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Problematizando Rory Gilmore

Quando o assunto é Gilmore Girls, uma das discussões mais quentes que permeiam a série é qual dos três namorados de Rory (Alexis Bledel), ao longo das sete temporadas, é o melhor para ela. Trata-se um assunto que instiga debates desde a época em que a série ainda estava no ar e nunca se esgota. Contudo, enquanto o foco é essencialmente voltado para os rapazes (e amizades são desfeitas no processo), um detalhe muito importante é, talvez, propositalmente desconsiderado na hora de avaliar os relacionamentos: as atitudes da Rory e em que elas influenciam na opinião popular sobre seus namorados. E, não só isso, o problema em pintá-la como a boa garota em geral. Somos todas Rory Gilmore, e justamente por isso, tratá-la de forma justa significa nos tratar de forma justa também.

Na grande reunião do elenco e criadores que aconteceu ano passado no Texas, quando a ideia de um revival ainda era apenas um sonho esperançoso por parte dos fãs que nunca se contentaram com o desenrolar da sétima temporada da série, foi reservado um tempinho para discutir a questão que jamais quer calar, sobre com-quem-Rory-deve-ficar. Scott Patterson, que interpreta o Luke na série, respondeu com o mesmo argumento que temos visto muito internet afora: nenhum deles era bom o suficiente para Rory. Tem um tom de brincadeira no argumento, é claro, e Scott está imediatamente perdoado, de qualquer maneira, porque Luke foi, no fim das contas, uma figura paterna para Rory. Mas, se pararmos para pensar um pouquinho mais nessa afirmação, vemos que ela é bem problemática. Porque ela não vem da ideia de que Logan, ou Jess, ou Dean, eram particularmente horríveis, mas de que Rory era boa demais, o que ignora grande parte de seu desenvolvimento enquanto personagem e das nuances e complexidades que ela recebeu de Amy-Sherman Palladino.

Rory sempre funcionou, em alguma medida, como uma forma de auto-afirmação de Lorelai. Afinal, ela criou a menina sozinha, construiu uma vida inteira sozinha, e, como resultado, tinha aquela menina doce, compreensiva, inteligente, dedicada e que estava indo a todos os lugares que queria. O que é tudo verdade. Não é por nada que toda a cidade de Stars Hollow parece sentir um carinho especial pelas garotas Gilmore. Só que isso não fazia de Rory uma personagem perfeita. Se ela teve uma crise profissional de consequências enormes e desastrosas também para sua vida pessoal ao fim da quinta temporada, quando Mitchum Huntzberger (Gregg Henry) diz que ela não tem o que é necessário para ser uma boa jornalista, é porque os elementos já estavam lá desde o começo. A verdade é que Rory sempre ouviu de todos os lados, por onde quer que passasse, que ela era boa, muito boa, incrível demais, de modo que uma única crítica negativa foi capaz de tirá-la completamente do caminho que vinha traçando para si mesma pelo menos desde os dezesseis anos (mas provavelmente desde muito antes). Rory estava acostumada demais a ter o que queria.

Pensemos em Rory, Dean e Jess.

Quando Jess (Milo Ventimiglia) chega a Stars Hollow, ele (compreensivelmente) mexe com o coração apaixonado de Rory Gilmore, com sua mistura de atitude de bad boy e bom coração – lá no fundo –, suas anotações nas margens da cópia de Rory de Howl, seu conhecimento das referências a Charles Dickens. É só lá no final da temporada, depois de muitos olhares trocados, muitas conversas por telefone que Rory tem vergonha de deixar a mãe saber que estão acontecendo e muito Dean (Jared Padalecki) olhando de fora pelas janelas, pressentindo que algo vai acontecer entre eles e se tornando um rapaz possessivo e controlador, que Rory convenientemente vai passar o verão em Washington. Ela volta para casa depois de meses sem falar com Jess, sem querer terminar seu relacionamento com Dean e, ao mesmo tempo, morrendo de ciúmes quando ele arranja uma namorada (muito mal tratada pela série, diga-se de passagem) que parece só existir para fazer ciúmes. Rory não quer terminar seu relacionamento de quase dois anos, mas também não quer que o garoto que ela beijou uma vez por dez segundos, escondida e imediatamente pedindo para ele não falar nada, siga adiante também.

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Pensemos agora em Rory, Dean e Lindsay.

