COLABORAÇÃO MÚSICA

Por que amamos Nirvana e odiamos Hole?

“Se você é racista, sexista, homofóbico ou basicamente um babaca, não compre esse CD. Não me importo se você gosta de mim, eu te odeio pra caralho”, escreveu Kurt Cobain no encarte do terceiro e último disco de estúdio do Nirvana, In Utero.

É irônico que, após o suicídio do cantor, boa parte dos fãs tenha se unido em uma milícia para assediar sua esposa, Courtney Love, e atribuir a ela, direta ou indiretamente, a morte de Cobain. Na verdade, o desgosto com os fãs que tinha foi um dos principais fatores a alimentar a depressão de Kurt. Se é possível atribuir uma responsabilidade a alguém além do próprio Cobain, o sangue está nas mãos do fã-clube do Nirvana, e não de Courtney Love, a vocalista, guitarrista e compositora do Hole.

O sucesso do Nirvana não pode ser atribuído aos discursos contra o racismo de Kurt Cobain ou por ele ter feito shows beneficentes para a causa feminista, mas sim ao fato de que, no fim das contas, era uma banda formada por três garotos brancos e raivosos. Era a fúria do Nirvana que tornava a banda atraente para meninos adolescentes, e que convergia tão bem com todos os estereótipos masculinos que adoram celebrar. Até mesmo o gosto de Cobain por se vestir com roupas femininas pode ser facilmente interpretado – e provavelmente foi – não como desconstrução dos papéis de gênero, mas como um deboche de tudo que é feminino.

Courtney Love empunhando uma guitarra é minha imagem de papel de parede no computador e no celular, e frequentemente recebo olhares de desgosto dos homens que reparam nisso. São fãs de Nirvana, mas não conseguem “entender” o Hole. “Ela não sabe cantar” é um dos argumentos mais utilizados pelos críticos de YouTube e pelos rapazes com quem esbarro fora do mundo virtual. Courtney Love canta num estilo extremamente similar ao de Cobain, mas aparentemente apenas uma voz masculina é capaz de atender ao crivo estético do grunge. Por quê?

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Para uma mulher ser celebrada é indispensável ser bela, mas algumas emoções, como a raiva, têm o inconveniente de nos tornar feias. Uma artista que deseja sobreviver na indústria musical deve caminhar se equilibrando na corda bamba entre ser apenas um rostinho bonito ou um monstro histérico, ambas categorias deploráveis aos olhos da crítica e do público. Love se recusou a extirpar de si mesma seu mundo emocional. Em vez disso, ela o utilizou como catalisador para a sua arte, expondo-o em letras pessoais, se atirando em meio a um público que rasgava suas roupas e a molestava (experiência que descreve na canção Asking For It), e simulando suicídio no palco após a morte do marido.

Cobain se matou sete dias antes do lançamento do segundo disco do Hole, Live Through This, e Love teve que lidar com o luto durante a turnê da banda. Courtney, como definiu a si mesma, foi a anti-Jackie O. Os fãs de Nirvana que já a desprezavam por ciúmes agora a odeiam por não ter morrido junto com Cobain. Num mundo que exige o amor como resignação e o sacrifício, que Love tenha sobrevivido é a grande exasperação dos viúvos de Kurt.

Se o masculino é universal, a raiva de Kurt Cobain ganha o mundo, enquanto à raiva de Courtney Love sobra apenas o nicho. Quem chama Hole de “música de menina” sempre o faz com um tom de desprezo.

As letras de Cobain eram vagas o suficiente para serem distorcidas – como Polly, que foi cantada por dois fãs de Nirvana enquanto estupravam uma menina, ou Rape me, que qualquer menino de 16 anos adora urrar por achar que estupro é engraçado, divertido ou excitante. As de Courtney, porém, foram sempre enfaticamente diretas. As letra de Hole falam sobre ser mulher, e não é, ao contrário do que se diz sobre feminilidade, uma experiência bonita.

O sexo é uma experiência degradante e que a deixa insatisfeita, o amor redime com a mesma facilidade que humilha, a competição feminina a impede de se conectar com outras mulheres. A gravidez não é um sonho agradável de algodão-doce: “Diziam que eu estava madura, mas eu vomitava o tempo todo”, berra em Plump. Maternidade, abuso sexual, incesto, estupro, abandono, culpa, distúrbios alimentares. Hole expôs aquilo que sempre tentaram nos esconder sobre ser mulher, enquanto nos enganavam acenando um mundo cor-de-rosa de amor, fragilidade e doçura.

