MÚSICA

Uma Taylor Swift incomoda muita gente

Qual a primeira coisa que vem à cabeça de vocês quando ouvem o nome Taylor Swift? Para os fãs da cantora (ou para os haters mais dedicados) a resposta talvez não seja tão óbvia. Mas para o público médio que a conhece muito mais por ouvir falar do que pelo seu trabalho, a resposta não chega a ser uma surpresa: longa lista de ex-namorados, polêmica, longa lista de ex-namorados, treta com outras artistas, longa lista de ex-namorados, só escreve música sobre ex, longa lista de ex-namorados, etc etc.

Para além de seus relacionamentos e das polêmicas em que esteve envolvida, no entanto, Taylor é uma mulher complexa, que está constantemente se reinventando, e que construiu um império para si mesma em cima da imagem controversa que a mídia alimentou dela ao longo dos anos, tudo isso dentro de uma indústria machista e extremamente misógina.

Sua carreira começou em 2006, com o lançamento do seu primeiro álbum de estúdio, Taylor Swift, e seu primeiro single, Tim McGraw. De lá pra cá, Taylor lançou outros quatro álbuns de estúdio – Fearless (2008), Speak Now (2010), Red (2012) e 1989 (2014) – e vários outros singles, fez ponta em alguns filmes e séries, ganhou inúmeros prêmios como cantora e se tornou uma das maiores e mais bem-sucedidas artistas da atualidade. Seu quinto álbum de estúdio e primeiro trabalho assumidamente pop, 1989, lançado no final de 2014, teve mais de 1,2 milhões de cópias vendidas em sua semana de estreia e transformou Taylor, antes a mocinha namoradeira do country (me sinto com 85 anos escrevendo uma coisa dessas) no primeiro lugar da lista de celebridades que mais faturaram em 2016 da revista Forbes.

A mudança de sonoridade trouxe também mudanças no visual – ela cortou o cabelo e substituiu os vestidos rodados por saltos altíssimos, hot pants e blusas com a barriga de fora – e suas letras, que antes eram carregadas de um amor idealizado, embora continuem a falar de seus relacionamentos, fazem isso de um lugar mais empoderado, onde o amor não é mais eterno e seu coração quebrado foi guardado numa gaveta. Taylor deixou para trás a imagem da mocinha doce marcada pelos seus antigos relacionamentos para se tornar a dona da própria história.

Aos 26 anos, ela assume uma postura mais madura e ri na cara de quem não percebe que ela está, finalmente, dançando conforme sua própria música. Não por acaso, essa mudança de perspectiva fez com que muita gente se rendesse ao seu trabalho como cantora e passasse a se identificar com suas experiências, enxergando na letra de suas músicas muito de seus próprios sentimentos. Não é preciso ser famosa ou ter um extenso histórico de relacionamentos para saber exatamente o que ela quer dizer quando canta que pessoas como ela querem acreditar quando o outro diz que mudou, como em All You Had To Do Was Stay, ou então o que é se envolver com uma pessoa ao ponto de se perder, como em Wonderland.

Embora converse com uma parcela muito específica de mulheres, ao compartilhar suas experiências, Taylor transforma algo que é seu em algo que também é muito nosso. Suas músicas evocam um sentimento de cumplicidade único, e foi essa honestidade ao falar dos próprios sentimentos que, na minha opinião, transformou Taylor Swift no fenômeno que é hoje.

Taylor Swift 2

É por isso, aliás, que homens não se identificam com seu trabalho e frequentemente classificam Taylor como uma artista genérica que não compõe música de qualidade – não muito diferente do que acontece com muitas outras cantoras por aí, em especial na música pop. Ao usar sua vida como matéria-prima, Taylor não apenas expõe a própria intimidade como se transforma em mais um triste exemplo de como os conflitos centrados no universo feminino ainda são tratados como algo pouco relevante dentro da mídia, sendo muitas vezes motivo de chacota, muito diferente do que acontece com homens que resolvem fazer o mesmo. Aliás, um exemplo muito claro disso é o próprio 1989, que só após ser regravado pelo cantor e compositor norte-americano Ryan Adams, no final do ano passado, foi ser realmente levado a sério. Estamos em 2016 e ainda é preciso que um homem cante as músicas de uma mulher para que a crítica dita especializada (formada por vários homens brancos que se recusam a olhar para além do próprio umbigo) morda a própria língua e reconheça o talento dessa mesma mulher – e mesmo assim, com várias ressalvas.

