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Vixen: mulher guerreira e poderosa

Criada por Curt Swan, Gerry Conway e Bob Oksner, Vixen é a primeira heroína negra da DC a ganhar um título próprio. Vixen é poderosa, guerreira e destemida, possui garras capazes de machucar até mesmo o Superman. É daquelas que assustam pela presença marcante, emana beleza e sensualidade, luta contra o crime e tem uma história de vida complexa.

A personagem tem grande importância e representatividade justamente por ser a primeira super-heroína africana dentro do universo da DC Comics. Por trás de seus poderes e habilidades há todo um contexto histórico e cultural, tendo participado de tramas da Liga da Justiça, Esquadrão Suicida e Aves de Rapina. Quando pensamos em histórias em quadrinhos, pode parecer que representatividade não importa, mas ter um herói parecido com você importa sim. Sabe aquela sensação de que a personalidade dele bate com a sua, que a aparência dele é igual a sua? Todos querem se ver representados e os quadrinhos têm o poder de espelhar qualquer tipo de pessoa, seja ela gorda ou magra, portador de deficiência ou LBTQ+.

Antes de falar especificamente de Vixen, cabe dizer que sua história e construção de seu contexto é uma preciosidade. Assim como outras personagens, Vixen tem uma trama que vem muito antes de seu nascimento, visto que ela não é apenas um desenho ou uma personagem de televisão ou histórias em quadrinhos. Já parou pra pensar quantas mulheres e meninas querem encontrar nesses meios algo que lhes representem? Ainda que atualmente esteja acontecendo uma desconstrução gradual dos padrões impostos na cultura pop, na vida real ainda não é bem assim, mas é ótimo perceber esse crescimento da valoração do ser humano, da mulher, da mulher negra.

Vixen já foi representada de diversas maneiras na cultura pop, aparecendo, inclusive, em Arrow, série da The CW sobre Oliver Queen, o Arqueiro Verde, mas sua história de origem é geralmente a mesma. Seus poderes e habilidades estão contidos no colar que ela sempre usa, e tudo começa com os nativos de Gana. As lendas de Anansi, também chamado de Ananse, Anancy ou Kwake Ananse, são originárias do povo Akan, dentro do Império Mali. Anansi, um híbrido de aranha e homem, é conhecido em suas lendas por ser trapaceiro e ter grande poder de persuasão. Ele até pode ajudar quem lhe procura, mas sempre será em benefício próprio de alguma maneira. Dentro desse contexto, Tantu, um guerreiro, pede a Anansi que crie um totem que pudesse lhe oferecer os poderes dos animais de maneira a conseguir proteger seu povo e, dessa maneira, ele se transforma no primeiro herói do continente africano. O totem de Tantu foi passado para seus herdeiros até chegar em Vixen, hoje a portadora de todos os poderes contidos no amuleto.

Vixen surge no Universo DC em 1981, tem seus poderes em seu totem que permitem que faça contato direto com o campo morfogenético da Terra, sendo capaz de ter todas as habilidades de qualquer animal ou vários ao mesmo tempo. Mari Jiwe, que apenas mais tarde adotaria a alcunha de Vixen, nasceu em uma vila africana na nação fictícia de M´Changa, e viu sua mãe ser assassinada por caçadores ilegais, e passa a ser educada por seu pai, o reverendo Richard Jiwe. Jiwe, por sua vez, é morto pelo General Maksai que queria ter em suas mãos o poder do totem. Após tantas tragédias, Mari se muda para os Estados Unidos e tentar se reerguer trabalhando como modelo em Nova Iorque, mas nunca deixa de pensar em suas origens. Após estabelece-se financeiramente, Mari decide retornar ao lar e tomar posse do totem, transformando-se na guerreira poderosa e destemida que tanto adoramos.

Vixen venceu a própria história de dor. Não é só uma personagem, é uma negra, linda, super-heroína, luta contra o crime e contra a própria história de sofrimento. Termino esse texto apenas com um abre aspas, afinal de tudo que foi dito o que gostaria que ficasse é que. Nada pode definir quem você realmente é. Que sim, seu passado faz diferença, mas não define seu presente ou futuro. Termino com um personagem que não é personagem, mas uma mulher real, de carne e osso, a primeira repórter a entrar ao vivo no Jornal Nacional, da TV Globo. Uma tremenda mulher negra, exemplo de profissionalismo e dedicação, colega de profissão, Glória Maria“Tudo é mais difícil para um negro. Você tem que provar 100 vezes que você é o melhor. É cansativo, duro, doloroso. Se você não tiver uma força extraordinária, não consegue passar por isso. Mas eu vim ao mundo para lutar. Sou uma guerreira!” 

Lusier Rodrigues é jornalista, tradutora e pau pra toda obra. Aquela do coração à moda antiga, que ama inverno e correr à noite. Viciada em livros, cappuccino, sushi e fritas. Não confia em pessoas que não tenham um lado negro. Acredita no amor e não pertence a este mundo, sobrevive de nerdice, olhar o céu e música, e, é a Spider-Woman Wonder. 


** A arte em destaque é de autoria da editora Ana Luíza. Para ver mais, clique aqui!
** A arte do banner é de autoria da artista Raquel Gouvea.

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