A verdade é que o relacionamento de Rory e Dean só termina quando ele toma uma atitude (horrível, diga-se de passagem, discutindo no meio de um evento envolvendo a cidade toda). Depois disso, a vida segue, Rory e Jess acontecem, não dá muito certo, eventualmente Jess vai embora sem se despedir, Rory se muda para os dormitórios de Yale, Dean se casa com outra garota – a Lindsay (Arielle Kebbel), pobre Lindsay. Com Lindsay, Dean consegue o que ele aparentava querer: uma esposa para cuidar da casa enquanto ele sai para trabalhar. Contudo, não demora muito para que o relacionamento dos dois comece a degringolar, principalmente porque Dean continua apaixonado por Rory, não sendo honesto com Lindsay sobre seus sentimentos desde o início. Em um casamento que já começou errado, não é exatamente uma surpresa, então, que as coisas tenham terminado como terminaram: na traição de Dean com Rory.

Não há dúvida quanto a culpa de Dean em toda a história, especialmente sendo ele, naquele momento, a única parte que se encontrava em um relacionamento e que usa um discurso ridículo sobre as coisas não estarem dando certo com Lindsay como desculpa para se aproximar de Rory. A atitude de Rory, no entanto, se torna também bastante problemática quando pensamos na falta de empatia para com Lindsay e no egoísmo com o qual ela decide lidar com a situação. Quando confrontada por Lorelai (Lauren Graham), sua mãe, sobre o ocorrido, Rory se recusa a encarar os próprios erros e se apoia na justificativa torta de que o relacionamento de Lindsay e Dean não está mais funcionando. Questionada se o casamento dos dois havia de fato chegado ao fim e se Dean já teria saído de casa e contratado um advogado, Rory responde, sem muita convicção, que os dois não entraram em muitos detalhes, ao que Lorelai rebate dizendo que ela, a garota que sempre pensa em tudo e que vive fazendo listas, foi justamente a pessoa que não se importou em discutir todos os detalhes antes de se envolver com um homem casado. Rory, por sua vez, responde que ele é o Dean, o seu (!) Dean, que ele fora seu namorado muito antes de ter se casado, como se isso, de alguma forma, diminuísse o erro de ambos, mas principalmente o seu.

Numa tentativa frustrada de justificar o injustificável, Rory coloca a culpa em todos aqueles que são, senão as vítimas da situação, ao menos pessoas que não têm sequer a ver com a história, enquanto tenta a todo custo abstrair as duas únicas pessoas que dividem a culpa: ela e Dean. Ao culpar Lindsay por não ser a esposa que acredita ser ideal para Dean, Rory utiliza de um discurso bastante problemático de que mulheres traídas são, de alguma forma, culpadas por não fazerem seus homens serem capazes de manter o pinto dentro das calças, quando na realidade é justamente o contrário. Dean é, assim como Rory, o único culpado de suas atitudes, sendo Lindsay, em toda essa história, apenas a vítima de um casamento fadado ao fracasso. Ao mesmo tempo, Rory se esquece de que, embora não seja culpa sua o fato de Dean ter entrado num casamento enquanto estava apaixonado por outra pessoa, suas escolhas do passado foram determinantes pra que a história de ambos tomasse o rumo que tomou. Uma vez apaixonada por Jess, era natural que, mais dia menos dia, o relacionamento de Rory e Dean chegasse ao fim, mas ao abrir mão do tempo que viveram juntos, ela precisava reconhecer também que, a partir daquele momento, ambos seguiriam suas vidas em separado. Quando é lembrada disso por Lorelai, no entanto, Rory imediatamente se vira contra a mãe, acusando-a de ter estragado o momento enquanto, mais uma vez, se recusa a enxergar o próprio erro, algo que ela não reconhece mesmo após o fim de seu relacionamento com Dean.

Por mais que esse seja um episódio controverso na trajetória da personagem, não deixa de ser interessante perceber que sua própria figura, enquanto parte de um triângulo amoroso, não parte da representação clichê com o qual a sociedade está acostumada, tornando a situação muito mais realista e complexa – coisa que, aliás, Amy-Sherman Palladino sempre soube fazer tão bem. Rory é a garota que, desde o início, sempre foi pintada como perfeita, que sempre foi estudiosa, tirou as melhores notas, conseguiu vaga nas melhores universidades, que preferia ler à ir em festas e nunca deu trabalho para seus pais, inclusive assumindo em muitos momentos o papel de conscientizar ambos. O fato de se ver confrontada, talvez pela primeira vez, pelas escolhas erradas que fez em determinado momento de sua vida não deveriam, de forma alguma, ser encaradas com facilidade. Se a dificuldade em assumir e lidar com as consequências dos próprios erros é algo intrínseco ao ser humano, nada mais justo que Rory, sendo tão humana quanto é, não lide com a situação da melhor maneira possível, muito menos se sinta confortável num papel que, em sua cabeça, nunca lhe pertenceu.