É incrível então que, num universo tão pouco favorável e sendo diminuída pela mídia em tempo integral – seja pelo seu trabalho, seja pela sua vida pessoal (!) –,  Taylor tenha conseguido chegar tão longe e construir uma carreira tão sólida, se transformando no fenômeno midiático que é hoje. Embora seja uma figura controversa, que fez e provavelmente ainda vai fazer bastante merda (mas e aí, quem não fez ou vai fazer em algum momento da vida?) e que tenha um histórico bastante problemático de polêmicas envolvendo seu nome (que nunca vamos saber se são verdade ou não), seu sucesso não é fruto do acaso, mas resultado de muito talento, trabalho e dedicação.

Ela poderia ter sido apenas mais uma cantora de rosto bonito e talento inegável, mas Taylor nunca se contentou em ser apenas mais uma, e sendo a mulher ambiciosa que é, foi atrás daquilo que queria. Se hoje Taylor é acusada de ser uma pessoa horrível, uma bruxa manipuladora e mentirosa que enfeitiça homens adultos e donos do próprio nariz e que nunca dá ponto sem nó é só porque, pra começo de conversa, ela conquistou visibilidade e poder suficientes para ser acusada de todas essas coisas. Taylor é uma jovem mulher de sucesso, poderosa e determinada, que conseguiu ascender numa indústria extremamente machista e misógina. Então por que diabos ela é um incômodo tão grande pra tanta gente?

Embora não tenha uma resposta definitiva para essa pergunta, é impossível deixar de pensar que muito do ódio destinado à cantora seja, também, fruto do seu sucesso. Porque uma mulher incomoda muita gente e uma mulher poderosa incomoda muito mais, e embora esse pareça um motivo ridículo para se odiar uma pessoa (porque, bem, é ridículo mesmo), isso não torna a realidade menos cruel do que é, muito pelo contrário. As pessoas comemoram quando algo ruim acontece na vida dela, numa crueldade que não conhece limites e que muitas vezes beira o absurdo, e se apoiam na desculpa torta de que o problema é que Taylor curte publicizar a própria vida e se fazer de vítima, mas ninguém fala sobre os homens que fazem a mesma coisa (Kanye West, estou olhando pra você), muitas vezes de forma bem mais ofensiva.

Taylor Swift 3

Taylor não é perfeita, mas ninguém é. A questão é que, como mulher, suas falhas são apontadas para condenar e questionar sua capacidade artística, muito diferente do que acontece com muitos homens por aí, que fazem coisas absurdas em tempo integral, mas jamais têm seu talento relativizado. Porque mulher não pode namorar várias pessoas. Porque mulher não pode ser chata. Porque mulher não pode dominar a própria carreira. Porque mulher não pode querer ganhar dinheiro com o próprio trabalho. Porque mulher não pode reclamar, não pode sentir raiva – e aí lembrem daquele episódio de Supergirl onde Cat Grant (Calista Flockhart) fala que é suicídio cultural e profissional uma mulher deixar transparecer a própria raiva, porque é exatamente disso que estou falando. Porque mulher não pode ser bem-sucedida.

