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O Conto da Princesa Kaguya e o silenciamento das vozes femininas

O Conto da Princesa Kaguya, ou Kaguya-hime no Monogatari no original, é um filme do famoso estúdio de animação japonesa Studio Ghibli, lançado em 2013. Vencedor de vários prêmios, indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação e sucesso de público e crítica, o filme foi baseado num antigo conto japonês, O Conto do Cortador de Bambu. Apesar de baseado no conto, há muitas diferenças entre as duas obras. A principal e mais importante dessas diferenças é o foco da história: enquanto no conto a ênfase é dada aos acontecimentos em torno da personagem Kaguya, no filme ela é o foco da narrativa e acompanhamos o desenvolvimento dos fatos a partir do seu ponto de vista, tendo acesso às suas emoções e aos seus pensamentos.

Assim, o que observamos é que, se no conto a personagem aparece apenas como o “objeto” que dá início a história que iremos acompanhar, no filme, ao contrário, somos guiados por ela, que nos apresenta a sua própria história e nos conduz ao longo de toda a trama.

A partir desse filme, podemos discutir os mais variados assuntos — como a ganância, o apego às coisas materiais, a relação do homem com a natureza —, ou fazer uma análise com base no budismo. No presente texto, entretanto, vamos buscar discutir a crítica que O Conto da Princesa Kaguya faz à figura da mulher na sociedade japonesa e o silenciamento feminino ao longo da história. O Studio Ghibli é conhecido por suas personagens femininas fortes e independentes, e Kaguya não foge à regra. No entanto, em sua história, vemos de forma muito mais clara como a opressão feminina pode ser violenta, física e mentalmente, levando até mesmo a um possível estado de depressão da personagem principal.

Atenção: o texto contém spoilers!

Kaguya é uma menina nascida de um broto de bambu e adotada por um casal de camponeses pobres e idosos. Ela cresce como camponesa em uma casa simples, correndo pelas montanhas e roubando alimentos junto com seus amigos. Apesar da vida difícil que leva, Kaguya é muito feliz. No entanto, seu pai, que trabalhava como cortador de bambu, após encontrar nas plantações ouro e tecidos caros enviados pelos céus, passa a acreditar que tem como dever transformar sua filha em uma nobre princesa. Desse modo, o homem parte com a menina e sua esposa para a cidade. Mesmo não querendo ir, Kaguya acompanha obedientemente os pais e passa a ser ensinada sobre os modos da corte. Com o passar do tempo, sua nova casa (o palácio) e seus novos pertences (roupas, presentes, acessórios, etc), que inicialmente a deixaram encantada, acabam se tornando uma prisão para Kaguya.

O conto da princesa Kaguya

Após a mudança, a jovem torna-se aprendiz da Senhorita Sagami, uma professora contratada para ensiná-la a ser uma dama, ensinamentos que são rejeitados por Kaguya e tratados como brincadeiras. Começa aí uma relação conflituosa entre as duas personagens. Kaguya não quer tocar o koto (instrumento musical japonês) da forma como ensinado pela mestra, ela quer tocá-lo livremente. Ela não quer passar horas treinando sua caligrafia, como instruído rigidamente, e sim usar o papel e tinta para desenhar animais e flores. Ela não quer usar camadas e mais camadas de roupas que a impedem de caminhar e correr, o que ela quer é dançar com os lindos tecidos pelo castelo. Ao tentarem arrancar suas sobrancelhas, costume da época, Kaguya foge de suas criadas e não permite que retirem seus pelos, pois seria doloroso.

Em uma discussão com Sagami, Kaguya, exaltada, questiona os ensinamentos transmitidos por ela, uma vez que, segundo a professora, uma dama não pode rir e nem suar. A princesa retruca que isso seria impossível, afinal, para que isso ocorra, uma dama não poderia ser um ser humano. Uma frase simples, mas que possui grande impacto quando refletimos sobre o fato de que, muitas vezes, ao longo de nossa história, as mulheres foram consideradas cidadãs de segunda classe, abaixo dos homens e até mesmo não eram consideradas seres humanos.

