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As problemáticas do ideal romântico e dos papéis de gênero em dramas asiáticos

Séries asiáticas são popularmente conhecidas entre os fãs como doramas, uma referência à pronúncia oriental da palavra drama, nome pelo qual estas séries também são conhecidas. Os dramas asiáticos surgiram com a invasão japonesa na Coreia em uma época em que apenas as transmissões de radionovelas em coreano eram formas de entretenimento permitidas no idioma; com a inauguração do canal de TV coreano KBS, em 1961, os dramas migraram para a televisão com um formato inspirado em séries ocidentais. Com o decorrer do tempo esse tipo de produção popularizou-se por toda a Ásia, como na Tailândia (lakorns ou thai-drama) e na China (c-drama), contudo o Japão (j-drama) e principalmente a Coreia do Sul (k-drama) são os países detentores dos dramas mais populares. Geralmente essas séries são exibidas duas vezes por semana na televisão e sua duração varia de acordo com a nacionalidade; o mais comum são 16 episódios de 60 minutos cada e, dificilmente, possuem mais de uma temporada.

No universo dos dramas, diversos tropos são repetidos incansavelmente. As séries seguem sempre um ritmo e trama esperados; especialmente nos dramas de romance há sempre um galã absurdamente talentoso (na música, nos esportes, nos estudos… em tudo ao mesmo tempo) e um tantinho arrogante, mas que, inesperadamente, se apaixona por uma garota tímida e frágil. Para esse pacote ser completo, o rapaz é rico e a moça pobre, vinda de uma vida sofrida e exatamente por isso, muito esforçada em seu trabalho. Como empecilho a esse par romântico é comum a existência de um triângulo amoroso, de preferência com a presença de um personagem secundário que alimenta uma paixão platônica pela mocinha e que também funcione como alívio cômico. Uma vilã em total oposto à mocinha também pode surgir, e ela certamente não medirá esforços para alcançar o que deseja, isto é, estar com o galã. Os dramas asiáticos românticos são conhecidos por ter um número pequeno de personagens que giram em torno do núcleo principal composto pelo par romântico. Nesse cenário, a presença da mãe do protagonista também é comum: ela costuma aparecer ou como uma personagem megera ou como superprotetora, ambas mães que interferem no destino do filho com a mocinha – fato que é um reflexo direto da relação geracional conturbada entre sogras e noras na Coreia do Sul, por exemplo, na qual uma geração de mulheres nascidas após a década de 80 já estão no mercado de trabalho e, ao contrário de suas sogras, não “cuidam” do marido, dos filhos e de todas as tarefas domésticas sozinhas.

Nesse sentido, dramas não são diferentes das nossas conhecidas novelas latinas: o romance é previsível, o final feliz é evidente e o alívio cômico marca forte presença. Porém, o plano de fundo dos dramas tende a ser muito mais variado, alterando também a força com que os clichês citados acima operam: há os que se passam em escolas de ensino médio (como Boys Over Flowers), em ambientes corporativos (como Jugglers), na área médica (como Blood), da gastronomia (como Let’s Eat), em tramas militares (como Descendant of Sun) e em tramas no mundo da moda (como Atelier) ou música (como Spark), tendo o roteiro envolvido em fantasia (como Goblin) ou mistérios (como Misty) ou eventos sobrenaturais (como Oh My Ghostess) ou alienígenas (como Man From The Stars) e até mesmo ficção científica (como I’m Not A Robot), podendo se ambientar no período das dinastias, ou, como a maioria, na atualidade. A questão é: dificilmente um drama não possui um envolvimento romântico como ponto decisivo. E o amor é sempre arrebatador, um ideal romântico de amor verdadeiro que triunfará.

