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Paris is Burning: do marginalizado ao grande público

RuPaul’s Drag Race foi indicado a 14 prêmios no Emmy 2019. Pose, obra de Ryan Murphy, a três — incluindo a categoria de Melhor Série Dramática, a mais importante da premiação. Este é um número histórico para programas que falam tão abertamente sobre a comunidade LGBT+ e que tenham um elenco tão diversificado. Essas conquistas foram possíveis graças à luta dos movimentos marginalizados, do progresso da consciência coletiva e das histórias reais de Paris is Burning, documentário de 1991 produzido e dirigido por Jennie Livingston.

Vencedor de prêmios importantes como o Urso de Ouro, além de Melhor Documentário no Festival de Sundance e no New York Critics Circle Awards, Paris is Burning foi até mesmo, em 2016, selecionado para fazer parte da National Film Registry, um programa organizado pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos que escolhe filmes para a preservação cultural. Para que uma obra faça parte do grupo, os membros do conselho devem considerá-lo “visualmente, historicamente ou esteticamente significante”. Além disso, em junho deste ano, também foi restaurado e digitalmente remasterizado para a exibição em alguns cinemas, uma parceria da organização artística UCLA Film and Television Archive, Instituto Sundance e do Outfast UCLA Legacy Project.

O filme chamou atenção pela forma delicada e sensível que Livingston retratou os bailes de drag queens na periferia de Nova York no decorrer dos anos 1980. Com personagens cativantes e dolorosamente humanos, o documentário mostra uma cultura underground de minorias reprimidas que buscam pela aceitação e sobrevivência através da moda, dança, competição e família.

Os ballrooms

Embora a cultura ballroom exista desde antes dos anos 1960, seu grande ápice foi nos anos 1980. Os bailes foram a maneira que a comunidade gay e trans da época encontrou para, não somente expressar a si mesma, mas para alcançar o acolhimento que o resto do mundo não lhe proporcionava.

Os ballrooms são disputas divididas em diversas categorias nas quais os participantes desfilam pelo salão em busca do chamado realness, a verossimilhança com cada tema proposto. Então se a categoria é supermodel realness, os competidores devem se parecer o máximo possível com uma modelo profissional. Se o desafio é tropical girl realness, todos devem estar prontos para um verdadeiro luau em uma praia paradisíaca. No final, os juízes, sentados lado a lado em uma mesa comprida, dão suas notas, e o vencedor leva um pomposo troféu para casa.

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Ganhar as categorias significava ganhar notoriedade nos bailes. A lógica é muito simples: ganhe mais troféus, ganhe mais respeito e credibilidade. Um histórico positivo nas competições eventualmente dava aos participantes o título de legendary, o maior prestígio que se poderia ganhar na cena ballroom.

Essa foi a maneira que a comunidade encontrou para finalmente se sentir como parte do mundo. As ruas lá fora dificilmente lhes dariam um troféu por qualquer coisa, então esta foi a válvula de escape para que inúmeras pessoas conquistassem o que provavelmente nunca teriam na vida. Era como o Oscar para pessoas rejeitadas. “Os bailes, para nós, são o que nos levam para o mais perto possível da realidade. Para toda essa fama, fortuna, estrelato e holofotes”, diz um membro da House of Dupree (sem nome divulgado) em uma cena do filme.

Diferenças sociais

Paris is Burning mostra a verdadeira face americana: branca, heterossexual e rica.

Parte das categorias dos bailes faziam relação direta ao conhecido “estilo de vida americano”. Se vestir e agir como um empreendedor de Wall Street ou como a atriz Marilyn Monroe era o mais próximo que poderiam chegar do luxo e dinheiro. “[…] Esse é o sonho e ambição de toda minoria: viver tão bem como uma pessoa branca”, são as palavras da lendária drag queen Pepper Labeija (1948-2003).

A questão da pobreza é um ponto com bastante destaque em Paris is Burning. Os membros do circuito ballroom, durante todo o filme, falam de como é viver na periferia americana, e como gostariam que pudessem mudar o cenário de suas vidas. O documentário mostra como a dificuldade financeira, atrelada à questões de gênero e sexualidade, podem ditar o caminho de uma pessoa. Em diversas cenas, os personagens falam como foram obrigados ao roubo ou à prostituição para conseguirem se sustentar ou simplesmente adquirir dinheiro e peças de roupa para as competições.