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Courtney não é perfeita. Seu comportamento emula o de vários rockstars: dependência química, declarações racistas e misóginas, desavenças com a filha, intrigas com outros famosos, violência física – ela já socou Kathleen Hanna, vocalista do Bikini Kill. A questão é que, por ser mulher, esses comportamentos são apontados para condená-la e questionar sua capacidade artística, sendo que a mesma atitude alça músicos a um status mítico, como aconteceu com Axl Rose, Ozzy Osbourne e Jimmy Page. Qualquer rapaz numa banda medíocre de hard rock consegue se safar incólume de uma acusação de estupro, enquanto o simples ato natural de envelhecer é o suficiente para levar uma artista feminina ao ostracismo.

Ben Hewitt, no site The Quietus, escreveu um ensaio buscando provar que Courtney e Cobain eram equivalentes em termos de talento como compositores, mas o que proponho aqui é mais: Courtney era melhor do que Cobain. O fato de que ela sabia disso, e que terá que carregar por toda a vida a alcunha de “esposa de Kurt Cobain”, é a sua tragédia como artista.

Já ouvimos falar demais sobre como Courtney Love arruinou o Nirvana. Chegou a hora de começarmos a falar sobre como o Nirvana arruinou Courtney Love.

Texto por Amanda do blog Deixa de Banca.
Estudante de jornalismo, ex-fã de hard rock, ex-directioner e ex-adepta de ketchup no miojo. Quero que cada garota no mundo pegue um teclado e comece a digitar.

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50 Comentários

  • Responda
    Lívia
    12 de maio de 2016 at 10:02

    Sabe, eu não conhecia esse outro lado do Nirvana e do Kurt em si. CUrto algumas músicas dele, mas não sabia disso dos shows pela causa feminista, por exemplo.
    Gostei demais do texto e da reflexão e já vou lá conhecer o blog da Amanda.
    Beijo, meninada!

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    Amanda K.
    12 de maio de 2016 at 15:01

    MEU DEUS DO CÉU. Obrigada por ter escrito esse texto. Era uma desconstrução que, como fã de Nirvana, eu realmente precisava ouvir ( ou ler, no caso). SÉRIO MENINA, você fez um texto muito ótimo e que deveria ser espalhado e compartilhado em todos os cantos.
    BEIJOS <3

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    Paulo Victor
    12 de maio de 2016 at 16:27

    Eu amo muito as duas bandas, mas sempre gostei mais das letras do Hole. É muito escroto ver a Love sendo atacada e reduzida a “viúva do Kurt” quando ela sempre mereceu tanto mérito artístico quanto ele.

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    Marcella
    12 de maio de 2016 at 16:53

    Só posso te agradecer por este texto, Amanda. Mesmo.

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    Marcela
    12 de maio de 2016 at 17:31

    Dei até uma choradinha com esse texto, eu não sei nem explicar o quanto significa. Obrigada <3

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    Breno
    12 de maio de 2016 at 17:41

    foda… bela materia

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    Lali
    12 de maio de 2016 at 18:01

    QUE TEXTO! Obrigada por isso!

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    Mary Travain
    12 de maio de 2016 at 18:09

    EU TE AMO! Tudo que eu precisava ler hoje.

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    Leo
    12 de maio de 2016 at 18:13

    Eu gosto muito de Hole, mas esse texto fez umas comparações bem nada com nada. Falar que o Kurt usava suas ações anti racismo, moral critã e a favor do feminismo como deboche das causas é burrice e desconhecimento, ele sempre teve essas atitudes, mesmo antes do Nirvana ou antes do sucesso.

    Rape me e Polly são absurdamente explicitas. Eu nunca vi um caso de distorção como foi citado, ambas sobre o terror da violência sofrida por mulheres.

    Nirvana e Kurt fizeram mais sucesso que Courtney e Hole não tem nada a ver com ela ser mulher ou algo parecido. Simplesmente o Nirvana foi uma das maiores bandas da história, melhor que 90% delas, sejam formadas por homens, mulheres, gays, ateus, negros, brancos e etc.

    Tmb não acho que a Courtney é desprezada por ser uma porra louca do rock, muito pelo contrário, acho que grande parte do fascinio por ela é com isso tmb.

    Courtney simplesmente não tem o talento (apesar de ser talentosa) do Kurt (que compos vários dos melhores momentos dos discos dela) e isso não é vergonha, muita gente não tem, a maioria na verdade, não que essas situações do texto não possam ocorrer, mas achei meio forçado

    • Responda
      Deixa de Banca
      12 de maio de 2016 at 19:24

      Leo, eu não disse que ele usava essas ações como deboche das causas, eu disse que ele fez sucesso apesar de defender essas causas, e não por causa delas. A única parte que eu falei sobre deboche foi quando me referi ao fato de ele usar roupas femininas às vezes, e que isso poderia ser interpretado pelas pessoas como uma piada, embora não fosse essa a intenção do Kurt. Inclusive num comentário aqui do texto temos um fã de Nirvana argumentando que Kurt se vestia de mulher para representar o declínio do grunge.