É compreensível que existam diferenças culturais em séries asiáticas em comparação com as ocidentais. No entanto, algumas questões extrapolam essa prerrogativa e necessitam ser discutidas; a principal delas é o machismo observado especialmente no ideal romântico. Nos rapazes, características como serem “levemente arrogantes” são vistas como charmosas e em diversos casos acabam por compor personagens emocionalmente frios e de comportamentos insensíveis. É frequente cenas em que a garota tida como seu par romântico é tratada de forma humilhante, tendo sua autoestima, frequentemente já baixa, ainda mais soterrada. A cada novo drama, as histórias repetem-se: os homens são gênios (porque eles são perfeitos em todas as áreas) bem-sucedidos e considerados inacreditavelmente lindos e, por isso, é válido humilhar, menosprezar e serem absurdamente rudes com as garotas que, claro, são menos inteligentes, ingênuas e altamente deslocadas. É também muito frequente nessas histórias o par romântico viver situações que buscam justificar as atitudes grosseiras e os abusos verbais do homem, que tem sempre um motivo para ser como é, cabendo à mulher ser paciente e mudá-lo, isto é, passar toda a trama correndo atrás dele sem sucesso. Quando uma migalha de atenção e uma atitude inesperada de interesse romântico surgem da parte masculina, isso é enaltecido como um acontecimento valioso, quase um favor dele para com sua amada. Essa estrutura configura em relacionamentos que são expressos como sendo amorosos, mas acabam por ser abusivos. É tóxica a maneira como os dramas são alicerçados nesses elementos que evidenciam um caráter machista representado e normalizado nas telas. Mischievous Kiss (2013-2015) é um ótimo exemplo deste tropo e que apesar desses elementos controversos foi um drama japonês (adaptado do mangá shoujo Itazura na Kiss, escrito e ilustrado por Kaoru Tada) tão popular que chegou a ganhar uma segunda temporada, algo incomum para dramas asiáticos, e versões em diversos países: It Started With a Kiss [taiwanese], They Kiss Again [taiwanese] e Playful Kiss [coreana].

Como apontado por uma usuária no fórum do site My Drama List, diversos dramas asiáticos promovem valores e modelos de relacionamento preocupantes: são comuns cenas em que o homem age agressivamente com uma mulher, como um “beijo violento inesperado” ou quando à pega pelo pulso e começa a arrastá-la. Já vimos cenas como essas em My Sunshine, em Coffe Prince, em Secret Garden e em Boys Over Flowers, para citar apenas alguns dramas de sucesso. Supostamente, esses comportamentos mostrariam o quão viris os homens são e o fato de que eles, tão incapazes de expressar seus sentimentos, devem usar a força. Todas essas cenas são retratadas como fofas e românticas, um sinal de atenção da parte masculina. Estamos abordando um contexto de relacionamentos românticos, mas a representação em dramas asiáticos de cenas de abuso físico e psicológico, claramente machistas e misóginas, se estende ao ambiente de trabalho, como exemplificado em uma matéria do site Soompi.

Nos dramas, os papéis de gênero reservados às mulheres consistem na dicotomia boa x má: a mulher é retratada como submissa e dócil (portanto boa mulher) ou como independente e contestadora (portanto má mulher). À mulher cabe apenas esperar pelo primeiro passo do homem, uma vez que é considerado vergonhoso para ela ser sexualmente ativa ou pelo menos interessada; ela deve parecer sempre surpresa ao ser beijada ou tocada. Por isso, em cenas de beijo, é comum que a mocinha, a representação da boa mulher, tenha poucos movimentos labiais e permaneça de olhos abertos, completamente surpresa, pois isso demonstraria o quão “pura” e “inexperiente” ela é – ou deveria ser. As mulheres que demonstram o contrário, isto é, sinais de desejo e atração, geralmente são retratadas no papel de vilãs.

Outro elemento amplamente compartilhado nos dramas asiáticos que vale mencionar é a valorização da imagem – não que este fator também não seja questionável nas séries ocidentais, mas guardamos aqui um foco –, a aparência física é um elemento muito enaltecido. Para os garotos o corpo atlético e o estilo do cabelo são valorizados, para as garotas, por outro lado, é preciso mais: é fundamental um corpo magro, um rosto que nunca aparente estar cansado e que permaneça jovem – comentários depreciativos sobre olheiras e o surgimento das rugas, além de acusações de “bochechas cheinhas” em garotas evidentemente magras, são muito comuns. A juventude eterna é, inclusive, a máxima cobrada às mulheres, estar na casa dos 30 anos e ainda solteira costuma ser um terror que assola muitas personagens em dramas asiáticos, como é representado em I Need Romance 2012, por exemplo, que apesar de ser um drama que fala abertamente sobre sexo e relacionamentos, ainda prende a mulher à cobrança de estar em um compromisso com o sexo oposto. Podemos ainda entrar no critério de como as séries asiáticas partem de uma ideia completamente heteronormativa. Por outro lado, apesar de os dramas asiáticos promoverem a valorização estética e alusões aos corpos, o contato físico é pouco frequente, dificilmente há cenas de sexo ou aproximações sexuais (os dramas taiwaneses são mais abertos nesse sentido) e até mesmo o primeiro beijo demora a acontecer – como nos dramas coreanos em que o primeiro beijo costuma ser um singelo encostar de lábios que representa o ápice da série, o sinal de amor verdadeiro.