É verdade que muito do desenvolvimento da Rory enquanto personagem acontece em volta dos três namorados dela, a ponto de ser bastante questionável a declaração recente de Amy Sherman-Palladino sobre (nas palavras da entrevistadora, não dela) “a obsessão da internet” com o tema, porque era uma parte muito pequena de quem a Rory era. É óbvio que é verdade, mas nos perguntamos quanto do tempo de tela de Rory foi dedicado a outras questões. Ainda assim, o argumento dela é correto – cada um dos três representa uma faceta diferente da personagem, e o foco maior da série sempre foi (como deveria ser) as garotas Gilmore, de modo que Dean, Jess ou Logan (Matt Czuchry) existem para servir às storylines da Rory, e nunca o contrário. Enquanto Dean é um namoradinho fofo de escola que é legal com a mãe dela e um bom primeiro namorado (pelo menos ao longo da primeira temporada), Jess representa o interesse de Rory naquilo que era alternativo aos valores mais tradicionais, ao que é meio fora da curva. Aliás, dá para fazer exatamente esse mesmo argumento a partir de como a literatura – bastante variada – citada ou lida pela Rory funciona na série. Logan, por sua vez, funciona como uma espécie de representante do mundo dos Gilmore, o mundo de privilégios ao qual Rory não pertenceu enquanto crescia porque Lorelai jamais permitiu, mas do qual ela nunca se afasta completamente e do qual, com a chegada de Logan, ela se aproxima cada vez mais – e aí é curioso perceber como, diferente de sua mãe, Rory se sente confortável nesse mundo de privilégios, convenções sociais e tardes de chá.

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O mundo de privilégios dos Gilmore e dos Huntzberger (e dos Geller, e dos Hayden, e assim por diante) é também o mundo de Rory. E ela, de fato, usa os privilégios que herda. É por causa deles que Rory tem condições de frequentar uma escola particular com a finalidade de receber a melhor educação possível e ficar mais próxima de Harvard. Seu nome sem dúvida influencia em sua admissão em Yale, onde ela é um “legado”. É por sua ligação com Logan que ela consegue um estágio em um grande conglomerado de comunicação. Aliás, depois que Richard descobre que Rory tem alguma relação com o jovem herdeiro dos negócios de Mitchum Huntzberger, ele faz questão de lembrar a Rory que o garoto é um ótimo contato para manter. Sem falar nas condições financeiras para bancar uma educação numa universidade privada que também é uma das mais renomadas do mundo.

Mesmo sua mãe, que sempre fez questão de manter a filha longe do mundo do qual ela mesma fez parte – e, de certa forma, sempre vai fazer – por bastante tempo, falha ao construir para Rory uma imagem de garota perfeita, que não age de forma inconsequente e que se encontra acima de tudo e de todos. Por muito tempo, Rory é tida não só pela sua mãe, mas por todos que as cercam – desde sua família até os moradores de Stars Hollow – como a menina dos olhos, uma garota inteligente, determinada e talentosa que sem dúvida será capaz de conquistar o que quiser em sua vida. Embora no incentivo seja importante, em determinado momento, tratar Rory dessa forma deixa de ser saudável para se tornar um problema em sua vida, que a limita de várias formas.

Se Rory encontra uma dificuldade absurda em lidar com as frustrações que naturalmente surgem em sua vida com o passar do tempo é só porque, para começo de conversa, ela foi privada durante boa parte de sua vida de lidar com essas situações. De certa forma, essa parte da vida de Rory corresponde – e muito! – às frustrações que nós, jovens de vinte e poucos anos, também encontramos assim que abandonamos nosso pequeno mundinho para encarar um ambiente muito maior e cheio de pessoas tão ou mais incríveis que nós. Se em Chilton Rory podia contar com certos privilégios (como, por exemplo, quando perde a prova e recebe de Max Medina – interpretado por Scott Cohen – a chance de fazer um trabalho extra para compensar a nota) e se em Stars Hollow ela sempre seria absolvida de toda a culpa (e aí é impossível não citar o episódio do acidente de carro, em que Jess leva toda a culpa sozinho), da mesma forma que, embora tenha ignorado por muito tempo os avisos da mãe em relação aos avós, tão logo se via em alguma enrascada por conta dos planos cabeludos de Emily (Kelly Bishop) e Richard (Edward Herrmann), podia ligar para sua mãe e pedir por ajuda, uma vez em Yale, ela passa a ter de encarar situações em que nem sempre sua mãe, seus avós, os moradores de Stars Hollow e seu sobrenome são suficientemente capazes de resolver por conta própria. Isso de modo algum significa que ela deixe de ter regalias, muito pelo contrário. Entretanto, essa é a primeira vez que Rory se vê encarando o mundo real e sua falta de preparo traz consequências desastrosas em sua jornada.