Os personagens não vivem como vivem por escolha, mas por consequência. Um sistema movido a dinheiro e preconceitos não tem espaço para pessoas que fogem do convencional. Gays, transexuais, pobres e pessoas não-brancas dificilmente têm as oportunidades necessárias. Assim, algo tão banal quanto conseguir um emprego para pagar as contas se torna uma tarefa extremamente difícil, e conquistar as regalias do sonho americano, completamente impossível. “O fato de você não poder ser um executivo é simplesmente uma circunstância social da vida. Essa é a verdade. Pessoas negras têm dificuldade de fazer qualquer coisa, e aquelas que conseguem são geralmente héteros. No ballroom, você pode ser o que quiser”, declara a drag queen veterana Dorian Corey, falecida em 1993.

Mesmo dentro da comunidade LGBT+, o racismo sempre esteve presente. Nos ballrooms não era diferente. Os bailes retratados em Paris is Burning são compostos majoritariamente por pessoas negras e latinas, mas não foram sempre assim. Até o começo nos anos 1970, o circuito de bailes era dominado por pessoas brancas, que acabavam ganhando a grande maioria das competições por causa da estética eurocentrista avaliada por jurados também brancos. Cansada de fazer parte de algo em que não se sentia representada, a drag queen Crystal Labeija (falecida em 1982) decidiu, em 1972, com o apoio de Lottie Labeija, criar seu próprio ballroom em que poderia confortavelmente participar sem se sentir injustiçada, além de ter criado a primeira casa: A House of Labeija.

A importância das casas

Em 1968, o diretor Frank Simon lançou The Queen, um documentário que contava os bastidores do concurso Miss All-America Camp Beauty Pageant. Por mais que a drag queen Flawless Sabrina tenha sido a apresentadora da competição e narradora do filme, quem ficou conhecida de verdade foi Crystal Labeija.

Quando Flawless Sabrina anunciou a vencedora, sua pupila Rachel Harlow, deixando Crystal em quarto lugar, ela quebrou o protocolo do concurso e saiu do palco na mesma hora. Mais tarde, na cena mais famosa do filme, Crystal aparece furiosa na câmera, acusando a produção de estar comprada. “Não é culpa da Harlow”, ela diz para a pequena multidão ao seu redor. “[…] Você é linda e jovem, e merece o melhor na vida, mas você não mereceu… Eu não disse que ela não é bonita, eu disse que ela não está bonita hoje. Ela não se compara a mim. Olhe para a maquiagem dela, é horrível!”

Embora nunca tenha sido possível provar se o concurso foi ou não roubado, Crystal Labeija não estava sendo uma má perdedora. Sua reação foi motivada por uma série de eventos em que drag queens negras ou latinas, mesmo que tivessem um melhor desempenho nas competições, acabavam perdendo para as garotas brancas. As participantes de pele escura eram até mesmo incentivadas a usar uma maquiagem mais clara para se parecerem com as brancas e, assim, terem mais chances de vencer. “Eu tenho o direito de mostrar a minha cor, querida. Eu sou linda e eu sei que sou linda!”, ela exclama na cena.

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Pouco tempo depois, a House of Labeija foi criada, composta apenas por pessoas negras, oriunda de um impulso anti-racista. Este é considerado o nascimento da cultura de casas como é conhecida hoje em dia, uma família postiça que acolhe e apoia jovens gays e transexuais que foram rejeitados por seus parentes biológicos.

Depois da criação da primeira, o sistema de casas decolou. Xtravaganza, Saint Laurent, Pendavis, Dupree, Ninja. Diversas casas tomaram conta do cenário ballroom, abraçando pessoas que seu próprio sangue foi incapaz de aceitar. Além disso, também adotavam aqueles que julgavam que se sairiam bem nas competições. Da mesma maneira que a fama individual era almejada, se tornar uma casa lendária também era desejado pela comunidade.

