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Verbis Diablo: os melhores episódios de Penny Dreadful

No último domingo, recebemos a triste notícia de que Penny Dreadful não voltaria para uma quarta temporada. Após três anos intensos, repletos de criaturas malignas, misticismos e sentimentos (muitos, muitos sentimentos), a história de Vanessa Ives, interpretada pela maravilhosa Eva Green, realmente chegou ao fim.

Segundo seu criador, John Logan, o destino da série já estava traçado desde meados da segunda temporada, e sua intenção ao optar por não anunciar que o terceiro ano também seria o último não era magoar ninguém, mas justamente permitir que ele pudesse concluir a trama de forma coerente, conforme havia planejado, sem criar expectativas ou causar comoção antes da hora — o que, de certa forma, ele realmente conseguiu. Penny Dreadful terminou da mesma forma impecável que começou, com a mesma qualidade do primeiro até o último episódio, firmando-se como uma das melhores séries que já assistimos.

No entanto, é impossível não sentir um imenso aperto no coração ao pensar que, daqui pra frente, não teremos mais novos episódios dessa história tão intensa e maravilhosa, e nem tantos personagens incríveis com quem nos importarmos de uma vez só. Pensando nisso, decidimos reunir alguns dos nossos episódios favoritos da série, uma forma de matar as saudades e nunca esquecer que, embora o fim seja inevitável, sempre teremos um lugar para onde voltar.

“Séance”

Seance

O primeiro episódio de uma série, como de praxe, é aquele responsável por nos apresentar a atmosfera em que estamos entrando e mostrar um pouco dos personagens cujas histórias iremos acompanhar daquele momento em diante. Sem precisar se prender a tais amarras, o segundo episódio da primeira temporada de Penny Dreadful é o encarregado de nos mostrar, de fato, o potencial da série. “Séance” ainda introduz novos personagens, mas também dá o tom sombrio pelo qual a série ficou tão famosa: em um jantar oferecido pelo egiptologista Ferdinand Lyle (Simon Russell Beale), uma sessão com o intuito de contactar a deusa egípcia Amunet acaba saindo do controle quando Vanessa Ives é possuída por algumas entidades.

Sim, algumas. E é nesse momento em que notamos o quanto Eva Green é uma atriz estupenda: sua interpretação transcende a tela e é como se não existisse nada entre o telespectador e sua Vanessa Ives possuída. Ela se contorce, convulsiona, grita, fala e sussurra em línguas estranhas. Assusta e contagia seus colegas de cena e a quem a assiste do conforto do quarto, é ao mesmo tempo aterrorizante e eletrizante, simplesmente impossível parar de assistir.

“Closer Than Sisters”

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Como o próprio nome sugere, “Closer Than Sisters” trata da relação de Vanessa com sua melhor amiga, Mina Murray (Olivia Llewellyn), em uma viagem pelo passado da protagonista, sua família, a relação com Sir Malcolm (Timothy Dalton) e os primeiros sinais dos tormentos que viriam a ser parte de sua vida anos mais tarde. Aos poucos, percebemos que Vanessa teve uma infância confortável, absolutamente normal e sem grandes incidentes — pelo menos até o episódio que serve de gatilho para que ela abra as portas para a escuridão que existe dentro de si e passe a ser atormentada por demônios, algo que a perseguirá por toda a sua existência e afetará a vida de todos ao seu redor.

Embora não seja rico em ação, “Closer Than Sisters” é um episódio intenso, extremamente sensível e muito, muito triste, mas também muito necessário, que faz várias revelações importantes sobre o enredo e, por tudo isso, inesquecível. Entender o passado de Vanessa é fundamental para que possamos compreender toda a complexidade da personagem, uma mulher que sofreu tanto quase a vida inteira; os erros do passado pelos quais ela e Sir Malcolm tanto se arrependem; e como sua amizade com Mina acabou de forma tão trágica, mesmo que o amor entre as duas permaneça forte, resultando no sequestro da moça pela criatura que caça Vanessa, ao mesmo tempo que é caçada por ela.

“Possession”

Embora possa não parecer em um primeiro momento, Penny Dreadful vai muito além do terror com toques sobrenaturais, tratando o gênero muito mais como um pano de fundo para o desenvolvimento de seus personagens do que qualquer outra coisa. No entanto, isso não significa que a série não entregue episódios dignos dos mais assombrosos filmes de terror e “Possession” é um ótimo exemplo disso. Nele, assistimos uma Vanessa possuída de uma forma nunca antes vista, completamente fora de si, incapaz de controlar a si mesma e que, mesmo com os esforços de todos ao seu redor, não esboça qualquer tipo de melhora.

Mais uma vez, trata-se de um episódio doloroso, onde Eva Green entrega uma brilhante interpretação, levando-nos para um universo completamente novo e perturbador, nos fazendo sentir toda a dor, sofrimento, angústia e o desespero de sua personagem. Durante várias semanas, Vanessa ataca seus amigos, fala línguas desconhecidas, tem visões, arranha paredes até que sangue escorra de seus dedos, e se machuca de diferentes formas. E, ainda assim, é possível perceber que, por trás da persona demoníaca, existe uma mulher em constante sofrimento e que, sobretudo, quer ver-se livre de tanta dor. O exorcismo que finaliza o episódio é, talvez, uma das cenas mais marcantes de toda a série, e também uma das mais dramáticas, algo que certamente ficará para sempre na mente daqueles que o assistem.