      Kurt não compôs canção nenhuma pra disco algum da Courtney. O único caso até onde sei foi que ele deu Old Age para a Courtney e ela fez várias modificações na música e na letra, e a canção nem foi lançado no álbum Live through this. Todas as músicas do Live through this foram compostas pelos membros do Hole, com exceção de Credit in the straight world que é um cover.

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        Jessica Froehlich
        13 de maio de 2016 at 12:15

        Old Age, por exemplo, é a maior prova que Courtney compunha melhor que Kurt. Compare a letra do Hole (que em comum só tem o Old Age) com a do Nirvana e veja.
        Além disso, óbvio que um casal de músicos troca dicas. Uma coisa que os viuvinhos do Kurt não falam é que IN UTERO ERA O NOME DE UM POEMA DA COURTNEY.

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          Aprendiz
          13 de maio de 2016 at 15:59

          Isso de o Kurt Cobain ter composto músicas para a Courtney Love é um mito absurdo. Como disse a autora do texto, o estilo das letras dos dois é muitíssimo diferente. As letras de Cortney Love se referem de uma tal maneira ao universo feminino, tão peculiar e mesmo pessoal, e Kurt Cobain nunca fez nada parecido, e provavelmente nunca poderia fazê-lo. É uma acusação, além de obviamente machista, muito ridícula e tola.

          Agora, quanto a comparar as letras de “Old Age”, vale lembrar que Cobain nunca chegou a de fato terminar a música, que sempre teve apenas letras esboçadas com o Nirvana, e a deu para Love justamente porque desistiu dela.

      • Responda
        Aprendiz
        13 de maio de 2016 at 16:21

        Se o fato de Kurt Cobain se vestir de mulher era interpretado como deboche ao feminino, eu não saberia dizer, mas acho muito improvável, porque a postura pró-feminismo, digamos assim, dele sempre foi bastante evidente.
        Eu acho que estaria mais para um certo tipo de desconstrução de gênero sim, porque Cobain detestava e publicamente desprezava o tipo “machão” (inclusive em algumas letras suas), e todo aquele rock “macho” que até então dominava antes da ascensão do Nirvana e do grunge, que chamavam de “cock rock”…

        E eu concordo com a pessoa que disse que as músicas “Polly” e “Rape Me”, são bem explícitas para serem distorcidas da maneira como foi citado no texto. Bom, pelo menos para falantes do inglês (já que aqui a maioria das pessoas não parece perceber sobre o que a letra de Polly seja, pois frequentemente zombam do primeiro verso da música, numa clara ignorância). Penso que o caso do estupro em que cantaram Polly provavelmente foi uma distorção deliberada, e não algo que a letra desse margem. E quanto a Rape Me, embora talvez menos “explícita” que a primeira, desde o inicio teve uma interpretação de um “estupro metafórico” sofrido por Kurt por parte da imprensa, e ele mesmo declarou que era uma “canção anti-estupro”…

      • Responda
        João Valentim
        14 de maio de 2016 at 01:59

        Concordo completamente com o Léo..só li absurdos aqui… dizer que Hole só não foi considerado melhor que Nirvana porque Hole era uma banda feminina é de uma ignorância musical tão absurda que chega a doer nos ossos, e ver gente emocionada com esse texto chega a ser triste… no mesmo texto diz que ela mesmo tinha discursos racistas…coisa deprimente que nem sabia dessa cantora… mesmo assim só porque ela é mulher é enaltecida no texto, Nirvana influenciou toda uma geração é de qualidade inegável, enquanto Hole na minha opinião tá longe demais de ser algo de minima expressão, pode até ter gente que goste… com certeza poucas… e as que gostam tenho certeza conheceu essa banda foi porque a vocalista era realmente namorada do cara…. pra mim não tem nenhum valor musical. O que mais chamava atenção era justamente ela ser drogada e maluca, o que no texto fala o contrario. E caramba, tem tantas mulheres geniais e idolatradas, tão doidas ou mais que ela, janis Joplin , Amy, Elis, porra fica feio querer ganhar tudo levantando bandeira de feminismo. Entendo todo o sofrimento do genero, mas jogar tuuuddoooo pra esse lado…. só desmerece a mulher em vez de mostrar que as mulheres são iguais ou até melhores coisa que acredito sinceramente… agora andar com esse tampão nos olhos deve ser muito ruim.

