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Escrevendo a adolescência feminina nos dramas de prestígio: o caso de Sally Draper

O diálogo mais famoso de As Virgens Suicidas – “você nem tem idade o suficiente para saber o quanto a vida fica difícil”/ “doutor, você obviamente nunca foi uma menina de treze anos” – diz muito sobre como enxergamos, enquanto sociedade, as aflições das meninas que estão crescendo e criando suas identidades à nossa volta. As angústias que acompanham não só a adolescência como um todo, mas especificamente a adolescência feminina, que adiciona toda uma carga de machismo – inclusive aquele inveterado dentro de nós mesmas, absorvidos de tudo o que nos cerca – à experiência, parecem tornar as garotas adolescentes particularmente interessantes para os contadores das histórias que na verdade não são sobre elas, e sim sobre seus pais. Dana Brody em Homeland, Grace Florrick em The Good Wife, Paige Jennings em The Americans, Sally Draper em Mad Men: todas foram parte de séries que dedicaram uma quantidade considerável de tempo de tela às filhas adolescentes de seus protagonistas, fossem eles oficiais da marinha/ supostos agentes terroristas, advogadas de volta ao mercado de trabalho após o afastamento para serem mães em tempo integral, superespiões soviéticos à noite e pais suburbanos de dia ou então publicitários alcoólatras e tristes.

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The Killing, Sarah Linden e as mulheres complicadas da TV

Quem me recomendou The Killing foi Patti Smith. Para grande infelicidade minha, não estávamos batendo um papo agradável quando isso aconteceu, mas ela fala algumas vezes sobre a série no seu livro de memórias mais recente, Linha M. Talvez você não saiba, mas Patti Smith adora séries policiais. Nenhuma das várias que acompanha, no entanto, parece ser tão especial para ela quanto The Killing, à qual dedica um capítulo inteiro, discutindo seu cancelamento bem em meio a um enorme cliffhanger e todo seu carinho por sua protagonista.

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“Se você não gosta do que estão dizendo, mude a conversa”: a trajetória de Peggy Olson

“Em pouco tempo e com sorte você virá morar na cidade. Mas se você tiver sorte mesmo você ficará no subúrbio e não terá que trabalhar”.

Essa é uma das primeiras frases que Peggy Olson, interpretada pela brilhante Elisabeth Moss durante as sete temporadas de Mad Men, ouve ao chegar ao escritório da Sterling Cooper para seu primeiro dia de trabalho como secretária. Quem diz isso a ela é Joan Harris (a também brilhante Christina Hendricks), coordenadora das secretárias da agência, depois de questioná-la sobre o número de trens que precisava pegar para chegar em Manhattan vinda do Brooklyn (apenas um). Naquele momento, uma manhã de algum dia qualquer do ano de 1960, nenhuma das duas tinha como saber que o futuro que as esperava não tinha absolutamente nada a ver com o subúrbio, muito menos que isso não era ruim — muito pelo contrário.

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Mad (Wo)Men

Quando comecei a assistir a Mad Men, foi menos por algum interesse particular na série do que por um misto de curiosidade com um pouquinho de má vontade, tudo devido aos muitos Emmys que ela ganhou ao longo de vários anos (tenho certa preguiça de coisas que ganham prêmios todo ano, embora hoje eu concorde e ache que merecia mais, inclusive). Então, sabia muito pouco, quase nada, a respeito – exceto que a trama se passava nos anos 1960, dentro de uma agência de publicidade. E que ela era uma história sobre homens, claro, os tais “mad men” do título.

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