MÚSICA

Melodrama

Falar de Ella Marija Lani Yelich-O’Connor, garota neozelandesa de 20 anos mundialmente conhecida por Lorde, a millenial que deu certo, não é lá tarefa fácil. De garota suburbana à um dos grandes nomes da música internacional, Lorde estabeleceu seu estilo em meio ao mundo artístico. No auge dos seus quinze anos construiu um império peculiar, feito de diamantes, sucos de laranja e realeza, conquistando multidões com sua voz rouca, seu estilo diferente, e uma naturalidade que contava para nós, meros mortais, que ela era gente como a gente. Continue Lendo

LITERATURA TV

North & South: Dois lados da mesma moeda

“I believe I’ve seen hell and it’s white, it’s snow-white” [“Eu acredito que vi o inferno e ele é branco, branco como a neve”, em tradução livre]. É com essa frase que a personagem principal da minissérie da BBC, North & South, Margaret Hale (Daniela Denby-Ashe), finaliza o primeiro episódio. É também ao proferir essa frase que Margaret deixa bem claro o que pensa sobre o seu mais novo lar.

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CINEMA TV

Todas as princesas que não fui

Eu sempre era a Pocahontas ou a Jasmin quando se tratava de ser uma princesa da Disney. Elas nem eram as princesas principais, mas eram as mais próximas da minha pele negra clara e da minha realidade de ter sido criança durante os anos 90. Entre as Três Espiãs Demais, eu era a Alex. Meninas Superpoderosas? Docinho. Rebelde? Lupita.

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ESPORTE

A forte e imponente leoa da Holanda, e o que aprendemos com ela

Graças à deusa, cada vez mais podemos dizer que foi-se o tempo em que o futebol feminino usava o futebol masculino como muleta. Entretanto, nós bem sabemos que ele não anda assim 100% com as próprias pernas também. Quando o machismo e a dita “superioridade” do futebol masculino não estão presente em grandes coisas como agressão verbal a jornalistas e total descaso por parte da grande mídia, ele está em pequenas coisas como a essência da instituição – eu digo “pequena” pois, apesar de ser a essência, ninguém pensa muito nela.

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MÚSICA

Mitski não é a típica garota americana, mas a rockstar do nosso futuro

No início do ano, o New York Times lançou um especial que buscava apontar, através de 25 músicas, aonde o cenário musical estava indo. Entre nomes com propostas tão distintas como Missy Elliot, Mitski, Lady Gaga, Solange, Kanye West e Leonard Cohen, o denominador comum que unia os 25 artistas era que, cada um à sua maneira, todos estavam construindo trabalhos profundamente voltados para a ideia de identidade. Faz sentido. Vivemos um zeitgeist mundial em que esse tipo de questionamento – Quem somos? De onde viemos? – parece pautar toda a nossa produção artística: minorias sociais estão em destaque e seus membros estão descobrindo o que significa ser mulher, ser negra, ser imigrante, ser homossexual, em uma sociedade estruturalmente machista, racista e homofóbica, que sempre suprimiu e apagou essas identidades; a internet permitiu uma autonomia maior para criar, produzir e colocar nossas vozes no mundo, desafiando os meios já estabelecidos e restritos, permitindo que pessoas tenham a chance de dizer a que vieram sem a intervenção enviesada de intermediários. Um exemplo é este site que você está lendo agora.

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CINEMA

Crítica: Okja e aquilo que preferimos não ver

Quando eu era criança, não suportava que galinhas prestes a virar uma refeição fossem trazidas para casa ainda com a cabeça. Olhar nos olhos da galinha era a comprovação incontestável de que a carne que eu consumia não surgia magicamente no supermercado, não era produzida em uma máquina, mas antes fora um animal com um coração pulsando. Embora essa experiência não tenha servido para me tornar vegetariana, ou muito menos vegana, vejo nela uma forte semelhança com a polêmica envolvendo o abate de um cordeiro em um programa na televisão – o horror e o desgosto, afinal, também vieram de dezenas de pessoas que consomem carne. Comprar um pedaço de carne no mercado ou no açougue significa se ver diante de um animal com todas as suas características cuidadosamente removidas, de cortes feitos meticulosamente por alguém experiente. Amorfa e bem embalada em plástico filme, a carne moída que vira meu hambúrguer em nada lembra as vacas de olhar moroso que eu costumava ver todas as manhãs da janela do ônibus. É claro que sei de onde ela veio. Mas posso escolher não pensar nisso, se eu não quiser.

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