Posts de:

Luana P.

LITERATURA

Quantas obras escritas por mulheres negras você já leu?

A pergunta lançada no título parece simples, mas torna-se preocupante quando percorremos os olhos pelas nossas prateleiras de livros lidos. Indo além: denuncia a extensão da problemática que, infelizmente, transita pelas nossas estantes. A visibilidade da produção literária de mulheres negras é ainda baixa, mesmo hoje, com uma recente mudança de perspectiva do mercado editorial quanto à publicação dessas autoras e também do público leitor quanto a sua recepção. Contudo, muito antes deste movimento de reconhecimento, escritoras negras já faziam história sendo precursoras em seus caminhos pela literatura; elas enfrentaram a opressão da sociedade, foram contra o discurso vigente e, no processo, ganharam prêmios nunca antes dados a elas. Historicamente, as mulheres negras vêm produzindo literatura, apesar das barreiras estruturais. Pensando nisso, preparamos uma lista com exemplos de livros de escritoras negras que, de algum modo, foram pioneiras em suas trajetórias.

Continue Lendo

LITERATURA TV

Píppi Meialonga: por uma representatividade positiva de meninas na Literatura Infantil

Conheci a personagem Píppi Meialonga através de uma antiga série de TV dirigida por Olle Hellbom em 1969 e protagonizada por Inger Nilsson. Na época, eu era ainda muito menina e não sabia que a produção tinha por inspiração o mundo das letras impressas; foi somente mais tarde que eu descobri que por trás das telas existiam páginas de papel. Além desta, houve outra adaptação cinematográfica, As Novas Aventuras de Píppi Meialonga, dirigida por Ken Annakin em 1988, e também uma série animada, As Aventuras de Píppi Meialonga, lançada em 1997. Todos esses enredos são baseados na coleção de três livros da escritora sueca Astrid Lindgren, editados entre 1945 e 1948. O primeiro livro da trilogia, Píppi Meialonga (no original, Píppi Långstrump), foi escrito inicialmente apenas como um presente para o aniversário de dez anos de sua filha, mas a história conquistou a todos e foi traduzida para cerca de 80 idiomas, do árabe ao zulu. Essa foi a obra de maior sucesso da autora e lhe concedeu diversos prêmios, entre eles, o prestigiado Hans Christian Andersen – maior prêmio de Literatura Infantil. Continue Lendo

CINEMA TV

Os estereótipos da mulher latina nas produções hollywoodianas

No cinema e TV norte-americanos, as mulheres latinas são vistas sob duas óticas opostas: uma mulher jovem de corpo curvilíneo, bronzeado e incrivelmente sexy, ou uma mulher “madura”, pouco atraente e frequentemente no papel estereotipado de Empregada Latina. O segundo estereótipo costuma passar tão despercebido que os nomes das atrizes que o interpretam são pouco fixados em nossas memórias. Já o primeiro perfil desdobra-se em dois estereótipos amplamente utilizados nas telas: a Mulher Latina Sexy, como a personagem de Penélope Cruz no filme Zoolander 2, dirigido por Ben Stiller, de 2016, e a Mulher Cabeça-Quente, que é tão extravagante quanto bonita, como a ruidosa personagem de Sofia Vergara na série televisiva Modern Family, no ar desde 2009. Citar uma atriz consagrada em Hollywood, como Penélope Cruz (de origem espanhola), e a atriz Sofia Vergara (de origem colombiana), atualmente a mais bem paga da TV norte-americana, é importante para demonstrar que nem mesmo elas conseguem se descolar do perfil “mulher latina” e que esses não são estereótipos antigos que já caíram em desuso pela produção hollywoodiana. Os estereótipos da mulher latina nessas produções persistem como uma equivocada representação. Continue Lendo

CINEMA LITERATURA TV

As cientistas: para conhecer a história de mulheres incríveis

Em 1901, Annie Jump Cannon, uma jovem com deficiência auditiva graduada em física e astronomia, publicou seu primeiro catálogo de espectro estelar após liderar uma equipe que foi responsável por criar um método para catalogar estrelas. Em 1908, Henrietta Swan Leavitt publicou seus resultados sobre estrelas variáveis situadas nas Nuvens de Magalhães, dando origem a lei de Leavitt-Shapley que, ainda hoje, os astrônomos usam pra medir o tamanho do Universo. Em 1923, Cecilia Payne deixou o Reino Unido rumo aos Estados Unidos, pois a Universidade de Cambridge não concedia diploma para mulheres, e foi na América que Payne tornou-se a primeira cientista a mostrar que o Sol é composto principalmente de hidrogênio.

Continue Lendo

LITERATURA TV

Não há prisão para a alma: a história de Sór Juana Inés de La Cruz

O desejo avassalador de escrever preso em um corpo de mulher. Uma prisão de poucos espaços. Às mulheres, o espaço da vida religiosa, do casamento, das costuras, dos bordados, da cozinha e o cuidado dos filhos que conservam envoltos nas barras de suas saias. Nenhum outro é permito a elas. Em meio a esse desejo de adentrar espaços interditos, alimentado por muitas, conquistado por poucas, surgiu Juana Inés de Asbaje, mais conhecida como Sór (Irmã) Juana Inés de La Cruz, uma freira e escritora do período barroco hispano-americano do século XVII.

Continue Lendo