A presença desse tipo de atitude nos dramas se relaciona diretamente com questões profundamente enraizadas na cultura e na sociedade asiática, como apontado na matéria “O Confucionismo e os papéis femininos nos k-dramas” do site Seoulbeats. Um estudo conduzido por Avid Lin durante o ano de 2005 investigou a opinião da audiência de dramas coreanos em Hong Kong e em Singapura e apontou que a maior parte do público tinha interesse pelos dramas coreanos por eles preservarem “valores tradicionais (‘asiáticos’) embalados em uma atraente estética moderna”. Algumas das descrições que esses espectadores, particularmente os homens, faziam das personagens femininas eram de que elas eram “calmas”, “ternas”, “delicadas e tocantes”, “fiéis ao amor”, “dispostas a se sacrificar” e sempre colocavam o amor e seus parceiros masculinos como prioridade. Valores estes profundamente identificados com o Confucionismo.

Nas sociedades asiáticas o papel das mulheres sempre foi limitado à maternidade e ao casamento, as opiniões masculinas em geral são mais valorizadas e resta ainda na cultura a preferência por filhos em lugar de filhas. É alarmante que, na Coreia do Sul, por exemplo, o movimento anti-feminista tenha aumentado entre os homens sul-coreanos, particularmente no espaço online em que um número crescente de postagens expressam desaprovação em relação ao movimento feminista e às ídolos mulheres que defendem ou estão associadas ao feminismo. Em contrapartida, a discriminação sexual nas sociedades asiáticas é uma temática que tem ganhado atenção; as mulheres sul-coreanas têm se posicionado em favor do movimento feminista, lutando contra o padrão distorcido de beleza que propaga o culto à magreza no país, por exemplo. A youtuber Helena, sul-coreana que fala português em seus vídeos, do canal Coreaníssima, abordou o tema explicando como pessoas gordas para o padrão coreano são ridicularizadas na mídia e como as sul-coreanas são pressionadas a serem magras até mesmo pelo mercado de trabalho, que discriminam mulheres com base em sua aparência, ou seja, o padrão de “mulher bonita” (magra e jovial) considerado no país. A ridicularização de uma mulher que não atende aos padrões de beleza é algo transposto nas telas, como podemos observar no k-drama Let’s Eat em que a personagem Oh Do-yeon sempre recebe comentários sarcásticos e irônicos por ser considerada feia.

As problemáticas tão evidentes do ideal romântico e dos papéis de gênero nos dramas asiáticos nos faz pensar no público que consome esse produto: esse ideal corresponde ao desejo de quem assiste? Por que (em sua maioria) garotas continuam assistindo a esses dramas nos quais as personagens femininas são tão sub-representadas e subjugadas? Um estudo de 2005 conduzido por Lee Dong-ho entre jovens coreanas que consumiam regularmente dramas de TV japoneses nos mostra que o público também tem mudado no decorrer dos anos. Apesar da crescente popularidade dos dramas coreanos naquela época, as jovens consideravam os dramas japoneses mais atraentes exatamente por conterem uma representação de gênero mais adequada, na qual as protagonistas femininas tinham uma vida para além do relacionamento romântico e crescimento profissional. Um reflexo disso é como as produções recentes no mercado dos dramas têm adotado novas formas de trabalhar relacionamentos em seus enredos. Age of Youth é um exemplo de drama que adota essas novas posturas: nele as histórias não só giram muito mais em torno do desenvolvimento pessoal de cada personagem, sendo os relacionamentos românticos apenas mais uma área da vida de cada uma delas, como também são adicionados relacionamentos de amizades com maior foco narrativo e diversos debates importantes são abordados ao longo dos episódios, inclusive sobre relações românticas abusivas. Tamanho foi o aceite do público a esse tipo de produção, que o drama ganhou uma segunda temporada.