Nesse sentido, a desistência momentânea da carreira como jornalista após o feedback de Mitchum Huntzberger sobre seu desempenho no estágio é perfeito para ilustrar o quanto Rory nunca aprendeu a lidar com certas situações em sua vida. O período que se segue após o ocorrido é bastante controverso e divide opiniões entre aqueles que assistem a série – Rory larga a faculdade, briga com a mãe, rouba um barco, vai morar com os avós, etc etc –, mas não há como negar que essa transição foi fundamental para o amadurecimento da personagem. O mundo não é uma fábrica de realização de desejos e Rory descobre isso na marra para só então construir uma versão de si mesma muito mais madura, confiante e ainda mais determina a conseguir o que quer, sem se importar com aqueles que colocam em xeque sua capacidade e talento enquanto jornalista.

Se Rory Gilmore é cercada de privilégios, ela, como acontece com todos nós, tem certa dificuldade de reconhecer a existência deles. Isso não é um problema, só torna a personagem mais verdadeira e complexa. Quando Rory escreve um artigo ironizando o mesmo mundo de privilégios do qual ela vem (em escala menor, é verdade), é preciso que o próprio Logan lembre que ela é “uma deles” – que ela frequentou uma escola particular, frequentou Yale, não precisou passar pela faculdade pensando em como ia se manter e ter um lugar para morar. É uma defesa dele sobre si mesmo e seu estilo de vida, é claro, mas ele não deixa de ter razão. Enquanto Rory se nega a reconhecer que é uma garota privilegiada e que, embora passeie por dois mundos muito distintos, sempre teve todas as garantias e regalias que muitas pessoas jamais terão, Logan sabe que está nesse mundo e ainda que faça piada sobre ele constantemente, não se coloca contra ele, muito menos se coloca como alguém superior, que enxerga tudo de fora e julga todos em tempo integral. Rory, claro, reage muito mal; ninguém gosta de ter seus privilégios jogados na cara. É muito mais fácil reconhecer onde nos sentimos prejudicadas. Somos todas Rory Gilmore, afinal de contas.

Problematizar Rory Gilmore não quer dizer que não admiramos a personagem, muito menos que ela não é uma boa personagem. Aliás, muito pelo contrário. Bons personagens são personagens com substância, bem desenvolvidos, coerentes dentro de sua narrativa. Eles podem se desenvolver ou regredir ou  ainda ficarem estáticos, desde que isso se justifique na trama global. Com Rory Gilmore, demos sorte de vê-la sendo tudo menos estática. A personagem faz escolhas boas e escolhas horríveis, age com graça e com egoísmo e, durante todos esses sete anos da série se mantém sempre interessante. Rory é humana e como tal, seus erros não a definem, muito menos diminuem seus feitos e qualidades, assim como não o faz com todas nós. Mal podemos esperar para ver o que mais ela tem a nos dizer no revival. Temos certeza de que será muito – e rápido.

Texto escrito por Ana Luíza e Fernanda

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11 Comentários

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    Alayana
    24 de novembro de 2016 at 18:37

    Puxa, AMEI por demais o texto meninas! A análise da Rory foi perfeita e é realmente tudo que penso sobre a personagem que sempre foi taxado como perfeita, mas que ao longo da série prova o contrário, o que só deixa tudo mais interessante! Parabéns pelo excelente post! Amei forte! E que ansiedade pelo revival \o/

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      Ana Luiza
      25 de novembro de 2016 at 15:11

      Não é? Rory não é perfeita, é humana como todas nós, e comete seus erros – o que de modo algum significa que ela seja menos incrível do que é. Muito obrigada, Alayana! E que venha o revival! <3

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    Ana Camina
    25 de novembro de 2016 at 15:03

    Mas eu só posso dizer: PALMAS! 😀

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    Carla
    27 de novembro de 2016 at 23:06

    Ótimo texto, aguardando ansiosamente um update pós revival!

