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TV

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Televisão

O ano de 2017 pode ser facilmente classificado como o das narrativas sobre mulheres. Foram várias as séries e produções que focaram em suas personagens femininas, em sua força e resiliência, em suas histórias, dramas e sonhos. Foi 2017 que nos trouxe a incrível adaptação de O Conto da Aia, livro homônimo escrito por Margaret Atwood, e também Big Little Lies, inspirado no livro de Liane Moriarty. Nunca antes as produções colocaram tantas mulheres em foco, contando suas próprias histórias e impressões sobre a vida, o universo e tudo o mais. O ano das narrativas sobre mulheres também é o ano das quebradoras de silêncio, quando tantas delas ergueram suas vozes para apontar aqueles que as fizeram calar anteriormente por medo de perderem suas carreiras e até mesmo suas vidas. Ainda que 2017 nos tenha trazido tantas personagens femininas intrigantes e narrativas feitas por elas, em boa parte dos casos isso só foi possível devido a uma estrutura doentia que perdura há anos com base em abusos.

2017 está terminando e o que fica é um sabor agridoce: nos calamos e não fomos ouvidas por muitos anos. Não mais.

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LITERATURA TV

Não há prisão para a alma: a história de Sór Juana Inés de La Cruz

O desejo avassalador de escrever preso em um corpo de mulher. Uma prisão de poucos espaços. Às mulheres, o espaço da vida religiosa, do casamento, das costuras, dos bordados, da cozinha e o cuidado dos filhos que conservam envoltos nas barras de suas saias. Nenhum outro é permito a elas. Em meio a esse desejo de adentrar espaços interditos, alimentado por muitas, conquistado por poucas, surgiu Juana Inés de Asbaje, mais conhecida como Sór (Irmã) Juana Inés de La Cruz, uma freira e escritora do período barroco hispano-americano do século XVII.

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LITERATURA

Força literária em tempos patriarcais: uma ode às escritoras clássicas

Feche os olhos por um momento e pense num clássico literário. Se o livro em que você pensou não tiver sido escrito por uma mulher, mas sim por um homem velho ou morto, branco e possivelmente europeu, não se sinta mal: não é culpa sua, é da nossa educação. Nós somos ensinadas a acreditar que os grandes clássicos da literatura foram produzidos por eles e que às mulheres só interessava fazer bordados e cuidar da família.

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TV

Juana Inés ou por que uma mulher poderosa incomoda tanto

Eu sempre fui apaixonada por História. Quando era criança, passava horas do dia lendo os livros didáticos dos meus irmãos, procurando por mulheres da vida real que tivessem feito grandes coisas, mas apenas encontrando nomes masculinos nas trocentas páginas daqueles livros gigantescos. O tempo passou, a internet entrou na minha vida e eu comecei a vasculhar os sites por mulheres que tivesse feito a diferença. Naquele ano de 2007, não achei muita coisa, afinal, isso ainda não era muito discutido – e é nessas que a gente percebe o quanto 10 anos fazem a diferença –, mas, alguns anos depois, fui à biblioteca da escola e encontrei um livro (Papisa Joana, Donna Woolfolk Cross, Geração Editorial, 2009, 496 p.) que me satisfez por encontrar uma história que, real ou não, eu sabia que poderia ter protagonizado: a história de uma menina chamada Joana que só queria ler seus livrinhos e ser nerd no seu tempo, mas que foi proibida porque isso “não era coisa de mulher”.

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