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crítica

TV

Os Defensores: o que poderia ter sido

Em 2013, quando a parceria entre Marvel e Netflix foi anunciada, a principal pergunta que estava sendo feita não dizia respeito à união dos gigantes, mas para onde o Universo Cinematográfico Marvel estava indo. Séries de televisão cujo foco se voltava para as trajetórias e conflitos de super-heróis, via de regra, já não eram mais uma novidade, e com o sucesso dessas adaptações para o cinema e o novo momento que vivia a televisão, sobretudo a norte-americana, parecia uma questão de tempo até que essas histórias passassem a ganhar espaço na tela pequena – algo que, de fato, aconteceu. De heróis com poderes especiais a vigilantes, passando por alienígenas, mutantes e histórias de origem e vilões, todos ganharam espaço para construir narrativas tão diferentes entre si que o único fator que as unia era o fato de serem baseadas no universo dos quadrinhos e seus heróis.

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CINEMA

Crítica: Atômica

O Muro de Berlim (Berliner Mauer, em alemão) começou a ser construído na madrugada do dia 13 de agosto de 1961, com o intuito de dividir a capital alemã em dois polos: a República Democrática Alemã, ou Alemanha Oriental, socialista, liderada pela então União Soviética, responsável pela criação do muro; e a República Federal da Alemanha, ou Alemanha Ocidental, capitalista, encabeçada pelos Estados Unidos. Cerca de 190 ruas da cidade foram cortadas pelo muro, que se estendia por mais de 150 km de concreto e arame farpado, e separava não apenas socialistas e capitalistas, mas amigos, famílias; uma nação inteira.

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CINEMA

Crítica: A Torre Negra

Muito antes de ser anunciada como adaptação cinematográfica, A Torre Negra já era uma história de sucesso: iniciada em meados da década de 70, quando Stephen King ainda estava na faculdade, a série de livros homônima teve seu primeiro volume publicado em 1982, após a história ser dividida em cinco partes e publicada anteriormente em uma revista, entre os anos de 1973 e 1981. Foram mais de trinta anos até que a saga fosse concluída, tempo mais do que suficiente para conquistar uma legião de fãs – muitos dos quais consideram a obra o magnum opus do autor –, mas também para que muita História (essa, com “h” maiúsculo) acontecesse, transformando o mundo em que vivemos de formas que, até alguns anos atrás, pareciam inimagináveis.

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CINEMA

Crítica: Okja e aquilo que preferimos não ver

Quando eu era criança, não suportava que galinhas prestes a virar uma refeição fossem trazidas para casa ainda com a cabeça. Olhar nos olhos da galinha era a comprovação incontestável de que a carne que eu consumia não surgia magicamente no supermercado, não era produzida em uma máquina, mas antes fora um animal com um coração pulsando. Embora essa experiência não tenha servido para me tornar vegetariana, ou muito menos vegana, vejo nela uma forte semelhança com a polêmica envolvendo o abate de um cordeiro em um programa na televisão – o horror e o desgosto, afinal, também vieram de dezenas de pessoas que consomem carne. Comprar um pedaço de carne no mercado ou no açougue significa se ver diante de um animal com todas as suas características cuidadosamente removidas, de cortes feitos meticulosamente por alguém experiente. Amorfa e bem embalada em plástico filme, a carne moída que vira meu hambúrguer em nada lembra as vacas de olhar moroso que eu costumava ver todas as manhãs da janela do ônibus. É claro que sei de onde ela veio. Mas posso escolher não pensar nisso, se eu não quiser.

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TV

The Handmaid’s Tale: Nolite te bastardes carborundorum

The Handmaid's Tale

Quando a plataforma de streaming americana Hulu anunciou que tinha uma adaptação do livro de Margaret Atwood, O Conto da Aia, em andamento, foi dada a largada para os leitores e seriadores mais ávidos se situarem do enredo da história e contarem os dias para conferir o que a série poderia oferecer.  Com Elisabeth Moss e Alexis Bledel no elenco, entre outros grandes nomes, a premissa parecia ser fiel ao livro que a originou: num futuro distópico, os Estados Unidos haviam caído e em seu lugar foi criada a nação de Gilead – um lugar onde a adoração religiosa parecia ser a base da salvação do mundo. Para isso, homens e mulheres teriam de se posicionar e assumir seus deveres, mas apenas uma parte fez isso voluntariamente. Consegue adivinhar qual? É, você acertou.

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CINEMA

Crítica: Antes Que Eu Vá

Sísifo. Não é uma DST”, diz aquela que é provavelmente a fala mais repetida ao longo das menos de duas horas de duração de Antes Que Eu Vá, filme de Ry Russo-Young que adapta o romance jovem adulto de Lauren Oliver. Na mitologia grega, Sísifo é punido com uma tarefa eterna e interminável: a de carregar uma rocha para o topo de uma montanha só para vê-la voltar à base todas as vezes – e, consequentemente, precisar carregá-la de novo, e de novo e de novo. Não é por acaso que a única aula retratada no longa, que tem como principal cenário uma escola de ensino médio, seja focada nesse mito; no coração da trama de Antes Que Eu Vá está, afinal, a repetição sem fim de um único dia na vida de sua protagonista.

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