LITERATURA

Veronika Decide Morrer: uma jornada para se (re)descobrir

Acredito que desde que me entendo por gente – ou leitora – que ouço falar de Paulo Coelho. Embora ele seja um dos autores brasileiros e de língua portuguesa mais traduzidos no mundo – em uma rápida pesquisa no Google é possível saber que suas obras já receberam mais de mil traduções! – eu, até hoje, nunca havia me interessado por um livro seu, mas finalmente chegou o dia em que escolhi mergulhar em uma de suas tramas e, para isso, elegi Veronika Decide Morrer.

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CINEMA

Thor: Ragnarok – Uma pausa para o fim do mundo

Na mitologia nórdica, Ragnarok (ou Ragnarökkr, em sua origem mais antiga; “consumação dos destinos dos poderes supremos”, por definição) é o nome dado a uma sucessão de catástrofes naturais e guerras entre deuses e monstros que resultariam no que pesquisadores e acadêmicos entendem como a escatologia nórdica; o fim do mundo profetizado na religião de germânicos e escandinavos. Figuras míticas fundamentais para a fé nórdica – pensem em Odin, principal deus do clã de Asses; em Thor, seu filho, deus dos trovões e das batalhas; ou, ainda, em Loki, deus da trapaça e das travessuras – seriam mortas em campo de batalha, cujo fim concretizaria a profecia mencionada na poesia éddica¹ ao submergir o mundo em água, o sol ser encoberto pela escuridão e o universo ser parcialmente destruído.

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TV

Live more, laugh more, eat more, talk more: Um ano de Gilmore Girls – A Year in the Life

A Year in the Life

Em “Those Are Strings, Pinocchio”, Rory (Alexis Bledel) abre seu discurso de oradora da turma dando as boas-vindas a todos os presentes e descrevendo como foi esperar o dia de sua formatura: “Jamais pensamos que esse dia chegaria. Rezamos pela sua rápida chegada, riscamos os dias dos nossos calendários, contamos horas, minutos e segundos”. Da mesma forma podemos descrever como foi a nossa expectativa para o revival de Gilmore Girls; evento com o qual sonhamos brandamente desde o final da série clássica em 2007 e ardentemente desde que foi confirmado em meados de 2015.

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LITERATURA

Me Diga Quem Eu Sou: a trajetória de dor, descoberta e superação de uma mulher bipolar

Verão de 1988. Helena Gayer, então com 21 anos, é diagnosticada com transtorno bipolar. De férias com os amigos, no litoral de Florianópolis, ela vê seu primeiro e mais devastador surto de mania tomar forma, até explodir como uma bomba, que espalha seus estilhaços por todos os lados e arrasta consigo tudo o que encontra pelo caminho; episódio que culmina em sua primeira – mas não última – internação em uma clínica psiquiátrica. Assim, a autora inicia Me Diga Quem Eu Sou, seu primeiro livro, cuja narrativa navega entre os extremos de dois mundos e, a partir de então, busca refletir sobre as nuances que existem entre e para além da mania e da depressão.
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LITERATURA

O Livro do Juízo Final: ficção científica e viagem no tempo

O Livro do Juízo Final, primeiro da série Oxford Time Travel, escrito por Connie Willis e publicado no Brasil pela Suma de Letras, é um livro que mistura ficção científica, viagens no tempo e um relato cru e sem fantasias da Idade Média. No imaginário popular, a Idade Média normalmente aparece como um universo à parte, repleto de príncipes galantes e princesas à espera, mas a realidade era outra – e bem diferente. O livro de Connie, que mescla passagens do ano de 2054 e 1320, na Inglaterra, retrata com maestria como o século XIV foi perigoso, principalmente para moças viajando desacompanhadas – o que, se pararmos pra pensar, não mudou tanto assim no século XXI.

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COLABORAÇÃO TV

Queen Sugar: desconstruindo estereótipos

É notório que a representação de pessoas negras no cinema e na TV norte-americana vem passando por mudanças gradativas. Se aos personagens negros homens se reservava a representação de forma marginalizada, imersos em ambientes de violência e vícios, como o alívio cômico contrastando com a imagem badass do protagonista, o homem sexualizado ou, ainda, aqueles que serviam como trampolim para o desenvolvimento e sucesso do mocinho branco; a poucos e lentos passos, a realidade tem mudado. Quando falamos sobre mulheres negras, no entanto, essa representação soa ainda mais injusta: muitas delas são as “mães guerreiras” que têm seus filhos envolvidos em crimes; mães negligentes – drogadas, em sua maioria; mulheres extremamente sexys que acabam, mais hora, menos hora, sendo abusadas.  Continue Lendo