendo uma compilação de algumas de suas melhores histórias, editou e publicou o primeiro livro da autora, o AduIthood is a Myth, lançado no Brasil pela Editora Seguinte sob o título Ninguém Vira AduIto de Verdade.

Em Ninguém Vira AduIto de Verdade, podemos ler um compilado das melhores histórias de Sarah, sempre protagonizadas por seu alter ego cartunesco e seu inseparável amigo, um coelho fofo muito cético e sarcástico. Os temas das tirinhas vão desde registros de finais de semana de pernas pro ar, à deriva na internet, a primeiros encontros esquisitos – como segurar nas mãos de quem a gente gosta sem ficar com medo dos dedos ficarem suados?! Algumas histórias evocam aquela ânsia diária pelo final do expediente e o momento em que se chega em casa, veste um pijama e se enrola confortavelmente na cama, enquanto outras fazem graça sobre o mito de que os sutiãs (praticamente) nunca são lavados.

O fato é que Sarah consegue captar todas as nuances da vida de uma jovem mulher, uma millennial, e desenhá-las com pitadas de diversão e reflexão. Sua série de tirinhas que faz grande sucesso entre os fãs é, justamente, aquela que trata da menstruação e seus desdobramentos na vida de uma mulher. Sabe aquele momento em que você tem um final de semana incrível planejado com direito a muito sol e mar e é justamente nesse instante que seu útero, praticamente sem aviso, começa a tramar para adiantar sua menstruação e atrapalhar seus planos? Sarah tem uma tirinha sobre isso. Ou aquele outro momento em que você começa a sentir suas emoções completamente fora de sintonia sem motivo aparente e é seu útero, de novo, fazendo o serviço a qual ele foi destinado? Sarah também tem uma tirinha sobre isso! Praticamente toda situação pela qual uma jovem mulher do século XXI passou já foi documentada por Sarah com seu estilo simples, divertido e honesto, sempre acompanhado de sua adorável protagonista – que, para a autora, também se chama Sarah, mas pode ser eu, você, sua irmã ou amiga por conta da grande identificação sentida com cada um dos quadrinhos.

Ninguém Vira AduIto de Verdade, é um relato da vida como ela é, com suas pequenas vitórias e grandes crises existenciais, com a pressão de ser bem sucedida e a vontade enorme de procrastinar, é tentar engatar um relacionamento amoroso sendo extremamente introvertida, é ficar feliz por ter conseguido arrumar o apartamento e ter lavado toda a louça. As tirinhas de Sarah Andersen conversam com a gente em um nível cósmico pois, ao mesmo tempo em que são engraçadas e divertidas, também são extremamente reais e possuem aquele humor autodepreciativo com o qual nós, jovens adultas do século XXI, estamos tão acostumadas. De acordo com a própria contracapa do livro, em sua versão brasileira, Ninguém Vira AduIto de Verdade é sobre as estranhezas e peculiaridades de ser um jovem adulto enquanto lidamos com autoestima, timidez e a quantidade de caderninhos que podemos acumular em uma vida.

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2 Comentários

  • Responda
    Ana Beatriz
    15 de abril de 2017 at 21:38

    Eu assisti um vídeo ontem mesmo no Youtube da Nath Araújo mostrando esse livro da Sarah e dizendo que tinha sido uma grande inspiração pra ela. Fiquei com uma vontade enorme de ler. Realmente, dá pra se identificar com tudo nas artes dela! Eu tenho apenas 18 anos, e nos últimos dois meses ingressei no meu primeiro emprego, e pela primeira vez, me senti um pouquinho adulta. E já aconteceu cada coisa engraçada (e doída) sobre conhecer um pedaço, mesmo que pequeno, do mundo adulto, que olha…

    • Responda
      Thay
      16 de abril de 2017 at 13:59

      Difícil é passar por uma tirinha da Sarah sem se identificar, principalmente quando entramos nesse ~mundo adulto~! Obrigada pelo comentário! 🙂

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