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companhia das letras

LITERATURA

Cisnes Selvagens: memória e trauma na vida de três mulheres chinesas

Cisnes Selvagens

A história de alguns acontecimentos e lugares muitas vezes acaba sendo preterida por outras. Você já se perguntou por que conhecemos tanto sobre o Ocidente e quase nada sobre o Oriente? Ou por que nosso conhecimento em relação aos países asiáticos é tão pobre? É porque, infelizmente, a História é eurocêntrica, ou seja, quase sempre o enfoque de tudo volta-se para a Europa, e mais especificamente para a narrativa do homem branco heterossexual.

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LITERATURA

Só Escute: rompendo silêncios

Só Escute

No centro de Só Escute, livro mais popular da prolífica autora Sarah Dessen, está uma família aparentemente perfeita – pai, mãe, três belas filhas trabalhando como modelos – que vive em uma elegante casa de vidro projetada pelo próprio pai. Se alguém passasse pela casa à noite, nos conta Annabel, a narradora, veria uma família feliz compartilhando uma refeição pacífica. A felicidade irretocável e a perfeita harmonia em que os Green aparentam viver em muito se sustentam em tudo o que não é dito por nenhum deles. Em segundo plano, há uma série de não-ditos que atormentam cada um dos membros da família, em um lento mas constante processo de ebulição. Eventualmente, tudo isso domina e preenche o ar que os envolve, agindo de modo silencioso sobre sua relação uns com os outros e também com o mundo do outro lado do vidro. O silêncio é confortável, os priva de receber respostas indesejadas para perguntas que não querem fazer. Mas o silêncio também torna as relações distantes, torna mãe e filhas e irmãs estranhas umas às outras, interrompe as conexões que tentam estabelecer. Não existe conexão sem diálogo, sem franqueza, sem vulnerabilidade, diz o livro. É preciso falar. Mas também é preciso aprender a escutar.

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LITERATURA

A Rainha de Tearling: A história além de “uma garota exilada com uma coroa falsa”

Quando retorna para a Inglaterra, imediatamente após a morte do pai, o Rei George VI (Jared Harris), a outrora princesa Elizabeth (Claire Foy) é confrontada pela experiência dupla do luto: primeiro, pela perda do pai; depois, pela morte da mulher que fora um dia, Elizabeth Mountbatten, mãe e esposa, em detrimento da monarca, Elizabeth Regina. Quem inicialmente lhe chama a atenção para esse fato é sua avó, Rainha Mary (Eileen Atkins), em uma carta entregue nas mãos da neta, ainda no avião. A cena é a primeira, mas não a última, a tomar como foco a relação entre mulher versus monarca, que vai percorrer, de maneiras diferentes, ambas as temporadas de The Crown. A mensagem, no entanto, continua a mesma: a de que ser mulher é difícil, e é potencialmente mais difícil se você for uma mulher em posição de poder.

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LITERATURA

A Glória e Seu Cortejo de Horrores

Rio de Janeiro sempre foi, para mim, uma cidade decadente. Mesmo que eu nunca tenha realmente morado lá, eu sempre senti o peso da história que nunca chegou a ser o que prometia, o peso de gerações passadas, o peso da minha família. Meus pais vieram do Rio para São Paulo no final da década de 1980 e desde então minha família nuclear é mais paulistana que carioca, mas sempre que visito a cidade eu volto a sentir esse peso. O peso é totalmente uma invenção da minha cabeça, eu sei disso. É irracional porque nunca morei no Rio, eu apenas viajei para lá de uma a duas vezes por ano durante todos os anos da minha vida. Continue Lendo

LITERATURA

As Irmãs Romanov: as filhas do último tsar

Lembro bem até hoje: era véspera de Natal, eu tinha nove anos e estava passando na TV Anastasia, animação que conta a história da princesa russa perdida durante a Revolução de 1917 e que por fim acabou reencontrando a avó e vivendo seu próprio conto de fadas. Aquela animação me fascinou e por muitos anos realmente acreditei que fosse baseada em uma história real. Até que, um dia, o advento da internet chegou à minha vida e eu pude finalmente pesquisar sobre a menina Anastasia e o que realmente havia acontecido com ela, para só então descobrir que ela e suas irmãs não tiveram o final feliz que eu havia visto quando criança, mas um fim terrível e cruel.

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LITERATURA

Fronteiras do Universo: o destino de Lyra e outras questões essenciais

Fronteiras do Universo

Quando falamos de consagradas séries fantásticas, é inevitável que alguns nomes tenham algum peso sobre as outras, sobretudo se elas vencem a temporalidade e permanecem atraentes, sempre conquistando uma nova leva de fãs a cada geração. Esse é o caso da trilogia O Senhor dos Anéis, escrita por J. R. R. Tolkien, e da sua contemporânea As Crônicas de Nárnia, escrita por C. S. Lewis, e também da série Harry Potter, de J.K. Rowling, as quais podemos afirmar, sem hesitação, que são alguns dos maiores fenômenos literários que existem. Entretanto, em algum ponto entre Nárnia e o mundo mágico de Harry Potter está a trilogia Fronteiras do Universo (His Dark Materials, no original) escrita por Philip Pullman e publicada entre 1995 e 2000. Embora seja a menos debatida entre as quatro séries citadas, Fronteiras do Universo tem um mérito indiscutível pela ousadia do autor em criar uma trama envolvente sobre uma temática tão controversa que é a questão da moralidade na ciência e na religião, acessível à compreensão e também em vias de ser imortalizada.

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