    • Responda
      Josie
      17 de maio de 2017 at 20:13

      Acho, só acho que o senhorito entendeu errado. Ela escreveu que os adolescente interpretavam isso como deboche, não que ela acha que foi deboche. “Era a fúria do Nirvana que tornava a banda atraente para meninos adolescentes, e que convergia tão bem com todos os estereótipos masculinos que adoram celebrar. Até mesmo o gosto de Cobain por se vestir com roupas femininas pode ser facilmente interpretado – e provavelmente foi – não como desconstrução dos papéis de gênero, mas como um deboche de tudo que é feminino”
      .

  • Responda
    Marco
    12 de maio de 2016 at 18:21

    Kurt vestia roupa de mulheres satirizando as bandas de Hard Rock…

    No período de transição do Hard Rock pro Grunge, as bandas de Hard Rock estavam começando a usar de forma exagerada maquiagens e vestindo-se com roupas de mulheres.

    Muitos afirmam que esse período este gênero musical estava entrando em declínio e foi o melhor momento pra surgir algo novo.

    Quando o Nirvana estourou, os dois primeiros anos começaram a aparecer um bocado de bandas parecidas, que se vestiam igual, e tentavam copiar a fórmula… Aí Kurt viu que as coisas estavam muito forçadas e que a essência do “Som de Seattle” estava se perdendo.

    Por isso vestiu em algumas apresentações com roupas femininas e maquiagem, algo mandando a mensagem: “O Grunge está em declínio”.

    E tornou-se um motivo que o Nirvana quis que o sucessor do Nevermind tivesse uma sonoridade que remetesse ao Bleach. E aí contratou um sujeito muito bom o suficiente para que fizesse que o In Utero soasse mais sujo.

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    Friday
    12 de maio de 2016 at 19:17

    Nossa, esse texto era tudo que precisar ler depois de um dia como esse! Tenho pena de quem não procurou saber do potencial talento da Love assim como de como ela cooperou com o Kurt e vice versa, mas enfim, amo esses dois! <3

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    KamOn
    12 de maio de 2016 at 20:22

    Texto bem interessante, parabéns 😀

    Como fã do Nirvana, acho meio triste essa parcela de fãs que atacam até hoje a Courtney de forma misógina e irresponsável, indo contra todos os princípios do Kurt (e sendo justamente o tipo de coisa que ele abominava).

    Como sugestão, seria interessante vocês falarem sobre a Kim Gordon, baixista do lendário Sonic Youth, outro grande ícone feminino do rock e contemporânea da Courtney 😀

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    Niander
    12 de maio de 2016 at 20:48

    Muito bom ler isso. Sou guitarrista amo o Celebrity Skin e sempre rolava alguma dúvida quanto ao meu gosto por música quando falava isso para outros caras. Sempre defendi essa ideia que você pôs no texto, pra cada Ozzy Osborne, Nikki Sixx e Iggy Pop fazendo as mesmas coisas que ela e sendo endeusados por isso temos a Courtney sendo criticada pelo mesmo tipo de comportamento. A maioria dos meus ídolos do rock são uns cuzões, mas uma coisa é sua obra e outra coisa é sua vida pessoal, para Courtney parece que tudo se baseia em ataques pessoais. Sempre tem alguém pra duvidar da capacidade dela dizendo que fulano ou ciclano escreveu ou ajudou na composição de algo, que ela não é uma boa cantora e que ela não toca nada de guitarra. Como músico acho isso meio incongruente, quero dizer Kurt era um bom vocalista tecnicamente falando? não, era um bom guitarrista? nem de longe (me refiro a aspectos técnicos, tenho grande admiração por ele como compositor e músico) mas isso não parece interferir na visão crítica dos fãs quanto a sua obra, se o Kurt está tocando com a guitarra desafinada de forma muito desleixada isso é “cool” se ele está cantando fora do tom é uma marca de sua atitude punk rock mas quando é a Courtney ela é simplesmente uma vadia sem talento.

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    annie
    12 de maio de 2016 at 22:36

    Só comentando rapidinho que amei o texto. Principalmente porque eu mesma já fui uma dessas fãs que odiei a Courtney, que falei mal da Hole por pura babaquice. Ainda bem que ja faz um tempo que percebi que só estava sendo idiota, que ela não teve culpa pela morte dele e que a Hole é maravilhosa. Tomara que esse texto possa ajudar a abrir os olhos de pessoas que ainda pensam assim.

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    ale
    13 de maio de 2016 at 00:13

    Eu adoro Hole,porém :

    A maioria das musicas do Hole foram compostas pelo Kurt.