Cada casa tem uma mãe (e, às vezes, um pai), a pessoa mais antiga e/ou mais competente para cuidar dos outros. A mãe deve ser a melhor. A melhor costureira, a melhor dançarina, a melhor competidora, ou simplesmente a melhor em apoiar os outros. Ela é responsável por introduzir novos membros e cuidar de seus “filhos”, provendo o que lhes for preciso — casa, roupas, comida, emprego. É a partir deste sistema de apoio que muitos conseguiram sobreviver. Não é uma família como se tradicionalmente conhece, criada por um homem e uma mulher. É um grupo de seres humanos em uma ligação mútua.

Quando entraram em uma casa, os personagens de Paris is Burning o fizeram porque não foram aceitos por suas famílias verdadeiras. Incompreendidos por serem gays ou transexuais, acabavam indo para as ruas. “Quando alguém sofre rejeição de sua mãe e seu pai, sua família, eles vão para o mundo e buscam. Eles buscam por alguém que vá preencher esse vazio”, diz a sucessora de Crystal Labeija, Pepper.

Vogue antes de Madonna

O estilo de dança Vogue nasceu nos ballrooms, originário do shade — uma indireta debochada feita para cutucar alguém. “Jogar shade” também nasceu nos bailes e, quando o conflito se tornava mais intenso, ao invés de brigarem, as pessoas iam para a pista de dança. No final, quem tem os melhores movimentos é, consequentemente, quem joga o melhor shade.

O nome da dança vem da revista de moda Vogue, já que as poses remetem às mesmas estampadas nas edições. Movimentos com as mãos que simulam a aplicação de maquiagem é a marca registrada do Vogue, mas também conta com influências do balé moderno, salsa, artes marciais, ginástica, yoga e hieróglifos do Antigo Egito.

O maior sonho de Willi Ninja era se tornar uma estrela. Nos bailes, ele era conhecido como uma referência em Vogue, além de ser o líder de sua própria casa, a House of Ninja. A diretora de Paris is Burning, Jennie Livingston, se interessou por ele justamente por sua destreza como a dança nos ballrooms.

Willi queria ser conhecido por sua arte de uma maneira ou de outra, fosse como ator, dançarino, cantor, ou qualquer atividade que lhe permitisse expressar a si mesmo verdadeiramente. Em 1989, quando o documentário já havia sido gravado, mas não lançado, ele participou do clipe da música “Deep in Vogue”, de Malcolm McLaren. Em 1993, apareceu no vídeo “I Can’t Get No Sleep”, da dupla Masters At Work com participação da cantora India. Também desfilou para o estilista francês Jean-Paul Gaultier e deu aulas sobre como se comportar em uma passarela a modelos amadoras — até mesmo ensinando Paris Hilton a aperfeiçoar sua caminhada.

No final, Willi realizou seu sonho de estar sob os holofotes, e tudo isso se intensificou depois de sua aparição em Paris is Burning e do lançamento do videoclipe “Vogue”, da cantora Madonna, lançado em 27 de março de 1990, um ano antes do documentário.

É interessante notar que, mesmo que seja conhecido como o pioneiro do estilo, e que um sempre está associado ao outro, Willi Ninja não participou do clipe da rainha do pop. Jose Xtravaganza e Luis Xtravaganza ocuparam esses postos. Considerado por muitos críticos especializados como um dos melhores vídeos musicais de todos os tempos, “Vogue” é um marco na história da indústria do entretenimento, e foi o poder e fama de Madonna que colocaram essa dança no conhecimento do grande público. A cenografia dramática, a referência à Era de Ouro de Hollywood e o icônico sutiã de cones contribuíram para a eternização da obra na memória afetiva de milhões de pessoas.

Contudo, apesar de todo o sucesso, o trabalho de Madonna não passou ileso de críticas. Até hoje, há quem acuse a cantora de apropriação cultural. Enquanto ela, uma mulher cisgênero e branca, estava fazendo fortuna com um movimento que tinha acabado de conhecer, os criadores da dança, minorias marginalizadas, ainda batalhavam para serem reconhecidos. Na letra da música, quando cita o nome de várias celebridades — Greta Garbo, Marlene Dietrich, Joe DiMaggio, Marlon Brando, entre outras —, todas são brancas. O Vogue nasceu com os negros.

Apesar disso, a influência de Madonna para o Vogue e para a cultura ballroom é inegável. “Precisou de alguém como ela para levar o Vogue até as massas. E ela pegou dois de nós, da comunidade, e nos deu um palco para mostrá-lo”, Jose Xtravaganza disse para o site Daze.