Os hábitos asiáticos mudaram, países como a Coreia do Sul já apresentam novos modos de vida, se antes a casa tradicional coreana consistia em três gerações que viviam juntas, cada vez mais isso vem mudando, atualmente poucos pais vivem com os filhos e menos pessoas acreditam que o casamento é uma obrigação, o feminismo também tem se expandido no país, debates sobre a violência infringida às mulheres e as ideias fixas sobre os papéis de gênero têm sido questionados. Os dramas asiáticos são entretenimento e, com efeito, um pedaço da cultura que expressa temáticas presentes na sociedade; assim, é esperado que eles acompanhem suas mudanças – até mesmo por exportarem para um público global mensagens distintas sobre a vida nesses países. Enquanto público, nós também temos um papel: precisamos ir além e refletir criticamente sobre os elementos problemáticos dos dramas asiáticos e demandar por produções que partam de uma abordagem mais madura, humanizada e atual das sociedades asiáticas, desconstruindo e reconstruindo ideais de amor romântico, amizade e tantas outras relações.

11 comentários

  1. Que texto ótimo! Parabéns!
    Sei que esse não é o foco dos textos, mas se você também assistir os BLs, podia escrever sobre eles e as representações de LGBTs.
    Comecei a assistir os BLs e tenho percebido (e me incomodado) com muitas coisas do roteiro.

    1. Os BL’s, especialmente os chineses e taiwaneses, são bem complicados pq a maioria explora relacionamentos abusivos como algo aceitável.
      Na Tailândia e na China muitas dessas histórias derivam de “fanfics” ou “web histórias” de sucesso na internet, como Lovesick (tai), Heroin/Addicted (chinesa), etc.
      Eles também heteronormatizam esses relacionamentos colocando um dos homens “menor, mais delicado, frágil e afeminado”, geralmente como “passivo” e outro mais controlador e abusador, “mais masculino e dominador”. Sem contar que em muitas histórias o primeiro beijo ou relação sexual ocorre quando pelo menos um dos dois está alcoolizado e muitas vezes sem o seu consentimento (estupro). São bem poucas as histórias que não tem uma ou outra problemática, e é preocupante também por causa do público-alvo das histórias: adolescentes do sexo feminino, a maioria se dizem heterosexuais, que leem ou já leram histórias do tipo yaoi nos mangás japoneses (que também têm os mesmos problemas muitas vezes).
      Essas histórias não foram feitas pensando nos homens gays/bi/pan, romantizam relacionamentos homosexuais e pior, normalizam coisas como relacionamento abusivo, estupro e heteronormatização de relações homoafetivas.
      Eu sou mulher e bisexual, procuro asisstir diversas produções LGBT pra ver a forma como éramos e somos representados na mídia e infelizmente sinto que, apesar de existir um grande volume de lakorns e filmes tailandeses, ainda há muito o que avançar na representação dos BL por lá.

      (isso porque não falei dos relacionamentos entre mulheres e de personagens trans)

  2. “As séries seguem sempre um ritmo e trama esperados”. Discordo, talvez muitos dramas românticos sejam assim (e nem nesses todos são assim, já viu Ho Goo´s Love ou Weightlifting Fairy? só pra não citar os de final trágico, que não seguem o esperado apesar de, nós que assistimos, querermos muito isso!), porém existe um universo imenso de outras séries asiáticas que não se baseiam em romances e que até criticam bastante os papéis de gênero. Acho que muito do texto reforçou um monte de preconceitos que as pessoas no geral já tem com os dramas e poderia colocar um contraponto (só citar Age of youth foi insuficiente, num universo onde existem Ode to Joy, Mondai no Aru Restaurant, Because this is my first life, pra só citar alguns), além de alguns dramas citados também fugirem do que o próprio texto diz como normal (Coffee Prince, por exemplo, a protagonista é que tem a iniciativa de ter relação sexual, mas vcs a descreveram como a mocinha indefesa e virginal o que não é verdade em absoluto). Tb acredito que histórias como Mischievous Kiss deveriam ser logo relegadas ao esquecimento, mas não é só delas que o universo dorameiro sobrevive, no entanto o texto acabou jogando infelizmente todos os dramas no mesmo balaio.