“The Nightcomers”

Mais um episódio que busca apresentar fatos importantes do passado de Vanessa e aprofundar questões que estão sendo desenvolvidas no presente, “The Nightcomers” é denso, às vezes lento, mas nem por isso menos impactante ou menos relevante para o desenvolvimento da narrativa. Nele, conhecemos Joan Clayton (Patti LuPone), uma bruxa poderosa que, após escapar do seu coven, passa a viver reclusa num chalé obscuro no meio da floresta e ganha a vida fazendo abortos ilegais em jovens solteiras ou que tiveram relações extraconjugais. Os caminhos de Joan e Vanessa se cruzam quando, em busca de respostas, Vanessa procura a bruxa em seu chalé.

A partir daí, as duas mulheres constroem uma relação profunda e extremamente positiva para Vanessa que, embora seja movida pelos tormentos que sofre, encontra na figura de Joan uma mentora, alguém com capacidade para responder suas perguntas, acalmar seus demônios e em quem pode confiar para ajudá-la em sua jornada, que a ensina a lidar com seus poderes e afastar o mal que a persegue. Além disso, o episódio também busca mostrar que, embora possam assumir formas diferentes, aqueles que assombram Vanessa na segunda temporada já cruzaram seu caminho no passado, e é ao compreender isso que temos a real dimensão do perigo com o qual a protagonista está lidando.

“Little Scorpion”

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O sétimo episódio da segunda temporada de Penny Dreadful é inteiramente dedicado a desenvolver o relacionamento entre Vanessa e Ethan Chandler (Josh Hartnett). Quando Vanessa decide que o melhor a fazer é deixar Londres, Ethan insiste em acompanhá-la — e isso é tudo que os fãs do casal desejavam e não sabiam até o momento. É no chalé obscuro no meio da floresta, o mesmo chalé em que fomos apresentados a Joan Clayton, em “The Nightcomers”, que os dois compartilham momentos de ternura e gentileza. Mesmo que o cenário seja, de fato, um pouco macabro, isso não parece afetar em nada os sentimentos entre os dois. De aulas de dança a sessões de tiro ao alvo, não parece haver nada que os impeça de ficar juntos. Bem, ou talvez exista um certo segredo, mas tudo ao seu tempo.

É nesse episódio que Vanessa e Ethan conversam um pouco mais livremente a respeito dos demônios em seus passados, desenvolvendo laços de intimidade e cuidado. Vanessa e Ethan são produtos de dois mundos completamente diferentes, mas se entendem belamente pois já viram e viveram muitos horrores. Mesmo quando todos os sentimentos parecem não conseguir mais ficar restritos e os dois cedem ao desejo que sentem, uma tempestade de raios coloca fogo no chalé e Vanessa encara o presságio como algo ruim: os dois são muito perigosos para ficarem juntos.

“Memento Mori”

Centralizando as experiências de personagens secundários, “Memento Mori” trabalha em duas linhas narrativas distintas, mas ambas desenvolvidas com igual afinco e cuidado, estabelecendo dramas consistentes tanto no núcleo de Sir Malcolm quanto no de Brona/Lily (Billie Piper) e Dr. Frankenstein (Harry Treadaway). Como entrega o título, a mortalidade é o fator comum entre as histórias, que abordam tanto as perdas ocorridas até aquele momento — muitas das quais envolvidas pelo sentimento de culpa de Sir Malcolm (como a da filha, Mina, e do filho a quem sempre desprezou, ou, ainda, a da esposa, com quem mantinha uma relação no mínimo complicada) — como a morte de Brona e o seu renascimento definitivo como Lily, uma mulher independente que não mais subjugaria a si mesma em detrimento dos caprichos dos homens que a cercam — o primeiro passo de uma jornada de empoderamento e vingança.

Embora seja um episódio repleto de pontos altos, nenhum deles parece tão memorável quanto o discurso de Lily quando, cansada de ser submetida aos desejos de Dr. Frankenstein e sua criatura, permite que sua raiva seja vista e sentida.“Nunca mais vou me ajoelhar perante a nenhum homem. Agora, eles devem se ajoelhar perante a mim.”

“And They Were Enemies”

Responsável por concluir o segundo ciclo de episódios, “And They Were Enemies” é também um momento de grande peso dramático para Penny Dreadful porque define irrevogavelmente qualquer perspectiva que Vanessa e Ethan poderiam ter de um futuro. Nele, Vanessa finalmente confronta o Diabo, que assume a forma de uma boneca de ventríloquo da própria Vanessa, o que torna o embate especialmente assustador. Frente a frente, os dois discutem mais profundamente as implicações dos tormentos da protagonista, e é também nesse momento que a resistência mostra o quanto pode ser um caminho doloroso; o quanto é preciso sacrificar para que o mal seja, de fato, extirpado.

