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CINEMA LITERATURA

Off the Cliff: por que Thelma & Louise foi um filme fora da curva

Muito antes que eu soubesse que história contava Thelma & Louise, o filme já era uma referência conhecida para mim, citada nos diálogos de muitos outros filmes — ou séries, ou livros –, especialmente quando se tratava de personagens femininas. Foi somente no ano passado, com a chegada de seu aniversário de 25 anos, que finalmente parei para assisti-lo e entendi por que era tantas vezes mencionado. Thelma & Louise me pareceu muito diferente, embora naquele momento eu não soubesse dizer exatamente por quê. É sobre esse porquê que Off the Cliff, livro de Becky Aikman, se debruça. Com um subtítulo no qual se lê “como a realização de Thelma & Louise levou Hollywood ao extremo”, o livro narra os bastidores do filme de 1991 para tentar entender por que Thelma e Louise representaram uma pequena revolução desde a época de seu lançamento até os dias de hoje.

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CINEMA LITERATURA

Estrelas além de Hollywood

De todos os filmes indicados ao Oscar desse ano, nenhum foi tão bem sucedido em seu país de origem quanto Estrelas Além do Tempo, longa de Theodore Melfi que conta, com algumas liberdades, a história real de três cientistas negras que trabalharam na NASA em plena época de segregação racial institucionalizada, dentro do estado que se opôs mais ferozmente ao fim dela, a Virgínia. O filme terminou a corrida sem nenhum Oscar, mas já deixou uma marca maior. Profundamente inspirador para meninas e mulheres, dentro dos Estados Unidos Estrelas Além do Tempo levou uma adolescente de 13 anos a criar um financiamento coletivo para permitir que mais garotas pudessem assistir ao filme e absorver sua mensagem empoderadora e, contam relatos, está inspirando jovens mulheres a buscarem espaço nas áreas de ciência e tecnologia, que — a história é velha — ainda são tradicionalmente masculinas.

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LITERATURA

Svetlana Aleksiévitch e a face feminina da guerra

Se abrirmos um livro de história, inevitavelmente nos depararemos com uma série de guerras – algumas maiores e outras menores – que permeiam nosso passado. As guerras, parece, são tão antigas quanto o nosso mundo, dito civilizado, e, para o bem ou para o mal, fazem parte das nossas identidades nacionais. Assistimos às guerras diariamente e naturalizamos tanta barbárie e horror em nome de um monte de coisas: ideais, a paz mundial (atingida por meio da violência), crenças… (Dos interesses econômicos é melhor não falar tanto assim). Aceitamos as guerras como parte de nossa história, e falamos muito sobre elas, especialmente sobre as duas grandes guerras da história do mundo. O livro-reportagem A Guerra Não Tem Rosto de Mulher (Companhia das Letras, 2016), da bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, poderia ser só mais um dos numerosos trabalhos que discutem a Segunda Guerra. Mas não é. Originalmente publicado em 1985, o livro busca contar as histórias (em grande parte esquecidas) das mulheres soviéticas que estiveram na linha de frente. Porque, sim, elas estiveram lá. E foram muitas.

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