LITERATURA

Socorro Acioli, sua cabeça do santo e porque devemos valorizar a literatura que nos representa

Socorro Acioli

Parece bobeira, mas a gente está tão acostumada a viver sob a redoma do raio internacionalizador que desacostumamos a dar de cara com algo que seja nosso e nos represente de uma forma mais próxima. Tendo me tornado uma recente apreciadora da literatura contemporânea brasileira, me pego pensando com frequência em como é gostoso se sentir fazendo parte das coisas, entendendo o idioma falado (e quando eu digo entender o idioma é entender além do cru, entender as piadas internas, entender os gracejos).

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CINEMA

Crítica: Versões de um Crime

Versões de um crime

Depois de assistir a minissérie People v. O.J. Simpson: American Crime Story, é fácil não se convencer com histórias de tribunal. A série é excelente e conseguiu construir tão bem a tensão do julgamento que ficava mais nervosa a cada episódio, mesmo sabendo qual seria o fim da história. Para mim, uma boa história é uma boa história; não importa se já se sabe o final. Spoilers podem estragar um pouco da surpresa, mas se a história é bem contada, não faz muita diferença.

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TV

Call the Midwife além da fronteira: a luta e a esperança das mulheres da África do Sul

Call the Midwife

Desde que Call the Midwife se tornou um programa de prestígio na televisão britânica, garantindo uma audiência cada vez maior dentro do seu país de origem e do resto mundo, o enredo dos seus episódios tem se tornado cada vez mais preciso na hora de abordar questões culturais, sociais e históricas. Há muito a série deixou de ser um programa essencialmente sobre parteiras, mães e bebês – agora, trata primordialmente de uma visão delicada sobre as características humanas de todas as pessoas, celebrando a diversidade que existe no mundo e tratando-a com a naturalidade que deveria ser comum; isto é, se seguirmos o que pregamos e enxergarmos o coração das pessoas antes do seu físico e respeitarmos toda a sua história.

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MÚSICA

Melanie Martinez: “um pouquinho de açúcar, mas muito veneno também”

Melanie Martinez

Na primeira vez que Melanie Martinez se apresentou em rede nacional, em 2012, seus espectadores mais importantes estavam de costas para ela. Porque é assim que funciona no The Voice, talent show americano que visa descobrir novos talentos musicais com base na habilidade vocal do candidato acima de tudo. No começo não é preciso demonstrar presença, tampouco habilidades performáticas, tanto quanto é preciso demonstrar confiança e autocontrole. Cantando uma versão acústica de “Toxic”, de Britney Spears, enquanto tocava violão com as mãos e pandeiro com os pés, Melanie fez três das quatro cadeiras virarem para ela: as de Adam Levine, Blake Shelton e Cee Lo Green. Escolhendo o time de Adam, esse foi o primeiro capítulo dela como cantora profissional.

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CINEMA

Crítica: A Glória e a Graça

A glória e a Graça

Vamos fazer um exercício de imaginação. Você é mãe solo de dois filhos, que você cria e sustenta muito bem sozinha. Exceto pelos filhos, a única família que você tem é um irmão que você não vê há quinze anos. Um dia você começa a ter uma dor de cabeça que não passa, vai ao médico, e descobre que vai morrer. A qualquer momento. É assim que começa A Glória e a Graça, filme brasileiro dirigido por Flávio Ramos Tambellini, que estreia nos cinemas em 30 de março.

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TV

Se você não gosta do que estão dizendo, mude a conversa: a trajetória de Peggy Olson

“Em pouco tempo e com sorte você virá morar na cidade. Mas se você tiver sorte mesmo você ficará no subúrbio e não terá que trabalhar”.

Essa é uma das primeiras frases que Peggy Olson, interpretada pela brilhante Elisabeth Moss durante as sete temporadas de Mad Men, ouve ao chegar ao escritório da Sterling Cooper para seu primeiro dia de trabalho como secretária. Quem diz isso a ela é Joan Harris (a também brilhante Christina Hendricks), coordenadora das secretárias da agência, depois de questioná-la sobre o número de trens que precisava pegar para chegar em Manhattan vinda do Brooklyn (apenas um). Naquele momento, uma manhã de algum dia qualquer do ano de 1960, nenhuma das duas tinha como saber que o futuro que as esperava não tinha absolutamente nada a ver com o subúrbio, muito menos que isso não era ruim — muito pelo contrário.

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