Vanessa faz uma escolha consciente ao afirmar seu poder sobre a própria alma e interromper os planos do Diabo, mas é evidente o quanto a opção lhe custa caro. Seja de um ponto de vista pessoal, seja por um ponto de vista mais amplo, as consequências continuam a existir e influenciar a vida de todos (vai da própria Vanessa e seus amigos até a população de Londres, que passa a viver em um ambiente consideravelmente mais hostil) — a prova de que nem mesmo a vitória deixa de cobrar o seu preço. “And They Were Enemies” é um episódio sobretudo melancólico, um lembrete de que finais felizes dificilmente são uma opção possível em Penny Dreadful.

“A Blade of Grass”

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Penny Dreadful é uma série com um elenco relativamente grande. São várias as tramas conduzidas ao mesmo tempo, diversos os desenvolvimentos, então quando um episódio trabalha com apenas três desses personagens e em nenhum momento sentimos falta de todos os outros, é porque o episódio foi muito bem conduzido. Em “A Blade of Grass” acompanhamos o desenrolar de uma sessão de hipnose entre Vanessa e a Dra. Sward (também interpretada pela magnífica Patti Lupone). Em um mergulho pelas memórias de Vanessa, somos transportados para o período em que ela foi internada contra sua vontade em um sanatório, e como as forças do mal tentaram alcançá-la mesmo lá ao possuir um dos funcionários — no caso, John Clare (Rory Kinnear) antes de passar pelas mãos do Dr. Frankenstein e se tornar sua criatura.

“A Blade of Grass” é outro episódio feito sob medida para que Eva Green surpreenda com uma atuação impecável, que abraça os medos, sofrimentos e angústias da personagem principal. Sua Vanessa encontra-se vulnerável, sozinha e assustada, e quando pensa ter encontrado um apoio na figura amistosa de John Clare descobre que até mesmo ele foi possuído, ora por Drácula, ora por Lúcifer. Como não poderia deixar de ser, Rory Kinnear também fornece uma das melhores atuações da série, interpretando três personagens tão distintos em um mesmo episódio, por vezes em uma mesma cena. “A Blade of Grass” é uma pintura gótica em um universo vitoriano, belíssima do início ao fim.

“The Blessed Dark”

Um final agridoce, mas um final que não poderia ter sido mais coerente. Após três temporadas, observamos, impotentes, cada um dos personagens fazer suas próprias escolhas e, em consequência, traçar o desfecho do que não demoraria a ser considerada uma obra de arte da televisão. “The Blessed Dark” é um desfecho tão triste quanto dramático, mas que, ao seu próprio modo, é também bastante belo. Vanessa finalmente abraça a si mesma como é, abraça a escuridão que existia em si e a cumprimentou como a um velho amigo. Fez isso por sua vontade e não se submeteu a coação ou chantagem de ninguém. Há algo de muito potente nisso.

A cena final enfatiza os sofrimentos de Vanessa e Ethan em suas respectivas trajetórias, e é nesse momento que o Lobo de Deus e a Mãe da Escuridão entendem que não havia como continuarem, que viver em paz e juntos nunca fora uma opção para eles. Os demônios de Vanessa sempre estariam junto com ela e a atormentariam pelo resto de seus dias, e tudo o que ela mais desejava era ver-se livre de tudo isso. Penny Dreadful conclui de forma primorosa a jornada de Vanessa e sua fé, e de todos que a acompanharam de perto e deixarão saudades por todos os anos que virão a seguir.

Texto escrito em parceria por Ana Luíza e Thay

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3 comentários

  1. Possession sempre será meu favorito. Ele é perturbador, um pouco violento, impressionante, mas o que mais me fascina nele que ele faz mais que simplesmente chocar, é um episódio permeado de sentimento. 100 OR, nunca chorei tanto assistindo a um exorcismo.
    Apenas acrescentaria a essa lista “And they were enemies”, outro dos meus favoritos. Aquela cena fatídica em que temos um vislumbre do que seria Vanessa e Ethan como um casal (e seus filhos) pegou meu coração e picou em pedacinhos feito confete, porque eu sabia que não era possível, mas queria TANTO que se tornasse real.

    1. Você é a segunda pessoa que fala do “And they were enemies”! E ele, realmente, é um episódio maravilhoso. Além do vislumbre do que poderia ter sido entre Vanessa e Ethan (nunca vou superar!), tivemos aquela cena incrível de Vanessa encarando a própria boneca – e, claro, a interpretação maravilhosa da Eva Green! <3

  2. Adorei essa lista, concordo que estes sejam os melhores episódios mesmo. O meu personagem favorito em Penny Dreadful é o Frankenstein, interpretado pelo Rory Kinnear. Quero muito assistir Brexit que estreia no mês que vem e que é com ele. Este filme me parece ser um dos melhores e mais aguardados do gênero de drama que está pra estrear. Só pelo trailer, é impossível não se deixar levar pelo ritmo da historia. A maioria dos filme sobre política são cansativos e este parece estar longe de ser, só pelo assunto e pelos atores. Eu estou ansiosa para assistir e, com toda certeza, verei na estreia.