CINEMA LITERATURA TV

Vilãs empoderadas

É muito comum nós avaliarmos e discutirmos sobre o empoderamento das protagonistas do universo cinematográfico. Mulheres guerreiras que batem de frente com o preconceito ou qualquer repressão social que cruza o caminho delas. Isso é maravilhoso? Sim, sem a menor sombra de dúvidas. Quanto mais debates enfatizando a importância da representatividade na mídia, melhor. Mas vocês já pararam para pensar que nós também temos vilãs empoderadas no entretenimento?

Eu, particularmente, AMO vilãs. Acredito que grande parte da qualidade de uma obra é fruto do desenvolvimento e das ações dos vilões da trama, e tenho reparado que cada vez mais nós temos por trás das maldades, mulheres fortes que conquistam o seu território e não saem mais de lá. Vem conferir essa lista com as malvadezas mais maravilhosas do entretenimento:

Cersei Lannister (Game of Thrones)

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Cersei Lannister (Lena Headeynão mede parâmetros para alcançar seus objetivos. Na série Game of Thrones, a personagem foi forçada a se casar por interesses políticos, mas esse fato nunca a impediu de estar com o homem que ela realmente ama, seu irmão, Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau). O que Cersei jamais imaginou é que seus maiores amores ainda estavam por vir.

Assim como o símbolo de sua Casa, Cersei Lannister é literalmente uma leoa quando o assunto são seus filhos. Ela os educou sozinhos, – mesmo que Joffrey (Jack Gleeson), seu primogênito, seja um dos personagens mais detestados da TV – os protege sozinha, faz qualquer coisa para manter a segurança dos filhos durante a guerra dos tronos. Todos os passos de Cersei, que são mais evidenciados nos livros, são de alguma forma, correlacionados com a preservação do bem-estar de Joffrey, Myrcella (Nell Tiger Free) e Tommen (Dean-Charles Chapman). Quantos casos de mulheres que criam os filhos sozinhas a gente não conhece?

Resumindo: Cersei vive em uma época onde o machismo reina, mas ela consegue se impor e realizar as suas maldades sem o menor obstáculo. Ela conquistou seu poder no reino e ninguém conseguiu tirar seu monopólio. Não é à toa que ela se tornou a primeira Rainha dos Sete Reinos, após a morte de seus três filhos. E para completar, assim como as mulheres empoderadas de hoje em dia, Cersei adora uma bebida! Mal posso esperar pela próxima temporada, porque, mal ou bem, Cersei tinha um “pouco” de limite por causa dos herdeiros mas agora que ela não tem mais nenhum, não há motivos que freiem Cersei Lannister.

Bellatrix Lestrange (Saga Harry Potter)

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Eu fiquei muito na dúvida se incluiria Bellatrix Lestrange (Helena Bonham Carter) nessa lista, pois é inegável  sua subordinação à Lord Voldemort (Ralph Fiennes). Entretanto, interpreto essa submissão mais como uma questão de medo do que machismo, afinal de contas, Você-Sabe-Quem é o bruxo das trevas mais forte, uma vez que sua vida estava dividida em sete pedaços e não só Bellatrix, mas todos os seguidores de Voldemort, tinham pavor dele.

Mesmo assim, Lestrange possui traços fortes que a enquadram nessa lista. O primeiro deles é o fato de que ela é a Comensal da Morte mais poderosa. Ela está sempre à frente do grupo, sendo de certa forma, braço direito de Voldemort. Quando vemos os mocinhos da trama falando sobre os seguidores do inimigo de Harry Potter (Daniel Radcliffe), o que eles mais receiam é Bellatrix, afinal de contas, ela é insana, e nada a impede de aplicar a maldição Cruciatus, de tortura, ou mandar um Avada Kedrava em questões de segundos.

Outro fator que enfatiza o empoderamento de Bellatrix Lestrage é o fato de que ela não se envolve com nenhum homem na saga. Ela nunca demostrou qualquer dependência amorosa, e sempre se destacou por seu poder. Em um ambiente predominado por homens, Bellatrix conquistou seu espaço como Comensal da Morte mais poderosa, e mesmo que ela tenha matado Sirius, nós não conseguimos não amar a personagem.