Paris is Burning não é à prova de críticas

Paris is Burning é a obra mais notória da cineasta Jennie Livingston. O documentário é vencedor de diversos prêmios renomados e considerado relevante até os dias atuais por seu conteúdo político e real sobre uma subcultura que, por muito tempo, quase não recebeu nenhuma atenção. Mas foi também uma obra controversa.

Livingston é uma mulher lésbica e branca. Ela passou seis anos gravando centenas de horas em material para o seu filme. Há quem diga, porém, que ela nunca deveria ter feito Paris is Burning, já que seu olhar como uma mulher caucasiana e cis poderia alterar a verdadeira essência da cultura ballroom. Também foi acusada de tentar ganhar dinheiro em cima de uma classe marginalizada. Pepper Labeija, em uma entrevista ao The New York Times em 1993, disse que não concordava que Livingston teve um comportamento abusivo, mas que se sentiu ferida por algumas atitudes da diretora. “Eu amo [o documentário] e assisto frequentemente, e não concordo que o filme nos explora, mas eu me senti traída. Quando Jennie apareceu pela primeira vez, nós estávamos no baile, na nossa fantasia, e ela jogou papéis em nós. Nós não lemos porque queríamos atenção. […] Depois, quando ela fez as entrevistas, ela nos deu uns duzentos dólares. Mas ela nos disse que quando o filme saísse, tudo ficaria bem. Mais estava a caminho.”

De acordo com a produtora Miramax, o documentário lucrou, em média, 4 milhões de dólares. Os artistas em destaque e a distribuidora protagonizaram batalhas legais para receberem o dinheiro e, no fim, 55 mil dólares foram divididos entre 13 participantes de Paris is Burning, baseado em tempo de tela. “A ética jornalística diz que você não pode pagar [seus entrevistados]”, Livingston disse ao The New York Times. “Mas, por outro lado, essas pessoas estão nos dando suas vidas! Como colocamos um preço nisso?”

Os próprios ballrooms retratados no filme também sofreram certa desaprovação de parte do público da comunidade LGBTQ+ e de movimentos negros e latinos. Os bailes mostrados em Paris is Burning, segundo as críticas, são baseados em heteronormatividade, e o objetivo das categorias era sempre se parecer com uma pessoa branca. Em 2015, quando uma exibição do filme foi promovida pelo programa BRIC, uma organização artística sem fins lucrativos, e não incluiu membros do ballroom que fossem transsexuais, negros, latinos ou asiáticos, uma nova polêmica se acendia. Além de Livingston, Le Tigre’s JD Samson, artista brancx e genderqueer que não tem nenhuma conexão com o circuito de bailes, foi a única pessoa levada ao evento para uma participação especial.

Por causa disso, uma petição chamada Paris is Burnt [Paris está Queimada] foi criada no site Change.org, ordenando o cancelamento das sessões de exibição e impondo uma série de exigências para que os responsáveis se retratassem, incluindo Livingston. A falta de pessoas não-brancas e transsexuais — maioria no elenco do documentário e no circuito ballroom — foi extremamente aborrecedora para quem esteve no evento. “Isso é um apagamento da nossa comunidade que o documentário diz estar representando”, está escrito na página do abaixo-assinado.

“Obrigada por me relembrarem que preciso continuar ouvindo e agindo como uma aliada visível para as pessoas trans, queer, e todos aqueles que não são brancos. […] Agradeço aqueles que, por meio de suas críticas, me encorajaram a continuar a interrogar, examinar, e também celebrar a minha própria função de cineasta, tanto no passado como no presente”, foi a declaração de Jennie Livingston no Facebook em resposta à situação.

Influência no mainstream

RuPaul Charles sempre declarou em alto e bom som que é fã de Paris is Burning. Existe até mesmo rumores de que ele peça que as drags participantes do programa assistam o filme antes das gravações começarem. O Reading Challenge, esquete presente em todas as temporadas de RuPaul’s Drag Race, é declaradamente inspirada no documentário. “Na grande tradição de Paris is Burning…”, é como o apresentador introduz o desafio em que as drag queens devem “ler” suas colegas, ou seja, insultar umas às outras em uma brincadeira bem-humorada e muito tradicional na cultura ballroom. Não é difícil assistir a um episódio do reality e fazer as conexões com diversos momentos da obra de Jennie Livingston — as categorias, os desafios, a linguagem utilizada.

