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25 anos de Before Sunrise e a Céline que existe em todas nós

Há muito a ser dito sobre a trilogia de Richard Linklater que começou com Before Sunrise — e não existe muito que não foi falado ainda. Uma carta de amor aos relacionamentos e todas as suas complicações, é até difícil colocar em palavras o que o diretor criou em parceria com os atores Ethan Hawke e Julie Delpy, que a mais de duas décadas vêm interpretando Jesse e Céline com amor e dedicação. Os filmes são lindos, reais e palpáveis, com uma história de amor que transcende séculos e que exemplifica bem as dificuldades e maravilhas de ter uma conexão tão profunda e intensa com outro alguém, reforçando a importância de explorar e falar sobre os sentimentos. Afinal, são poucas as pessoas que conseguem experimentar esse sentimento durante a vida. E, mesmo que essas obras sejam realmente tudo isso, Céline (Julie Delpy) consegue ser ainda melhor. É por isso que sua jornada, que começou há 25 anos, é uma das mais identificáveis na história do cinema. 

Quando conhecemos Céline em Before Sunrise, ela ainda é uma jovem idealista que aceita sem pensar muito sobre a proposta de Jesse, que a chama para pular de um trem e ir passar o final do dia (e a madrugada) com ele em Viena. Os dois descem e passam a maior parte do limitado tempo que têm juntos apenas… conversando. Seis horas apenas conversando. Ele fala sobre sua vida nos Estados Unidos, o que espera dos seus pais, da sociedade e do amor. Ela contribui oferecendo um contraponto firme, porém doce, carregado ainda da perspectiva de uma mulher jovem e otimista, cujo pensamento ainda crê que uma conexão espontânea, muito como a que ela tem com Jesse, é algo que vai surgir diversas vezes ao longo da sua jornada. Todas as frases mais marcantes do longa pertencem a ela, assim como os pontos de vista apresentados.

“Se existe qualquer tipo de magia nesse mundo… deve ser na tentativa de entender alguém, compartilhar algo.” 

Por ser uma mulher nascida na Europa, Céline vai mostrando os principais pontos de Viena para Jesse, falando sobre os pequenos locais que ela ama e guarda em si. Um cemitério de pessoas que foram esquecidas pela história, bares escondidos pela cidade, um parque onde uma mulher prevê o futuro de ambos. Todos os diálogos surgem de forma tão natural que é quase difícil acreditar que tudo aquilo é roteirizado, sendo que a intimidade criada entre eles é completamente baseada em fatos que vão compartilhando entre em si e que podem parecer banais em um primeiro momento, mas que são muito mais do que isso.

Céline Before Sunrise

É por meio dela que os dois declaram a atração que sentem um pelo outro, por causa de um exercício onde falam sobre a dinâmica como se estivessem falando com uma terceira pessoa — não presente na cena. Existe algo de especial na forma como ela declara seus sentimentos sem medo ou receio de não ser compreendida, ou ter suas expectativas destruídas. Para ela, seu tempo com Jesse é como um sonho, e cada momento é algo que vale ser lembrado.

“É como se nosso tempo juntos fosse apenas nosso. É como se eu tivesse nos seus sonhos ou se você tivesse nos meus, algo assim.”

Todos esses comportamentos pertencem a uma mulher que é livre, sem compromisso e que vê a vida como um lugar de infinitas possibilidades. Ela pode ir para todos os lugares, estudar o que quiser, se apaixonar por quem quiser. Pode descer de um trem com um estranho aleatório e viver algo intenso e urgente. Pode ter um momento espontâneo de romance, e marcar de se encontrar com o mesmo estranho daqui a um ano, sem nem mesmo trocar endereço ou telefone. Afinal, o que é um ano para uma pessoa que tem a vida toda pela frente?

