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não-ficção

CINEMA LITERATURA

Estrelas além de Hollywood

De todos os filmes indicados ao Oscar desse ano, nenhum foi tão bem sucedido em seu país de origem quanto Estrelas Além do Tempo, longa de Theodore Melfi que conta, com algumas liberdades, a história real de três cientistas negras que trabalharam na NASA em plena época de segregação racial institucionalizada, dentro do estado que se opôs mais ferozmente ao fim dela, a Virgínia. O filme terminou a corrida sem nenhum Oscar, mas já deixou uma marca maior. Profundamente inspirador para meninas e mulheres, dentro dos Estados Unidos Estrelas Além do Tempo levou uma adolescente de 13 anos a criar um financiamento coletivo para permitir que mais garotas pudessem assistir ao filme e absorver sua mensagem empoderadora e, contam relatos, está inspirando jovens mulheres a buscarem espaço nas áreas de ciência e tecnologia, que — a história é velha — ainda são tradicionalmente masculinas.

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LITERATURA

Svetlana Aleksiévitch e a face feminina da guerra

Se abrirmos um livro de história, inevitavelmente nos depararemos com uma série de guerras – algumas maiores e outras menores – que permeiam nosso passado. As guerras, parece, são tão antigas quanto o nosso mundo, dito civilizado, e, para o bem ou para o mal, fazem parte das nossas identidades nacionais. Assistimos às guerras diariamente e naturalizamos tanta barbárie e horror em nome de um monte de coisas: ideais, a paz mundial (atingida por meio da violência), crenças… (Dos interesses econômicos é melhor não falar tanto assim). Aceitamos as guerras como parte de nossa história, e falamos muito sobre elas, especialmente sobre as duas grandes guerras da história do mundo. O livro-reportagem A Guerra Não Tem Rosto de Mulher (Companhia das Letras, 2016), da bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, poderia ser só mais um dos numerosos trabalhos que discutem a Segunda Guerra. Mas não é. Originalmente publicado em 1985, o livro busca contar as histórias (em grande parte esquecidas) das mulheres soviéticas que estiveram na linha de frente. Porque, sim, elas estiveram lá. E foram muitas.

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