Durante todo o início do filme, vemos Kaguya lutando contra as imposições que a sociedade faz às mulheres. Ela se recusa a ser quieta, submissa e a ter seu corpo modificado dolorosamente para se adequar ao padrão de beleza local. Desde o começo fica obvio que a única coisa que ela quer é ser livre, e que ela está disposta a lutar por isso. Apesar disso, com o passar do tempo e após ser colocada como uma ameaça à felicidade de seus pais, a personagem muda completamente seu comportamento.

O silenciamento da Princesa

Elaine Showalter em seu livro Histórias Histéricas: A Histeria e a Mídia Moderna (2004), enfatiza que o silenciamento feminino é o “bloqueio de fala”, o “abafamento das vozes femininas criativas”, devido à “responsabilidade doméstica”. Ou seja, desde antigamente, e até nos dias de hoje, mulheres que não aceitavam seu papel submisso na sociedade, ou que não seguiam o padrão de feminilidade da época, tinham suas emoções, opiniões e protestos sufocados pelas pessoas ao seu redor, principalmente os homens em sua vida — pai, irmão, amigo, marido, etc.

Esse silenciamento tem como justificativa a responsabilidade da mulher em ser uma dona de casa, dedicada ao marido, geradora de filhos, e que deveria viver sua vida para agradar seus pais e cuidar de sua família. Aquelas que se recusavam a seguir esse caminho eram tratadas como doentes mentais e muitas vezes internadas em hospícios, onde passavam o resto de seus dias aprisionadas e sem serem ouvidas.

Em determinado momento de O Conto da Princesa Kaguya, a professora Sagami, com o objetivo controlar a rebeldia da garota, acusa a princesa Kaguya de não se importar com a felicidade de seus pais. Isso, em conjunto com o comportamento de seu pai, que demonstra a todo momento sua insatisfação com a forma como a menina agia, faz com que Kaguya acabe por ceder às regras daquele mundo. Completamente impotente, a princesa é sufocada pela busca de seu pai pela própria felicidade, que, segundo ele, viria apenas através da fama e prestígio em meio à nobreza. Ela é oprimida não apenas por ele e por Sagami, mas por todos ao seu redor e até mesmo pelo silêncio de sua mãe em face da infelicidade da filha.

O conto da princesa Kaguya

A partir daí, vemos no filme toda a decadência da personagem e seu silenciamento. Ela cede às modificações em seu próprio corpo para se adequar ao padrão da época, mesmo que esse processo seja doloroso. Suas sobrancelhas são arrancadas, sua pele é pintada completamente de branco e seus dentes escurecidos. Segundo Lívia Cabrera em Da Fragilidade à Histeria: Corpo e Subjetividade Femininos (2010), disciplinar o corpo feminino sempre foi uma das formas mais comuns de controle da mulher e prevenção de sua rebeldia. Considerado esse corpo como fonte de sensualidade, pecados e maldades, muitas sociedades obrigam a mulher a modificá-lo para agradar aos homens, ou a escondê-lo.

As mulheres, antigamente, eram vistas como naturalmente degeneradas e fracas, elas não eram consideradas sujeitos. Eram seres emotivos e que não seguiam a razão. Assim, cabia à sociedade ensiná-las a como lidar com seu próprio corpo. Ou seja, tornou-se o corpo feminino uma “propriedade” da sociedade e não da própria mulher.

No Japão antigo, por exemplo, as mulheres pintavam os dentes de preto para escondê-los, pois eles eram vistos como a parte mais sensual do corpo feminino. E as mulheres nobres não podiam sair de suas casas e nem mesmo serem vistas por outros homens, vivendo enclausuradas dentro de seus palácios, e escondidas atrás de biombos e leques, exatamente como ocorre com a princesa Kaguya.

A partir do momento em que Kaguya resolve acatar as rígidas regras da sociedade, ela se torna uma personagem silenciosa, que não diz o que pensa, já que mesmo que falasse, não seria ouvida. Ainda que sua infelicidade seja claramente visível por meio de suas ações cotidianas, seu estado de sofrimento passa a ser ignorado por todos. Sua opinião sobre sua própria vida não é considerada válida, pois seu pai, tomado pela ganância, acredita que sua filha é uma tola que não sabe como ser feliz. Assim, ela passa a ter uma vida inteiramente doméstica e imóvel, presa no palácio. Quando surgem pretendentes buscando ter sua mão em casamento, sua vida passa a girar em torno desse destino: se casar.

