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TV

A ambiguidade de Alias Grace

Alias Grace, a mais nova minissérie da Netflix, é uma produção em seis episódios baseada no livro homônimo escrito por Margaret Atwood, dirigida por Mary Harron e escrita em parceria por Sarah Polley e a própria Atwood. Publicado originalmente em 1996, Vulgo Grace – título que o trabalho recebeu no Brasil – conta a história de Grace Marks, uma imigrante irlandesa que se muda com a família para o Canadá em busca de melhores condições de vida no ano de 1840. O que Grace não imaginava, no entanto, é que sua vida fosse mudar de maneira radical e que um duplo assassinato estivesse em seu destino.

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TV

Os Defensores: o que poderia ter sido

Em 2013, quando a parceria entre Marvel e Netflix foi anunciada, a principal pergunta que estava sendo feita não dizia respeito à união dos gigantes, mas para onde o Universo Cinematográfico Marvel estava indo. Séries de televisão cujo foco se voltava para as trajetórias e conflitos de super-heróis, via de regra, já não eram mais uma novidade, e com o sucesso dessas adaptações para o cinema e o novo momento que vivia a televisão, sobretudo a norte-americana, parecia uma questão de tempo até que essas histórias passassem a ganhar espaço na tela pequena – algo que, de fato, aconteceu. De heróis com poderes especiais a vigilantes, passando por alienígenas, mutantes e histórias de origem e vilões, todos ganharam espaço para construir narrativas tão diferentes entre si que o único fator que as unia era o fato de serem baseadas no universo dos quadrinhos e seus heróis.

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CINEMA

Crítica: O Mínimo para Viver

Anorexia-histérica, “uma condição feminina”, foi o nome dado pelo médico inglês William Gull, em 1873, ao estado de perda de apetite sem causas gástricas diagnosticadas. Mais tarde, o distúrbio recebeu o nome de anorexia-nervosa e, após a publicação de um artigo pelo mesmo médico, em 1888, algumas centenas de outros especialistas averiguaram que os sintomas – que incluem, ainda, a distorção da imagem corporal, o medo de adquirir peso e a negação da própria condição patológica – se aplicariam não apenas a mulheres, mas também a pacientes do sexo masculino. A anorexia passou a fazer a parte do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais desde sua primeira publicação, em 1952. A bulimia, por sua vez, tem seus primeiros registros datados a partir de 1903, mas só em 1979 foi classificada como uma desordem – à época, correlacionada com a anorexia –, sendo só a partir de 1987 tratada como um distúrbio singular.
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CINEMA

Crítica: Okja e aquilo que preferimos não ver

Quando eu era criança, não suportava que galinhas prestes a virar uma refeição fossem trazidas para casa ainda com a cabeça. Olhar nos olhos da galinha era a comprovação incontestável de que a carne que eu consumia não surgia magicamente no supermercado, não era produzida em uma máquina, mas antes fora um animal com um coração pulsando. Embora essa experiência não tenha servido para me tornar vegetariana, ou muito menos vegana, vejo nela uma forte semelhança com a polêmica envolvendo o abate de um cordeiro em um programa na televisão – o horror e o desgosto, afinal, também vieram de dezenas de pessoas que consomem carne. Comprar um pedaço de carne no mercado ou no açougue significa se ver diante de um animal com todas as suas características cuidadosamente removidas, de cortes feitos meticulosamente por alguém experiente. Amorfa e bem embalada em plástico filme, a carne moída que vira meu hambúrguer em nada lembra as vacas de olhar moroso que eu costumava ver todas as manhãs da janela do ônibus. É claro que sei de onde ela veio. Mas posso escolher não pensar nisso, se eu não quiser.

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LITERATURA TV

Não há prisão para a alma: a história de Sór Juana Inés de La Cruz

O desejo avassalador de escrever preso em um corpo de mulher. Uma prisão de poucos espaços. Às mulheres, o espaço da vida religiosa, do casamento, das costuras, dos bordados, da cozinha e o cuidado dos filhos que conservam envoltos nas barras de suas saias. Nenhum outro é permito a elas. Em meio a esse desejo de adentrar espaços interditos, alimentado por muitas, conquistado por poucas, surgiu Juana Inés de Asbaje, mais conhecida como Sór (Irmã) Juana Inés de La Cruz, uma freira e escritora do período barroco hispano-americano do século XVII.

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