As pessoas estão sempre prontas para falar sobre como Taylor Swift é uma pessoa horrível, mas ninguém condena seus ex-namorados por terem sido tão babacas. As pessoas reclamam sobre como seu relacionamento com Tom Hiddleston é ridículo e sobre todo o mal que ela pode trazer para a carreira do cara ou como ele deve se sentir ridículo no meio de tudo isso, como se ele não fosse um homem adulto e totalmente capaz de tomar as próprias decisões. São essas mesmas pessoas que deixam emojis de cobra no Instagram da cantora, mas não param para se questionar sobre os motivos que levaram Taylor a escrever um hit para Calvin Harris sob um pseudônimo masculino, ou então que a colocam sob o guarda-chuva de mentirosa e manipuladora, mas que não falam sobre como é extremamente machista e misógino ser chamada de vadia numa música. Porque mulher não pode ficar chateada. Porque não pode mudar de ideia.

Porque mulher não pode ser ambiciosa.

Ao julgar Taylor Swift em tempo integral, estamos também transmitindo a mensagem extremamente equivocada sobre a ambição e sucesso femininos: mulheres não podem ser bem-sucedidas. Ou melhor: mulheres até podem ser bem-sucedidas, desde que não incomodem ninguém e saibam qual é o seu lugar. Desde que não curtam o próprio sucesso, que não explorem a própria sexualidade e que não questionem aquilo que é incômodo, injusto, cruel. E desde que cumpram o papel que é socialmente esperado que elas desempenhem. No entanto, lugar de mulher é onde ela quiser, como todas sabemos, e Taylor sabe disso, celebra isso – e é realmente uma pena que, movidas pelo ódio insano contra a cantora, muita gente esqueça disso.

Estamos em 2016 e é incrível – para não dizer trágico – que o sucesso e a ambição feminina continuem a ser tratados como coisas ruins, que são fortemente desencorajadas no mundo em que vivemos. Taylor foi a única mulher a ganhar o Grammy de Melhor Álbum do Ano por duas vezes (você pode se questionar se ela mereceu ou não, mas aí a culpa por ganhar não é dela, mas da indústria extremamente problemática em que está inserida); vendeu mais de 40 milhões de álbuns e é a principal compositora de suas canções. Ela faz piada da imagem que construíram dela, faz festa com suas amigas e se surpreende quando ganha um prêmio – e é constantemente condenada por todos esses crimes.

Ao tratá-la de forma tão equivocada, não estamos dizendo tanto sobre ela quanto estamos dizendo sobre nós e sobre a sociedade tão problemática em que vivemos. Taylor Swift já mostrou do que é capaz e que não vai descansar tão cedo, não importa o quanto tentem manchar seu nome. Chegou a hora do mundo reconhecer (e valorizar!) a mulher que ela se tornou enquanto todos estavam mais preocupados com sua lista de ex-namorados.

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31 Comentários

  • Responda
    Paulo Ramon
    21 de julho de 2016 at 12:23

    Tenho que discordar de vc em um ponto, que homens não se identificam com o trabalho dela. Eu me identifico com as músicas dela.

    • Responda
      Ana Luiza
      22 de julho de 2016 at 14:12

      Fico feliz em ler isso de verdade, porque o que normalmente (especialmente na crítica especializada, que é composta majoritariamente por homens) acontece é justamente o contrário.

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    Debora
    21 de julho de 2016 at 15:52

    Texto e análise incrível! <3

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    Lore
    21 de julho de 2016 at 16:30

    Oi Ana 🙂

    o dia em que eu percebi que metade do problema da Taylor com a audiência fora do fandom era que ela tinha um apelo muito mais feminino, minha problematização ficou ainda mais forte. não que homens não curtam, claro que alguns curtem, mas antes dela ser pop, ela era inegavelmente cheia de feels e dramas de menina adolescente, o que costuma gerar ódio da internet. então, né, a mina foi lá e começou a adentrar o universo pop e as pessoas só aumentaram o hate.

    hoje em dia ela e o kanye west tão mais em pé de igualdade e as tretas menos polêmicas. mas lá em 2009, quando as pessoas aplaudiam ele tirando o prêmio, aplaudiam um cara estabelecido criticar uma menina fora da curva do pop que estavam acostumados. eu sempre achei isso meio problemático. meio como se ela não merecesse ganhar prêmio porque tinha esse estilo musical fofo.

    enfim, excelente texto, adorei

    • Responda
      Ana Luiza
      21 de julho de 2016 at 16:54

      Nossa, Lore, SIM, é uma coisa que eu sinto demais também. E não é como se fosse a primeira vez que uma mulher é odiada ou tem seu trabalho relativizado de alguma forma por ser fofa ou fazer algo fofo. Taí um negócio que eu acho que nunca vou ser capaz de entender.