    A Courtney vive dos direitos autorais do Nirvana até hoje.

    • Responda
      Deixa de Banca
      13 de maio de 2016 at 05:43

      Isso é mito. A única música originalmente composta pelo Kurt e usada pela Courtney foi Old Age. Todo resto é de autoria da banda. É perfeitamente óbvio que Courtney viva dos direitos autorais do Nirvana, ela era esposa do Kurt, mãe da filha dele e estava no testamento.

    • Responda
      Jessica Froehlich
      13 de maio de 2016 at 12:21

      Ale, o Hole lançou 3 discos de estúdio.
      Um antes de a Courtney casar com o Kurt.
      Um lançado uma semana depois de ele morrer.
      Outro 3 anos depois de ele morrer.

      Não há nenhum indício para quem conhece a obra das duas bandas de que Kurt compôs todas as músicas do LTT e as do Pretty on the inside e Celebrity Skin era impossível.

      E ela vive dos direitos autorais, como qualquer parente de rockstar falecido, bem como Dave e Krist.

    • Responda
      Sarah
      1 de janeiro de 2017 at 01:47

      Verdade. Não é misoginia reconhecer a escrota arrogante que a Courtney é, que, no mínimo, induziu um cara já problemático ao suicídio, com óbvias vantagens para ela. Ser feminista nao tem nada a ver com negar o óbvio, faça-me o favor…um Kurt Cobain vivo valeria muito mais pela luta por direitos das mulheres que 10.000 Courtneys, que só visa mesmo atingir as próprias meta$.

  • Responda
    giulia
    13 de maio de 2016 at 03:39

    bravo!!

  • Responda
    l.b.
    13 de maio de 2016 at 08:46

    ótimo texto. lembro de quando comecei a gostar do nirvana, com uns 13 anos, e já vinha no pacote detestar a courtney love. confesso que tinha preguiça dela pelas notícias que sempre via dos abusos com a filha, ou por causa de suas declarações homofóbias, mas é fato que uma lista extensa de artistas homens não tem a carreira paralisada por estuprar, espancar e difamar outras pessoas. me pergunto se ao invés de falarmos que deveríamos dar a ela o mesmo “passe”, se não deveríamos cobrar (e denunciar) esses caras um por um também. é fato que não vai ser hoje que eu vou me apaixonar por hole, mas quando poderia ter gostado eu já tinha um desinteresse prévio, por que ela era uma “vadia que tinha atrapalhado o nirvana”. percebam que fazem o mesmo com a yoko ono ATÉ HOJE.

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    Mariana
    13 de maio de 2016 at 10:05

    Lá vem homens defender que as coisas continuem como são em vez de tentarem entender porque reclamamos… típico

  • Responda
    Jessica Froehlich
    13 de maio de 2016 at 12:13

    Eu amei esse texto. Realmente, Hole fala sobre o que é ser mulher e o quanto isso é duro, por isso nunca me surpreendeu que homens desprezassem Hole. Ouvindo Hole, eu vi que não era a única que me sentia estranha e deslocada desde sempre. Hole me salvou de uma depressão silenciosa aos 15 anos. Se eu não tivesse encontrado alguém com sentimentos semelhantes, alguém que descrevesse em suas letras o que eu estava sentindo, eu não estaria aqui para contar isso tudo.
    Courtney compõe mil vezes melhor que o Kurt, sim. E olha que aqui fala alguém que ama Nirvana.

  • Responda
    Carol
    13 de maio de 2016 at 13:04

    tu escreveu TUDO o que eu penso a respeito disso. ela perdeu muito ao se envolver com o kurt pelo menos em termos de vida pública e artística, o q é uma pena, ela é uma mulher talentosa.

  • Responda
    Fernanda
    13 de maio de 2016 at 13:32

    “Maternidade, abuso sexual, incesto, estupro, abandono, culpa, distúrbios alimentares. Hole expôs aquilo que sempre tentaram nos esconder sobre ser mulher, enquanto nos enganavam acenando um mundo cor-de-rosa de amor, fragilidade e doçura.”

    QUE TEXTO FODA.

  • Responda
    P H MELO
    13 de maio de 2016 at 14:34

    Kurt Cobain, Billy Corgan, Evan Dando…a lista de compositores eh grande. Apesar de gostar mais da Tob Vail em postura, gosto da Courtney, eh o tipo de mulher turbilhao que eu costumo me apaixonar…mas alguem poderia me falar onde entra o Corgan nisso? Sempre ouvi boatos de que a metrica da letra da Love oscila entre os espasmos minimalistas do Cobain e os rolos metricos de texto do Corgan..