No segundo filme, no entanto, ela está longe de ser a mesma mulher. Entre Before Sunrise e Before Sunset se passaram mais de 10 anos e consequentemente, tanto ela quanto Jesse estão bem diferentes. A noite que eles passaram em Viena parece algo distante, ainda que muito presente no imaginário de ambos. Quando a segunda produção começa, Jesse está apresentando seu livro em uma pequena livraria em Paris, onde Céline mora. Após descobrir que ele estaria na cidade, e principalmente o conteúdo da sua obra (que é sobre a noite que eles passaram juntos tantos anos atrás), ela vai conferir sua apresentação e então eles andam juntos pela cidade, apenas conversando, mais ou menos na mesma dinâmica do primeiro longa. Paris é uma cidade tão romântica quanto Viena, com certeza, mas o clima aqui é um pouco diferente. Aquela conexão que nasceu em Before Sunrise é algo quase abstrato agora, sendo que o principal objetivo é descobrir se a dinâmica que nasceu no calor da juventude é algo realmente verdadeiro, que sobreviveu ao tempo e ao fato de que ambos envelheceram e, consequentemente, se tornaram pessoas distintas. “Eu estava tendo esse pesadelo que eu tinha 32 anos. E aí eu acordei e tinha 23 anos. Ai acordei de verdade e tinha 32”, brinca Céline durante um dos momentos que eles estão juntos.

Mesmo em uma fase bem diferente da sua vida, Céline ainda é a parte mais interessante da mistura, justamente por causa da forma que lida com seus sentimentos. Ela trabalha em uma ONG, vive uma vida simples mas honesta em Paris, tem um namorado que é fotógrafo. Ao mesmo tempo, é solitária e tem dificuldade de manter um relacionamento duradouro. As projeções de uma relação saudável e romântica, que estão tão presentes na vida de uma mulher aos 23 anos, parece ter desaparecido completamente da sua vida aos 30 e, de certa forma, ela guardou todas as suas tendências românticas em um compartimento recheado com as lembranças da noite que compartilhou com Jesse, se isolando para qualquer outra possibilidade, ainda que de forma inconsciente.

Céline Before Sunset

Grande parte de Before Sunset é sobre essa conexão perdida entre os dois, e como foram inexperientes ao não trocar contato ou telefone quando se conheceram pela primeira vez. A perda de contato foi algo que afetou ambos de formas bem diferentes. Jesse, por exemplo, casou outra vez, tem um filho, mas não conseguiu manter seu relacionamento por causa da sua lembrança de Céline. No longa, ele questiona o que afinal sustenta o amor. Admiração e respeito não são o suficiente, sendo necessário uma conexão que vai além. Já ela, carrega sentimentos complicados em relação a noite de Viena. “Memórias são extraordinárias se você não tem que lidar com o passado”, pontua.

Céline adota uma posição que é quase defensiva. Em certos momentos ela fala sobre sua solidão, a forma como ela não consegue manter um relacionamento ou fazer sexo casual, pois no dia seguinte vai sentir falta da pessoa pelas “coisas mais mundanas”. Fala sobre a perda das pessoas que passaram por sua vida e que ficaram pouco tempo, e principalmente sobre a dificuldade de criar uma conexão genuína, algo que ela achasse que fosse fácil de conseguir quando era jovem. É possível perceber também que, apesar de trabalhar com algo legal, motivador e que ela acredita, Céline sente dificuldade em achar um propósito no trabalho, como se tivesse em um limbo.

“Acho que quando você é jovem, acredita que vá existir várias pessoas com quem você vai desenvolver uma conexão. Mais tarde na vida, você descobre que isso só acontece poucas vezes.”

Todos os fatos apresentados dizem que ela mudou, sim, mas para a melhor. Sem a ingenuidade da juventude, ela é capaz de olhar os acontecimentos ao seu redor com realismo e sinceridade, ainda sem perder a capacidade de falar sobre eles, mesmo que exista uma melancolia clara que permeia a sua vida. Ali fica óbvio que Jesse realmente nunca saiu da sua cabeça e, aos 32 anos, ela usa aquela noite para se perguntar sobre os caminhos que ela nunca tomou — e o que poderia ter acontecido se ela o tivesse percorrido.