      E obrigada! Super feliz que você tenha gostado <3

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    Rafael Merz
    21 de julho de 2016 at 20:18

    Em primeiro lugar, parabéns pelo texto! Conseguiu evidenciar muito bem como todo ódio direcionado a Taylor é consequencia de um machismo e misógina extremamente enraizados na sociedade e no pensamento das pessoas.

    Se não me engano a Taylor ganhou Grammy de álbum do ano por Fearless e 1989, o Red concorreu mas não ganhou, então teria que arrumar no texto pois não foram consecutivos.

    E também adicionaria que a música da Taylor permite um reconhecimento universal, não só feminino, mas reconheço que o público dela seja mais composto por mulheres mesmo.

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    Deliane
    21 de julho de 2016 at 20:33

    Parabéns pelo texto. É muito difícil encontrar textos inteligentes na Internet, principalmente em uma época onde falar mal das pessoas para conseguir views se tornou uma rotina. Enfim, eu concordo com tudo que você disse!

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    Latifa
    21 de julho de 2016 at 20:54

    White feminism, white feminism everywhere

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    Lara
    21 de julho de 2016 at 21:02

    Ah não babe, ainda usando o feminismo pra defender Taylor Swift? Ha ha. Taylor não se importa com mulheres, Taylor se importa com Taylor. Aliás, povinho escolhendo lado alô pra vcs: Kanye é um machista, Taylor é falsa feminista que é a cara do que os EUA esperam de uma mulher e Kim Kardashian nem vou comentar

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      Isabela
      21 de julho de 2016 at 21:10

      Concordo. Digo, ninguém pode tirar o mérito e talento de Taylor, mas paremos de usar uma causa tão nobre como o nosso querido feminismo pra defender uma pessoa que claramente só começou a se interessar por feminismo quando foi diretamente atacada por causa das músicas sobre namorado. Nunca se interessou antes, nunca a vi comentar sobre as mulheres menos favorecidas na sociedade americana (como as negras e latinas) e sobre a dificuldade que sofrem tanto na indústria quanto nas mãos de um governo brutal. TAYLOR simplesmente utilizou o feminismo quando TAYLOR precisou dele diretamente. Não é assim que causas sociais devem ser utilizadas. Mas bom texto.

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        Ana Luiza
        22 de julho de 2016 at 16:26

        Concordo que Taylor prega um feminismo bastante equivocado e que várias vezes utiliza o movimento para promover a si mesma, mas ela não é a primeira a fazer isso, muito menos a última, e o fato de fazer isso não deveria ser motivo para desmerecer suas conquistas, como não deveria ser motivo para desmerecer as conquistas de qualquer outra mulher, especialmente numa indústria tão machista e misógina como a do entretenimento, e feminismo é sobre isso também (igualdade social, política e econômica, etc etc). Além disso, sempre bom lembrar que mulher nenhuma nasceu desconstruída, que todas nós já erramos ou falamos alguma merda em algum momento da vida, e que a história de cada uma com o feminismo é diferente. Não existe um jeito certo ou errado de entrar no movimento: somos mulheres diferentes, com vivências diferentes e realidades diferentes, mas todas estamos aprendendo – inclusive a Taylor.

