MÚSICA

Uma dose de Flora Matos para entender que o rap é bonito

Depois de oito anos sem lançar um álbum, Flora Matos lança o segundo single de seu novo projeto e promete aos fãs que no mês que vem (abril de 2017) todas as faixas estarão prontas. A rapper já disponibilizou as músicas “Igual Manteiga” e “Quando Você Vem” no Spotify. Os sons falam de amor com a atitude e romantismo que caracterizam o estilo de Flora e fazem o coração bater mais forte.

Nascida em Brasília e radicada em São Paulo, Flora Matos é cria de uma família de músicos e, talvez por isso, obedece a um método de criação muito individual, que valoriza o processo e é pouco comercial. Flora acredita na música como arte e deixa isso claro em cada letra que escreve e beat que compõe. Durante seu período de hiato no quesito álbum, a rapper não parou quieta um minuto. Basta uma olhadinha rápida pela sua página no SoundCloud para perceber que ela produz e produz muito. Novas batidas, letras, parcerias e festas de rap são uma constante em sua vida artística que não consiste só em fazer dinheiro.

Difícil não conhecer “Pretin”, seu grande. A música é um clássico de qualquer noite que toque funk ou black music, tem uma batida envolvente e letra sensual que fazem até os corpos menos coordenados arriscarem uma reboladinha. A música foi o primeiro passo da sua carreira aqui no Brasil, mas não de sua história como rapper, que alcançou reconhecimento na Europa antes mesmo de estourar por aqui.

Agora, mais madura e depois de refletir muito sobre sua trajetória, Flora conta que as experiências que viveu até hoje a fizeram pensar que o único jeito de viver sua arte de forma satisfatória seria seguindo seu próprio caminho. Em entrevista para a Vice, Flora Matos afirma estar se sentindo segura pra dar direção ao seu trabalho de forma cada dia mais independente, principalmente quando se fala em som. “Quero construir as minhas músicas, por isso estou colocando meus beats pra jogo no meu disco”, afirma.

Segundo Flora, o novo álbum, produzido em parceria com Iuri Rio Branco e CESRV, expressa muito de sua identidade e valoriza seu próprio trabalho como letrista, produtora e beatmaker. A promessa é que as músicas tenham uma pegada que mistura R&B e trap, com letras mostrando a forma que a rapper enxerga a cena hip-hop no Brasil e rimas falando de amor com a sinceridade e entrega que os fãs já viram em outras canções escritas e interpretadas por ela.

Enquanto o álbum não vem, a gente fica com o amor expresso nas letras já conhecidas de Flora. Suas canções de temática romântica falam muito sobre intimidade, estar junto de quem se ama e o sentimento de completude que um grande amor pode proporcionar. É rap fora do estereótipo, feito por uma mulher e sem medo de ser bonito.

Os dois singles lançados por Flora Matos para o novo álbum falam de sentimento. Igual Manteiga e Quando Você Vem descrevem justamente o desejo de estar ao lado de quem se ama, sem medo de ser piegas e se entregar demais. Sobre não desgrudar “sexta, sábado e domingo” e viver um amor que enfeite a realidade.

Do primeiro álbum, Esperar o Sol fala de um amor que faz a gente pedir para que o outro fique um pouquinho mais – só “até o sol chegar” – e de como a distância machuca quem está apaixonado. EmCada Flash um Cep, música que é um trabalho avulso de Flora, outro relacionamento a distância. “Diferente, Mas Forte”, que sem perceber fez a rapper compor um som que, segundo a própria letra, “já tava meio ‘brega’” – e como é bom ser brega, né?

“Comofaz”, acústica e também lançada por fora de qualquer álbum da cantora, é de todas a mais melódica. Novamente, é descrito um amor que não quer bens e não deseja nada além de estar perto.

Quando você parte leva junto a minha paz,
Machuca o coração pensar que a gente pode não,
Se ver mais,
Não se ter mais,
Me diz como faz, pra te ter mais

Flora Matos quebra padrões primeiro por ser uma mulher cantando, produzindo, escrevendo e ritmando rap em um cenário e estilo musical extremamente machista. Rompe barreiras por falar de sua própria experiência e impressões do mundo com autonomia, firmeza e sem medo de, às vezes, ser vulnerável e deixar o sentimento dar o tom.

Seu som relembra que hip-hop é poesia e, sim, é bonito. Viva Flora!

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