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The Lizzie Bennet Diaries: Orgulho e Preconceito para millennials

É uma verdade universalmente conhecida que um livro clássico, possuidor das qualidades certas, é sempre atual. Atualidade essa que desperta sentimentos de identificação em pleno século XXI, mesmo que a história seja contada com linguagem rebuscada, cheia de floreios e pontuada pela rigidez característica das regras sociais de outrora, que nos parecem tão estranhas atualmente. Clássicos são, sobretudo, sobre sentir profunda e desesperadamente (ou sobre reprimir esse turbilhão de emoções). E sentir é algo universal e atemporal, não fazendo diferença a época em que se vive. Continue Lendo

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Emma Approved: uma adaptação mais do que aprovada

Emma Approved

A partir do momento que a escolha do elenco da versão hollywoodiana de Ghost in the Shell – A Vigilante do Amanhã foi anunciada com o nome de Scarlett Johansson no papel principal, criou-se o burburinho pela mídia a respeito do whitewashing da escolha. Afinal, a personagem era proveniente da cultura japonesa e a atriz escalada tinha ascendência bem ocidental. Antes, durante, e após a estreia do filme, muitas críticas negativas foram escritas a respeito do apagamento da cultura japonesa do filme e da falta de representatividade das minorias étnicas que permanece latente na indústria do entretenimento, apesar das cobranças mais ávidas que têm sido feitas pelo público e por muitos profissionais que também compõem essa indústria. Eu poderia acrescentar meus dois centavos no assunto, mas, primeiro, uma crítica sobre o filme já foi publicada aqui; e, segundo, por que insistir em destacar as produções que erraram ao invés de apresentar aquelas que acertaram, e muito? Pensando nisso, hoje vamos falar de Emma Approved, uma webssérie baseada no romance homônimo de Jane Austen, adaptada em um roteiro moderno e disponível a alguns cliques de distância, no YouTube.

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Força literária em tempos patriarcais: uma ode às escritoras clássicas

Feche os olhos por um momento e pense num clássico literário. Se o livro em que você pensou não tiver sido escrito por uma mulher, mas sim por um homem velho ou morto, branco e possivelmente europeu, não se sinta mal: não é culpa sua, é da nossa educação. Nós somos ensinadas a acreditar que os grandes clássicos da literatura foram produzidos por eles e que às mulheres só interessava fazer bordados e cuidar da família.

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Cinco filhas solteiras sem grandes fortunas: entendendo a Sra. Bennet

É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro em posse de uma grande fortuna deve estar à procura de uma esposa – ou ao menos é isso que a Sra. Bennet quer nos fazer acreditar do começo ao fim de Orgulho e Preconceito. Ironicamente, são as moças solteiras, especialmente aquelas sem posse de grandes fortunas, que estão à procura de um marido. Algumas o fazem de maneira mais espalhafatosa, como Lydia e Kitty Bennet, outras com aspirações românticas, como Elizabeth e Jane Bennet, outras ainda de maneira quieta e contida, como Charlotte Lucas. Nenhuma dessas jovens moças solteiras, no entanto, é mais dedicada à saga matrimonial do que a matriarca Bennet, cujo primeiro diálogo no romance é justamente sobre a chegada de Bingley a Netherfield – “um homem solteiro com grande fortuna; quatro ou cinco mil por ano. Que coisa boa para nossas meninas!

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Por que Orgulho e Preconceito é a melhor história de amor de todos os tempos e a desconstrução do amor à primeira vista

Todo mundo já ouviu falar, já leu, já assistiu a uma história de amor à primeira vista. É um clichê que sempre dá certo nos filmes. A moça meio desajeitada, apressada para algum compromisso esbarra num moço meio mal-humorado no meio da rua e derruba todas as suas coisas. Os dois se abaixam para recolher o que caiu no chão e seus olhares se encontram e, por um instante, apenas por um instante, a moça não tem mais pressa e o humor do moço é o melhor do mundo. Pronto, a paixão nasceu. É simples, fácil e quase sempre dá certo.

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“Emma Woodhouse, bonita, inteligente, e rica (…)”

Enquanto, em pleno século XXI, uma de nossas revistas intitula uma matéria sobre a esposa do presidente em exercício enaltecendo sua figura pelas qualidades de ser “bela, recatada e do lar”, no início do século XIX, Jane Austen iniciava seu quarto romance publicado, Emma, descrevendo sua heroína como “bonita, inteligente, e rica”. Isso porque Jane Austen e Emma Woodhouse estavam inseridas em uma sociedade estritamente patriarcal cujo padrão para a mulher era ser – veja só – bela, recatada e do lar. Talvez por isso Austen fizesse questão de ironizar determinados comportamentos e atribuir a suas personagens falas e pensamentos não tradicionais à sua época. Diante dessa tragicômica contradição, considerando as épocas e os contextos, ainda tem gente que falha em ver o brilhantismo dos escritos de uma autora do século retrasado.

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