Silenciamento, casamento e depressão

Após receber de sua professora a mensagem de que deveria escolher um marido entre os pretendentes apresentados, mesmo que não conhecesse nenhum deles, a Kaguya rebelde do início do filme volta a aparecer. Ela se recusa a escolher um marido, pois sabe que tudo o que seus pretendentes querem é usá-la e tê-la como um troféu a ser exposto. Ainda assim, seus protestos não são ouvidos por seu pai, que ignora os desejos da filha e faz com que ela se afunde em tristeza e angústia.

A mãe de Kaguya é outra personagem feminina silenciada na história. Ela compreende a dor e o sofrimento da filha e, diferente do pai, ouve o que ela tem a dizer. Apesar disso, por ser mulher, ela também tem um papel que deve desempenhar: o de esposa obediente ao marido. A mulher tenta consolar a filha da maneira que pode, mas jamais confronta seu marido, e nos poucos momentos em que quase implora para que ele deixe a filha em paz, essas súplicas logo se calam à primeira repreensão recebida.

Confinar a mulher no papel de mãe e esposa e prendê-la no ambiente doméstico é uma forma de silenciamento do corpo e da voz feminina. No decurso da história do patriarcado, a mulher comumente foi associada à imagem de um ser fraco e facilmente corrompido, que deveria ser protegido das imoralidades da vida por meio do casamento. Assim, em O Conto da Princesa Kaguya a mãe da protagonista contribui para a reprodução de um tipo de opressão sobre sua filha, mesmo sem ter essa intenção, ao permitir que aquilo que ela sofreu também aconteça com Kaguya.

O conto da princesa Kaguya

Sabendo que não poderia fugir do casamento apenas se negando escolher um marido, tendo em vista sua “responsabilidade doméstica” para com a sociedade e sua família, Kaguya encontra outra forma de se livrar dos pretendentes. A personagem dá para cada um uma tarefa impossível de cumprir: trazer para ela os objetos lendários que cada um usou para comparar a sua beleza, mesmo eles nunca a tendo visto ou tido uma conversa com ela pessoalmente.

Enquanto os pretendentes buscam os objetos de valor para tomarem a princesa como esposa, Kaguya torna-se cada vez mais solitária em seu palácio. É após uma tentativa de sequestro — e, podemos até mesmo imaginar, de estupro — por parte do Imperador, que vai atrás dela ao ouvir sobre a bela dama que recusa qualquer pretendente, que Kaguya se vê em completo desespero.

A partir dessa situação, ela se fecha de vez para qualquer relação e abandona tudo o que gostava de fazer: sua música, canto, seu tear, sua caligrafia, aparentemente entrando em um estado de depressão. Nesses momentos de completa tristeza e silêncio, vemos constantemente Kaguya sonhar ou delirar com sua própria fuga daquele palácio, voltando para as montanhas onde nasceu, correndo pela floresta com roupas simples, rindo, sujando-se e brincando com seus amigos. Esses são alguns dos momentos mais belos de O Conto da Princesa Kaguya. Ainda assim, ela não conta nada aos pais e permanece em silêncio.

A ganância e crença de seu pai em uma missão divina de transformá-la em uma nobre dama levam-no a oprimir, física e mentalmente, a própria filha, ignorando seus protestos, sua infelicidade e sua depressão. Enquanto isso, sua mãe, submissa aos desejos do marido, limita-se apenas a observar, também silenciada pelo ambiente ao seu redor.

O comportamento de Kaguya e sua mãe remete à afirmação de Showalter, no sentido de que as mulheres sempre estão condenadas ao silêncio, mas que esses silêncios carregam muitos significados. Kaguya demonstra, por meio de seu silenciamento, toda a sua frustração, tristeza, ódio, raiva, um estado de depressão e vazio tão grandes que nos encaminha ao fim agridoce de sua história.