    1. Gostaria de abrir um parentese, estamos em 2020, aqui no Brasil para ter acesso a Doramas você tem que pagar , não é conteúdo público, e porque faz tanto sucesso aqui e em tantos outros países ocidentais? Porque as pessoas amam assistir conteúdo machista asiático e tudo o que foi descrito no texto? As pessoas se apaixonam por esses textos e por breve momento querem ser o galã e a mocinha e ficam viciadas por essas novelas e filmes, tanto que se criou grupos, nomes, comunidades exclusivamente para dorameiros. Então, deve haver um boi na linha entre o raciocinio desse texto com a realidade.

  3. “As séries seguem sempre um ritmo e trama esperados”. Discordo, talvez muitos dramas românticos sejam assim (e nem nesses todos são assim, já viu Ho Goo´s Love ou Weightlifting Fairy? pra não citar os de fim trágico, mocinhos tb morrem), porém existe um universo imenso de outras séries asiáticas que não se baseiam em romance e que até criticam bastante os papéis de gênero. Acho que muito do texto reforçou um monte de preconceitos que as pessoas no geral já tem com os dramas e poderiam colocar um contraponto (só citar Age of youth foi insuficiente, num universo onde existem Ode to Joy, Mondai no Aru Restaurant, Because this is my first life, pra só citar alguns), além de alguns dramas citados também fugirem do que o próprio texto diz como normal (Coffe Prince, por exemplo, a protagonista é que tem a iniciativa de ter relação sexual, mas vcs a descreveram como a mocinha indefesa e virginal o que não é verdade em absoluto). Tb acredito que histórias como Mischievous Kiss deveriam ser logo relegadas ao esquecimento, mas não é só delas que o universo dorameiro sobrevive, no entanto o texto acabou jogando infelizmente todos os dramas no mesmo balaio.

  4. Olá!

    Bom, eu gostaria de fazer algumas observações, pois este é um universo que amo muito e também escrevo sobre ele. Antes, queria dizer que doramas são as novelas japonesas porque esta é a pronúncia deles; os coreanos, por sua vez, pronunciam drama mesmo, então é assim que chamamos.

    Acho que se partirmos de histórias como Boys Over Flowers ou Playful Kiss, teremos uma imagem distorcida do que os dramas realmente são. Sim, essas histórias representam bem o lado negativo da cultura, patriarcal, machista, com a mulher sendo inferiorizada, mas considero tais histórias ultrapassadas perto do que se tem visto nas produções asiáticas, sobretudo coreanas. As mulheres estão ganhando cada vez mais o protagonismo e falando sobre tudo, vide Age of Youth, The Package, The Best Moment to Quit Your Job, Miss Hammurabi, Strong Woman Do Bong Soon, Because This is My First Life. E até mesmo os romances estão fugindo dos clichês moço rico poderoso x mocinha pobre batalhadora (Healer, Fight My Way, DOTS, Oh My Venus, Fated to Love You). Esta história ainda existe? Claro! Mas não é regra e não define o que são dramas.

    Segundo, os dramas coreanos não se resumem aos romances, e arrisco dizer que suas melhores histórias estão justamente fora deste gênero, vide o premiado Mother (que concorreu em Cannes), Stranger, Voice, My Ahjussi, Bad Guys, entre outros. São muitas, muitas opções de qualidade e que nos apresentam várias vertentes de uma cultura muito rica.

    1. Concordo em partes com você, mas ainda acho alguns Doramas bem abusivos, mesmo sendo lançados no ano passado,(Clean With Passion Now, de 2018, com primeira publicação há 6 anos atrás), abordam muito esse esteriótipo de jovem que precisa ser cuidada e arrastada, porque não pode se cuidar sozinha. Mas vejo que citou, vários bons exemplos, com foco não romântico.