“Você nunca pode substituir ninguém porque todo mundo é feito de pequenos e lindos detalhes.” 

Existe também uma certa frustração pelo fato de que ele nunca deixou sua mente, algo que ela tenta disfarçar escondendo que lembra das duas vezes que eles fizeram sexo, ou detalhes sobre a noite em si. É por isso que quando ela escolhe declarar seu amor duradouro por Jesse, o faz cantando “A Waltz for a Night” (que inclusive foi criada por completo por Delpy), onde ela finalmente confessa o que ficou claro durante o longa: ela não esqueceu Viena. Nesse ponto, o próprio Jesse esquece a vida que tem lá fora, e decide explorar o inexplorado, e o que a relação entre eles poderia ser.

“Baby, você vai perder o seu avião.”

Em contraponto aos dois românticos primeiros filmes da saga (ainda que de formas diferentes), Before Midnight é mais real e angustiante, ao abordar o relacionamento em uma fase diferente. Mais velhos e com filhas gêmeas, os anos que eles passaram juntos e a rotina que estabeleceram em Paris começa a criar fragmentos na relação, que apesar de ainda ser muito pautada pelo amor e pela conexão genuína que existe entre eles, também é cheio de mágoa, tristeza e frustração das expectativas que não foram alcançadas. Existe uma quantidade absurda de coisas a se comentar sobre o comportamento de Jesse, que tem uma personalidade que objetifica o papel de Céline na sua vida por meio dos seus livros, que ganharam continuações, mas ainda é ela que, mais uma vez, apresenta os sentimentos mais identificáveis e complexos.

Em Before Midnight, que acontece na Grécia, onde eles passam férias em família, ela explora sua idade e sua aparência, falando sobre a forma que os homens veem o seu corpo, agora com mais curvas, e colocando Jesse na jogada, questionando se afinal ele a convidaria para descer do trem em Viena se ela já estivesse com aquela aparência; ela também tem uma relação complicada com seu emprego atual e vê a possibilidade de mudar para um cargo no governo, sendo que Jesse estuda mudar para os Estados Unidos para ficar perto do filho (cuja guarda ficou perdida quando ele largou sua antiga vida para mudar para a Europa). O ponto é que essas dúvidas representam uma crise, catalisada pela necessidade de mudanças e aprofundadas pela falta de apoio do seu parceiro, que por ser homem não passa a questionar os sacrifícios que ela fez em prol do relacionamento.

Céline Before Midnight

O romantismo mutável de Céline, presente no primeiro filme e enfraquecido no segundo, já não existe mais. E ela mesma reconhece isso. Durante o começo do filme, ela comenta que antes gostaria de ter morrido ao lado de Jesse, para não ter que viver sem ele, mas que agora preferiria durar mais alguns anos após sua morte; depois, ironiza e questiona mulheres como Joana D’Arc, idealistas que deram a vida por uma causa.

É engraçado pensar que nem tudo é desgraça no longa-metragem e, apesar de ser considerado o mais realista e menos romântico dos três, uma das sequências mais bonitas da franquia em si acontece durante um jantar que eles estão tendo na Grécia, onde uma das companheiras deles na ocasião, uma mulher mais velha, fala sobre o que ela sente mais falta do marido, que já morreu. Ela diz que são as coisas mais simples: ele deitado ao seu lado na cama, contar as coisas mais banais do seu dia, andar na rua de mãos dadas. Para não esquecê-lo, ela lembra de pequenos detalhes da sua aparência ou da sua personalidade, mas que mesmo assim ele parece se distanciar cada vez mais. É outro estágio do amor, ainda mais maduro e estabelecido, cheio de lealdade, amor e segurança, mas que não deixa de ser importante. Jesse e Céline só não chegaram nesse ponto ainda.

