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LITERATURA

Força literária em tempos patriarcais: uma ode às escritoras clássicas

Feche os olhos por um momento e pense num clássico literário. Se o livro em que você pensou não tiver sido escrito por uma mulher, mas sim por um homem velho ou morto, branco e possivelmente europeu, não se sinta mal: não é culpa sua, é da nossa educação. Nós somos ensinadas a acreditar que os grandes clássicos da literatura foram produzidos por eles e que às mulheres só interessava fazer bordados e cuidar da família.

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LITERATURA

Cinco filhas solteiras sem grandes fortunas: entendendo a Sra. Bennet

É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro em posse de uma grande fortuna deve estar à procura de uma esposa – ou ao menos é isso que a Sra. Bennet quer nos fazer acreditar do começo ao fim de Orgulho e Preconceito. Ironicamente, são as moças solteiras, especialmente aquelas sem posse de grandes fortunas, que estão à procura de um marido. Algumas o fazem de maneira mais espalhafatosa, como Lydia e Kitty Bennet, outras com aspirações românticas, como Elizabeth e Jane Bennet, outras ainda de maneira quieta e contida, como Charlotte Lucas. Nenhuma dessas jovens moças solteiras, no entanto, é mais dedicada à saga matrimonial do que a matriarca Bennet, cujo primeiro diálogo no romance é justamente sobre a chegada de Bingley a Netherfield – “um homem solteiro com grande fortuna; quatro ou cinco mil por ano. Que coisa boa para nossas meninas!

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LITERATURA

Por que Orgulho e Preconceito é a melhor história de amor de todos os tempos e a desconstrução do amor à primeira vista

Todo mundo já ouviu falar, já leu, já assistiu a uma história de amor à primeira vista. É um clichê que sempre dá certo nos filmes. A moça meio desajeitada, apressada para algum compromisso esbarra num moço meio mal-humorado no meio da rua e derruba todas as suas coisas. Os dois se abaixam para recolher o que caiu no chão e seus olhares se encontram e, por um instante, apenas por um instante, a moça não tem mais pressa e o humor do moço é o melhor do mundo. Pronto, a paixão nasceu. É simples, fácil e quase sempre dá certo.

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LITERATURA

“Emma Woodhouse, bonita, inteligente, e rica (…)”

Enquanto, em pleno século XXI, uma de nossas revistas intitula uma matéria sobre a esposa do presidente em exercício enaltecendo sua figura pelas qualidades de ser “bela, recatada e do lar”, no início do século XIX, Jane Austen iniciava seu quarto romance publicado, Emma, descrevendo sua heroína como “bonita, inteligente, e rica”. Isso porque Jane Austen e Emma Woodhouse estavam inseridas em uma sociedade estritamente patriarcal cujo padrão para a mulher era ser – veja só – bela, recatada e do lar. Talvez por isso Austen fizesse questão de ironizar determinados comportamentos e atribuir a suas personagens falas e pensamentos não tradicionais à sua época. Diante dessa tragicômica contradição, considerando as épocas e os contextos, ainda tem gente que falha em ver o brilhantismo dos escritos de uma autora do século retrasado.

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CINEMA

Grigg Harris e O Clube de Leitura de Jane Austen

Desde o dia em que eu abri meu primeiro romance de Jane Austen (Mansfield Park, se for de sua curiosidade) meu envolvimento com o trabalho dela se tornou um caminho sem volta. Tornei-me janeite e estudiosa de Austen, e junto com suas próprias obras, passei a procurar obras inspiradas pelas dela ou que tomam suas tramas como temática para o desenvolvimento de uma história contemporânea. Foi assim que cheguei a O Clube de Leitura de Jane Austen (2007), um longa-metragem escrito e dirigido por Robin Swicord, baseado no romance homônimo de Karen Joy Fowler, The Jane Austen Book Club, ainda sem tradução no Brasil. E, consequemente, conheci Grigg Harris (interpretado por Hugh Dancy).

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LITERATURA

Jane Austen: muito além do romance

Quando menciono algum livro de Jane Austen para uma pessoa que não está muito por dentro do assunto, geralmente a primeira reação dela é pensar que estou falando a respeito de romances açucarados, ou, como adoram frisar, de livros que deram origem a “filmes de mulherzinha” (nota: detesto esse tom pejorativo a respeito dos “filmes de mulherzinha”, mas isso é assunto para outro post). O que eles não sabem, bobinhos, é que os livros de Miss Austen vão muito além do simples romance.

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