Fish Mooney (Gotham)

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O que não falta na série Gotham são vilões, e por ser um ambiente cheio de malvadeza, não poderia deixar de incluir nessa lista uma das vilãs que mais se destaca na série: Fish Mooney (Jada Pinkett Smith). Na primeira temporada, Fish possuía o seu próprio negócio, e ao seu redor, tinha milhões de homens que a serviam. Ela era uma das cabeças da máfia de Gotham, aliás, a única mulher. Sempre se destacou por sua força e determinação em conquistar seus objetivos, dificilmente refletindo sobre seus métodos.

Apesar de ser uma mulher extremamente vaidosa, Fish Mooney nunca transpareceu ser uma patricinha, pelo contrário. Ela quebra esse estereótipo de que mulheres poderosas não podem ser femininas.

No decorrer da segunda temporada, alguns acontecimentos levaram Fish ao fundo do poço, mas, como sempre, ela colocou seus objetivos à frente e conseguiu escapar de um destino onde ela seria apenas um brinquedo de estimação de um cientista maluco da série. Na temporada atual, Fish lidera um grupo de pessoas que desenvolveram poderes, consequência de experiências que foram submetidos por Igor Strange (BD Wong) (o cientista maluco que eu citei acima), onde sofreram alterações no DNA. A própria Fish passou por esse processo, e desenvolveu um poder que ela não poderia gostar mais: de controlar pessoas.

Portanto, Fish Mooney é uma vilã empoderada porque reforça a capacidade das mulheres de se destacarem em um ambiente masculino, sem perder o lado feminino e materno, uma vez que Fish sempre protege os seus.

Jane (Crepúsculo)

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Embora eu não goste muito da saga de Stephenie Meyer, a personagem Jane (Dakota Fanning) é destaque entre os vilões da obra. Jane é uma vampira que possui o poder de causar dor nas pessoas, o que a faz ser uma das personagens mais poderosas. Ela é membro do Clã Volturi, um antigo grupo de vampiros que garantem que sua raça não será exposta ao mundo humano.

Só que para manter a ordem, os Volturi utilizam métodos cruéis, onde Jane sempre é a primeira opção. No último filme da saga, Bella Swan (Kristen Stewart), depois de ser tornar vampira, se força a desenvolver seu poder de escudo para proteger Edward Cullen (Robert Pattinson), seu marido, das torturas de Jane.

É interessante que a atriz escolhida para interpretar Jane, Dakota Fanning, transpareça ser uma pessoa gentil, o que torna a personagem ainda mais intrigante, pois apesar de ter uma aparência graciosa, Jane adora torturar seus inimigos.

Úrsula (A Pequena Sereia)

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Saúdem a Rainha dos Mares! A frase anterior já diz tudo, né? A vilã do clássico da Disney A Pequena Sereia é o conceito de vilã empoderada em desenho. Úrsula se tornou o ser mais temível do oceano, e conseguiu escravizar todos aqueles que a procuravam para resolver seus problemas, lhes pedindo em troca algo que era impossível deles realizarem.

No enredo, a filha de Tritão, Ariel, quis se meter com a bruxa dos mares e aconteceu aquela história toda que vocês estão cansados de saber. Seria bom que na próxima versão de “A pequena sereia”, Ariel aprendesse a não querer mudar por homem, como a Úrsula tentou impedir (para se tornar Rainha né, mas isso não vem ao caso). Outra questão que faz Úrsula ser empoderada é que ela não era submissa a ninguém. Melhor vilã da Disney <3

Malévola (A Bela Adormecida)

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Ainda passeando pelos territórios da Disney, não poderíamos deixar de incluir a Malévola nessa lista! Sempre com aquele olhar sarcástico e maligno, a vilã de A Bela Adormecida é o ser mais terrível do reino. Ela possui um enorme castelo, cheio de súditos, meio inúteis na verdade. Sempre bom enfatizar que eram todos homens.

Percebendo que seu plano estava ameaçado, ela resolveu terminar a maldição de Aurora pessoalmente, mesmo depois de todos os esforços das fadinhas. E, obviamente, ela foi bem sucedida.

Mas como nos filmes os vilões nunca vencem, após enfrentar sozinha o príncipe, Malévola é derrotada. Mas nada muda o fato de que ela nunca precisou do auxílio de ninguém para conquistar seus objetivos, e mesmo com outros três seres com poderes estarem em seu caminho, ela conseguiu aplicar a maldição em Aurora.