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          Ana Paula
          22 de julho de 2016 at 20:31

          Ninguém tá falando que é certo desmerecer ela ou qualquer outra mulher e obviamente cada um tem seu próprio momento de despertar, mas o fato de ela ser uma figura influente e cometer babaquice atrás de babaquice utilizando o feminismo a favor apenas DELA não faz dela uma feminista, desculpe. Como a amiga ali em cima disse, nunca abriu a boca pra trazer uma luz aos acontecimentos recentes com as mulheres negras no próprio país dela, mas pra se defender de uma coisa ridicula dessas ela foi rapidinha e – de novo- utilizou o feminismo pra sair como vitima (na parte que diz que se encrencou pq ficou muito abalada em ser chamada de vadia). Não não e não. Não vou passar a mão na cabeça dela. Isso não tem nada a ver com ela ser mulher e incomodar os outros com o “poder” dela droga (apesar de que isso com ctz acontece), ela está sendo criticada pq mais uma vez tentou sair por cima de outras pessoas (sendo o idiota do Kanye ou não) E ainda por cima usando um discurso torto e podre de feminismo pra justificar isso.

          • Brenda
            23 de julho de 2016 at 02:21

            Mas a questão é que o feminismo está aqui para todas as mulheres, quer elas sejam feministas ou não, quer elas preguem um feminismo torto ou sejam a representação perfeita do que uma feminista deveria ser. Só porque a Taylor é problemática como feminista não quer dizer que a análise da história toda como sintomática da cultura machista em que vivemos não seja válida.

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      Lígia
      21 de julho de 2016 at 21:44

      Amém. Só vejo feminista branca defendendo esse discurso torto.

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    Geórgia
    21 de julho de 2016 at 21:22

    Amei o texto!!!! Fico mto triste quando pessoas que se dizem “desconstruídas” fazem tanto discurso de ódio em relação a ela.

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    Luiz Antônio
    21 de julho de 2016 at 23:20

    Oi Ana, parabéns pelo texto!
    Sou homem, e amo esse universo mostrado pela Taylor.
    Sim, eu imaginei no começo aquela menina cheia de sonhos romãnticos… rs rs rs Mas depois, foi me despertando algo mais. O trabalho da Taylor pra mim, é sequencial, e prega muito o que ela vive. Pra mim, ela é uma poetisa e romancista contemporânea. Ela bate de frente com o machismo e a misoginia, de forma sutil e franca.

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    Alana
    22 de julho de 2016 at 10:11

    Pessoas falando que Taylor só começou a se interessar pelo feminismo quando foi atingida pelo machismo. Mas ué, ela devia ter aprendido e se interessado pelo feminismo quando, então? Todas as mulheres se interessaram pelo feminismo quando o machismo nos atingiu. Eu, foi quando ouvi que podia ser estuprada na rua por estar saindo às 22h de vestido para uma festa sozinha. A Taylor foi quando chamaram ela de piranha por namorar rapazes demais ou escrever sobre seus ex. Ambas sabíamos que homens faziam isso o tempo todo e queríamos uma explicação do porquê aquilo era OK pra homens e não pra gente. A resposta foi o machismo. Então sim, Taylor só se interessou pelo feminismo quando se sentiu atingida. Assim como eu e como você. E levanto as mãos pros céus que Taylor é feminista. Minha irmã de 12 anos adora suas músicas e segue sua vida, imagina se essa menina é uma Kefera da vida?

    E sobre as que falam que Taylor faz feminismo branco. Sim, ela faz. Sabe porque? PORQUE TAYLOR SWIFT É BRANCA. O que vocês esperam que ela faça? Ela não pediu pra nascer branca, só nasceu. Ela reconhece seu lugar como mulher branca e simplesmente prega o feminismo fazendo o recorte de onde ela está inserida. Gente, nesse mundinho pós-modernista da internet, eu tenho certeza que se ela falasse um “ai” sobre feminismo negro chamariam ela de “falsa ativista”, “quer biscoito” e que el devia se colocar no lugar dela e não roubar fala de mulheres negras.

    Só se poupem.

    • Responda
      Beatriz
      22 de julho de 2016 at 11:48

      Exatamente. Feministas implicam com ela por causa de um feminismo branco, mas imagina só se ela fosse como Beyoncé e que entrasse no feminismo negro, seria atacada por todos os lados.