    • Responda
      Aprendiz
      13 de maio de 2016 at 17:22

      Não sei se é o que você quer saber , mas o Corgan entra miss porque ele co-escreveu algumas musicas com Courtney Love para o Celebrity Skin. Isso é fato, porque ele é creditado no álbum. Mas, sabe como é… isso virou motivo para dizerem que ela na verdade não escreveu nada, só ele etc.
      Enfim, os que a odeiam acabam criando alguma maneira de difamá-la ainda mais.

  • Responda
    Laura
    13 de maio de 2016 at 15:05

    Amanda, que texto ótimo! Queria ter como enviar pra própria Courtney, haha. Obrigada pelo post. 🙂

  • Responda
    Luiza
    13 de maio de 2016 at 15:08

    Ótimo texto!
    Não conheço as músicas do Hole, vou começar a ouvir agora!
    Só um toque: o Kurt escreveu essa mensagem pro encarte do Incesticide 🙂

  • Responda
    Gabriela
    13 de maio de 2016 at 20:34

    Isso é uma discussão muito necessária!
    A Courtney foi condenada a apedrejamento pela mídia assim como as mulheres antes dela que se relacionaram com mini messias, como John Lennon e Sid Vicious. Eu nem sabia da existência do Hole até realmente apronfundar no assunto Nirvana, e eu me senti horrorizada por ter sido totalmente invisibilizada e esquecida, uma banda com tanto potencial e com uma musa perfeita (para a mídia).
    Eu adoro a Courtney, eu realmente gosto muito dela, tanto que me dói ter que apontar os defeitos dela, o fato dela ser manipuladora e egocêntrica, e provavelmente sofrer de alguma bipolaridade (Como disse Kim Gordon, outra deusa). Quando descobri que ela bateu em Kathleen Hanna, que é praticamente a representação feminista dos anos noventa, foi dificil continuar a olhando da mesma forma. Ela é uma pessoa muito dificil, mas nunca, em nenhuma hipotese merece toda a perseguição que sofre diariamente. Virou ódio generalizado e ela perdeu o saco.

  • Responda
    Melissa
    13 de maio de 2016 at 23:35

    Kurt não entrou em depressão por causa dos fãs, ele já desencadeou isso quando os pais se separaram. rs
    Kurt desde a adolescência falava para todos os amigos que iria ser um grande astro do rock e depois se matar, isso já estava no pensamento dele desde a adolescência. Tanto pela depressão, tanto pelas mortes na família e suicídio do irmão do amigo. Ele fez o sucesso, e se matou como um grande artista, não teve que envelhecer, e TODO mundo sabe que eles estavam prestes a se separar quando Kurt se suicidou.
    Hole só ficou mais conhecida depois do Nirvana, não é questão de “invizibilizar” o Hole, só não fez sucesso. Gosto das letras do Hole mas detesto algumas atitudes da Courtney;

  • Responda
    Maiara Costa
    14 de maio de 2016 at 03:07

    Amei o post, é um tapa na cara desses machistas, misóginos que criticam a Courtney, que mesmo conturbada teve que ser pai e mãe. Hole é umas das melhores bandas do gênero, e Courtney é uma guerreira <3

  • Responda
    Rebecca
    14 de maio de 2016 at 04:23

    Se voce odeia Hole/Courtney só por gostar de nirvana, começa que vc é imbecil. nao devia odiar ninguem, é musica, nao é sua vida.

    Hole/courtney love sempre foi uma banda 90s mediana e seria assim se ela nao tivesse casado com o maior icone da década, ela nao era grande coisa. Nao é questao de ela ser mulher, ele ser homem, ela ser isso, ele ser aquilo,etc. É MUSICA! toca na radio, as pessoas ouvem e gostam, por exemplo, ‘ow, legal , qual nome dessa banda? vou comprar o CD (na epoca era CD)’ , nirvana era mais talento, vc acha que se toca ‘in bloom’ e logo em seguida tocar ‘sugar coma’ as pessoas gostam mais de qual? nirvana era mais acessivel. a musica mais lembrada do hole acaba sendo ‘celebrity skin’ pq é pop e facil, toca em radio até hoje, clipe,etc. NAO PORQUE DESCONTRÓI O GENERO E MITO DA CELEBRIDADE FALSA EFEMERA, BLABLA, nossa, larga de ser gente, chata, inventando ideia pra tudo. mas porque tem uma entrada boa, melodia boa, produçao muito boa. é só musica! a maior parte das pessoas nem entende as letras (depois vai atrás e passa a gostar da banda mais ainda talvez) mesmo nos paises de lingua inglesa nativa, a letra passa bastante despercebida.

