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CINEMA

Crítica: O Mínimo para Viver

Anorexia-histérica, “uma condição feminina”, foi o nome dado pelo médico inglês William Gull, em 1873, ao estado de perda de apetite sem causas gástricas diagnosticadas. Mais tarde, o distúrbio recebeu o nome de anorexia-nervosa e, após a publicação de um artigo pelo mesmo médico, em 1888, algumas centenas de outros especialistas averiguaram que os sintomas – que incluem, ainda, a distorção da imagem corporal, o medo de adquirir peso e a negação da própria condição patológica – se aplicariam não apenas a mulheres, mas também a pacientes do sexo masculino. A anorexia passou a fazer a parte do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais desde sua primeira publicação, em 1952. A bulimia, por sua vez, tem seus primeiros registros datados a partir de 1903, mas só em 1979 foi classificada como uma desordem – à época, correlacionada com a anorexia –, sendo só a partir de 1987 tratada como um distúrbio singular.
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CINEMA

Crítica: Okja e aquilo que preferimos não ver

Quando eu era criança, não suportava que galinhas prestes a virar uma refeição fossem trazidas para casa ainda com a cabeça. Olhar nos olhos da galinha era a comprovação incontestável de que a carne que eu consumia não surgia magicamente no supermercado, não era produzida em uma máquina, mas antes fora um animal com um coração pulsando. Embora essa experiência não tenha servido para me tornar vegetariana, ou muito menos vegana, vejo nela uma forte semelhança com a polêmica envolvendo o abate de um cordeiro em um programa na televisão – o horror e o desgosto, afinal, também vieram de dezenas de pessoas que consomem carne. Comprar um pedaço de carne no mercado ou no açougue significa se ver diante de um animal com todas as suas características cuidadosamente removidas, de cortes feitos meticulosamente por alguém experiente. Amorfa e bem embalada em plástico filme, a carne moída que vira meu hambúrguer em nada lembra as vacas de olhar moroso que eu costumava ver todas as manhãs da janela do ônibus. É claro que sei de onde ela veio. Mas posso escolher não pensar nisso, se eu não quiser.

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LITERATURA TV

Não há prisão para a alma: a história de Sór Juana Inés de La Cruz

O desejo avassalador de escrever preso em um corpo de mulher. Uma prisão de poucos espaços. Às mulheres, o espaço da vida religiosa, do casamento, das costuras, dos bordados, da cozinha e o cuidado dos filhos que conservam envoltos nas barras de suas saias. Nenhum outro é permito a elas. Em meio a esse desejo de adentrar espaços interditos, alimentado por muitas, conquistado por poucas, surgiu Juana Inés de Asbaje, mais conhecida como Sór (Irmã) Juana Inés de La Cruz, uma freira e escritora do período barroco hispano-americano do século XVII.

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TV

A força das mulheres em Las Chicas del Cable

A série espanhola Las Chicas Del Cable mostra um grupo de mulheres tentando sobreviver em um mundo machista, na década de 1920. Nos primeiro momentos do episódio-piloto já fica claro que a vida não era muito fácil na época, as mulheres eram vistas como esposas e mães e a liberdade era uma meta inatingível. Vemos duas mulheres preparadas para dar uma guinada em suas vidas, mas são impedidas quando um homem que não supera o fim do relacionamento decide pôr um ponto-final na ilusão de liberdade da ex-companheira.

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TV

Las Chicas del Cable: em busca de liberdade

A Netflix não para de expandir seus domínios sobre nossas vidas sociais e Las Chicas del Cable, ou Cable Girls, nome com o qual a série foi vendida internacionalmente, é mais um de seus projetos a ganhar vida por meio de seus oito episódios lançados no último mês de abril no serviço de streaming. Ambientada na Madrid de 1928, uma cidade encantadora com uma arquitetura rica e vibrante, Las Chicas del Cable tem por premissa contar a história de quatro mulheres muito diferentes que, um dia, vêem suas vidas se entrelaçarem de maneira permanente.

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