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    Ana Julia
    4 de dezembro de 2016 at 12:42

    Perfeito! Terminei a 5 temporada ontem e fiquei com raiva de Rory, porque de repente achei ela mimada e egoísta. Tudo bem que ninguém é obrigado a insistir numa coisa que lhe faz mal, especialmente quando se trata de saúde mental. Mas percebi naquele momento – posso estar errada – que ela simplesmente desistiu muito “fácil” e de certa forma ignorou todo o esforço da família para realizar a vontade, o desejo dela. Talvez eu tenha levado pro lado pessoal tambem hehe eu me considero privilegiada em vários aspectos, mas sempre houveram momentos em que nao pude ter o que desejava e fui ensinada que as vezes é preciso abaixar a cabeça e resistir como puder. Quando eu vejo alguém reclamando de “barriga cheia” ( posso estar sendo injusta desculpe) isso me irrita muito e mais ainda quando atendem os desejos dessa pessoa ( ai talvez eu tenha uma invejinha, confesso). Mas além dos meus devaneios, concordo bastante com o que vocês colocaram acima. Somos uma geração em que fomos constantemente incentivados a ser o que quiséssemos, que poderíamos alcançar qualquer coisa, mas não nos disseram a que custo isso se daria muito menos que as vezes mudar não significa desistir. O processo de amadurecimento é punk rs.

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      Ana Luiza
      7 de dezembro de 2016 at 16:05

      Mas é muito isso mesmo. Particularmente, também acho que a Rory se deu por vencida fácil demais. Só que ao mesmo tempo eu consigo entender muito do lado dela. É verdade que muita gente teria dado qualquer coisa para ter as oportunidades que ela teve na vida – eu, inclusive. Mas ao mesmo tempo, acho que esse período foi essencial pro crescimento dela, especialmente porque vai contra a visão idealizada que todo mundo tinha dela até então. Se a proibição é uma limitação, acho que crescer e ter a própria vida permeada por esse ideal de perfeição acaba se tornando uma prisão também, sabe? Isso não anula os erros que ela comete e não faz com que eles sejam menos horríveis, mas prova que ela é muito humana, assim como todas nós, e isso é importante pra caramba. Amadurecer não é fácil, risos.

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        Ana Julia
        7 de dezembro de 2016 at 19:37

        Entendo 🙂

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    Rachel
    30 de Janeiro de 2017 at 23:05

    SENSACIONAL! E o revival é fiel a isso.

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    Maria Luiza Meningue
    31 de Janeiro de 2017 at 03:24

    Amei a problematização e me dei conta de umas coisas importantes na personalidade dela. Preciso dizer que fiquei com muita raiva dela com todas as consequências que teve a crítica negativa de Mitchum, me deixou levemente brava, honestamente. Era burrada atrás de burrada e para uma pessoa que sempre foi tão centrada como ela, que “parece vestida por passarinhos”, como já disse Paris Geller, fazer aquelas coisas beirava o absurdo mas depois de ler a sua análise me dei conta de que faz muito sentido, na verdade. Após sempre ser bajulada e sempre muito querida mesmo, percebemos que ela não iria realmente se dar bem com isso. Não lembro dela recebendo mais do que 5 críticas negativas durante a série, embora eu visse ela fazer várias coisas complicadas, por assim dizer.
    Sobre os namorados, acho que eles ocuparam um papel muito importante na série, como você afirmou, mesmo sendo secundários. O Dean foi o primeiro de tudo; o Jess foi o novo, proibido; já o Logan foi o que representou o que ela sempre teve, de certa forma, o que a aproxima de algo que ela sempre foi (privilegiada, afinal, quem nunca pensou que queria ter a vida dela durante as 7 temporadas?), de uma forma ou de outra, até por que iriam construir um observatório em Yale com o nome dela. Acho que o Logan foi o menos pior dos namorados dela, na verdade. Esperar que chegue um príncipe para ela, como todos esperam, não vai acontecer. Ele, assim como ela, tem seus defeitos e quando ela se aproxima dele, Rory acaba indo para onde ela pertence e se sente de bem -embora fale mal e discorde que faz parte-: o mundo dos ricos. E faz coisas que pertencem ao mundo do Logan, como pular de uma construção ou arranjar cada vez mais contatos. Ela não se transforma no pior de Rory Gilmore ao ficar com ele, só mostra uma outra face que sempre existiu. E ele também não é o culpado pelas coisas que ela faz, ele tenta até confortar ela quando surge a ideia de adiar Yale mas não funciona.
    Acho que a imagem que é construída durante a série sobre ela é de que ela é quase perfeita. Ela é doce, delicada e inteligente. Vestida por pássaros, afinal de contas. Mas que também faz umas burradas aqui e acolá.
    Ela vem em contra ponto a Lorelai, que sempre foi a problemática que nunca se identificou com o mundo dos ricos, cheia de defeitos que a Emily faz questão de lembrar. Lorelai mostra que ela tem problemas sim e defeitos também, Stars Hollow vê e acata isso mas quando se trata de Rory Gilmore, a cidade reage de maneira insana. Todos a tratam como se ela fosse uma filha e ninguém quer ouvir falar mal de seus filhos, afinal de contas. Isso acaba a poupando de muitas coisas que acontecem durante a nossa infância e adolescência que nos preparam para determinadas situações na juventude ou vida adulta, por exemplo. Tirar dela a “oportunidade” de quebrar a cara é priva-lá de saber como levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Toda essa redoma que constroem ao redor dela apresenta as suas consequências na situação do fim da 5° temporada (eu acho) com o Mitchum.
    Amei a análise e queria muito saber a opinião de vocês sobre o revival (amei de paixão e ela continua fazendo umas boas burradas, como qualquer pessoa).
    Beijosssss

