MÚSICA

Dolly Parton: um símbolo de resistência no mundo da country music

Don’t think I’m dumb
‘Cause this dumb blond ain’t nobody’s fool

Não pense que sou burra
Porque essa loira burra não é brinquedo de ninguém

Toda vez que penso no refrão de Dumb Blond, primeiro hit de Dolly Parton e que abre este texto, um sorriso irônico escapa de meus lábios. Se você analisar a letra dessa música, concordará que existe uma ironia entre a letra e quem a canta. Porque de “dumb” Dolly Parton nunca teve nada. Outro trecho da mesma música rapidamente vem à mente: and you know if there’s one thing this blond has learned/blonds have more fun [e, você sabe, se tem uma coisa que essa loira aprendeu, é que as loiras se divertem mais]. De fato, ninguém se divertiu mais do que Dolly Parton. Do disco ao country, a cantora já passeou por todos os gêneros musicais. Ela já fez cinema. Ela tem o próprio parque de diversões, a Dollyland, uma espécie de culto a si mesma. Estamos sempre conhecendo uma nova faceta de Dolly.

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CINEMA

Crítica: A Chegada

À primeira vista, A Chegada, filme mais recente do diretor Dennis Villeneuve, pode se parecer com mais um dos inúmeros blockbusters de ficção científica que são lançados ano sim, outro também. Está tudo lá, conforme manda o figurino: os alienígenas que chegam inesperadamente na Terra, as autoridades que tentam manter o controle da situação e estabelecer algum tipo de comunicação com os invasores; a população desesperada, instaurando pânico nas ruas do mundo todo. Contudo, é por trás dessa premissa aparentemente banal que se esconde a verdadeira história que transforma A Chegada senão no melhor filme do ano passado, ao menos em um dos mais especiais.

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TV

Kara e Alex Danvers: o poder das irmãs em Supergirl

Quando comecei a assistir Supergirl, logo após sua estréia em 2015, não estava preparada para gostar tanto da série. Com um frescor totalmente novo para seriados sobre super-heróis, as tramas envolvendo a última filha de Krypton sempre prezaram por um discurso livre de preconceitos e repleto de empoderamento feminino – mesmo que muito didático, no começo –, nos presenteando com uma série como há muito não se via. Dentre todas as tramas e personagens carismáticos, um dos relacionamentos mais preciosos que a série nos dá é justamente o das irmãs Alex (Chyler Leigh) e Kara (Melissa Benoist).

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CINEMA

Crítica: Assassin’s Creed

Se a taxa de divórcios entre adaptações cinematográficas fosse uma realidade, o casamento entre cinema e games seria um desses relacionamentos fadados ao fracasso, mesmo que, a princípio, tenham sido cercados de inestimável potencial – potencial esse que, no caso, surge na forma de narrativas repletas de mitologias riquíssimas que parecem perfeitas para tomar forma na tela do cinema até de fato serem colocadas em prática. Embora Assassin’s Creed tenha sido vendido como um retorno triunfal dos filmes baseados em franquias que fizeram sucesso nos games, a maior parte da crítica especializada não parece muito disposta a abraçar esse recomeço – e imaginar o por quê disso tudo não é exatamente a tarefa mais difícil do mundo.

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LITERATURA

Adolescência e padrões estéticos em Sorria

Sorria - Reina Telgemeier

Sorria é uma história em quadrinhos autobiográfica de autoria de Reina Telgemeier. A obra conta a história da adolescência da autora com um enfoque curioso: os dentes. Desde o título e capa da obra, até o recorte temporal da trama são balizados pela história dental da personagem, trazendo à tona logo de cara um tema que ocupa espaço de destaque na vida de todas nós, especialmente na adolescência – o famigerado padrão estético.

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CINEMA LITERATURA

Elena e Clara: duas mulheres

Aquarius estreou nos cinemas brasileiros em setembro de 2016, mas já causava o maior frisson desde o Festival de Cannes que aconteceu mais cedo no mesmo ano. O lançamento foi seguido de polêmicas: relações com a política brasileira, com Temer, o golpe, o Oscar, mil coisas. Foi tamanha a repercussão que eu não consigo formular qualquer desculpa válida para só ter assistido ao filme agora, em pleno janeiro de 2017.

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