Hera Venenosa (DC Comics)

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A Hera Venenosa é uma das vilãs mais icônicas do Batman, e é uma pena que ela não tenha o destaque que merece. Assim como outros personagens de quadrinhos, a personagem possuí diversas origens, mas vamos falar sobre os Novos 52.

Antes de se tornar a vilã, Hera Venenosa era conhecida como Pamela Lillian Isley. Ela fazia parte de uma família estabilizada financeiramente, entretanto os lados emotivos eram super conturbados. Após ingressar na faculdade de Botânica, Pamela se destacou por sua capacidade intelectual, porém a ingenuidade acabou falando mais alto, e ela se tornou cobaia dos experimentos violentos de seu professor, Dr. Jason Woondrue.

Nessas experiências, Pamela desenvolveu diversas habilidades, e também muitas mudanças de humor. Toxinas em seu sangue a tornaram imune a todos os tipos de ameaças biológicas, como venenos, bactérias e vírus. Além disso, ela pode seduzir humanos, e ela utiliza esse poder especialmente em homens. Após fortalecer seus poderes, Hera Venenosa conseguiu desenvolver diferentes tipos de venenos, que vão desde controle mental à necroses (alterações morfológicas) instantâneas e letais. Sentiu o poder?

O empoderamento de Hera começa a partir do momento que ela não se submete mais a nenhum homem, muito pelo contrário, a ecoterrorista, percebendo a vulnerabilidade dos machos por conta de sua beleza, se aproveita desse pensamento machista para controlá-los e depois matá-los com um beijo envenenado! Uhul! Além disso, uma das melhores ações de Hera nos quadrinhos é o fato dela desenvolver uma amizade com a Arlequina, se tornando inclusive um caso amoroso, e tentar alertar a amiga de seu relacionamento abusivo com o Coringa. Ou seja, Hera Venenosa é feminista e se preocupa com o meio ambiente. Maravilhosa!

Rainha Má/ Regina (Once Upon a Time)

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E o melhor sempre fica para o final! Vamos falar de uma das vilãs mais amadas da atualidade: a Evil Queen, ou Rainha Má, (Lana Parrilla) de Once Upon a Time. Após sua mãe, Cora (Barbara Hershey), matar seu primeiro amor, Regina procura o Senhor das Trevas, Rumpelstiltskin (Robert Carlyle), para aprender magia. Ela rapidamente se torna muito poderosa, e após perceber sua independência, começa a seguir seu rumo sozinha.

Regina se casa com o rei, e após este falecer, se torna governante de todo o reino. Após estabelecer seu poder, a Rainha Má passa a perseguir Branca de Neve (Ginnifer Goodwin), uma vez que a menina traiu sua confiança no passado. E aí é que as coisas começam a ficar interessantes.

Além de ter aquele figurino maravilhoso, a Rainha Má é cruel e não mede esforços para se vingar de Branca de Neve. Ela mata e tortura aqueles que tentam encobrir a fuga da princesa, sem piedade. Após perceber que seus planos estavam ameaçados, Regina lança um feitiço no reino, e transfere todos os habitantes da Terra Mágica para o nosso mundo, construindo um monopólio onde todos perdem a memória, menos ela.

Regina passa por muitos momentos na série, mas ela nunca perde o seu poder de liderança. Ela consegue ser prefeita, mãe, e má ao mesmo tempo. Nas últimas temporadas, ela “venceu” o lado sombrio, se tornando uma pessoa do bem. MAS FELIZMENTE, na temporada atual a Rainha Má retorna, para a felicidade geral da nação.

Mesmo perdendo mais de um amor na série, Regina nunca enfraqueceu e sempre conquistou seus objetivos, em sua versão boa ou má. Ela se vingou de seus inimigos, de sua mãe, de todo mundo que ela quis! E é por isso que ela sempre vai ser a Rainha dos nossos corações.