O Conto da Princesa Kaguya e seu triste final

O Conto da Princesa Kaguya termina com a princesa sendo levada embora por seres divinos, de volta para a lua de onde ela havia vindo. Seu desespero foi tão grande que ela desejou ser salva daquela prisão, o que levou as divindades da lua a virem buscá-la. A família de Kaguya acaba despedaçada, com os pais perdendo a única filha e com Kaguya tendo tido tão pouco tempo de vida naquele mundo.

Suas memórias são apagadas, para que ela se esqueça para sempre de todo aquele sofrimento, e junto com ele se vão todas as coisas boas que viveu com seus pais, amigos e durante a infância humilde e feliz nas montanhas. Mesmo o espírito forte e contestador de Kaguya parece não ter resistido ao sistema patriarcal ao seu redor, que exigia que ela fosse uma boneca, usada ao bel-prazer masculino. Ela foi despedaçada pouco a pouco por aqueles que mais a amavam e por uma sociedade que exigia dela uma completa submissão.

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26 comentários

  1. Eu amo tanto esse filme! É emocionante ver o crescimento da Kaguya e todo o amor que o pai dela demonstrava por ela enquanto a família morava no campo. O cuidado e carinho que ele tinha por ela, até na forma de se referir à ela, já que chamava a menina de princesa! Eu abri largos sorrisos durante todo o início do filme graças a forma como a pequena família se relacionava. Mas, quando o pai dela se corrompeu por causa do poder e riquezas que adquiriu, se tornando apático ao sofrimento da filha, parece que sofri junto com Kaguya, de tão bem que a aflição da personagem foi retratada.
    Seu texto foi muito bem escrito e foi maravilhoso compreender um pouco mais do contexto social da época que o filme retrata, e poder compreender ainda mais sobre a personagem e o que ela representa.

    1. Muito obrigada!
      Realmente, a mudança do pai é assustadora. Ele deixou o poder subir a cabeça ao ponto de nem perceber que estava prejudicando a própria filha.

  2. Achei esse final muito mais doloroso do que ele realmente possa ser, porque pelo menos a mim, este final pode significar que ela sucumbiu a dor. Quase como um suicídio, tendo tirada de si tanto seus dias felizes quanto seus dias ruins.
    Pode parecer que não, mas vejo isso acontecendo com mulheres a minha volta, elas sucumbido a este papel e sendo silenciada até que tirar a vida parece a melhor solução. Eu só consegui ver este filme uma vez, porque a dor que ela sente é forte demais pra mim.

    1. Há também uma interpretação budista para esse final. Pois no budismo há a crença de que o apego as coisas materiais ou a posses e até as pessoas, nos trazem infelicidade. E que a Kaguya foi infeliz pois era muito apegada ao campo, a vida simples e aos antigos amigos. E que, quando os seres celestiais a buscam, eles retiram dela o apego a “tudo” (as memórias), para que assim ela de certa forma atinja a iluminação e a felicidade. Mas, a natureza humana é voltada a se apegar, e mesmo não lembrando mais da vida na terra e dos pais, no fim ela olha para a Terra, pois ainda está, de certa forma, apegada aquele lugar. É um filme lindo, mas bastante triste e cheio de camadas.

    2. Eu também tive essa interpretação de um possível suicídio no final;
      A forma como ela conversou com seus pais, explicando que implorou que fosse levada aquilo foi bem pesado; ai na data fim eles estavam lutando para que aquilo não acontecesse porém não funcionou.

      1. Não tive essa impressão do suicídio. Temos que nos lembrar que se trata de uma obra oriental baseada num conto oriental. Se prestarmos atenção a canção que toca o tempo todo no filme e nesse final ela remete ao ciclo da vida, as crianças entoando “nascer, crescer e morrer… a vida que acontece sucessivamente” falando sobre a dor da partida que ocorre pois nos apegamos as coisas mundanas. O triste foi ela ter passado a vida infeliz quando foi obrigada a se afastar de tudo o que gostava e não a partida em si, que seria parte do fim de sua vida, no caso dela precoce pois foi antecipada devido a seu clamor.

  3. Amei o texto. Fiquei curiosa para ver o filme, mas ainda sim muito triste pela história contada. Acredito que por ela ser tão real e cruel.