    Voce até pode gostar mais de hole por causa de razoes ideologicas , mas dizer que o motivo do nirvana ser maior é por ser formado por ‘garotos, brancos, raivosos’ é muito superficial, visto que 99% das bandas o sao (se quiser observar uma coisa interessante, frequente um pouco mais meios de musica independente, quando aparece uma banda formada só por meninas ela atrai MUITO mais atençao do que mais uma milésima banda formada caras, mesmo que essa banda de minas nem seja tao boa, entao, na verdade, isso ja é um marketing positivo logo de cara, as pessoas nao desprezam, elas ficam sim curiosas) .

    E o fato da courtney love ser rockstar vida loka, ja responderam aqui, só ajudou ela, foi bem marketing para ela, mas se a musica nao ajuda, nao vende e nao é lembrado.
    no final, MUSICA É O QUE IMPORTA, nao é ideologia feminista.
    pessoalmente, nao gosto muito nem de nirvana nem de hole, mas dá pra identificar quando uma manda merece (através da musica) ter mais sucesso que outras.

    • Responda
      Melissa
      15 de maio de 2016 at 02:22

      Falou tudo. E bom, Courtney só esteve a la rock star vida loka por pouco tempo pq logo depois quis entrar pro high society, mudou muito o estilo e comportamento e pra alguém que escrevia letras feministas e libertárias ela já reproduziu muito machismo conscientemente com outras minas.

  • Responda
    Adriana Máximo
    14 de maio de 2016 at 07:51

    Até que enfim alguém conseguiu escrever o que eu sentia em relação a esse assunto texto magnífico !!!

  • Responda
    Lauren
    14 de maio de 2016 at 12:10

    Ótima questão levantada, que aliás não fica só na Courtney, existem outros nomes que poderíamos encaixar como é o caso da Yoko Ono!

    Aproveito e respondo ao comentário acima de que Kurt se vestia de mulher em deboche ao Hard Rock, o que não é bem assim. Kurt fazia isso para provocar a sociedade conservadora americana que é mto preconceituosa. Na adolescência achavam que ele era gay na escola, foi dessa fase que vem a crítica a homofobia, por ter sentido um pouco na pele os ataques que gays sofrem. Quando ele passa a andar com feministas, no caso as Riot Grrrls, é incluído aí o protesto a misoginia. E depois vem outros acontecimentos que enfatizam mais o deboche ao sexismo da sociedade. Kurt não foi o único artista “grunge” a fazer tal ato, Eddie Vedder e Layne Stanley tbm movimentaram o tema. Bom, convido-lhes a lerem o artigo que colaborei ao blog Moda de Subculturas sobre o Grunge e Riot Grrrls onde abordamos tais questões, e, novamente, belíssima visão a ser levantada, pois a gente sabe que a Courtney não é santa, mas há vinte anos diminuem sua arte pelos fatos apresentados no texto, o que é uma grande injustiça.

    Bjs Amanda!

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    Sergio
    14 de maio de 2016 at 22:11

    Um bom texto que convida à reflexão, mas duas coisas me deixam meio encucados:

    1. Janis Joplin, Patti Smith, Joni Mitchell, Rita Lee… Tantas mulheres roqueiras respeitadas e bem sucedidas, e não reconhecem o valor da Courtney Love por ela ser mulher? Não acho isso, sinceramente. Claro que racismo, misoginia, homofobia e outras intolerâncias são recorrentes no rock, mas creio eu que, nesse caso, o fato de ser mulher não influencia o ódio à Love. No meu caso, eu não odeio o Hole e gosto da banda (principalmente da Melissa Auf Der Maur), mas não acho a Courtney Love uma boa pessoa. Acho ela grosseira, preconceituosa é um tanto quanto oportunista, e isso é uma questão de caráter e não de gênero (e não uso vícios como parâmetros). Citaram o Axl Rose acima, acho tão escroque quanto.

    2. Essa história de “Hole é melhor que Nirvana”. São propostas diferentes, momentos diferentes e um viés diferente de som, apesar de ampla influência grunge. Cada artista tem seu valor, e dentro do contexto dos dois, cumprem o prometido. Não cabem aqui competições mesquinhas de nenhum dos lados, mas o fato é que o Nirvana é muito mais influente que o Hole por ser “pioneiro” em seu nicho musical.

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      Déborah
      16 de maio de 2016 at 19:46

      O único comentário que eu concordo 100% Amei! <3 Descreveu perfeitamente meus pensamentos.

