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LITERATURA

A Corrida de Escorpião: Puck Conolly e o protagonismo feminino

“Hoje é o primeiro dia de novembro, portanto alguém vai morrer”. São essas palavras que recebem o leitor que decide abrir as primeiras páginas do livro A Corrida de Escorpião, da escritora norte-americana Maggie Stiefvater. Lançado em 2011 e traduzido para o Brasil no ano seguinte, com casa na Verus Editora, o livro é o primeiro trabalho standalone (livro único) da autora, que assina as séries Os Lobos de Mercy Falls e A Saga dos Corvos.

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TV

O Outro Lado do Paraíso: o mesmo lado da moeda

O Outro Lado do Paraíso, novela que estreou na última segunda-feira (23) na Rede Globo, tem uma história para contar. Uma patroa rica, branca, racista. Uma empregada pobre, preta. Um filho rico que se apaixona pela empregada preta. Nada novo, né? A patroa branca, rica e racista se repete no país inteiro e nas telinhas há anos. A empregada preta e pobre? Também. O branco rico que se apaixona pela empregada negra? É claro.

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TV

The Bold Type: mulher ajuda mulher

Há mais ou menos quatorze anos Regina George, a icônica personagem de Meninas Malvadas (2004, dirigido por Mark Waters), interpretada por Rachel McAdams, recebia em alto e bom som que “you can’t sit with us” [“você não pode sentar com a gente”, em tradução livre]. Anos mais tarde, a frase serviria para dualizar grupos – geralmente femininos –, em uma tentativa ferrenha de provar que o meu, o seu, e o nosso grupo era melhor do que aquele da pessoa do lado. Ou do que a pessoa do lado. Entre usar rosa nas quartas-feiras e uma campanha que buscou ensinar a garotas que you CAN sit with us [você pode sentar com a gente], anos se passaram e com eles vislumbramos, aos poucos, a queda de uma ferramenta narrativa há muito utilizada nas produções para cinema e TV: a de colocar mulher contra mulher. Entre filmes e séries que, a partir de então, enalteceriam a amizade feminina, foi em 2017, na tímida emissora televisiva Freeform, que teríamos uma das melhores novas produções do gênero: The Bold Type.

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CINEMA TV

Os estereótipos da mulher latina nas produções hollywoodianas

No cinema e TV norte-americanos, as mulheres latinas são vistas sob duas óticas opostas: uma mulher jovem de corpo curvilíneo, bronzeado e incrivelmente sexy, ou uma mulher “madura”, pouco atraente e frequentemente no papel estereotipado de Empregada Latina. O segundo estereótipo costuma passar tão despercebido que os nomes das atrizes que o interpretam são pouco fixados em nossas memórias. Já o primeiro perfil desdobra-se em dois estereótipos amplamente utilizados nas telas: a Mulher Latina Sexy, como a personagem de Penélope Cruz no filme Zoolander 2, dirigido por Ben Stiller, de 2016, e a Mulher Cabeça-Quente, que é tão extravagante quanto bonita, como a ruidosa personagem de Sofia Vergara na série televisiva Modern Family, no ar desde 2009. Citar uma atriz consagrada em Hollywood, como Penélope Cruz (de origem espanhola), e a atriz Sofia Vergara (de origem colombiana), atualmente a mais bem paga da TV norte-americana, é importante para demonstrar que nem mesmo elas conseguem se descolar do perfil “mulher latina” e que esses não são estereótipos antigos que já caíram em desuso pela produção hollywoodiana. Os estereótipos da mulher latina nessas produções persistem como uma equivocada representação. Continue Lendo

ENTREVISTA INTERNET LITERATURA

De frente com Valkirias: Kathryn Ormsbee fala sobre assexualidade, internet e Anna Karienina

Em agosto, falamos aqui do incrível Tash e Tolstói, romance young adult que reúne em uma só história uma personagem assexual, uma discussão interessante sobre as intersecções entre nossas vidas online e offline – coisa ainda rara no universo da literatura para adolescentes – e um papo nada novo sobre a importância de sermos honestos com nossos sentimentos. Tudo isso acontece quando Tash, a protagonista, vê sua websérie, uma adaptação moderna de Anna Karienina, viralizar na internet e enfrenta mudanças importantes com o fim do ensino médio e novas dinâmicas familiares. Assim como na vida, tudo acontece ao mesmo tempo agora, e que o livro consiga ser leve, divertido, com personagens complexos e interessantes é muito mérito da autora, a norte-americana Kathryn Ormsbee.

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LITERATURA

Little Fires Everywhere: Celeste Ng e a diversidade da experiência humana

Em uma cidade planejada aparentemente perfeita no interior dos Estados Unidos, uma adolescente, a ovelha negra de uma família tão aparentemente perfeita quanto a comunidade, acende pequenas chamas em todos os cômodos de sua casa, numa disruptura incomum da tranquilidade diária. É assim que Celeste Ng inicia Little Fires Everywhere, seu segundo romance, que vai voltar no tempo para se debruçar sobre o porquê das chamas, e, a partir dessa pequena comunidade planejada, vai discutir como as diferenças de gênero, raça e classe moldam e transformam a experiência humana.

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