ENTREVISTA INTERNET LITERATURA

De frente com Valkirias: Kathryn Ormsbee fala sobre assexualidade, internet e Anna Karienina

Em agosto, falamos aqui do incrível Tash e Tolstói, romance young adult que reúne em uma só história uma personagem assexual, uma discussão interessante sobre as intersecções entre nossas vidas online e offline – coisa ainda rara no universo da literatura para adolescentes – e um papo nada novo sobre a importância de sermos honestos com nossos sentimentos. Tudo isso acontece quando Tash, a protagonista, vê sua websérie, uma adaptação moderna de Anna Karienina, viralizar na internet e enfrenta mudanças importantes com o fim do ensino médio e novas dinâmicas familiares. Assim como na vida, tudo acontece ao mesmo tempo agora, e que o livro consiga ser leve, divertido, com personagens complexos e interessantes é muito mérito da autora, a norte-americana Kathryn Ormsbee.

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TV

Os Defensores: o que poderia ter sido

Em 2013, quando a parceria entre Marvel e Netflix foi anunciada, a principal pergunta que estava sendo feita não dizia respeito à união dos gigantes, mas para onde o Universo Cinematográfico Marvel estava indo. Séries de televisão cujo foco se voltava para as trajetórias e conflitos de super-heróis, via de regra, já não eram mais uma novidade, e com o sucesso dessas adaptações para o cinema e o novo momento que vivia a televisão, sobretudo a norte-americana, parecia uma questão de tempo até que essas histórias passassem a ganhar espaço na tela pequena – algo que, de fato, aconteceu. De heróis com poderes especiais a vigilantes, passando por alienígenas, mutantes e histórias de origem e vilões, todos ganharam espaço para construir narrativas tão diferentes entre si que o único fator que as unia era o fato de serem baseadas no universo dos quadrinhos e seus heróis.

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LITERATURA

Ecos: conectados pela música

Muito se diz sobre como a música conecta as pessoas, e Ecos, livro da escritora norte-americana Pam Muñoz Ryan, parte dessa premissa para elaborar o enredo de seu premiado livro. Evocando as principais características das fábulas dos Irmãos Grimm, a autora consegue costurar os destinos de cada uma dos seus personagens de uma maneira delicada e sensível. Se em um primeiro momento as histórias contadas por Pam parecem ter um final agridoce e serem desconectadas umas das outras – com exceção de um certo elemento mágico presente em todas as narrativas –, é só para sermos surpreendidos por um desfecho emocionante ao virar a última página da bela edição brasileira elaborada pela DarkSide Books.

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CINEMA

Crítica: Mãe! e o mundo criado por homens

Ciclos que se repetem. Essa sempre foi a minha visão do inferno. Ou do meu pior pesadelo. Ou os dois. É mais ou menos aquilo que Dante Alighieri escreveu em a Divina Comédia quando criou os vários círculos do inferno que, ao todo, são nove. Cada círculo é mais profundo e terrível que o outro, para pecados cada vez piores. Sempre que penso em inferno também lembro do mito de Prometeu, aquele que conseguiu roubar o fogo dos deuses para o benefício dos humanos, mas por isso teve que pagar muito caro. Castigado por toda a eternidade, preso a uma rocha, todos os dias uma ave comia seu fígado apenas para o mesmo ser regenerado durante a noite para, ao retorno da ave na manhã seguida, o fígado ser novamente comido. Era um ciclo sem fim. 

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CINEMA COLABORAÇÃO

Cinema Político e Feminista: Agnès Varda

Agnès Varda é uma cineasta (além de fotógrafa, roteirista, editora, produtora e, às vezes, atriz de suas próprias obras) cuja filmografia é impressionante por abordar temas que falam sobre a experiência feminina na sociedade e pelo seu aspecto experimental. Tornou-se mais conhecida por ter sido parte do movimento cinemático intelectual francês nouvelle vague, cuja produção artística ficou marcada, principalmente, pela quebra do silêncio narrativo que o cinema mainstream vinha apresentando até então, a pouca idade de seus percursores, o experimentalismo e a ruptura com o cinema clássico que vinha fazendo história, sobretudo nos Estados Unidos, além da construção de uma produção essencialmente autoral.

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COLABORAÇÃO INTERNET

O poder de um nome: treta não é discurso de ódio

Eu faço de um tudo pra evitar o Facebook. O algoritmo não é perfeito e toda vez que caio no feed de notícias acabo vendo algum post que me faz querer bater cabeças em quinas e desistir da civilização ocidental. Há umas semanas, o responsável pela minha vontade de colocar cianureto na água da cidade foi uma coluna opinativa (e obviamente caça-clique) da edição brasileira de uma renomada revista estadunidense. Enquanto enaltece a música “1-800-273-8255″, do Logic, e a série 13 Reasons Why como iniciativas anti-suicídio, o jornalista Marcos Lauro lamenta a participação de dois nomes de peso do mundo pop no último VMA: De acordo com ele, o clipe de “Look What You Made Me Do”, da inimiga-oficial da geração millennial Taylor Swift, que estreou no evento; e a apresentação da girlband Fifth Harmony, fazem um desserviço graças ao uso do, err, discurso de ódio.

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