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TV

Victoria: conto de fadas na corte

A primeira temporada de um seriado leva um tempo considerável de episódios para situar o telespectador a respeito da história que pretende contar: quem são seus personagens principais, o que os motiva, qual é o espaço que ocupam no universo em que a história se passa, o que esperar da trama que nos propusemos a acompanhar. Se muito da primeira temporada de Victoria, exibida em 2016 pela iTV, foi dedicada a explicar todos esses pormenores, a segunda temporada, encerrada recentemente, se vê livre de tais amarras e cresce muito mais enquanto entretenimento quando não precisa ser tão específica com relação àqueles pontos, contando a história de sua protagonista com muito mais leveza do que na vez anterior.

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TV

The Handmaid’s Tale e a heterossexualidade compulsória

The Handmaid's Tale - Emily

Nós, mulheres, somos “valorizadas” e escravizadas na medida do nosso potencial reprodutivo. Essa é uma premissa muito importante de The Handmaid’s Tale, e também é uma premissa muito importante da vida real. A maternidade na sociedade humana, para além da função óbvia de perpetuar a espécie, serve a uma função social subjacente de manutenção da opressão. Para cumprir seu “destino biológico”, pelo menos durante a maior parte da história humana, é preciso que mulheres se relacionem sexualmente com homens. E, para nós, “se relacionar” com homens sempre pressupôs uma dinâmica conhecida de dominação masculina e submissão feminina.

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TV

Mary Winchester não é uma donzela em perigo

Dois de novembro de 1986. Algum tempo após colocar os filhos para dormir, uma mãe acorda com o barulho da babá eletrônica, posicionada estrategicamente ao lado da própria cama. “John?”, ela chama, ainda sonolenta, pelo marido; ele, contudo, não se encontra ao seu lado. Assim, ela levanta e se dirige até o quarto do bebê, cansada após mais um dia dedicado ao cuidado dos filhos, do marido e do lar; mas ao chegar no quarto, encontra um homem debruçado sobre o berço do bebê. No escuro e de costas para ela, sua silhueta lhe parece com a do marido, e sendo ele o único homem adulto na casa, não há nada com o que se preocupar – exceto que há algo muito errado acontecendo naquela casa. Era para ser uma noite qualquer na casa dos Winchester; até não ser mais.

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CINEMA COLABORAÇÃO

Maternidade: não precisamos ser perfeitas

“Desde que eu tive filhos, estou sempre atrasada”. É assim que Amy Mitchell (Mila Kunis) se apresenta no início do filme Perfeita é a Mãe (2016). E ela não está totalmente errada. Estar atrasada vira uma característica bem presente quando nos tornamos mães. Pra mim virou, pelo menos. O bebê suja a fralda quando estamos prontas para sair, vomita na sua roupa, dorme, chora. São muitas variáveis que influenciam a logística. Os bebês não estão nem aí para horários e padrões ou convenções sociais, eis aqui uma verdade. Depois que eles crescem, essa realidade não diminui, porque são muitas demandas e muitos pratos para conseguir manter girando no ar; como é o caso da protagonista, que faz tudo sozinha e, obviamente, está sempre correndo de um lado para o outro naquele ritmo frenético de quem precisa dar conta de tudo o tempo inteiro.

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LITERATURA

As mães e os filhos (fora) do cárcere

A chama para este texto veio há quase dois meses: no dia 24 de março, a ex-primeira-dama do Rio de Janeiro, Adriana Ancelmo, investigada por corrupção ao lado do marido, o ex-governador Sérgio Cabral, teve concedido pelo Supremo Tribunal de Justiça um habeas corpus permitindo que ela ficasse em regime de prisão domiciliar enquanto não tivesse seu caso julgado. Isso aconteceu porque ela tem um filho menor de 12 anos e, teoricamente, a lei brasileira garante o direito de prisão domiciliar a mães de filhos na primeira infância, especialmente aqueles que estão privados do convívio dos dois pais ao mesmo tempo – Cabral está preso desde novembro.  Hoje, 10 de maio, essa discussão parece até uma faísca atrasada, já que no fim do mês passado Adriana retornou à prisão por decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª região. O caso dela poderia não ser levado em consideração na discussão que proponho agora, mas será porque faz parte dessa grande suruba arbitrária que é a lei brasileira.

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TV

A cruel representação das mães na cultura pop

Quando penso em personagens que são mães na cultura pop sempre me lembro primeiramente de duas: Lorelai Gilmore (Lauren Graham), de Gilmore Girls e Lily Aldrin (Alyson Hannigan), de How I Met Your Mother. As duas são mulheres muito diferentes, talvez até a única coisa que as conecte seja o gênero e a maternidade. Para mim, que sempre lembro delas quando penso em mães na cultura pop, as duas também ocupam lugares diferentes na categoria de personagens que também são mães.

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