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    Andreia
    22 de Maio de 2017 at 14:35

    Excelente texto! Simplesmente amei quando vc lembra que a Amy declara que os fãs são obcecados pela vida amorosa da Rory mas boa parte do tempo é como ela lida com seus relacionamentos amorosos. Particularmente, não acho uma parte tão pequena assim! Muito diferente da mãe que teve muitos namorados ao longo da série, e q tomou umas decisões bem erradas como, por exemplo, ter se casado com o Chris, a Rory não é nada sincera consigo mesma. Isso é o que mais me decepciona e me irrita na construção do personagem dela! A mãe da Rory desmancha o noivado com o Max Medina quando percebe que não o ama. A Rory não termina com o Dean quando percebe que não gosta dele, fica insistindo no erro. Até aí ok ela era adolescente, imatura bla bla. Mas isso não evolui nenhum pouco nela! Principalmente, depois de ter se apaixonado pelo Jess (que para mim saiu de cena de uma forma bem incoerente e mal explicada) ela acaba voltando para o Dean só porque sabe que ELE continua apaixonado por ela. Ridículo isso. Além de ter perdido a virgindade com ele. Mesmo que ele fosse solteiro, não é possível que a Rory depois de ter largado dele, namorado outro que inclusive estava pensado em transar sendo que antes em 2 anos de namoro com o Dean não pensou nisso, não dá pra acreditar que ela AINDA o ama ou sequer sente alguma atração física para justificar ter transado com ele. Achei super forçado, só aconteceu para ela e a mãe brigarem. E depois com o Logan, só desastres…ele é um babaca e nem parece amor o que ela sente por ele também e sim, que ele representa uma grande conquista pra ela e q curte o status tbm de ser namorada dele etc etc. Ela se encanta fácil pelo “charme” dele, que pra mim é só dinheiro. O fato de ter recebido uma critica e já ter desistido tão fácil e por muito tempo, só mostrou o quão fraca e insegura ela é. O que eu tinha expectativa é que nesses momentos que ela não quer encarar o erro ou enfrentar um obstáculo ok, ela pode se abalar como todos por um tempo, mas que ela refletisse que encontrasse força em si mesma para continuar, analisasse o que realmente importa e encarasse a vida. Mas em nenhum momento vejo ela amadurecendo isso, o que é muito contraditório para quem conhece tanto o mundo dos livros ser incapaz de olhar para si mesma! Tem sempre que aparecer alguém, um ex namorado ou sei lá para fazer ela repensar as atitudes dela! E pq mesmo que todos os 3 namorados que ela teve são tão perdidamente apaixonados por ela? Ela é confusa, mimada. Nenhum deles deveria ser team Rory. Amo GG até a 3 temporada depois faço questão de ignorar a vida amorosa da Rory que quase significa ignorar ela por completo! Se a vida amorosa dela é tão insignificante assim poderia mostrar ela em algum momento mais tranquila e bem resolvida. Mas não é a outra do Dean depois a outra do Logan, se é a favor do poliamor ok então deixe claro para todos envolvidos (entenda-se a noiva do Logan) e seja feliz! Mas não, só faz coisas sem sentido e se mostra tbm sexualmente muito reprimida. Aff

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