“Como o amanhecer, o entardecer, nós aparecemos e desaparecemos. Somos tão importantes para alguns mas estamos apenas… passando.”

Ao contrário da maioria das pessoas, que parecem ter achado que o casamento deles iria inevitavelmente dar em divórcio, acredito que Céline e Jesse podem ter achado um jeito de se entender. Mas é impossível não perceber que parece mais fácil para ele achar um compromisso na relação, do que para ela. Assim como tudo na vida, as frustrações para ela são maiores justamente porque suas responsabilidades parecem mais opressoras, como se ela tivesse passado por muitos momentos da relação entre isolada e sem perspectiva.

É possível perceber esse aspecto em um momento onde Céline cobra o posicionamento de Jesse de um suposto caso que ele teve anos atrás. Na ocasião, ele estava viajando a trabalho e acabou dormindo com uma mulher que fazia parte do evento. Enquanto isso, Céline estava no apartamento deles cuidando das filhas, que ainda eram bebês recém-nascidas. “Você sabe que eu nunca considerei colocar nosso relacionamento em uma caixa limitada”, ele responde. A resposta parece conveniente já que na hora a responsabilidade de cuidar das filhas não recaía sobre ele, e que a solidão da tarefa ficou apenas para Céline, como é sempre com milhares de mulheres ao redor do mundo. Mais do que isso, usou da conexão que eles tinham para tentar justificar um deslize que ele teve uma vez que, na história, sua parceira deixa claro que ela não tinha a mesma interpretação deste suposto acordo criado por Jesse — e que favorecia apenas ele.

“Eu sei que você me ama. E que estou contente em ser um ser humano complicado. Não quero viver uma vida tediosa, onde duas pessoas são donas umas das outras, ou institucionalizadas em uma caixa que outras pessoas criaram porque isso é um bando de merda.”

A Céline de Before Sunrise, a Céline de Before Sunset e a Céline de Before Midnight são três pessoas completamente diferentes, mas uma não exclui as outras, pelo contrário. Elas representam uma evolução e todas as fases que uma mulher passa pela vida, da jovem idealista até uma pessoa madura, às vezes cansada e frustrada com os empecilhos apresentados pela vida. Mas a jornada vai além: sua personalidade, seus anseios e suas inseguranças são exploradas pelo roteiro com uma honestidade incrível pela parte de Delpy, fazendo com que sua trajetória se tornasse identificável, palpável e que falasse com milhares de pessoas que estavam assistindo. É inegável que ela é uma personagem que sempre carregou uma sabedoria incrível sobre a vida, ainda que esse sentimento tenha mudado: antes ingênuo e sonhador, depois melancólico e realista, e por último até mesmo um pouco cansado.

No auge dos 23 anos, não passei nem por metade das coisas que ela enfrentou, mas sinto que existem momentos nos três longas em que ela consegue captar exatamente os meus sentimentos. Falando com outras mulheres, mais velhas ou mais jovens, a experiência é a mesma. Céline é universal, assim com seus questionamentos. No final de Before Midnight, Jesse diz para ela que o relacionamento deles não é perfeito, mas é real. De certa forma, não existe nenhuma outra frase que resuma tão bem a essência de Céline: com uma jornada incrível, mas que sofreu com as imposições e as dificuldades de ser uma uma mulher moderna, ter filhos e um marido, lidar com a sua própria solidão e entender seus sentimentos. Alguém que cresceu, teve que trabalhar inseguranças e problemas, mas que mesmo assim construiu relações genuínas e importantes.