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2 Comentários

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    Bruna Sanchez
    5 de dezembro de 2016 at 13:24

    Adorei o texto, acho mega importante trazer à discussão o empoderamento das personagens de filmes e séries tão veiculados.
    Por isso, venho em defesa de Ariel, de A pequena sereia. Referente ao seu comentário sobre ela se transformar em humana por um homem, confesso que essa visão me incomoda um pouco.
    Pareceu-me que você se equivocou ao interpretar dessa forma, assim como outras pessoas que enfatizam a falta de empoderamento na atitude da sereia.
    Mas o ponto é que Ariel sempre foi fascinada pelo mundo dos humanos, antes mesmo de conhecer Eric. Ela é corajosa, navega pelas profundezas dos mares, em busca de nossos “tesouros” em navios naufragados e depois, contrariando as ordens do Rei dos Mares, vulgo seu pai, vai à superfície atrás de Sabidão, a gaivota que acredita deter muito conhecimento sobre os humanos.
    A jovem não se interessa pelo coral do qual suas outras irmãs fazem parte, apesar de ter uma bela voz. O que a motiva de verdade é procurar preciosidades pertencentes aos humanos e desvendar suas utilidades e imaginar como é a vida dos mesmos.
    Ela coleta todos os objetos que encontra e os guarda em uma caverna escondida. Quer dizer, ela tem verdadeira fascinação pela terra, o que pode ser visto na música “Parte de seu mundo”.
    Conhecer o Eric foi como “unir o útil ao agradável”, ou seja, ir para um mundo que ela sempre quis conhecer, onde também vive o rapaz de seus sonhos.
    Para tanto, ela precisou unir todas suas forças para ir contra seu pai e seu povo, encontrar com Úrsula e deixar toda sua vida para trás, entregando-se a um mundo totalmente desconhecido e ainda por cima, muda. Um ato de muita coragem, assim como fizeram Bela, Pocahontas e Mulan.
    Concordo que depois de humana, o desenho toma seu caminho de contos de fadas, com a necessidade de um beijo de amor verdadeiro em três dias e blá blá blá rsrs
    Mas o ponto que eu quero trazer é o de que Ariel não se acovardou em meio às dificuldades e o conflito de poderes. Manteve-se firme de seu objetivo e encarou o desafio com determinação. Ela acredita que é capaz e não se deixa levar pelas suas limitações.
    Sinceramente, se isso não for um exemplo de empoderamento, não sei o que é.
    Por fim, trago alguns trechos da música Parte de seu mundo, na qual é possível ver a adoração que a sereia sente pela nossa terra.
    E a Ariel cantou ANTES de conhecer o Príncipe Eric.

    “Poder andar, poder correr
    Ver todo o dia o sol nascer
    Eu quero ver, eu quero ser
    Ser deste mundo
    O que eu daria pela magia de ser humana
    Eu pagaria por um só dia poder viver
    Com aquela gente conviver
    E ficar fora dessas águas
    Eu desejo, eu almejo este prazer”

    “Quero saber, quero morar
    Naquele mundo cheio de ar
    Quero viver
    Não quero ser
    Mais deste mar”

    Perdoa pelo textão, mas eu precisava me posicionar. Espero que as pessoas possam interpretar de outra forma este filme, que tem seus momentos feministas. Grande beijo!

    • Responda
      Tati Perry
      9 de dezembro de 2016 at 21:13

      Bruna, primeiramente quero que você se sinta à vontade de comentar e expor seu posicionamento sobre qualquer assunto aqui no Valkirias! O site é um espaço onde todos podem dizer sua opinião. A sua reflexão faz sentido sim, e eu concordo em partes com ela. Acredito que embora a Ariel sempre tenha tido esse fascínio pelo mundo humano, foi por causa do Eric que ela deixou de vez o mundo aquático, porque embora Tritão fosse rígido com ela, para mim, era possível enxergar o amor de pai e filha entre os dois.

      Acho que todos os filmes da Disney tem seus prós e contras se formos analisar pelo lado do feminismo. Na minha opinião, a personagem mais empoderada da Disney é a Mulan, e eu inclusive já escrevi um texto sobre ela aqui: http://valkirias.com.br/nao-nos-esquecamos-da-mulan-por-favor/

      A Ariel com certeza enfrentou de cabeça erguida seus desafios, e é sempre bom lembrarmos que ela só tinha 16 anos! Obrigada por sua reflexão e participe dos nossos posts sempre que você julgar necessário!

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