TV

Tina Fey e a televisão norte-americana

Vamos combinar que televisão é uma coisa meio mágica, né? Uma caixinha (algumas caixonas) que transmite toda uma cultura de consumo e de identificação. Alguns podem dizer que internet também faz isso, mas a televisão está em nossas vidas há mais de 50 anos!

Quando começou, era a imagem de um locutor com algumas cortinas atrás reportando as notícias do dia. Depois, as radionovelas se ~teletransportaram~ para a telinha com os ídolos interpretando ao vivo seus personagens num microfone. E então vieram as cores, os múltiplos canais, as grades de programação. E não muito diferente da televisão brasileira, a norte-americana deu todos esses passinhos, até que hoje é um dos meios de comunicação mais importantes do nosso cotidiano.

E como aqui a gente gosta de mostrar que mulher faz parte de toda e qualquer história de evolução, nos tempos ~primordiais~ da televisão, elas eram as rainhas estereotipadas e não tinham muita abertura para fazer humor. Descobri tudo isso lendo o livro da Tina Fey, Bossypants, lançado em 2011. Recomendo o livro FORTEMENTE se você: a) curte a Tina Fey; b) curte o trabalho da Tina Fey; c) quer aprender sobre televisão norte-americana; d) ama os bastidores dos seriados.

Para quem se lembra dela, Tina Fey é comediante, atriz e roteirista. Ela trabalhou muitos anos no Saturday Night Live tanto personificando celebridades, como escrevendo episódios. Ela também foi uma das roteiristas do filme Meninas Malvadas e 30 Rock, seu seriado próprio!

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Por que eu falei tanto sobre TV antes de apresentar minha convidada? Porque em seu livro ela comenta como foi difícil entrar na bolha machista da televisão dos Estados Unidos. Tina conta que trabalhou em diferentes “bicos” para ter dinheiro para pagar suas aulas de improvisação e roteiro. Quando conseguiu uma oportunidade de mostrar seu trabalho num canal de televisão, foi imediatamente barrada por ser mulher. E isso, meus amigos, não foi nos anos 1900, foi em 2001 mesmo. Ela conta no livro que a comitiva de gestores e coordenadores do SNL era completamente masculina e que, na opinião deles, uma mulher não conseguiria ser engraçada o bastante para estar na TV. Depois de levar seu grupo de improvisação de Chicago para várias tours, ela teve sua oportunidade e apresentou uma de suas sketches. E, que novidade, os caras amaram o texto dela e ficaram mega espantados em saber que foi ela mesma quem escreveu.

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Dentro do canal de TV aberta, ela escreveu textos e críticas que falavam de vários assuntos polêmicos e sempre colocou sua ironia em pauta. Se formos assistir algum de seus primeiros episódios, em meados dos anos 2000, Tina fala muito em feminismo, independência feminina e empoderamento. Assuntos estes que anos atrás não eram tratados como hoje. E falando em tema polêmico, quer melhor filme do que Meninas Malvadas? O eterno enredo das patricinhas, da hierarquia que existe numa escola, da briga por atenção, é a maior crítica enrustida da história do cinema!

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E dentro dessa profissão, ela pode ajudar outras mulheres atrizes e comediantes a darem seus primeiros passos transformando várias delas em suas amigas de vida toda. Vide Amy Poehler. <3

Analisando a sua carreira, Tina teve muita sororidade com quem estava começando e com quem ainda não tinha brilhado o que podia. Uma coisa que vemos hoje com Shonda Rhimes, né? Ela que dá oportunidade por meio das suas histórias a personagens, narrativas e atrizes que talvez não tivesse a mesma atenção se outro roteirista estivesse envolvido.

Depois de quase 10 anos fazendo parte do Saturday Night Live, Tina criou sua própria série, 30 Rock. É uma sitcom que mostra os bastidores de um programa ao vivo apresentado do prédio Rockfeller Plaza. Quando a série terminou, ela voltou a focar em roteiro e atualmente produz Unbreakable Kimmy Schimidt, além de outros projetos próprios.

Mas voltando à carreira de Tina: ela já ganhou sete Emmy’s, três Globos de ouro, quatro Screen Actors, quatro Writes Guild e ainda uma nomeação no Grammy. Ufa! Eu, particularmente, amo a apresentação dela do Globo de Outro junto a Amy Poehler – é pedrada, patada e crítica até não poder mais!

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Recomendo muito o livro Bossypants justamente por mostrar esse bastidor da vida dela, esse crescimento da mulher dentro da televisão americana, a sororidade que as próprias profissionais criam no meio de trabalho, o papel dela de mãe nesse meio tempo e é claro, seu tom mais do que inteligente pra tudo que ela faz. 😀

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