  5. Fiquei decepcionada com o site que respeito depois dessa publicação superficial. Sei que vocês quiseram problematizar, mas a falta de conhecimento do gênero por parte de quem escreveu só fez parecer desinformação e pesquisa preguiçosa, caindo até num viés preconceituoso.
    Primeiro que, dorama vem da pronúncia japonesa, os coreanos falam drama mesmo com um sotaque pesando um pouco no R. Mas esse erro é o de menos.
    “Os dramas asiáticos surgiram com a invasão japonesa na Coreia em uma época em que apenas as transmissões de radionovelas em coreano eram formas de entretenimento permitidas no idioma;” vocês tem a fonte? Essa frase tá mal colocada, doramas não começaram só na ocupação, eles podem ter sido exportados nesse período, mas já eram produzidos no Japão, independente de exportação. Os mais populares atualmente são os coreanos por uma linguagem mais próxima do ocidental (os japoneses e demais são diferentes). Nem tudo gira em torno da Coreia, a nível de produção de entretenimento o país é uma novato comparado ao Japão, porque a Coreia não tinha dinheiro pra isso, o país era muito pobre.
    O texto faz muitas colocações pertinentes, é fato o machismo romantizado e os clichês se repetindo eternamente (vide Itazura e BOF que a Ásia não deixa morrer). Mas o próprio texto se contradiz quando cita Descendants of the Sun, Let’s Eat, Oh My Ghostess e Misty, só pra dizer alguns exemplos, que não tem “homem rico mulher pobre”, os casais tem outros dilemas. Senti uma generalização superficial de quem citou exemplos sem sequer assistir.
    Coffee Prince, citado no texto, um k-drama de 2007, não tem a “dicotomia boa x má” e comportamento puritano em relação a sexualidade feminina. Assim como doramas mais antigos ainda, de 2004 como Sorry, I Love You, não tem final feliz. E tantos outros, inclusive bem atuais, onde o romance não é o foco, como My Ahjussi, Stranger (Secret Forest), Mother.
    Tive a impressão que foi muito utilizado o catálogo da Netflix como base, que é bem fraco e raso a nível de dramas asiáticos. Recomendo procurar outras plataformas especializadas como DramaFever e Viki. Age of Youth não é nem de longe o único exemplo que discute padrões de gênero. Recomendo Strong Woman Do Bong Soon, Ode to Joy, Because this is my first life, Miss Hammurabi, Weightlifting Fairy Kim Bok Joo. Recomendo também a leitura de blogs como Love Code (http://www.lovecode.com.br/blog), Lu na Dramaland (http://www.lunadramaland.com.br), Além do que se Vê (https://medium.com/alémdoquesevê),
    Elfo Livre (https://www.elfolivre.com.br) e conhecer o projeto Dorameiras Feministas, grupo no Facebook e Twitter (https://twitter.com/doramafeminista).
    Não comento isso apenas como fã, mas como jornalista que ficou desapontada. A sociedade patriarcal deve ser criticada em qualquer mídia, mas vamos fazer isso com mais atenção e cuidado, por favor.

  6. Concordo em partes com você, mas ainda acho alguns Doramas bem abusivos, mesmo sendo lançados no ano passado,(Clean With Passion Now, de 2018, com primeira publicação há 6 anos atrás), abordam muito esse esteriótipo de jovem que precisa ser cuidada e arrastada, porque não pode se cuidar sozinha. Mas vejo que citou, vários bons exemplos, com foco não romântico.

  7. Sim! Comecei a ver alguns dramas asiáticos há alguns meses e isso me incomodou bastante, uma inferiorização do papel feminino perante o seu par romântico, especialmente em c-dramas. A forma como no início apresentam a mulher como sendo de personalidade forte e inteligente (vide Love o2o, Meteor Garden, A love so beautiful e good morning call), para no decorrer da série ela se tornar totalmente e invariavelmente dependente do rapaz – Algo como, elas são sim fortes e independentes, mas não mais que os homens.
    Sei que a Ásia é ainda bastante atrelada a essas práticas, mas espero que isso possa ser alterado. Concordo com todas as suas pontuações, ótimo texto.

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