      • Responda
        Ale
        22 de julho de 2016 at 13:47

        O bonitinhas. O termo feminismo branco não tem nada a ver com a cor de pele da pessoa que o prega. Significa simplesmente que a pessoa utiliza o feminismo de maneira egoísta e só dentro da sua realidade. E não, não é ok uma pessoa utilizar o feminismo no seu “recorte”. Isso não é feminismo amiga, isso é auto-defesa. Taylor pode até fazer isso a vontade, mas então ela que não se chame de feminista e se vc concorda com isso faça um favor pra sociedade e não se chame de feminista tb

        • Responda
          Alana
          23 de julho de 2016 at 00:37

          Tira minha carteirinha de feminista então, amor. Tira a minha, a da Taylor Swift, a da Janis Joplin, a da Alanis Morisette, a da Madonna e de todas as mulheres brancas percussoras de ideais feministas da indústria da música. E se você pesquisar metade das coisas que a Taylor Swift fez por pessoas você vai perceber que é no mínimo burrice falar que a mina é egoísta só porque ela não tuíta sobre um assunto relevante no mundo, enquanto ela tenta mudar outros 300. Só parem de perseguir a mina e usar a causa racial como desculpa. Vocês ainda amam a Lady Gaga e outras mulheres brancas que pregam o feminismo. Vocês ainda defendem a Nicki Minaj ou Azealia Banks que, mesmo negras, se mostraram nada ligadas a outras causas sociais. Nada mesmo! Ninguém é obrigado a demonstrar 100% de apoio a uma causa, ainda mais se a pessoa não tem voz nessa causa.

          • Michele
            24 de julho de 2016 at 00:21

            Vi vc falando de um monte de feminista branca. Vc por acaso sabe o nome de feministas negras ou de cor? Feministas japonesas? Feministas caribenhas? Se sim, parabéns de verdade, se não, vc é o exemplo perfeito de white feminist gatinha. E o fato de tantas brancas terem reconhecimento nesse quesito e pessoas de cor não, já mostra EXATAMENTE o problema do feminismo branco e do pq pessoas como Taylor Swift deveriam trazer mais visibilidade as causas literalmente BERRADAS das minorias. DAR VISIBILIDADE NÃO É TOMAR O PROTAGONISMO, então não vem com essa de “não posso dar voz a essa causa porque essa causa não é minha”. Aposto que vc concorda com a campanha HeforShe da Emma Watson não? Nada mais é que homens dando voz a uma causa que não é deles. Pare com esse mimimi de “tira minha carterinha de feminista” quando na verdade o que as mulheres da minoria querem nada mais querem é que ignorantes feito vc peguem a maldita carteirinha POR INTEIRO. Beijinhos negros :*

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      Ana Luiza
      22 de julho de 2016 at 17:22

      Como eu respondi em outro comentário: somos mulheres diferentes, com vivências e realidades diferentes, então é absolutamente natural que nosso primeiro contato com o feminismo aconteça de formas diferentes. Não existe uma forma certa de entrar no movimento, então acho que o que a gente tem que pensar é no quanto é maravilhoso que ele esteja crescendo e que cada vez mais mulheres estejam aderindo. E ter paciência sempre, porque ninguém nasce sabendo de tudo.

      Sobre a questão do feminismo branco, eu realmente não me sinto confortável falando sobre uma vivência que não tenho, então só uma mina negra poderia dar uma opinião real sobre isso, mas embora eu ache errada a forma como a Taylor às vezes usa o feminismo, eu prefiro que ela não dê sua opinião sobre algo que não diz respeito à ela. O que ela pode fazer, nesse caso, é dar visibilidade para a causa e voz para as minas negras, mas só.

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    Rafael Nastri
    22 de julho de 2016 at 11:17

    Digo apenas uma palavra para o seu texto: PARABÉNS. Você arrasou! Sucesso!

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    Alexia
    22 de julho de 2016 at 18:50

    Melhor texto, cadê isso passando em rede nacional? Falou tudo, não ofendeu ninguém e ainda deu show de moral!!!

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