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      Donita Sparks ;-)
      24 de maio de 2016 at 13:46

      Nirvana não foi mais influente que o Hole por ser pioneiro. Nirvana foi mais influente porque era uma banda melhor. ponto final. Tinha melhores composições, shows melhores, eram músicos melhores. Muitas bandas vieram antes do Nirvana, fazendo o mesmo tipo de som e não foram influentes também, porque o Nirvana era melhor e estava no lugar certo na hora certa. Mas em qualquer conjuntura hipotética, jamais o Hole seria uma grande banda.

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    Déborah
    16 de maio de 2016 at 19:47

    RESPOSTANDO O COMENTÁRIO DO SÉRGIO, PQ DESCREVE TUDO!

    SERGIO
    14 de maio de 2016 at 22:11
    Um bom texto que convida à reflexão, mas duas coisas me deixam meio encucados:
    1. Janis Joplin, Patti Smith, Joni Mitchell, Rita Lee… Tantas mulheres roqueiras respeitadas e bem sucedidas, e não reconhecem o valor da Courtney Love por ela ser mulher? Não acho isso, sinceramente. Claro que racismo, misoginia, homofobia e outras intolerâncias são recorrentes no rock, mas creio eu que, nesse caso, o fato de ser mulher não influencia o ódio à Love. No meu caso, eu não odeio o Hole e gosto da banda (principalmente da Melissa Auf Der Maur), mas não acho a Courtney Love uma boa pessoa. Acho ela grosseira, preconceituosa é um tanto quanto oportunista, e isso é uma questão de caráter e não de gênero (e não uso vícios como parâmetros). Citaram o Axl Rose acima, acho tão escroque quanto.
    2. Essa história de “Hole é melhor que Nirvana”. São propostas diferentes, momentos diferentes e um viés diferente de som, apesar de ampla influência grunge. Cada artista tem seu valor, e dentro do contexto dos dois, cumprem o prometido. Não cabem aqui competições mesquinhas de nenhum dos lados, mas o fato é que o Nirvana é muito mais influente que o Hole por ser “pioneiro” em seu nicho musical.

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    caio
    25 de maio de 2016 at 10:28

    Mas eu odeio nirvana, uma das bandas mais superestimadas da terra.

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    Danilo Faria
    25 de maio de 2016 at 15:06

    Nossa, OBRIGADO por esse texto, de verdade.

    Hole foi a primeira banda de rock que eu gostei, quando ainda era um molequinho. Minha adolescência inteira convivi com todas essas acusações e sempre a defendia. Achava curioso, porque sempre achei Hole uma banda muito mais complexa que o Nirvana. Eu meio que aprendi inglês traduzindo as músicas do Hole. Pra mim Courtney é uma vitima do machismo, que a relegou, como você disse no texto, a um lugar de nicho. Mas ela é, pra mim, uma música melhor que o Kurt jamais foi.

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    Mari
    26 de maio de 2016 at 19:26

    É muito divertido ver quando começam a argumentar sobre algo que o texto defende, como se tivesse sido falado o contrário. De qualquer forma…
    No Hollywood Rock o Kurt cuspiu na câmera e se masturbou em público, algo que foi gravado e exibido. Como fã de Nirvana, nunca tinha parado pra pensar nisso antes de ler este texto. Mas tudo bem, néan? Ele era um rockstar. A Courtney, não. Ela não passa de uma vadia estúpida, mesmo.
    *Ironia é mais legal quando você não precisa explicar, mas em tempos de internet… na última parte eu tava sendo irônica*

    Não sei se concordo com tudo, preciso ler seu texto de novo, mas fazia muito tempo que não lia algo tão fácil de assimilar e que dificilmente ofendesse quem pensa o contrário. Obrigada, Amanda. Mais um preconceito jogado no ralo.

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    Linkagem de Segunda #41 – Sem Formol Não Alisa
    30 de maio de 2016 at 23:03

    […] Por que amamos Nirvana e odiamos Hole, Amanda no Valkírias […]

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    Shana
    28 de junho de 2016 at 18:49

    Achei pertinente. Nunca fui fã do Nirvana, mal conheço as músicas, mas sempre tive um certo preconceito com a Courtney Love, basicamente por sempre ter ouvido que ela “Matou” Kurt Cobain. Não posso entrar em mérito das bandas, mas fico imaginando o que deve ser tornar-se viúva de uma maneira tão violenta e ser obrigada a carregar essa cruz pelo resto da vida. Nunca nem vi nada dessa mulher, pra mim ela sempre foi “a viúva do Kurt” e, agora, lendo esse texto, percebo o quanto essas coisas simplesmente acontecem na nossa sociedade e a gente nem sempre se dá ao trabalho de refletir a respeito.
    Agradeço pelo texto e pela informação! ♥

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