  4. Esse é meu filme favorito do studio Ghibli, também é uma das (se não a) mais triste que já assisti, eu sempre revejo e acabo aos prantos, com uma sensação de vazio grande demais no peito. Seu texto foi muito exato ♥

  5. Fico aliviada em saber que não fui a única a chorar, estava me sentindo boba. Uma pena muito grande ela não ter vivido o amor com o amigo, uma pena tbm o pai ter se corrompido e se lembrado do que realmente importava somente no fim. Tbm interpretei o final como sendo a morte dela.

  6. Excelente reflexões o filme apresenta. Bem atual. É importante cada um fazer suas escolhas com responsabilidades e buscar a felicidade que almeja. São muitas as imposições na sociedade e a maioria recai sobre a mulher. Repensar é preciso!

  7. eu acho que a kaguya meresia mais ,porque ela nao meresia iso ser silenciada ,ignorada chamada de tola e ainda por cima pelo propio pai ela meresia ficar na luaaaaaaa .la ela seria feliz eu nao acredito niso pocha pintar osdentes de preto ,nao tirar as sonbranselias ,nunca nen ficar com a pele pintada de branco iso nao.o texto foi meio triste , mais meio legal.mayza messungueh .25 de julho de 2020 at 14;57.

    1. Obrigada ao site por publicar o comentário de minha filha. Mayza tem 07 anos e optei por autorizar que ela manifestasse a partir do seu repertorio, inclusive com erros de português.

  8. Eu ñ consigo assistir de novo pq é muito doloroso, eu vi o filme e pensei ” nem sempre os filmes tem finais felizes” mas eu ainda queria que ela tivesse um final feliz aonde ela voltava ao campo, e se casava com aquele menino, mas infelizmente ñ, chorei demais com o sofrimento dela, e tudo isso por causa de dinheiro por parte do pai dela, por esse motivo ela perdeu muita coisa boa que ela poderia ter vivido

  9. Eu TB senti que possa remeter ao sentido de um suicídio, não aquela princesa mas muitas princesas por aí na sociedade sendo obrigadas a seguir regras pra alegrar os outros, e quando mostra q o homem q ela amava TB tomou outro rumo se casando e tal, mostra q apesar de ela morrer, a vida continua pras pessoas ao seu redor…e mesmo q eles não queiram deixar ela ir, é tarde demais pq a alegria dela foi embora, no fundo ela não quer ir, mas ficar dói demais, e quando o espírito vai, ele TB se esquece desse mundo…

  10. Muito bom, gostei muito . Vim pra conhecer mais sob a historia da princesa Kaguya porque nos animes tem muito referencia sobre a “Kaguya” desse conto. Bom depois dessa linda historia vou assistir o filme pra me entra no clima dessa historia.

  11. Esse é o melhor filme da minha vida. Já assisti dezenas de vezes, literalmente, posso acrescentar que o autor não estava preocupado em mostrar um papel social da mulher mas ele reformulou o conto mais antigo da história da Ásia de uma forma muito delicada e atemporal. Kaguya é um silenciamento humano e não simplesmente feminino, o fato dos personagens secundários não terem rosto é para aprofundar a atenção do público na história principal e o mais humano nela está na busca por uma liberdade pura e genuína em confronto com o sofrimento dessa escolha e o embate com valores básicos e sua família.
    Resultando no que vimos ao final, autodestruição.

    1. Luigi, o filme trata do silenciamento feminino. E você, como humano, sentiu empatia pela personagem. Contudo, não use dessa empatia para tirar o foco do tema. O filme trata do silenciamento de kaguya e sua mãe, duas mulheres vivendo numa opressora sociedade patriarcal. Seu pai e seus pretendentes, ou seja, os homens tiveram tempo de sobra para expressar seus desejos e ações. O silenciamento de kaguya não é aplicável a ninguém e é isso que nós, feministas, queremos que a sociedade machista perceba. Parem de oprimir as mulheres, porque nenhum ser humano merece isso.

  12. Gostei muito do texto… mas ainda me restou uma dúvida sobre o final. Se a princesa foi levada pelos seres divinos para a lua, onde puseram um pano em sua cabeça para esquecer todo sofrimento q passou aqui, e instantâneamente sua memória foi apagada, não lembrando mais de seus pais da Terra, mas quando estava a caminha da lua, ela olhou pra trás chorando … isto está me intrigando kk