INTERNET

The Chocolate Challenge e por que ainda precisamos falar sobre blackface

No dia 17 de julho, o Buzzfeed postou um artigo sobre Vika Shapel, uma vlogger, e seu “Chocolate Challenge”, um desafio de maquiagem que consistia, basicamente, em deixar Vika, que é branca, com a pele negra — blackface, pra ser objetiva. O artigo expunha, justamente, o fato de a vlogger ter sido chamada de racista após o desafio. Em sua defesa, Vika disse que não conhecia o conceito de blackface, se desculpou e apagou suas contas nas redes sociais. Até aí, tudo mais ou menos certo. O problema é que os comentários dos leitores do Buzzfeed iam em uma via contrária a de Vika, alegando que hoje em dia tudo é racismo, “mimimi”, que em As Branquelas (2004) houve “whiteface” e já não se pode fazer nada livremente porque problematizam tudo. Posto isso, é interessante explicar o que é blackface e porque ele é tão ofensivo.

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CINEMA

Em Ritmo de Fuga e o papel das coadjuvantes femininas

“I rarely meet men in real life as extraordinary as ones on film, and rarely see women on film as extraordinary as ones I know in real life.” (Jen Richards, criadora do Her Story Show)

(Tradução livre: “Eu raramente conheço homens na vida real tão extraordinários quanto os dos filmes, e raramente vejo mulheres nos filmes tão extraordinárias quanto as que conheço na vida real.”)

Em uma determinada cena de Em Ritmo de Fuga (originalmente Baby Driver, 2017), Debora (Lily James), a garçonete, conversa com o protagonista e seu par romântico, e admite, tristonha, que não há muitas músicas com o seu nome por aí. Ao perguntar a alcunha do personagem interpretado por Ansel Elgort e receber “Baby” como resposta, a garota afirma que os dois poderiam viajar de carro por bastante tempo sem esgotar as inúmeras canções existentes que citam o seu apelido.

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TV

Skam e a representação da amizade entre garotas

Existem séries e séries. Entre tantos programas de televisão sendo lançados e muita coisa sendo consumida, poucas séries realmente se destacam e tocam nosso coração um pouco mais que o normal. Algumas histórias fazem você simplesmente gostar de (quase) todos os personagens e se importar com cada um deles para saber o que vai acontecer nos episódios; pensar e discutir sobre isso ao mesmo tempo que compartilha tal descoberta com todo mundo. Foi assim que Skam virou uma febre mundial em menos de dois anos.

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CINEMA

Crítica: O Mínimo para Viver

Anorexia-histérica, “uma condição feminina”, foi o nome dado pelo médico inglês William Gull, em 1873, ao estado de perda de apetite sem causas gástricas diagnosticadas. Mais tarde, o distúrbio recebeu o nome de anorexia-nervosa e, após a publicação de um artigo pelo mesmo médico, em 1888, algumas centenas de outros especialistas averiguaram que os sintomas – que incluem, ainda, a distorção da imagem corporal, o medo de adquirir peso e a negação da própria condição patológica – se aplicariam não apenas a mulheres, mas também a pacientes do sexo masculino. A anorexia passou a fazer a parte do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais desde sua primeira publicação, em 1952. A bulimia, por sua vez, tem seus primeiros registros datados a partir de 1903, mas só em 1979 foi classificada como uma desordem – à época, correlacionada com a anorexia –, sendo só a partir de 1987 tratada como um distúrbio singular.
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