Pose, de Ryan Murphy, é sobre o circuito ballroom. Na série é possível entender, com mais profundidade e uma visão poética, o verdadeiro significado dos bailes e casas, e as dificuldades que a comunidade enfrentava na virada dos anos 1980 para os anos 1990, quando a crise da AIDS estava em seu ápice. Com o maior elenco transexual da história da TV e o trabalho da produtora trans Janet Mock, o enredo da série é, sem sombra de dúvidas, inspirado nos personagens de Paris is Burning. “Para mim, Paris is Burning é como um presente porque me apresentou a um mundo e a pessoas que eram muito parecidas comigo”, Mock contou ao IndieWire.

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A segunda temporada tem diversas referências ao filme, mesmo que este não seja de fato mencionado na série. As histórias de Dorian Corey e Venus Xtravaganza foram contadas por meio das personagens Elektra Abundance (Dominique Jackson) e Candy Ferocity (Angelica Ross).

Por mais que o documentário de Jennie Livingston tenha servido de inspiração a RuPaul e Ryan Murphy, não cabe a Paris is Burning levar o crédito, mas, sim, à toda comunidade ballroom que criou uma cultura que lhes permitia viver suas verdadeiras vidas sem medo de julgamentos. Os bailes não nasceram apenas do desejo de fama e glamour, mas da necessidade de sobrevivência de um grupo que foi reprimido e hostilizado até mesmo por suas próprias famílias. Eram, por si só, um ato político.

O filme foi apenas o veículo utilizado para que isso chegasse ao conhecimento do grande público. Sua relevância, mesmo sob pertinentes olhares críticos, se dá ao fato de que conta histórias reais de pessoas reais vivendo em um mundo cruelmente real. Apresentando uma nova face da sociedade através dos olhos de pessoas que explodiam energia e criatividade, mostra como a arte e um sistema de comunhão podem salvar vidas e criar coisas fantásticas.

Assistir Paris is Burning nos dias atuais e ver como a cultura ballroom se tornou tão grande faz com que a memória daqueles que pavimentaram o caminho seja lembrada. Antes da facilidade que é encontrar referências dos bailes na mídia e das glórias do reconhecimento das premiações hollywoodianas, uma comunidade inteira teve que passar por dolorosas situações de preconceito, violência e oportunidades roubadas. Conhecer o passado é respeitar a história. Antes da canção de Madonna, de horários nobres na televisão e o tapete vermelho do Emmy, uma geração de corajosos pioneiros lutaram para que, finalmente, a comunidade LGBT+ pudesse viver em paz.

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4 comentários

  1. Nao entendi se a cineasta Jennie Livingston é lésbica ou cis. No mesmo parágrafro está escrito “Livingston é uma mulher lésbica e branca” e duas linhas abaixo está escrito: “seu olhar como uma mulher caucasiana e cis”.

    1. Oi, Bel. Ser lésbica e ser “cisgênero” não são coisas mutuamente excludentes. Lésbicas são mulheres que se relacionam sexual e/ou afetivamente apenas com outras mulheres, cis são mulheres identificadas como mulheres já ao nascer, independente da orientação sexual. É perfeitamente possível ser cis e lésbica ao mesmo tempo, não existe nenhuma contradição nisso.

  2. Assisti Pose, e estou à caminho de assistir Paris is Burning mas de curiosa que sou me esbarro não-acidentalmente com essa matéria crua, linda, explicativa, didática e bem sensata. Obrigada pelo colhimento de tantas informações úteis e que me fazem acreditar todos os dias que o mundo – por vezes mais cruel e cheios de tons sombrios – ainda é um lugar habitado e harmonizado por gente de amor. E tanto é que está se mostrando ai hoje em dia né, a luta de muitas lá atrás sendo reverberado e finalmente vangloriada de formas finalmente reconhecidas, assim como, espero que nós aprendemos a lição e também levemos a sério tudo que se é concebido/realizado com toda garra, alma, suor, realidade e sonho por qualquer que seja o correspondente e criador de uma história de vida. Ainda mais quando o enredo se é tão profundo e sensível como é e foi os ballroom para a comunidade, massa demais, adorei ter vindo parar aqui!!!