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troféu valkirias de melhores do ano 2017

LITERATURA

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Literatura – Parte 1

Quando se é mulher, reivindicar a própria voz é um ato revolucionário. Quando Virginia Woolf disse que, para ser escritora, uma mulher precisa de um pouco de dinheiro e um teto todo seu, ela estava listando duas coisas aparentemente simples que, analisadas no contexto da história das mulheres, representam algo grandioso. Ter algum dinheiro para se manter e um quarto para escrever é sinônimo de uma vida vivida com autonomia o suficiente para bancar o próprio ofício e ter a liberdade de exercê-lo — coisa que muitas mulheres nunca tiveram e ainda não têm. Seja a irmã imaginária de Shakespeare fantasiada por Woolf, ou as inúmeras mulheres cujo potencial é desperdiçado por conta da falta dessas duas condições básicas — que se manifestam seja na pobreza, na sociedade opressora ou num contexto de violência — o confinamento silencioso em nossa condição continua fazendo parte do nosso gênero, se manifestando com mais força para umas do que outras, mas ainda presente.

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MÚSICA

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Música

2017 foi um ano de muitos ótimos lançamentos na área musical. Se é que algum fio condutor comum pode ser encontrado entre esses trabalhos tão diversos, ou pelo menos a maior parte deles, é a ênfase corajosa nos sentimentos, se permitir ser vulnerável diante do olhar público. Em certo sentido pode não parecer tanta coisa, músicos escrevem sobre seus sentimentos e suas vidas pessoais desde que o mundo é mundo, mas em algum nível parece que esse ano isso foi feito de uma forma ligeiramente diferente. Como cantado pelo queridinho do público Harry Styles — que não está nessa lista exclusivamente feminina, mas também lançou esse ano um álbum que se encaixa nesse mesmo padrão — em uma das músicas de seu novo álbum, “we are not who we used to be” [nós não somos quem costumávamos ser]. E de fato talvez não sejamos mesmo.

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COLABORAÇÃO GAMES

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Games

Se as coisas mudam, muitas continuam as mesmas. No começo desse ano, um pai precisou fazer um apelo à comunidade do jogo Overwatch – o nosso vencedor do ano passado -, para que sua filha de dez anos pudesse jogar sem sofrer assédios e xingamentos de outros jogadores. Há poucos dias, no decorrer da Comic Con Experience no Brasil, diversas mulheres cosplayers – muitas delas de games! – denunciaram o machismo que sofrem no meio geek. Ser mulher e gostar de games é ter que ainda trilhar difíceis caminhos só para admitir, em meio a jogadores masculinos, que ela também joga (ou mais!, produz os jogos). Contudo, para a surpresa de absolutamente ninguém, o número de mulheres gamers vem crescendo, e por essa razão convidamos a amiga Thais pra contar um pouco sobre seus jogos favoritos de 2017 – aqueles que valem a pena investir uma pequena – ou grande – parte das horas vagas! Afinal, chegamos naquela época de festividades e férias (ou pelo menos algum recesso) e algumas de nós só querem aproveitar o merecido descanso pegando o controle e/ou o mouse/teclado pra curtir um bom jogo. 

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TV

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Televisão

O ano de 2017 pode ser facilmente classificado como o das narrativas sobre mulheres. Foram várias as séries e produções que focaram em suas personagens femininas, em sua força e resiliência, em suas histórias, dramas e sonhos. Foi 2017 que nos trouxe a incrível adaptação de O Conto da Aia, livro homônimo escrito por Margaret Atwood, e também Big Little Lies, inspirado no livro de Liane Moriarty. Nunca antes as produções colocaram tantas mulheres em foco, contando suas próprias histórias e impressões sobre a vida, o universo e tudo o mais. O ano das narrativas sobre mulheres também é o ano das quebradoras de silêncio, quando tantas delas ergueram suas vozes para apontar aqueles que as fizeram calar anteriormente por medo de perderem suas carreiras e até mesmo suas vidas. Ainda que 2017 nos tenha trazido tantas personagens femininas intrigantes e narrativas feitas por elas, em boa parte dos casos isso só foi possível devido a uma estrutura doentia que perdura há anos com base em abusos.

2017 está terminando e o que fica é um sabor agridoce: nos calamos e não fomos ouvidas por muitos anos. Não mais.

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