25 anos de depois que Before Sunrise foi lançado, ainda vale a pena discutir essa personagem tão atemporal. Talvez, o fato de que Céline seja construída como uma mulher tão real, ainda que seja escrita por homem, é o fato de que ela é baseada livremente em Amy Lehrhaupt, com quem Linklater compartilhou um romance parecido e breve, antes de escrever o primeiro filme. Ou talvez, seja o fato de que Delpy tem uma voz que se faz presente no roteiro, trabalhando na personagem que esteve com ela durante tantos anos. De qualquer forma, ela existe, é real.

A Céline que existe em mim, compreende a Céline que existe em você.

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7 comentários

  1. Uma visão bastante perspicaz sobre esta personagem feminina que gosto muito. Fui saber da existência do 1.º filme quando estreou o 2.º no cinema (Antes do Pôr-do-sol), em 2004, quando li sobre ele na antiga revista SET, que, ao iniciar a crítica deste filme, começava “Um homem, uma mulher, 9 anos depois…” (em referência ao título do filme “Um Homem, uma Mulher, Vinte anos Depois”, de Claude Lelouch). Quando assisti os dois primeiros filmes foi paixão à primeira vista, tão simples e tão profundo, o terceiro, que assistiria anos depois, é visceral – como a vida. Muitos fãs se digladiam para falar qual é o melhor filme, quando me questionam, eu pergunto “Qual fase da vida você está passando?”, pois para mim, os três filmes se completam e dialogam perfeitamente entre si, pois trata sobre nós mesmos em cada etapa de nossas vidas (1.º FILME: o que os jovens querem da vida; 2.º FILME: o que cada um esta vivenciando; 3.º FILME: o que a vida lhes trouxe baseada em suas escolhas). Muitos fãs querem o 4 filme (levando em consideração que a passagem de tempo de cada filme é de 9 anos e está próximo o aniversário de 9 anos do 3.º filme). No caso de Céline, nestas três fases em que se passa cada filme, não há motivos em não se apaixonar por essa mulher, pois ela é a força motriz que gira os filmes, sendo uma personagem complexa e real como cada mulher, com os seus sonhos, desejos, expectativas, força de vontade e, antes de tudo, humanas. Esta é uma saga cinematográfica que vale muito a pena ser sempre revisitada. Obrigado pela matéria, que me fez querer revisitar novamente estes filmes, que, para mim, faz parte do oásis criativo que há dentro de Hollywood. Parabéns!

    PS.: Há uma pequena esquete de Céline e Jesse no filme “Waking Life”, animação de captura de movimento do diretor Richard Linklater.

  2. Muito legal! Comecei a rever essa semana a trilogia e a Celine realmente é uma personagem muito marcante. Assisti o primeiro filme muito nova, esqueci dele e lembrei quando vi o before sunset. É uma história muito presente no meu imaginário e lendo o que você escreveu percebi que ela é uma referência mesmo pra mim.

  3. Adorei perdeu texto e relembrar os filmes e a Celine. Uma das melhores coisas que fiz nesta isolamento foi a assistir aos três filmes na sequência. Quero repetir.

  4. Que reflexão detalhista (e ao mesmo tempo direta) sobre o filme! Me fez passear pelas lembranças que guardo de cada um dos três.

    Mas um fato me chamou atenção: o que os aproxima no primeiro filme foi a briga do casal no trem. E o último filme trabalha justamente essa questão da briga de casal, porém com os protagonistas.

    Me faz pensar nas etapas que são possíveis viver dentro de uma relação. E no quanto precisamos ser criativos e ao mesmo tempo compreensíveis com as diferentes mudanças que ocorrem em nós e no outro.

    Ótimo trabalho 😊

  5. Eu amo tanto essa trilogia, ja assisti 2 vezes e li os roteiros , é tao incrivel, realmente esta tudo escrito lá. Me identifico tanto com celine e como voce tbm so tenho 22 anos , estou com a idade dela no primeiro filme mas consigo a entender ate com os seus 40 e tantos. Ela é um exemplo de realismo no cinema, uma das melhores personagens femininas (geral tbm), daquelas que nunca vao ficar ultrapassado.